sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Reforma Protestante do Século XVI: Um Movimento de Deus

Caros leitores,


Coloco para vocês a palestra de abertura do I Encontro da Fé Reformada realizado pela Igreja Reformada do Grande Recife nos dias 28 a 30 de outubro do corrente.

Espero que você seja edificado com essa mensagem e passe a ver a Reforma Protestante do Século XVI como um moviemento de Deus.


Fraternalmente em Cristo,


Rev. Adriano Gama


Reforma Protestante: Movimento de Deus


Introdução:


A minha palestra tem como objetivo levar vocês a olharem a Reforma Protestante do Séc. XVI como um movimento de Deus.

Isso é muito importante para os protestantes no Brasil, pois em nossa nação temos pouco conhecimento sobre o que foi a Reforma Protestante e sobre as consequências da Reforma para a Igreja de Cristo e para o mundo ocidental. No Brasil a educação formal é muito influenciada pelo Catolicismo Romano, pelas idéias do Ilumismo, os conceitos da Revolução Francesa (nenhum Senhor sobre nós) e pela interpretação marxista da história, então, a Reforma é passada como um movimento fruto do Resnascimento, de revolta de um monge alemão, algo onde Deus estava ausente, ou uma revolução social e econômica produzida pela classe burguesa na Europa.

Claro que a Reforma envolveu o Renascimento, a revolta de Martinho Lutero contra o abandono das doutrinas cristãs fundamentais. Claro que a Reforma recebeu muita ajuda da burguesia (não uso de forma pejorativa esse termo). Mas, os cristãos no Brasil precisam olhar a Reforma por meio não das perspectivas, ou conceitos sociológicos e econômicos que colocam o SENHOR Deus fora da História da humanidade.

Os cristãos precisam olhar a Reforma Protestante como um movimento de Deus.

Portanto, para olharmos para a Reforma como um movimento de Deus precisamos reconhecer que Deus é o SENHOR da história.

E para reconhecer Deus como SENHOR da história devemos ir para a Escritura, pois ela é a única regra de Fé e Prática do Cristão.

Segundo a Escritura a história da humanidade não é fruto do acaso, nem da soberania do homem.

A Escritura revela que a história da humanidade está debaixo do domínio de Deus e segue o Plano de Deus. Esse domínio de Deus sobre a história é enfatizado em várias passagens da Escritura:

O SENHOR Deus da história falou pelo profeta Isaías o seguinte (por favor, veja Is 46.8-10):

“Lembrai-vos disto e tende ânimo, tomai-o a sério, ó prevaricadores. Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”

Quando Isaías profetizou essas palavras a Igreja e a humanidade estavam no meio de eventos internacionais catástróficos:

As superpotências da época (Assíria e Babilônia) se enfrentavam em batalhas grandes e terríveis. As nações e os povos estavam sendo abalados por crises políticas, econômicas e militares. A sobrevivência da Igreja, humanamente falando, parecia que iria acabar.

Porém, o profeta Isaías proclamou palavras que mostraram quem era Aquele que estava sobre o controle da História não só da Igreja, mas de toda humanidade.

As palavras do profeta revelam que o Eu Sou estava no controle dos acontecimentos catastróficos que ocorriam no mundo. Era o SENHOR Deus que estava levantando e abatendo os reinos, abalando as nações, colocando reis e tirando reis dos seus tronos, escravizando e libertando povos inteiros.

O SENHOR Deus fala à Igreja uma palavra que revela que Ele é o SENHOR da Igreja e da história da humanidade. Isaías, segundo a Palavra do SENHOR, chamou o povo para lembrar da sua história. O SENHOR chamou o povo a ver que, apesar de todas as catástrofes que estavam acontecendo no mundo e toda a ameaça contra a Igreja, Ele é o Eu Sou, o SENHOR Soberano, que existe por Si Só, um Deus que não pode ser comparado com os falsos deuses das nações pagãs.

Essas palavras são palavras de ânimo para a Igreja.

A Igreja é chamada a confiar que a história da humanidade desde o início está sendo regida pelo Plano de Deus. Um plano, ou, Conselho da Sua vontade, que prevalecerá e que será executado até a consumação dos séculos. Um plano dAquele que controla a criação, a redenção e a consumação da História da humanidade.

Essa verdade que glorifica Deus como SENHOR da história foi exaltada por Nabucodonosor. Nabucodonosor, Imperador da Babilônia, depois de ser humilhado pelo SENHOR Deus, louvou ao Soberano e Altissímo Deus dizendo (Dn 4.36):

“Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”

Nabucodonosor reconheceu o poder de Deus sobre toda a criação, pois o imperador louva o Deus que olha para reis e súditos, grandes e pequenos, para homens e anjos, e os considera como nada. Nabucodonosor reconhece que o SENHOR Deus está operando sem ninguém que possa deter esse Deus soberano nem questionar as suas ações.

O Senhor Jesus Cristo ensinou essa soberanina de Deus em diversas partes. Especialmente quando ele ensinou sobre a redenção final e a restauração da Criação.

Jesus Cristo apresentou a Sua vitória sobre Satanás, o mundo caído e o pecado como a execução do plano de Deus (claramente isso é visto nos evangelhos). E saliento as palavras de Jesus em Lucas 24.44:

“A seguir Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.”

O SENHOR Jesus ensinou que os profetas anunciavam o plano de Deus para redenção da Criação. Esse plano de redenção foi planejado por Deus e está sendo executado na história da humanidade, por isso, as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja de Cristo.

O Apóstolo Paulo exalta essa soberania de Deus em Cristo dizendo em Efésios 1.11:

“nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo”.

E o mesmo Apóstolo Paulo consola a Igreja em Roma dizendo (Romanos 8.28):

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

Assim, o Espírito Santo na Escritura tem ensinado a Soberania de Deus na história da humanidade, pois todas as coisas trabalham juntas para que o plano redentor do SENHOR seja executado nos seus mínimos detalhes.

Foi conforme esse plano que Deus prometeu o Salvador em Genesis 3.15, que nasceria da mulher para ferir a cabeça da Serpente e redimir a Criação.

Foi conforme esse plano que o SENHOR Deus anunciou a Abraão a posse da Terra de Canaã (Gn 15);

Foi conforme esse plano que o SENHOR enviou o Seu povo para o Egito e o libertou para depois libertá-lo da escravidão. Conforme o decreto de Deus o SENHOR estabeleceu a monarquia e anunciou o Reinado de Davi que era uma sombra do Rei Jesus Cristo. Pelo plano soberano de Deus os cativeiros aconteceram e o retorno de Israel a sua terra aconteceu. Foi conforme esse plano que Jesus Cristo, veio na plenitude do tempo, nascido de mulher e sob a Lei, para resgatar o Seu povo do pecado deles. O Apóstolo João, na ilha de Patmos, viu a execução desse plano e temos suas visões no Livro de Apocalípse.

A Escritura revela que a história da humanidade está debaixo do controle de Deus. Por isso, Ele anuncia desde o início o que acontecerá. Por isso, a Igreja pode olhar para cada evento na história da humanidade como o desenrolar do Plano Redentor de Deus para Sua criação.

Essa é a crença judaico-cristã, pois essa é a revelação da sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento. A revelação da Escritura não desconecta o SENHOR Deus da criação nem da história da humanidade. Porém, a Escritura revela um Deus que intervem e guia o mundo conforme o Conselho de Sua soberana vontade.

Lembro nesse momento as palavras de Benjamin Warfield, um teólogo presbiteriano, que disse palavras que mostram a soberania de Deus na história:

“Na infinita sabedoria do Senhor de toda a terra, cada evento se realiza com precisão no seu próprio lugar, no desdobramento do seu plano divino. Nada, por pequeno e estranho que seja, ocorre sem estar prescrito, ou em sua particular adequação ao seu lugar, na realização do seu propósito; no fim de tudo, será manifestada a sua glória e aumentado o seu louvor.

Está é a filosofia do Universo, tanto no Velho como no Novo Testamentos, uma visão do mundo que alcança unidade num absoluto decreto, ou propósito, ou plano do qual tudo o que acontece é apenas o seu desdobramento no tempo”.

Essas palavras você não vai aprender nas escolas e universidade de hoje. A acadêmia moderna coloca Deus fora da história. Por isso, dentro do currículo escolar de a história é apresentada como a soma de eventos frutos do acaso e cujo o fator determinante é a vontade do homem.

Essas palavras você não ouvirá na maioria dos púlpitos de nossos dias, pois a maioria dos púlpitos ensinam um Deus que não é soberano, que tem um plano estabelecido por Ele, mas um plano que se alinha as escolhas dos homens. Na maioria das denominações Deus depende dos crentes decretarem a derrota aos demônios para que a vitória da Igreja aconteça.

Entenda que qualquer abordagem da história que retire Deus de cena ou minimize a soberania de Deus na história, não é uma abordagem cristã, pois não honra a Glória da Soberania do Deus que é Senhor da história.

Por isso, os cristãos no Brasil precisam manter seus olhos e ouvidos atentos para o que a Escritura revela sobre a soberania de Deus.

Não devemos ter receio de dizer, com base na Escritura, que os eventos na história da humanidade obedecem um plano determinado por Deus, que é santo, sábio e perfeito em tudo que faz.

Possa ser que eu não entenda por que ocorreu a queda dos anjos e a queda de Adão no Éden. Possa ser que não entenda o que ocorre na história da minha vida, ou do meu país ou do mundo. Mas, o que, pela verdadeira Fé, aceito é que Deus é soberano, que todas as coisas ocorrem segundo o seu Conselho, segundo o propósto da Sua vontade, que todas as coisas cooperam para o bem dos seus eleitos, que esse Plano de Deus desde a eternidade vem sendo executado e que na consumação dos séculos, então, tudo e todos glorificarão a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo.

Podemos cantar o Salmo 46.1-3,8-11:

“Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam. … Vinde contemplai as obras do SENHOR, que assolações efetuou na terra. Ele põe termo à guerra até aos confins do mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio”.

Somente aqueles que, pela verdadeira Fé, crêem em Deus como SENHOR da história podem cantar com o coração esse Salmo. Pergunto a você:

Você crê que Deus é o Soberano, o Todo Poderoso?

Você crê que Deus é o SENHOR da história da humanidade?

Você crê que a história é o desenrolar da vontade soberana de Deus?

Você crê que o SENHOR Deus desde a eternidade tem executado um plano perfeito e bom?

Você tem glorificado ao SENHOR Deus por tudo que tem acontecido na história de sua vida, do seu país e do mundo?

Se reconhecemos a Deus como SENHOR da história, então:

Não tenha medo de dizer isso, mesmo diante de um mundo que tenta retirar Deus da vida do homem, que tenta destronar o SENHOR Deus como o regente da história da humanidade.

Não temeremos glorificar ao SENHOR Deus, dizendo que Deus é Senhor da História mesmo quando as crises e catástrofes estão varrendo o mundo incrédulo.

Dessa forma, consequentemente, não podemos olhar para a Reforma como um movimento de revolta de monges da Alemanhã, ou de uma classe social revoltada, ou de intelectuais universitários ou coisas parecidas. Não temos como retirar a autoria de Deus do evento histórico chamado Reforma Protestante.

A Reforma foi um movimento que estava no plano de Deus, para retirar a Igreja Cristã das profundas trevas de superstição, da ignorância da verdade, do pluralismo teológico, da corrupção dos homens e do desvio das verdades reveladas na Escritura.

Reconhecendo a Glória de Deus como o Senhor da história, então, reconheceremos que o Renascimento, o desenvolvimento teológico, as crises fora e dentro da Igreja, o crescimento da religião popular na idade média, as insatisfações com a corrupção do clero, as descobertas e a expansão marítimas, as mudanças no pensamento econômico, a adesão da burguesia aos pensamentos dos reformadores eram fermentos lançados conforme o plano de Deus, para o surgimento de uma grande Reforma na Sua Igreja e que tem influenciado o mundo ocidental até hoje.

Uma Grande Reforma que levaria a Igreja de Cristo a glorificar SOMENTE a Deus.


Conclusão:


Por isso, de entre todos os movimentos na História da Humanidade após pentecostes, a Reforma de modo especial pode ser destacada como um movimento de Deus. Pois:

Foi a Grande Reforma que levou a Igreja de volta à Escritura: A Escritura antes da Reformada tinha deixado de ser a única regra de Fé e Prática dos cristãos. Os decretos da igreja, a tradição da Igreja e a superstição popular tinham se tornado autoridades junto ou superior a Escritura. Mas, a Reforma restaurou a Escritura como a Única Regra de Fé e Prática do cristão.

Essa ênfase na autoridade suprema da Escritura levou os homens a Glorificarem Somente a Deus, que se revela na Sua Palavra.

Foi a Grande Reforma que, com base na Escritura, enfatizou que somente ao SENHOR Deus devemos dar a Gloria na pregação, na salvação, no culto, na igreja e na evangelização.

E oramos ao SENHOR Deus para que toda essa verdade que mostra a Reforma Protestante como movimento de Deus, seja mostrada a vocês nessas três noites do nosso I Encontro da Fé Reformada no Recife.

O nosso objetivo com esse I Encontro não é fruto de um saudosismo histórico e que somente nos leve a ver um período glorioso da história da humanidade. O nosso objetivo é que toda a sua vida e seja movida para o alvo que o SENHOR Deus, em Cristo, destinou para você que é: conhecer a Deus corretamente, ama-lO de coração, e viver com Ele em eterna felicidade para O louvar e glorificar”. Esse alvo de Deus foi ensinado pelos reformadores e tem sido confessado pelas igrejas de Cristo da época da Reforma e que ainda hoje existem.

Oro para que o SENHOR Deus, Senhor da história, com a verdade da Palavra de Deus e pelo poder do Espírito Santo, mude a história de sua vida que veio para esse encontro.

Que o SENHOR Deus faça, por Sua graça e poder, um verdadeiro movimento de reforma no seu coração e na sua Igreja, a fim de que você dê somente ao SENHOR toda glória e busque somente a glória dEle em todo seu viver.

Creia no SENHOR Deus que tem revalado o Seu poder na história, especialmente, na Reforma Protestante que foi um grande movimento de Deus, para a glória do Seu nome. Amém.