sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Anúncio do Natal traz esperança ao povo de Deus, pois nos ensina: Uma inimizade imposta, uma divisão definida e uma vitória prometida

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama para preparação do Natal

Leitura: Gn 3.1-24; Lc 2.8-20

Texto: Gn 3.15

Amada congregação do Senhor Jesus e demais ouvintes,

Estamos no mês de dezembro. Quando chegamos nessa época do ano, então, tudo é luz e cores, presentes, palavras de fraternidade – Isso tudo para anunciar a chegada do Natal.

Até grande parte do mundo não cristão tem recebido essa época como um tempo especial e propício para se pensar no próximo, em esperança para um futuro mais fraterno e melhor entre os homens.

Mas, infelizmente o anúncio do natal não tem sido feito pela igreja cristã, mas pelo o mundo anticristão.

Por isso, o anúncio do natal que ouvimos e vemos tira o significado e importância da anunciação do natal tanto para a igreja como para a humanidade.

Será que o mundo nos ensina por que é importante o natal para o homem?

Por que o natal nos foi anunciado?

Que mensagem o mundo traz às nossas famílias quando nos fala sobre a chegada do natal?

Quais os sentimentos que o natal anunciado pelo mundo produz em nossos corações?

Quando pela primeira vez foi ouvido o anúncio do natal e qual o objetivo desse anúncio?

O que há de importante nessa mensagem para o cristão e para o mundo?

A igreja e o mundo necessitam ouvir o que a Escritura revela sobre o Natal.

A anunciação do Natal que começou a ser contada não pelo mundo anticristão, mas por nosso SENHOR Deus. Um Natal que foi anunciado ainda dentro de um Jardim e não somente em Belém. Um natal anunciado para trazer esperança no meio do sofrimento.

Por isso, para manter a nossa Fé firme, os nossos corações consolados na esperança de salvação, então, anuncio as Boas Novas de Cristo no seguinte tema:

O Anúncio do Natal traz esperança ao povo de Deus, pois nos ensina:

Uma inimizade imposta

Uma divisão definida

Uma vitória prometida

Amados irmãos em Cristo, se desejamos aprender a importância do anúncio do Natal para nós, então, devemos ir para o Livro de Gênesis.

Moisés, pelo Espírito Santo, escreveu ao povo de Deus que havia sido salvo do Egito. Moisés escrevia para um povo que era peregrino, que ainda sofria as durezas da peregrinação nessa terra. Uma terra cheia de inimizade contra a igreja, lutas, sofrimentos, pecado. A igreja que estava sendo desafiava a continuar na esperança da vitória futura.

Então, o Espírito Santo queria fortalecer a esperança da Igreja na Salvação, explicando ao povo os motivos de tanto sofrimento na terra.

Se coloque no lugar de um pai ou de uma mãe israelita dos dias de Moisés, então, seus filhos (criancinhas israelitas) começam a perguntar:

Por que somos peregrinos nessa terra quente?

Por que estamos num deserto?

Por que temos que lutar para sobrevivermos nessa terra?

De onde vem os sofrimentos e dor?

De onde vem tanta violência e morte?

O Espírito Santo em Gênesis 2.4 a 4.26 respondeu essas perguntas. Moisés, pelo Espírito, ensinou como Deus criou o Seu Reino sobre a terra. Depois disso Moisés ensinou o que aconteceu com o Reino de Deus sobre a terra:

A Rebelião da humanidade contra Deus, o SENHOR Deus expulsa o homem do paraíso, Caim assassinando Abel, a maldade de Caim e dos seus descendentes e a continuidade da descendência de Adão e Eva na pessoa de Sete.

Ao ouvir ou ao ler as Palavra de Deus, então, Israel pôde compreender melhor a origem do seu sofrimento e do sofrimento provado pela humanidade. A igreja pôde compreender melhor os seus pecados, compreender melhor toda a inimizade das outras nações contra a Igreja, a diferença da Igreja com os povos da terra.

Mas, o SENHOR Deus anunciou algo mais. O SENHOR anunciou pela primeira a mensagem de esperança para a Igreja e para a salvação do homem perdido.

Essa primeira mensagem de esperança se encontra em Gn 3.15. Assim, em Gn 3.15 temos o primeiro anúncio do natal.

O anúncio do natal não começou em Bélem, mas no Éden.

O primeiro anúncio do natal não foi feito a José ou a Maria, nem aos pastores de Belém, mas ao diabo, a Eva e a Adão no Éden.

Esse anúncio de Gn 3.15 ensinava três coisas à igreja: “inimizade”, “divisão” e “vitória”:

Falar de inimizade na época de Natal pode ser considerado politicamente incorreto. Mas, a realidade é que nunca aprenderemos nem apreciaremos verdadeiramente o anúncio do natal sem começarmos sem falarmos de inimizade.

A Escritura nos fala do natal falando de inimizade. O homem na sua desobediência se aliou com o diabo e se fez inimigo de Deus. Essa aliança aconteceu quando Eva e Adão creram na palavra do diabo e comeram do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Porém, o Todo Poderoso, o SENHOR Deus, quebrou a aliança do homem com o diabo (que possuia a serpente). O SENHOR pôs uma inimizade permanente entre a serpente e a mulher, a descendência da serpente e o descendente da mulher.

Essa inimizade posta por Deus em Gn 3.15 é fruto da soberania de Deus e da Sua graça. O SENHOR Deus não deixou Satanás e o homem tirarem a Sua glória. O SENHOR Deus é soberano e o diabo e o homem são criaturas. O SENHOR Deus revela o Seu poder ao quebrar a aliança do diabo com o homem e ao garantir a salvação.

Como garantir a salvação?

Garantir a salvação, pois nem todos os homens serão amigos do diabo, crerão no diabo e viverão em aliança com Satanás. O SENHOR Deus deixou claro para o diabo que haveria uma parte da humanidade, uma descendência da mulher, que seria mantida em inimizade, hostilidade, rivalidade, antagonismo permanente.

Essa Palavra do SENHOR em Gn 3.15 nos revela também uma divisão imposta pelo SENHOR Deus, pois lemos: “Porei inimizade entre … a tua descendência e o seu descendente”.

O SENHOR Deus dividiu o mundo em duas partes: Os descendentes da Serpente e os descendentes da mulher.

A descendência da Serpente são todos os que permanecem crendo em Satanás: Isso inclui os espíritos que seguiram Satanás (demônios) e todos os seres humanos que mantêm-se incrédulos ao evangelho de Cristo e dão crédito a mentira.

Então, essa descendência da serpente não é carnal, mas espiritual. Podemos dizer isso, pois, a Escritura revela que junto com Satanás vários anjos o seguiram. Também, a Escritura mostra que Jesus Cristo chamou os judeus, que não creram nEle e o odiavam, de “filhos do diabo” (Jo 8.44).

Agora quem é a descendência da mulher?

São aqueles que, pela graça de Deus, creram e foram preservados na verdadeira Fé. É a igreja de Deus formada por aqueles que, pela graça de Deus, desde do início da humanidade têm confiado na Palavra de Deus, por exemplo: Adão, Eva, Abel o primeiro martir, a descendência que seguiu por Sete, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Judá; e no Israel que confiava no SENHOR.

O ensino da Palavra de Deus sobre as duas descendências, sobre a inimizade entre essas descendências, sobre a divisão definida na humanidade, poderia ser entendido por qualquer criança pequena de Israel como a luta e sofrimento, fruto da guerra do diabo e do mundo contra Deus e; que a igreja, pela graça e soberania de Deus, e mediante a Fé, gozava do amor e da amizade graciosa de Deus.

As crianças de Israel poderiam entender melhor a circuncisão e todas as leis que mostravam a diferença que havia entre Israel e os povos estrangeiros. A igreja de Israel poderia entender a graça de ser uma propriedade especial dentre todos os povos da terra.

É muito importante os pais da Igreja de nossos dias aproveitarem a época do natal para ensinar Gn 3.15 aos seus filhos:

Seus filhos são membros do povo de Deus. Por isso, nessa essa época que o mundo fala de irmandade e fraternidade independente da Fé, um mundo de igualdade e unidade fora de Cristo e sem Deus, então, apresente aos seus filhos Gn 3.15, que é o primeiro anúncio do natal.

Nossos filhos necessitam aprender, especialmente nessa data, que o diabo e o mundo caído são seus inimigos. E que eles querem ganhar o nosso coração e nos destruir. E isso há muito tempo.

Use o anúncio do natal em Gn 3.15 para falar que Deus separou os filhos dos crentes dos filhos dos incrédulos. Assim os pais podem aproveitar para falar da soberania de Deus, da graça, da salvação pela fé e do batismo infantil. Esse batismo é a circuncisão no Novo Testamento e o selo da promessa que nossos filhos foram separados do mundo inimigo de Deus.

Amados irmãos, o anúncio do natal em Gn 3.15 é para manter viva a esperança da Igreja na vitória prometida. O SENHOR Deus disse a velha serpente: “Este [descendência ou descendente da mulher] te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Moisés ensina que um representante da raça humana ferirá mortalmente o diabo e o derrotará. O povo, apesar do muito sofrimento, podia ter esperança que a vitória seria certa, pois o descendente da mulher ferirá a cabeça da serpente.

Israel no deserto e durante toda sua história podia ter a certeza que a igreja venceria, pois a vitória foi prometida pelo SENHOR. Essa vitória prometida é a boa notícia, ou seja, o Evangelho anunciado aos nossos primeiros pais, aos patriarcas, a igreja no deserto e a igreja de hoje.

Agora a vitória prometida custaria um preço.

A serpente ferirá o calcanhar do descendente da mulher.

O Espírito ensinou a Israel em Gn 3.15 que a vitória vem por meio do sofrimento alheio. Claro que os sofrimentos de Israel eram parte da luta do diabo contra o descendente da mulher. Mas, não seria o sofrimento de Israel que venceria o diabo. A salvação de Israel viria do SENHOR, do descendente da mulher que sofreria pela vitória da Igreja.

O Espírito Santo com Gn 3.15 prepara Israel para receber a Jesus Cristo, o Vencedor prometido.

Jesus Cristo foi anunciado em Gn 3.15?

Sim, claro.

Toda a Escritura fala de Jesus Cristo. E a passagem claramente nos fala de Jesus Cristo, pois, nos fala do descendente da mulher que vencerá o diabo e dará a vitória à igreja.

Nas genealogias nos Evangelhos aprendemos que Jesus Cristo é o descendente de Adão e Eva. Aprendemos que Ele nasceu de uma mulher: a virgem Maria. Jesus nasceu como o Servo sofredor:

Aprendemos que Jesus Cristo sofreu as limitações de um corpo debaixo das consequências do pecado. Aprendemos que Jesus sofreu por causa da fúria do diabo e do mundo contra ele: Herodes tentou matar o menino Jesus, o ódio do mundo e dos judeus contra Ele. No Evangelho aprendemos sobre a morte maldita de Cristo na cruz e acerca do seu sepultamento dentre os mortos.

Toda humilhação e sofrimento de Jesus Cristo nessa terra revelam que Ele foi “ferido” no seu calcanhar. Esses sofrimentos foram feitos por causa das obras do diabo. Nesse sentido Jesus estava sendo ferido pelo diabo.

Mas, Jesus Cristo foi ferido para desfazer as obras do diabo. Na cruz Jesus venceu o diabo e pagou a Deus o preço para resgatar filhos para Deus. Foi na cruz que os principados e potestades foram humilhados e expostos ao ridículo. Foi na cruz que os nossos pecados foram perdoados. Foi na cruz que o SENHOR Jesus começou o esmagamento da cabeça do diabo.

Esse esmagamento terminará na volta do SENHOR Jesus, pois na Sua volta todos os inimigos de Deus serão colocados debaixo dos pés de Cristo. Nesse Dia que breve vem, o Deus da paz, esmagará Satanás debaixo de nossos pés (Rm 16.20).

Na volta do SENHOR Jesus o primeiro a ser julgado será Satanás (Ap 20.10) e todos os inimigos de Deus serão destruídos (isso inclui a morte). Então, no dia final aquilo que a igreja espera será cumprindo: Deus será tudo em todos. Não haverá mais o diabo, os inimigos de Deus, o pecado, doenças, nem dor e nem a morte. Não havará mais tristeza e lágrimas, pois, Deus enxugará dos nossos olhos todas as lágrimas e provaremos a plenitude da vitória prometida em Gn 3.15.

Concluindo:

O anúncio do natal de Jesus Cristo em Gn 3.15 animava a esperança de Israel. Sendo assim, se foi ânimo para a igreja no Antigo Testamento, quanto mais para nós que provamos da realidade do nascimento, morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo?

A mensagem do evangelho de Gn 3.15 nos leva a agradecer a Deus pelo nascimento daquela criança em Belém.

Aquele pequeno menino era o cumprimento da promessa de Deus e na sua pessoa estava a boa nova que a inimizade com Deus seria removida com o Seu sangue. Aquela criança trazia nas suas veias o sangue que seria derramado, para nossa vitória sobre Satanás.

Aquela criança tinha em suas veias o Sangue que selaria a paz entre Deus e os seus eleitos, aqueles a quem Deus quer bem.

O Natal anuncia a criança humilde que nasceu em Belém, para nos falar do homem anunciado no Éden e que vencereu na cruz.

Agora pergunto:

Em que você pensa quando ouve o anúncio do natal?

Muitos pensam:

No seu 13º salário, na pintura da casa, na compra de roupas novas ou de um carro, na ceia de natal?

Mas, meu irmão em Cristo, o anúncio do natal não é para nos estimular o consumo e uma vida melhor nessa terra amaldiçoada pelo pecado.

Você não se comporte e viva o espírito do natal mundano, que só ensina você a querer viver um consumo idólatra, uma vida sem Deus e com uma fraternidade com o mundo caído. O natal anunciado pelo mundo não anuncia ao homem: A vitória de Cristo, a derrota do diabo e não diz ao pecador impenitente: Você será morto por Cristo se não se arrepender e confiar somente em Jesus.

Somente a Igreja de Cristo se alegra com o anúncio do natal:

Porque o anúncio do natal, feito conforme a Escritura, renova a nossa esperança na nossa vitória final em Jesus Cristo.

O anúncio do natal feito conforme a Escritura é o anúncio da soberania e graça de Deus em Cristo Jesus, o Vitorioso SENHOR e Salvador da Igreja.

Meus irmãos em Cristo, a igreja no púlpito e em sua vida, especialmente na época do natal, precisa ensinar que a esperança do homem não está baseada na fartura de amigos, nas roupas bonitas no natal, nem uma casa pintada ou uma mesa farta. A esperança da Igreja não está nessa terra.

A esperança do cristão está baseada na Palavra de Deus, que nos anuncia a nossa vitória em Cristo Jesus sobre o diabo, o mundo e o pecado. A esperança do cristão está na promessa da salvação pela Fé somente e na graça de Deus em Cristo Jesus.

Por isso, os cristãos necessitam mostrar ao mundo inimigo de Deus que, pela graça de Deus e pela verdadeira Fé, cremos que Jesus nasceu para cumprir a Palavra de Deus e garantir a vitória da Igreja.

Os cristãos, para glória de Deus, precisam transformar o natal em suas casas uma verdadeira celebração da vitória de Cristo.

Meu irmão em Cristo, aproveite o natal para anunciar a nossa esperança no nosso Senhor Vitorioso: Jesus Cristo. Maranatha, ora vem Senhor Jesus. Amém.

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