quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

É Natal: Nasceu Jesus, o Filho de Davi

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama para ser pregado no Domingo antes do Natal

Texto: Lc 2.1-7
Leitura: Mq 5.2-4; Lc. 1.26-38

Amada Congregação do Senhor e demais ouvintes da Palavra de Deus,

Estamos na época do Natal.
Natal que é tão esperado pelo mundo inteiro.
Porém, ao olharmos ou ouvir as propagandas e ao andar na cidade não conseguimos identificar o que é o Natal.
Olhe as propagandas e ouça as músicas dessa época.
Elas lembram o que é o verdadeiro Natal?
O Natal foi transformado em um conto de fadas, em um momento supersticioso, em um momento de comunhão somente entre homens com homens!
Hoje a pessoa mais falada no Natal é um personagem imaginário chamado Papai Noel, que voa num trenó puxado por renas e sai pelo mundo destribuindo presentes às criancinhas!
Hoje se fala do “espírito do Natal”, “a mágia do Natal”, da árvore de Natal, da ceia de Natal, do peru do Natal!
Será que o Natal que vemos e ouvimos na mídia dessa época revela Jesus Cristo? Será que o Natal que vemos mostra o que foi o Nascimento de Jesus e a sua importância da relação do homem com Deus?
Não, não revela nada daquilo que foi o Natal! Não revela nada de Jesus Cristo nem a verdade e a importância do nascimento de Jesus!
Por isso, a Igreja do Senhor Jesus Cristo deve ser lembrada sobre o que o Natal é e a sua importância para a humanidade. Sendo assim, proclamo a você a mensagem de Deus no seguinte tema:

É Natal: Nasceu Jesus, o Filho de Davi

Este foi um fato histórico
Este foi um fato profetizado
Este foi um fato salvífico

É Natal: Nasceu Jesus, o Filho de Davi: Este foi um fato histórico

O Evangelista Lucas além de médico era também um historiador. Ele escreveu dois livros do Cânon do Novo Testamento (O Evangelho de Lucas e o Livro de Atos dos Apóstolos). E ambos os livros foram escritos para um discípulo chamado Teófilo, que era um homem da alta sociedade (Lc 1.3; At 1.1,2).
E Lucas, movido pelo Espírito Santo, mostra que muitos no seu tempo já haviam feito “uma narração coordenada dos fatos” que aconteceram na vida e ministério de Jesus.
Os autores desses escritos foram testemunhas e pregadores do evangelho, que tinham feito anotações daquilo que tinham visto e ouvido acerca de Jesus, do nascimento até a ascensão.
E os pregadores daquela época usavam seus escritos nas suas pregações. Eles transmitiam ao povo o que haviam escrito. Eles catequiavam com base nesses escritos.
E Lucas, movido pelo Espírito Santo, resolveu começar sua própria pesquisa sobre os acontecimentos da vida de Jesus Cristo. Ele fez uma “acurada investigação” do que aconteceu. Foi um trabalho de pesquisa bem feito e o resultado do seu trabalho ele colocou por escrito. E qual era o objetivo de Lucas com seu escrito?
O objetivo era de “dar plena certeza das verdades” da Fé Cristã na qual Teófilo havia sido instruído (ou catequisado. A palavra original dá origem a palavra Catecismo). E veja em casa Lc 1.1-4.
Assim, meu irmão em Cristo e demais ouvintes da Palavra de Deus, se queremos saber a verdade do Natal, então, devemos buscar o testemunho do Espírito Santo dado a Lucas. A obra inspirada de Lucas é um relato bem ordenado e fiel da história de Jesus.
Sendo assim, não é a toa que Lucas diz no Capítulo 2. vs. 1,2:

“Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria”.

Meu irmão em Cristo, Lucas citou o decreto da contagem do povo ordenado pelo Imperador César Augustus. Ele menciona que foi “o primeiro recenceamento” quando Quirino era governador na Síria.
As pessoas citadas de fato existiram. O recenseamento citado de fato aconteceu por volta do ano 6 antes da era Cristã. Lucas, pelo Espírito, mostra fatos históricos que sinalizam quando Jesus Cristo nasceu.
O Evangelista quer mostrar que o nascimento de Jesus foi um fato histórico tanto quanto a existência do imperador e seus súditos regentes, tanto quanto os grandes acontecimentos que ocorriam “Naqueles dias”.
A Igreja não precisa de comprovações históricas para crer no nascimento de Jesus. Porém, Deus, Espírito Santo, deixou para nós na Escritura informações que mostram que o Evangelho não é um de contos de fadas e que os acontecimentos nele citados podem ser confirmados.
Agora podemos ver no texto um ensino importante e que exalta o nosso Deus. Este texto nos lembra Provérbios. Em Provérbios 21.1 está escrito: “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina”.
O SENHOR Deus move o coração dos governadores do mundo. Ele é um Deus que tem poder sobre todos os monarcas da terra!
Mesmo o homem mais poderoso daquela época, César Augustus, não estava agindo independente de Deus. O SENHOR mostra na Escritura que o coração de César estava na Sua mão.
Veja, quando César pensou em recensear o povo para melhorar a arrecadação dos impostos ou saber a quantidade da população do seu Império, era o Espírito de Deus movendo o coração do Imperador para cumprir a vontade de Deus, cumprir a Sua Palavra, cumprir um fato que havia sido profetizado há séculos.
O SENHOR Deus havia prometido em Miqueias 5.2: “E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.
O recenseamento foi decretado por Deus para ser decretado por César Augustus, porque Deus quis levar José até a sua cidade natal, Belém de Judá, para cumprir a profecia de Miquéias.
E Lucas se preocupou em mostrar isto pois escreveu (veja o v. 3,4): “Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi”.
O recenseamento levou José a Bélem, pois Jesus Cristo devia nascer em Bélem. E o SENHOR Deus cuidou disso movendo César a fazer o recenseamento, pois de Belém sairia o PASTOR DE ISRAEL.
E esse pastor seria Filho de Davi. E Deus também cumpriu isto, pois Jesus Cristo foi dado a José e nasceu de Maria.
Lucas em Seu Evangelho já vinha enfatizando que José era um legítimo descendente de Davi (veja em casa os textos de Lc 1.27). E isso é lembrado na hora do nascimento de Jesus. O Texto mostra que José era “da casa e família de Davi”.
Mas, Lucas também se preocupou em mostrar que Maria, mãe de Jesus, era uma descendente de Davi. Ele pelo Espírito escreve que José subiu a Belém (veja o v.5): “a fim (com o objetivo) de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida”.
Maria também iria se alistar em Belém, então, esse é mais um texto da Escritura que confirma que Maria era uma descendente de Davi. Sendo assim, tanto José como Maria eram descendentes de Davi.
O SENHOR Deus havia firmado uma aliança com o Rei Davi em 2 Sm 7.12,13 que prometeu o seguinte:
“Quando os teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino”.
Essa Aliança foi lembrada no Sl 89.29 onde se canta sobre o Reinando Messiânico de Davi: “Farei durar para sempre a sua descendência, e o seu trono, como os dias do céu”. E toda a igreja esperava a chegada desse Rei, filho de Davi.
Meus amados irmãos, assim vemos que Lucas confirma o ensino que Jesus Cristo é de fato o Filho de Davi prometido, o Ungido (CRISTO), que havia sido prometido por Deus através dos profetas.
Meus amados irmãos, o SENHOR Deus é fiel em Suas promessas. Ele transtorna o mundo para cumprir a Sua Palavra! O mundo foi transtornado por Deus, pois o recenseamento transtornou o Império Romano todo: Famílias inteiras andando de um lado para o outro, para serem recenseadas, pois Deus queria levar José e Maria até Belém a fim de cumprir as Palavras de Salvação ao Seu povo!
Esse é o nosso Deus que para nos dar o Seu Filho moveu o coração do homem mais poderoso da terra e transtornou o maior império do mundo! Isto foi feito para o Natal acontecer, para Jesus Cristo, o Filho de Davi, nascer! Essa verdade está no Evangelho e o Natal mundano não fala disso! O Natal foi um fato profetizado!
Agora vamos para os vs. 5-7. Lucas dirige sua atenção à Maria e ao nascimento de Jesus.
O texto diz que José subiu a Belém com “Maria, sua esposa, que estava grávida”. A palavra “esposa” no texto original mostra que Maria ainda era desposada, ou seja, noiva de José. O casamento ainda não havia sido consumado. José e Maria ainda não tinham se relacionado sexualmente. Assim Maria ainda era virgem apesar de estar grávida.
Lucas quer manter a integridade da verdade de Deus acerca do nascimento virginal de Jesus Cristo. Isso não é algo pequeno, mas a virgem grávida era o sinal da chegada da Salvação de Israel.
A Escritura diz que a virgem Maria estava grávida e “estando eles ali (em Belém), aconteceu completarem-se os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito…”.
Meu irmão, séculos haviam se passado desde a primeira promessa de Deus sobre o nascimento do Messias. Mas, o Senhor Deus cumpriu precisamente a Sua Palavra. Não foi fora de Belém, mas “ali” em Belém. Não foi fora da hora, mas no tempo certo, pois “aconteceu completarem-se os dias”, os dias da gravidez de Maria!
Tudo Deus fez precisamente, por isso, não podemos pensar que Deus tarda em cumprir a Sua Palavra. Por exemplo: podemos achar que a volta de nosso Salvador esteja demorando muito. Ou ficamos anciosos por que ainda não temos recebido de Deus aquilo que temos orado há tanto tempo.
Mas, meu irmão em Cristo, Deus não tarda! … Porém, nós é que somos ansiosos para ver a Palavra de Deus se cumprir rapidamente.
Deus tem seus planos soberanos e perfeitos. Deus opera conforme o tempo determinado por Ele. Deus não age para atender a nossa ansiedade. Por isso, tenha paciência no SENHOR. Espere o momento certo de Deus fazer a Sua vontade em sua vida: Seja a volta do Senhor ou seja aquilo que você espera em oração.
A Palavra de Deus diz que no tempo e no lugar certo Maria deu à Luz “o seu filho o primogênito”. Este texto é um problema para aqueles que crêem que Maria ainda é virgem hoje, depois do nascimento de Jesus Cristo.
O Espírito Santo diz que Jesus Cristo foi “o primogênito”, o primeiro a ser gerado. O Espírito Santo em Mateus 13.55,56 diz: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vive entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isso?
Esse texto também é um problema para aqueles que não crêem na humanidade de Jesus Cristo. O texto diz que “ela (Maria) deu à luz o seu filho primogênito”. Isto não deixa dúvida da natureza humana de Jesus Cristo!
Jesus Cristo é Deus, pois Ele é Filho do Altíssimo, gerado pelo Espírito Santo! Mas, ele também é homem, pois é o primogênito de Maria, o bendito fruto do ventre da virgem!
Então, diante do testemunho do Espírito Santo podemor dizer que qualquer ensino que mostre que Maria é virgem ainda hoje é uma heresia, é um pensamento contra o ensino dos Apóstolos, contra a Verdade de Deus testemunhada na Escritura. E, também, podemos dizer que qualquer ensino que nega a humanidade de Jesus vinda de Maria é heresia!
Meu irmão em Cristo, veja o Evangelho nesse texto: A que ponto Deus chegou para mostrar o Seu amor por pecadores miseráveis! Ele moveu o coração dos reis, transtornou o mundo, fez Seu filho nascer e tomar a nossa natureza humana! E nascer como um miserável homem!
Sim, muito amor de Deus e de Cristo por nós é manifestado no Natal de Jesus!
Veja o texto (veja o v. 7): “e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”.
O Espírito Santo revela como foi humilde o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Rei Filho de Davi, o Regente do Universo.
Meu irmão em Cristo, veja que Jesus nasceu não como um Rei, mas como uma humilde e miserável criança.
Jesus Cristo nasceu e foi enfaixado em faixas de pano, como uma criança humilde de Israel. Jesus ao nascer foi colocado numa manjedoura e não num berço de ouro. O menino Jesus não estava num belo quarto de um palácio, mas ele estava num estábulo, onde os animais dormiam, pois o texto fala “não havia lugar para eles na hospedaria”.
Meu irmão é uma cena estranha e miserável: Uma criança ao nascer ser colocada numa manjedoura, num cocho onde os animais comiam, era algo tão estranho que serviu como o sinal para os pastores de Belém (veja 2.12).
O menino Jesus já no Seu nascimento mostrou Sua humilhação e que ele seria rejeitado pelos seus e pelo mundo !
A hospedaria não tinha lugar para Ele. O mundo não recebeu o menino que nasceu. Jesus Cristo não encontrou lugar nas casas dos judeus. Jesus Cristo já no seu Natal mostrou a Sua missão de humilhação para a Salvação do Seu povo!
Será que o natal contado em nossos dias mostra essa verdade acerca do nascimento de Jesus, o Filho de Davi? Não, não mostra!
Note nas propagandas nos meios de comunicação, note nos cartões de natal, quase nada se mostra de Jesus Cristo.
O diabo e o mundo querem tirar de cena Aquele que é o motivo verdadeiro da comemoração do Natal! O diabo e o mundo querem esconder Aquele que nasceu! O mundo e o diabo querem desvirtuar o alvo do Natal!
Por isso, não vemos no natal mundano Jesus Cristo, o Filho de Davi, que nasceu para se humilhar a fim de nos exaltar. No natal dos homens não aparece Jesus Cristo que nasceu para morrer a fim de nos salvar da morte eterna! Jesus Cristo que veio ao mundo em humilhação para morrer, mas ressuscitou, subiu ao céu e de lá voltará em Glória!
O nascimento humilde testificado por Lucas é um contraste que revela o fato que Jesus Cristo, o Filho de Davi, o Rei Salvador, nasceu para se humilhar a fim de nos exaltar e salvar.
O Apóstolo Paulo em 2 Co 8.9: “pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”.
Meu irmãos em Cristo, o testemunho de Lucas e as Palavras de Paulo mostram que o Natal humilde e misérável de Jesus Cristo, apontava para Sua vida de humilhação e rejeição pelos homens.
É Natal: Naceu Jesus Cristo, o Filho de Davi: Esse foi um fato salvífico, um fato para nossa salvação!

Conclusão:

A igreja deve usar esse momento para evangelizar, pois o nascimento de Jesus foi determinado por Deus, para que Jesus, o Rei Salvador, fosse proclamado até os confins da terra.
É um fato meu irmão, hoje o natal é comemorado até no oriente pagão. Sendo assim, a igreja não pode menosprezar o natal, nem desprezar esse momento para exaltar Jesus Cristo diante do mundo. A igreja deve mostrar que Jesus Cristo nasceu em Belém, para morrer no Calvário a fim de nos salva e reger as nações do mundo: Como Rei do Universo!
Miquéias profetizou que o pastor de Israel que sairia de Belém (Mq 5.4): “será engrandecido até aos confins da terra”!
Não é a toa que a Igreja de Cristo lembra o Natal há séculos. Não é a toa que as igrejas reformadas historicamente lembram e até se reúnem para lembrar o natal como um dos atos da salvação!
As igrejas de Cristo fazem isto não por causa de uma superstição, mas como algo benéfico para a edificação e a proclamação da boa-nova de grande alegria! As igrejas fazem isto para dar oportunidade ao mundo de ouvir o Evangelho que diz: “nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor!
Por isso, a Igreja no Recife deve aproveitar o momento de natal para se edificar no Evangelho e proclamar o Natal de Jesus Cristo, o Filho de Davi!
Meus irmãos em Cristo, assim estaremos unidos na prática cristã e reformada de séculos! Assim estaremos usando de um bom momento para honrarmos Aquele que nasceu humildemente para morrer a fim de nos exaltar e nos salvar.
A Igreja deve mostrar o que é o Natal: … mostrar que este evento foi um fato histórico, foi um fato profetizado, mas acima de tudo, foi um fato para a Salvação de pecadores perdidos.
A Jesus Cristo, o Filho de Davi, seja somente a glória não só na época do Natal, mas por todos os séculos. Amém.

Jesus Cristo ordena que oremos “Pai nosso, que estás nos céus”

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina ensina no Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 46

Textos: Dia do Senhor 46 e Mt 6.9a
Leitura: Mt 6.5-9

Amada Igreja do Senhor Jesus Cristo,

Jesus Cristo em Mateus 6.9 concluiu o ensino sobre como os seus discípulos devem orar. E Jesus deu uma ordem aos Seus discípulos (veja o v. 6): “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, …”. Jesus nessa conclusão dá um ordem.
Nessa ordem Jesus ensina que o conteúdo de nossas orações não pode ser conforme as idéias dos homens, mas conforme a Palavra de Deus.
A igreja nos dias de Jesus tinha a necessidade de aprender a orar conforme a Palavra de Deus.
A prática de oração dos hipócritas ensinava o povo a usar a oração como meio de vaidade e para a glória do homem. Muitos do povo de Deus oravam como os gentios pagãos (pessoas fora da Aliança). Os gentios pagãos imaginavam que o muito falar deles é que fazia Deus ficar ciente de suas necessidades e atendê-las. Assim os gentios pensavam que era o esforço humano que fazia Deus conhecer e atender o homem.
Meus irmãos, quando as nossas orações são guiadas pelas idéias dos homens e não pela Palavra de Cristo, então, ou caímos no erro de usar a oração para nossa vanglória; ou, caímos na blasfêmia de igualar Deus a um falso deus, um deus limitado e sem poder!
E a Igreja Cristã aprende essa dura lição toda vez quando se desvia do ensino de Jesus em Mt 6.9.
Nos tempos antes da Reforma os falsos padres deixaram de ensinar a ordem de Jesus e introduziram no meio da Igreja Cristã toda sorte de rezas e ladainhas, que para nada serviram a não ser para glorificar homens e afundar o povo em toda sorte de idolatrias abomináveis.
E hoje até é pior a situação, porque os padres do Papa são ajudados pelos falsos falsos apóstolos, bispos, pastores, missionários ditos evangélicos, que também ensinam seus seguidores a viverem uma prática de oração como os hipócritas e pagãos condenados por Jesus.
Meu irmão em Cristo, a ordem de Jesus precisa ser pregada e ensinada hoje à igreja. Isto, preservará a igreja da hipocrisia e do paganismo que marcam o dito cristianismo de nossos dias. A ordem de Jesus Cristo manterá a Igreja esperançosa na vitória final. Então, ouça a mensagem de Deus no seguinte tema:

Jesus Cristo ordena que oremos “Pai nosso, que estás nos céus”:

1. Essa ordem desperta em nós reverência filial e confiante em Deus
2. Essa ordem nos leva a pensar na majestade soberana de Deus

1. Jesus Cristo ordena que oremos “Pai nosso, que estás nos céus”: Para nos despertar reverência filial e confiante em Deus

Jesus ordena em Mateus 6.9: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que está nos céus”. Jesus ordena que Seus discípulos se dirijam a Deus como “Pai Nosso”.
Essa ordem de Jesus está cheia do ensino da Aliança do SENHOR. Deus pela Aliança adotou o Seu povo. O SENHOR Deus se relaciona com esse povo como um Pai se relaciona com seus filhos.
O SENHOR Deus mandou Moisés falar a Faraó (veja Êx 4.22): “Dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito”.
Os profetas falaram dessa relação paternal de Deus. O Profeta Isaias (em Is 63.16 e 64.8), reconhecendo que o Deus que está no céu é Pai do Seu Povo. O profeta Malaquias chama o povo a santidade lembrando que o SENHOR Deus é o Pai do Seu Povo (Ml 2.10).
Amado irmão, Jesus no Seu ensino reavivou a relação pactual entre Deus e Seu povo. Por isso Jesus nos ordena a orarmos reconhecendo Deus como: Pai Nosso! O nosso Catecismo ecoa o ensino de Jesus na P & R 120 (veja essa P&R).
Meu irmão em Cristo, esse ensino de Jesus Cristo chama você a falar com Deus em oração com respeito santo e confiante que Ele é Nosso Pai.
Eu pergunto a você: Você tem orado a Deus com esse sentimento que Ele é Nosso Pai? Jesus ordena você: “vós orareis assim: Pai nosso”!
Jesus quer que você viva a Aliança não somente batizando seus filhos pequenos, mas especialmente vivendo uma vida de oração que manifeste respeito e confiança na bondade paternal de Deus!
Quero alertar você: Cuidado com o diabo. O diabo tenta fazer você duvidar de Deus como Seu Pai. Sabe como o diabo faz isto? Por exemplo, levando você a ficar pensando nas coisas que você tem pedido a Deus em oração e até agora (no final do ano) você não tem recebido dEle. O diabo sussurra no seu ouvido:
“Está vendo, a Escritura diz que Deus atende seus filhos? Então, por que você não tem recebido o emprego, o marido, o esposo, a saúde, a vida conjugal que você deseja? Ah, será que você é filho ou filha de Deus mesmo?
Meu irmão em Cristo, não ouça o diabo, mas ouça a ordem de Jesus, “portanto, vós orareis assim: Pai nosso”. Ouça Jesus Cristo que diz a você que é discípulo dEle: Deus é seu Pai!
E além da ordem de Jesus vocês têm as promessas de Deus feitas a você no Batismo! Você foi batizado em Nome do Pai. No batismo Cristo “nos declara e garante, que o Pai faz uma eterna aliança de graça conosco (Sua Igreja). Deus em Cristo nos adota como Seus filhos e herdeiros. Por isso Ele nos providenciará todo bem, e desviará todo mal ou o transformará em nosso bem.”
Possa ser que você não tenha recebido de Deus o que há muito tempo pede em oração. Isto não é porque Deus não ouve você e que você não seja seu filho em Cristo! Possa ser que você esteja pedindo mal, ou seja:
Pedindo a Deus sem reverência filial e confiança nEle, ou, possa ser que você esteja orando por algo que está fora da Escritura. Possa ser que o que você esteja pendindo a Deus não seja o melhor para você segundo a vontade de Deus, por isso você não tenha recebido de Deus ainda o que pede.
Meu irmão em Cristo, Palavra e Sacramento mantem a Fé viva. Por isso, obedeça a Jesus e se chegue a Deus com Fé filial, nunca duvidando que Seu Pai Celestial atenderá os seus pedidos, que são feitos conforme a Palavra de Deus.

2. Jesus Cristo ordena que oremos “Pai nosso, que estás nos céus”: Esse ensino nos leva a pensar na majestade soberana de Deus

Jesus ordena que oremos: “Pai nosso, que estás nos céus”.
Esta expressão “céus ou céu” era muito usada no Antigo Testamento para revelar a Majestade Soberana e Santa de Deus. Por exemplo, o rei Salomão ora dizendo (veja 1 Rs 8.27): “Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos ceus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei”.
O Profeta Isaías ora a Deus dizendo (Is 63.15a): “Atenta do céu e olha da tua santa e gloriosa habitação.” E o próprio Senhor Deus exalta Sua Majestade Soberana e Infinita dizendo (veja Is 66.1): “O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso?
O Senhor Deus falou pelo Profeta Jeremias (Jr 23.24): “Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? – diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra?
Meu irmão em Cristo, Jesus ensina Seus discípulos a orarem a um Pai que tem a Majestade Infinita e Soberana sobre todas as coisas. Não oramos a um deus limitado, mas ao Rei do Universo! Não oramos a um deus estranho a nós, mas oramos ao Pai Nosso que está nos céus.
Jesus Cristo nos ensina a orar Àquele cuja a Majestade é Santa, Gloriosa e Infinita sobre tudo e todos. A orar Àquele de quem toda a criação depende e a quem toda a criação clama por sustento e somente de quem ela espera o sustento!
Essas palavras de Jesus servem para encorajar Seus discípulos. Jesus Cristo não prometeu sombra e água fresca aos Seus seguidores. As palavras de Jesus Cristo prometeram aos seus discípulos aflições por causa do Reino de Deus: Eles perderiam empregos, família, bens, as forças das trevas e os governantes inimigos de Deus os atacariam e e por fim a morte ceifaria suas vidas. Assim não é por acaso que Jesus ensina todos Seus discípulos a orarem “Pai Nosso que estás nos céus”.
Jesus ensina seus discípulos a orarem pensando na Majestade Infinita e assim esperarem da onipotência de Deus o necessário para seus corpos e almas. E a igreja confessa a Palavra de Jesus no Catecismo (P&R 121).
Meu irmão em Cristo, saiba que não tem como lutar e sofrer pelo Reino de Deus sem a visão da majestade infinita de Deus!
Como podemos lutar com coragem contra inimigos que atacam com violência de diversos modos o Senhor Jesus Cristo e a Sua Igreja?
Os inimigos de Deus e da Igreja são fortes e bem astutos. Se não fincarmos nossa confiança na majestade celestial de Deus, então, nunca teremos consolo na batalha contra nossos inimigos e nem esperança da vitória final! Por isso, você deve orar com confiança ao “PAI NOSSO QUE ESTÁS NO CÉU”!

Concluindo:

Meu irmão em Cristo, Jesus Cristo nos ensina na Palavra como devemos orar ao Pai. Não orar para nossa vaidade, não orar como se Deus fosse um falso deus, não orar sem respeito e confiança filial, não orar sem pensar na Majestade celestial de Deus.
Então, você tem orado como Jesus ensina? Você tem reconhecido em Suas orações “o Pai Nosso que estás nos céus?
Como está seu ânimo para continuar na batalha contra seus inimigos espirituais: o diabo, o mundo e a carne? Como está seu ânimo em meio as necessidades do dia a dia?
O Senhor Jesus Cristo ensina você a orar: Pai nosso que estás nos céus! Sendo assim, não confie que a sua vitória sobre os inimigos e o suprimento daquilo que é necessário para seu corpo e sua alma vêm dessa terra, do seu trabalho, bens, parentes e amigos. SAIBA QUE SUAS NECESSIDADES VITAIS (PARA CORPO E ALMA) VEM DE DEUS NOSSO PAI CELESTIAL!
Neste final de ano e início do ano novo PENSE no ensino de Jesus Cristo na oração que Ele nos ensinou! Orar pensando e pensar orando na majestade celestial de Deus vai estimular você:
Primeiro, a se consolar nas derrotar e vitórias que você teve neste ano que se passa! Você terminou mais um ano no SENHOR Jesus Cristo. Isso por que o Pai Nosso sustentou você!
Segundo, você será estimulado a buscar em Deus a coragem e a força para lutar mais pelo Reino de Deus no ano que vai chegar;
Terceiro, a continuar a confiar somente em Deus, o Pai Nosso, como a fonte de tudo que seja necessário para seu corpo e alma! Isso guardará você da IDOLATRIA!
Em resumo: Ao orar confiando na Majestade Celestial de Deus, então, não teremos medo do presente e do futuro!
Meu irmão em Cristo, a quem você ora? Quem está com você e quem é o seu sustentador? Não é o Pai Nosso que está no céu?
Então, com esse Pai soberano não deve ter lugar para o medo e dúvida no seu coração sobre o sustento de sua vida espiritual e material!
Meu irmão, se em algum momento você for tentado a ter medo e a duvidar da vontade de Deus e da Majestade Infinita de Deus, então, lembre-se do Evangelho de Jesus pregado e selado também no Sacramento. Que sacramento? A Santa Ceia.
Será que nosso Pai que graciosamente deu e nos dá o Sangue e Corpo do Seu Filho não dará a nós as Suas bênçãos para o sustento material e espiritual?
Será que Ele que nos sustenta espiritualmente com o sangue e corpo do Seu Filho, não sustentará as nossas necessidades nesta terrra? Será que Deus que sustenta todo o Universo não sustentará os Seus filhos que Ele amou e adotou em Jesus Cristo?
Meu irmão em Cristo, que o ensino de Jesus Cristo desperte em você o sentimento que você é filho de Deus. Que o ensino de Jesus Cristo o leve a confiar e respeitar a Deus como Seu Pai. Que o ensino de Jesus Cristo leve você a descansar na mejestade divina. Siga o que o nosso Amado Senhor Jesus ordena e ore com confiança: “Pai Nosso que estás nos céus! Amém.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O SENHOR Deus ensina que é razoável o exercício da Sua misericórdia

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre Jonas 4.6-11

Texto: Jonas 4.6-11
Leitura: Jonas 4.1-11

Amada congregação do Senhor Jesus Cristo e demais ouvintes,

Ouviremos o último sermão dessa série de mensagens no Livro de Jonas. E é necessário lembrarmos o contexto do capítulo.
Nos versículos 1-5 do Capítulo 4 temos bem descrito que Jonas ficou muito desapontado com o SENHOR, pois Deus não destruiu Nínive como o profeta queria.
E o texto do verso 5 mostra que Jonas se retirou da cidade de Nínive, assentou-se ao oriente dela, fez um abrigo, uma enramada, e repousou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade”.
Jonas tinha a esperança de ver a destruição daqueles a quem o SENHOR Deus quis salvar!
Mas, o SENHOR Deus é soberano. Ele não se dobra a vontade do homem.
Deus mostrou isso a Jonas e a Igreja do Antigo Testamento. Jonas não quis aceitar a vontade de Deus.
Jonas tinha um orgulho muito grande de ser israelita e da sua nação que gozava de prosperidade. E Jonas não queria de modo nenhum contribuir para salvação daqueles que por Deus seriam usados para punir Israel no futuro.
Jonas tinha convicções fortes, mas convicções fortes não é tudo num homem de Deus. Um homem de Deus deve se colocar na mão de Deus e fazer a vontade de Deus, mesmo quando a vontade de Deus contraria as suas convicções mais fortes.
Mas, Jonas não tinha essa disposição de abrir mão das suas convicções e isto causou mais atitudes rebeldes que são narradas na parte que lemos.
Jonas não queria aceitar que o SENHOR Deus é mais misericordioso do que nós pensamos e temos disposição de ser. Jonas não queria aceitar a soberania de Deus em exercer misericórdia. Jonas precisava aprender que Deus é Soberano para exercer a Sua misericórdia.
E, por isso, o SENHOR Deus nesses últimos versículos revela a razão de exercer misericórdia e compaixão a Nínive. Ouça a mensagem de Deus sob o seguinte tema:

O SENHOR Deus ensina que é razoável o exercício da Sua misericórdia:

Deus usa uma planta e um verme para ilustrar esse ensino ao profeta
Deus usa uma pergunta que mostra seu ensino ao profeta

1. O SENHOR Deus ensina que é razoável o exercício da Sua misericórdia: Deus usa uma planta e um verme para ilustrar esse ensino ao profeta

O abrigo que Jonas fez secou com o passar do tempo. As folhas foram levadas pelo vento e o sol castigou o profeta, produzindo-lhe muito desconforto. Mas, o Senhor Deus fez nascer uma planta para aliviar o profeta do desconforto que ele passava. O texto diz (v.6):
“Então, fez o Senhor Deus nascer uma planta, que subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de livrar do seu desconforto. Jonas, pois, se alegrou em extremo por causa da planta.”
A Escritura não revela claramente a espécie da planta, mas mostra que ela foi um milagre de Deus.
A planta é uma obra do SENHOR Deus, pois o texto diz: “fez o SENHOR Deus nascer uma planta”. Não nasceu por acaso, mas Deus determinou seu nascimento.
A planta foi um milagre e seu crescimento rápido mostra isso. Você já notou o processo do nascimento de uma planta? Não é tão rápido! Mas, essa planta nasceu e cresceu da noite para o dia, muito rápido mesmo ao ponto que “subiu por cima de Jonas,…”.
Crer nas narrativas dos milagres no Livro de Jonas é um grande desafio para a Igreja que vive em dias tão incrédulos. Muitos cristãos já sucumbiram a essa incredulidade do mundo. Muitos ditos cristãos tentam calar o milagre narrado, dando explicações mais científicas a fim de se tornarem mais aceitos a esse mundo incrédulo.
Mas, alerto aos crentes, especialmente, aos jovens que enfretam ou enfrentarão uma universidade.
Saiba que o mundo vive em trevas de incredulidade: incredulidade na Escritura como Palavra de Deus!
Se o homem em trevas não crê na Escritura, então, não tem como ele crer num Deus Todo-Poderoso. E se o homem não crê num Deus Todo-Poderoso, então, ele não crerá numa planta que foi feita da noite para o dia e em nenhum outro relato da Escritura.
Meu irmão, a Escritura é a Palavra de Deus. Essa crença na Escritura como Palavra de Deus é uma obra do Espírito Santo. Por isso, não alimente a incredulidade dos descrentes, rebaixando ou negando a revelação da Escritura.
Antes, você ore para que o Espírito Santo seja misericordioso com os incrédulos. Também, enfrente com a Palavra a incredulidade. Apresente ao mundo a Escritura que revela o SENHOR Deus Todo-Poderoso e o Seu Cristo.
E, se for da vontade de Deus fazê-los crer na Sua Palavra, então, os incrédulos serão salvos da sua incredulidade e passarão a crer em tudo o que está ESCRITO na Escritura. Assim, não terão dificuldade em crer na planta que foi um milagre de Deus.
Agora note, que a planta foi milagre para o bem de Jonas. O texto diz: “fez uma planta …, a fim de livrar do seu desconforto. Deus queria dar conforto ao seu servo e fazer seu servo feliz. E isto aconteceu (veja o v. 6).
Jonas ficou tão alegre com a planta que o texto no hebraico diz: “extremamente alegre estava Jonas por causa da planta, alegria grande”. O SENHOR Deus foi bom para Jonas.
Agora, o plano de Deus criando a planta era maior que somente dar conforto e alegria a Jonas. Logo vemos que o conforto e a alegria de Jonas duraram pouco (veja o v.7). Deus enviou um verme para ferir a planta. E esse verme obedientemente cumpriu a sua missão. Ele feriu a planta e a planta secou.
O SENHOR Deus através da planta e do verme quer ensinar a Jonas as razões de Deus para exercer Sua misericórdia.
Deus ensina com a planta e o verme que Ele é o SENHOR da vida e da morte, pois foi Ele quem fez a planta nascer e enviou o verme para fazer a planta morrer.
Meu irmão, ninguém pode ter uma visão equivocada de Deus achando que Ele somente é um Deus de vida e não de morte, de compaixão e não um Deus que opera punição. Ele opera compaixão e punição segundo a Sua vontade.
O SENHOR Deus opera estas coisas pois Ele é tão soberano sobre Suas criaturas quanto o capitão do barco sobre seus comandados ou quanto o rei de Nínive sobre seus súditos. O SENHOR Deus é que determina a hora do nascer e a hora de morrer.
A Igreja deve entender isto claramente para ser contente com a vontade de Deus revelada em Seus atos de compaixão e punição.
Deus fez Jonas sentir esse ensino através da planta e do verme. O SENHOR quis deixar clara a sua Soberania para Jonas. Veja os versículos seguintes.
Veja o v. 8: “Em nascendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental; o sol bateu na cabeça de Jonas, de maneira que desfalecia, pelo que pediu para si a morte, dizendo: Melhor me é morrer do que viver!”
O SENHOR Deus comanda todos acontecimentos. Ele manda um vento calmo do oriente (vento calmo, mas quente) que retira as folhas secas da planta morta, para que o sol quente fizesse Jonas desfalecer. Jonas reagiu as ações de Deus e revelou seu coração descontente com a soberania de Deus.
Jonas no seu desconforto e por causa da morte da planta pede a morte.
O Profeta Jonas era um servo interessante, pois ele ia de 0 a 100 rapidamente. Jonas da noite para o dia vai do extremo da alegria ao extremo da tristeza! Uma hora pula de alegria com o nascimento da planta, mas quando a planta morre, então, Jonas quis pular, mas dentro da cova: desejou a morte!
Veja a cabeça de uma pessoa que não aceita a soberania de Deus revelada. Jonas não entende como Deus num momento traz vida e noutro traz morte. Jonas perde a paciência com Deus! Jonas acha Deus incoerente pois uma hora dá a vida e tira a vida!
Quando alguém não recebe a revelação sempre será confundido e sempre perderá a paciência com Deus. Por isso, temos que nos contentar com o que é revelado na Palavra e se submeter a vontade soberana de Deus revelada. Essa submissão a Palavra é o bom remédio para sermos mantidos na razão e com paciência diante de Deus.
Agora, o SENHOR Deus viu e ouviu tudo que Jonas falou. O SENHOR Deus é um Deus também de perto! Por isso, devemos tomar muito cuidado para não entristecer Deus com nossas reclamações e os pedidos que são frutos de uma irracionalidade pecaminosa. O SENHOR Deus ouviu as palavras de Jonas: Melhor me é morrer do que viver!

2. O SENHOR Deus ensina que é razoável o exercício da Sua misericórdia: Deus usa uma pergunta para mostrar ao profeta seu ensino

Deus fez uma pergunta a Jonas (v. 9): “É razoável essa tua ira por causa da planta”?
Deus já havia feito uma pergunta parecida quando Jonas se irou por que Nínive não havia sido destruída. Agora, Jonas irou-se por que Deus havia destruído uma planta.
Jonas respondeu a pergunta de Deus: “É razoável a minha irá até a morte”. É com essa resposta que Deus encerra a participação de Jonas na história do seu Livro.
Mas, a resposta de Jonas mostra a incoerência dos seus sentimentos. O profeta no seu zelo tinha mais piedade por uma planta que por uma cidade inteira cheia de seres humanos e de animais. Isto é uma verdadeira inversão de valores!
Meu irmão em Cristo, o zelo sem amor nos cega o entendimento e produz uma mudança de valores em nosso coração: Aquilo que não deve receber tanto valor passa a ter um valor extremo e o que de fato merece ser valorizado não recebe o mínimo valor.
Jesus Cristo combateu essa inversão de valores no seu tempo. Os fariseus davam o dízimo da hortelã e do endro, mas deixavam seus pais morrerem de fome! Valorizavam mais a guarda legalista do dia de sábado que o Jesus Cristo. O zelo sem amor cria uma verdadeira inversão de valores, por isso, devemos tomar cuidado com esse tipo de zelo.
E agora chegamos aos vs. 10 e 11 (veja o texto). Nesses textos o SENHOR Deus fez uma pergunta a Jonas que, ao mesmo tempo, ensina duas coisas:
Primeira coisa, a incoerência da ira do profeta. Jonas é o incoerente da história quando se irou com a morte de uma planta insignificante, ao mesmo tempo, que desejava a destruição das almas em Nínive.
Segunda coisa, a pergunta ensina a razão de Deus exercer misericórdia com os ninivitas. O SENHOR Deus é o Dono de todas as almas dos seres humanos e dos animais. Ele trabalhou seis dias para criar tudo e todo dia Ele trabalha para sustentar a criação.
Sendo assim, o SENHOR Deus sabe o valor da criação e tem toda razão de exercer sua compaixão e misericórdia para com os seres que a Ele pertencem, especialmente, o homem que é a coroa da Sua criação, a sua imagem!
Assim, a pergunta de Deus tem uma resposta tão clara que não precisou Jonas responder mais nada! A única resposta a pergunta é:
- Sim, SENHOR, não tenho razão para minha ira. Mas, Tu tens toda razão de exercer misericórdia, pois teu é o direito de ter compaixão das vidas de Nínive, pois “ao SENHOR elas pertencem e ao “SENHOR pertence a salvação”!
A resposta é tão clara, por isso, não havia mais lugar para as palavras de Jonas. O SENHOR Deus mostrou que SOMENTE ELE tem a PALAVRA FINAL no ensino acerca da sua misericórdia! SOMENTE ELE É O SOBERANO DEUS QUE EXERCE SUA MISERICÓRDIA SOBRE QUEM ELE QUER!

Conclusão:

Meu irmão em Cristo, o Apóstolo Paulo fala, pelo Espírito Santo (Rm 8.15,18): “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão”; e veja o v. 18: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz”.
O exercer a misericórdia e compaixão é um direito de Deus. Não é o homem que diz quem recebe ou não recebe a misericórdia de Deus, mas o SENHOR Deus que determina isto. Esse é o ensino da Escritura e que não devemos contrariar!
O SENHOR Deus com a pergunta a Jonas faz bradar a mensagem que os povos da terra precisam ouvir: “Ao SENHOR pertence a salvação!”
Jonas e a Igreja de Sua época precisavam ouvir essa mensagem para serem fiéis a Aliança. A igreja (Israel) não devia relutar para que a misericórdia de Deus cheguesse as outras nações da terra. O SENHOR Deus queria se exaltar fora das fronteiras de Israel como o Dono da Salvação! Para isso, o SENHOR Deus chamou Israel e enviou o profeta aos ninivitas.
A igreja deveria pôr seus interesses particulares de lado e colocar em primeiro lugar o interesse de Deus. O interesse de Deus que É manifestar de modo UNIVERSAL A SUA MISERICÓRDIA! O interesse de Deus era e é tornar “bendita as nações da terra”!
A igreja no Livro de Jonas é chamada a ter uma visão UNIVERSAL DA MISERICÓRDIA DE DEUS! No Livro de Jonas O SENHOR nos chama a sair das nossas quatro paredes rumo ao mundo que não conhece a vontade de Deus!
Deus em Jonas quer impulsionar a igreja ao Evangelismo e as missões. Saiba que uma igreja que fala que ao SENHOR Deus pertence a Salvação, mas não se esforça para evangelizar ela não entende bem a misericórdia de Deus. É uma igreja incoerente tanto quanto Jonas e Israel eram.
Saiba que a doutrina da soberania de Deus na salvação leva a igreja ao mundo, pois é plano de Deus salvar homens de todas as nações, levá-los aos pés do SENHOR Jesus Cristo!
E o livro de Jonas chama a igreja a também olhar para o Dia Final. Nesse grande Dia FINAL a Igreja verá Deus, por meio do Seu Cristo, mostrando a Sua misericórdia e compaixão sobre homens, mulheres, crianças e animais. Animais? Sim, animais! Deus também tem compaixão pelos animais.
Veja que Deus fala: “não terei compaixão … também dos muitos animais?”
Meu irmão em Cristo, Jonas aponta para o Dia Final quando toda criação será restaurada! Toda criação geme por esse dia da volta de Jesus Cristo! O Dia quando veremos de modo tremendo e compreenderemos plenamente a Palavra: “Ao SENHOR pertence a salvação!
Meu irmão em Cristo, esse dia chegará quando Deus chamar o seu último eleito. E por isso, devemos sair ao mundo a Evangelizar. Deus estabeleceu que o Evangelho será pregado a todos e então virá o fim.
Meu irmão em Cristo, você crê que ao Senhor pertence a Salvação? Então, o que você tem feito para o progresso da Evangelização?
Você entende a misericórdia de Deus? Você ama as almas que não conhecem a Deus? Você ama a criação de Deus? Você almeja o Dia quando Céu e Terra serão restaurados e todos os filhos de Deus reinarão sobre a terra? Você deseja ver o dia quando o Senhor Jesus Cristo será exaltado por Sua compaixão e soberania?
Então, o quanto você tem se esforçado para a evangelização? Então, quanto você tem orado e trabalhado pela obra missionária da igreja no bairro, na cidade, no estado, no país e no mundo?
Você como igreja tem esse chamado à evangelização! Agora mais que nunca. Sabe por quê? Porque o sinal de Jonas foi posto diante de você nas pregações no Livro de Jonas. Então, use seus dons para que Aquele que é maior que Jonas, o SENHOR Jesus Cristo, seja ouvido entre as nações e elas sejam salvas da PERDIÇÃO ETERNA!
Então, disponha-se e faça a mensagem de Deus chegar àqueles que não conhecem a Jesus Cristo! Faça isto porque entende que o SENHOR Deus tem razão em exercer misericórdia sobre pecadores do mundo inteiro! Ao SENHOR Deus, o Dono da Salvação, seja somente a Glória. Amém.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Deus no tempo certo enviou Jesus Cristo

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre Gl 4.4,5

Texto: Gl 4.4,5
Leitura: Gn 3.15; Gl 4.1-7

Amados congregação do Senhor e demais ouvintes da Palavra,

Em Gn 3.15 foi anunciada pela primeira vez a BOA NOTÍCIA de Salvação. Salvação anunciada ao homem que se colocou debaixo do pecado.
E a Boa Notícia prometia ao homem a Salvação por meio de um descendente da mulher.
E quando chegamos na Escritura do Novo Testamento, então, aprendemos que esse descendente da mulher já veio, nasceu da virgem Maria e o Nome dEle é Jesus. Jesus que é o Cristo de Deus.
E o Apóstolo na Carta Aos Gálatas ensina que só existe um Evangelho na Escritura. O Evangelho que mostra ao homem que Jesus Cristo é a única base da salvação do homem.
O Apostolo na Carta aos Gálatas defende a Fé cristã e combate um falso evangelho que iludia o homem, tentando apresentar uma salvação baseada no crer em Cristo e nas boas obras (obras da Lei).
E o Apóstolo, com base na Escritura, vai destruíndo o argumento dos hereges judeus e pagãos, mostrando que o homem caído (sem Cristo) é incapaz de cumprir a Lei e, por isso, é um pecador maldito.
O Apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, apresenta que o objetivo da Lei nunca foi salvar o homem, mas conduzir o homem até Aquele que é a nossa Justiça, Jesus Cristo.
E o Apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, mostra que Deus cumpriu a Promessa, Ele enviou o prometido descente da mulher, Ele enviou Jesus Cristo.
E, meu amado irmão, é necessário você compreender o Evangelho para entender melhor a necessidade que o homem tem da Salvação. Você precisa ouvir o Evangelho para que possa viver livre do pecado e das idéias dos falsos mestres, viver uma vida consolada em Cristo Jesus.
Por isso, peço que você ouça o Evangelho que diz:

Deus no tempo certo enviou Jesus Cristo:

1. Nascido de mulher e sob a Lei
2. Para resgatar pecadores e fazê-los filhos adotivos de Deus

1. Deus no tempo certo enviou Jesus Cristo: Nascido de mulher e sob a Lei

Meu irmão, o Apóstolo na Carta aos Gálatas ensina à Igreja de Cristo. Ele mostra que o homem antes de conhecer a Jesus Cristo é escravo dos “rudimentos do mundo”.
Estes rudimentos, ou elementos, são as regras religiosas ou pensamentos inventados pelo homem que dão uma impressão de bem estar ou salvação, por suas forças.
As religiões da época do Apóstolo eram cheias dessas regras, desses rudimentos.
Os judeus corromperam com suas idéias o ensino de Deus. O judaísmo já no tempo de Jesus e dos Apóstolo era tão cheio de regras humanas, que a Escritura foi sufocada e povo de Deus escravizado! E o judaísmo se descambou de vez quando negou a Jesus Cristo! Assim, o judaísmo é uma falsa religião.
Também as religiões pagãs do tempo do Apóstolo eram cheias de regras humanas, que ensinavam o homem a basearem sua salvação nessas regras.
Então, os falsos mestres estavam ensinando as regras humanas dentro das igrejas da Galácia, mas o Apóstolo ensinou que estas regras, os rudimentos do mundo, ao invés de tornar o homem livre, escravizava o homem, pois, o apóstolo diz aos crentes (v.3): “… quando éramos menores (antes de pertencermos a Cristo), estávamos servilmente sujeitos ao rudimentos do mundo”.
Assim, meu irmão em Cristo, todo homem que confia em suas regras humanas para sua salvação ainda vive em escravidão. Não sou eu que digo isto, mas é o Espírito Santo que diz isso na Palavra.
A religião das regras humanas ao invés de libertar os seus membros lhes escravizam! Por isso, pessoas que são escravas de regras humanas são pessoas sem alegria verdadeira, pois não tem segurança da salvação porque sempre confiam em suas obras. É só um problema acontecer em sua vida que surge logo: “o que fiz para merecer esse castigo?” Por isso, os seguidores de religiões e seitas cheias de regras no fundo dos seus corações obedecem a Deus por ter medo da perdição e não por amor e gratidão.
Meu irmão em Cristo, isto mostra como o mundo precisa ouvir o Evangelho da Salvação em Cristo. Pois, o Evangelho é o poder de Deus para libertar o homem da escravidão dos rudimentos do mundo e dar verdadeiro consolo a alma do homem.
E a primeira coisa que digo a você é que a libertação da escravidão dos rudimentos do mundo é uma obra soberana de Deus em Cristo Jesus.
Deus determinou o momento exato para enviar Seu Filho ao mundo e nos libertar da escravidão. O Texto diz (v.4): “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou o Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei”.
O texto diz: “vindo, porém, a plenitude do tempo,”. Deus havia prometido desde do Éden a vinda do Seu Filho. E, Deus, por Sua Providência Sábia, Perfeita e Soberana, conduziu a história da humanidade até que o tempo estivesse maduro, completo.
Quando Jesus Cristo veio o tempo estava maduro: havia uma língua universal (o grego), as estradas e a paz romana garantiam acesso ao mundo conhecido na época, as sinagogas dos judeus haviam se instalado em vários lugares, havia uma versão do Antigo Testamento no grego, assim a Lei de Deus era bem conhecida e o Evangelho poderia ser explicado com mais facilidade.
Havia chegado “a plenitude do tempo”. Então, no momento certo Deus “enviou Seu Filho”. Este é mais um texto que mostra a soberania de Deus na nossa salvação.
Mas, não somente isto. Este é mais um texto que revela a divindade de Jesus Cristo. O Filho é enviado e não criado. Jesus Cristo já existia antes de vir ao mundo. Jesus Cristo é Deus eterno como o Deus Pai é Eterno. Ele estava com Deus e era Deus.
E o Evangelho mostra que Deus enviou seu Filho e esse Filho toma a nossa natureza humana, pois, o Texto Sagrado diz: que Jesus Cristo “nasceu de mulher”.
O Evangelho diz que Jesus Cristo nasceu da Virgem Maria. Jesus Cristo também era e é um homem verdadeiro. Jesus Cristo tinha e tem alma e carne humanas. Jesus é carne de nossa carne e ossos de nossos ossos.
Meu irmão em Cristo, Deus envia Seu Filho para se humilhar tomando a forma de um servo, fazendo-se homem de verdade, para ser um SALVADOR de VERDADE. Essa é uma maravilhosa declaração do amor de Deus por pecadores (como eu e você).
Mas, não somente isto, o Evangelho diz que Deus colocou Jesus Cristo debaixo da Lei. O Texto Sagrado diz: “nascido de mulher, nascido sob a Lei”.
Sabe o que isto significa? Significa que Deus para salvar a mim e a você da escravidão do pecado, impôs sobre Seu amado e justo Filho o dever de cumprir a Lei.
E nisto vemos a misericórdia de Deus, pois Jesus Cristo não tinha nenhuma obrigação de se colocar debaixo da Lei, tomando lugar de pessoas tão vis como eu e você.
Mas, note, meu irmão em Cristo, como Ele num ato de amor e obediência ao Pai, colocou-se debaixo da Lei e obedeceu ao Seu Deus e Pai para beneficiar a mim e a você.
Jesus Cristo se colocou debaixo da Lei e não ficou nenhum “i” ou “til” da Lei sem ser cumprido por Jesus Cristo. Ele foi obediente até a morte e morte de Cruz!
Meu caro ouvinte, foi você que pecou e se colocou debaixo da maldição de Deus. Mas, foi Jesus Cristo que pagou o preço do pecado e sofreu a maldição de Deus em seu lugar. Isso é muito amor! Muita misericórdia de Deus sendo revelada a Igreja!
Agora isto para quê? O Evangelho responde:

2. Deus no tempo certo enviou Jesus Cristo: Para resgatar pecadores e fazê-los filhos adotivos de Deus

Todos os homens pela Lei estão debaixo de maldição. Você e eu (em nós mesmos) somos amaldiçoados por Deus, pois não conseguimos cumprir perfeitamente os mandamentos de Deus.
Por favor, ouça (Gl 3.10): “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”.
Segundo a Palavra de Deus, possa ser que eu nunca tenha matado literalmente alguém. Mas, se eu cobiço algo do meu próximo já me faço transgressor de toda Lei. E se sou transgressor da Lei sou maldito diante de Deus! (veja em sua casa Tg 2.10)!
Jesus não veio a esta terra por acaso. A vinda de Jesus Cristo a este mundo tinha um objetivo específico. O Evangelho nos diz o alvo da vinda do Filho (veja o v. 5): “para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos!”
A minha e a sua condição era de um maldito escravo do pecado que não poderia se salvar da escravidão. E Deus em sua compaixão enviou a Jesus Cristo, para nascer de mulher, ficar debaixo da Lei, para pagar o preço da libertação, e assim resgatar aqueles que estavam sob a Lei (não somente a Lei do Sinai, mas todas as regras humanas).
Meu irmão, esse é o Evangelho que não ouvimos no Brasil. Não? Não, pois o que ouvimos é que o homem deve ter Jesus como um exemplo, ou crer em Jesus e praticar boas obras para ser salvo. Isto não é o Evangelho, mas um falso evangelho!
Meu irmão e demais ouvintes, pare para pensar:
Você acha que Jesus Cristo veio ao mundo, nasceu da virgem Maria, cumpriu perfeitamente a Lei, morreu e se fez maldito na Cruz, para mostrar ao homem “um exemplo, ou um caminho de salvação pelas obras, por regras e pensamentos humanos?
Meu irmão, quem prega ou crê nisso de fato: Faz de Jesus Cristo um estúpido!
O Evangelho é muito claro: Jesus Cristo veio resgatar pecadores da escravidão, pagar o preço da LIBERTAÇÃO que você não tinha condições de comprar! Isso é o que diz o Evangelho!
Peço que você ouça agora mais do Evangelho:
Meu irmão, o Evangelho mostra que Jesus Cristo por Sua obra de obediência perfeita liberta o pecador da maldição da Lei, para que “recebessemos a adoção de filhos”!
Veja pelo texto algo muito sério: há uma mentira que diz que “todos os homens são filhos de Deus”. O Evangelho não diz isso!
Nem todos os homens são filhos de Deus. Se todos os homens fossem filhos de Deus Jesus Cristo não precisaria vir ao mundo “a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.
O Apóstolo usa o exemplo de uma prática comum em seu tempo. Um escravo no tempo de Paulo podia ser adotado e receber todos os benefícios dos filhos naturais da pessoa que o adotasse. Era só o senhor do escravo declarar a liberdade e a adoção.
O Apóstolo usa essa idéia aqui para mostrar que Deus, em Jesus Cristo e pela obra de obediência de Jesus, pagou o preço e adotou pecadores como Seus filhos.
Sendo assim, somente quem recebeu de Deus a graça da libertação em Cristo é que pode se considerar filho de Deus.
E quando combinamos essa declaração de Paulo em Gálatas 4.5 com Gn 3.15, podemos entender que não existem órfãos espirituais na terra!
Na terra só existem dois tipos de filiação: Filhos de Deus ou filhos do diabo. Então, todos que estão me ouvindo tem um pai espiritual!
Você que me ouve ou é filho de Deus ou é filho do diabo.
E os filhos de Deus são aqueles para quem ele veio, são aqueles por quem Cristo morreu! São aqueles que foram resgatados da maldição e da escravidão do pecado, a fim de que recebessem a adoção de filhos!
E a marca dessa filiação é vista na confiança que esses filhos têm SOMENTE em Seu Pai, que promete a libertação e salvação somente PELA FÉ em Cristo Jesus.
E com base no Evangelho digo que todos os filhos espirituais do diabo são aqueles que se satisfazem com as obras e regras humanas para salvação, que tentam por elas se salvar, que se satisfazem no pecado e na sua rebeldia, que permanecem na incredulidade na obra de Jesus.
A igreja não pode se omitir de dizer isto aos pecadores. A igreja de Cristo por amor as almas escravas do diabo deve pregar esse Evangelho a todos homens, mulheres e crianças.
Meus irmãos, o Espírito Santo quer por meio desse Evangelho despertar homens, mulheres e crianças a perguntarem o seguinte: Como posso ser libertado da minha escravidão e ser adotado por Deus como Seu filho?
E o Espírito Santo, pelo Evangelho, quer responder a todos os homens: SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO!
Meu irmão e demais ouvintes, o Evangelho não põe para você uma lista de coisas que você deve fazer para ser feito filho de Deus. O Evangelho diz: O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ!
Ouça o Evangelho (Gl 3.25,26): Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio. Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a Fé em Cristo Jesus”.
O SENHOR Deus promete no Evangelho que, se o homem de todo coração confia somente em Jesus Cristo, então, o homem será libertado da escravidão e será recebido, em graça, como filho adotivo de Deus.
Essa é a mensagem de Salvação em Cristo que todos os homens da terra esperavam desde de Gn 3.15. Essa é a mensagem que crida salvou todos os crentes de Gênesis até o último eleito.
O SENHOR Deus deseja libertar e adotar pecadores como filhos amados. Por isso, todo homem deve ARREPENDER-SE DOS SEUS PECADOS E CONFIAR SOMENTE EM JESUS CRISTO!
O SENHOR Deus nesse momento diz pela Escritura: Que se um pecador arrependido confia somente no Seu filho Jesus Cristo, então, será adotado por Deus. … Mas, não somente isto: Deus enviará o Espírito de Cristo para morar no seu coração (veja o v. 6).
Quando o Espírito Santo mora em nós não tem como sermos mais escravos dos nossos pecados. Se um homem serviu aos seus pecados, idéias que o mantinham debaixo da Maldição de Deus, então, quando este homem, pela graça de Deus, crê em Jesus a consequência é LIBERTAÇÃO DO PECADO, pois ele passa de escravo para FILHO ADOTIVO DE DEUS!
E quando o Espírito Santo, o Espírito do Filho, mora em nós recebemos a herança de Deus: Os dons da graça de Deus em Cristo, a justiça de Cristo, a santidade de Cristo, a vida eterna em Cristo!
Veja meu irmão em Cristo, que privilégio gracioso você recebeu por pura graça, mediante a Fé em Cristo: De escravo você passou a ser filho e herdeiro de Deus em Cristo Jesus!
Um filho que goza no Espírito Santo de profunda intimamente com o Pai. Então, confie em Deus Pai como uma pequena criança confia no seu pai! O Espírito Santo clama em você: Aba, em aramaico, paizinho!
Meu irmão em Cristo, viva nessa vida como um filho de Deus e não mais como um escravo do pecado e das regras humanas. Viva uma vida de gratidão a Deus mediante a Fé em Jesus Cristo.
Viva a vida no Espírito Santo: que em você clama: Aba, Pai. Viva essa FÉ, pois foi para isto que JESUS CRISTO VEIO, NASCEU DE MULHER E SOB A LEI! Amém.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Deus deseja que você deteste o pecado e se contente na justiça dEle

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina bíblica ensinada no Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 44

Textos: Êx 20.17 e DS 44
Leitura: Rm 7.7-25

Amada Congregação do Senhor,

Chegamos no final da exposição dos Dez Mandamentos.
Dez divisões do Catecismo foram dedicadas ao ensino sobre os Dez Mandamentos, as Palavras da Aliança de Deus com Seu povo.
E no Décimo Mandamento temos o resumo do desejo de Deus expresso em toda a Lei.
O Décimo Mandamento exige de nós: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”
O Mandamento fala fortemente sobre o Não Cobiçar. Então, temos que entender o sentido das palavras cobiça e cobiçar para aprender o desejo de Deus no Mandamento.
Sendo assim, o que é a cobiça? Não é algo material, algo que você não pode tocar com as mãos. Cobiça é algo que se sente no coração. Cobiça é um sentimento.
E o que é cobiçar? Cobiçar é um forte desejo, querer, ansiar, anelar, alguém ou algo. Cobiçar é ter cobiça no coração.
E na Escritura a palavra “conbiçar” não é usada todas as vezes num sentido mal.
Por exemplo: O próprio SENHOR Deus no Sl 132.13,14 desejou muito a Sião ao ponto de escolher Sião como Sua morada. A palavra “preferir” no Sl é um sinônimo de cobiçar.
Outro exemplo: O SENHOR Deus deu forma a certos elementos da criação para despertar no homem o desejo, a cobiça (veja Gn 2.9): “Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvore agradáveis à vista e boas para o alimento;”. Essa palavra “agradáveis” vem da palavra “cobiçar”.
Mais um exemplo: Deus permite você se casar, ter um emprego, possuir seus bens, se alimentar, ter um ofício na igreja, ou qualquer outra coisa! E como você poder ter tudo isso sem a cobiça, sem um desejo forte? Todas essas coisas são frutos de um desejo! Na verdade, todos nós somos motivados por nossas fortes cobiças!
Então, Deus no Décimo Mandamento não proibe o desejo, a cobiça em si. Pelo contrário, Deus mandou você crescer e multiplicar, encher a terra, dominar e desenvolver a Criação.
O SENHOR Deus quer que você tenha um bom cônjuge, um bom emprego, uma casa, uma empresa, uma boa vida com coisas boas para seu prazer. Então, não é o alvo do Décimo Mandamento proibir o cobiçar, o desejar, pois este sentimento em si não é pecado!
Agora, amada congregação, o que Deus deseja no Décimo Mandamento?
Proclamo a você a resposta de Deus a esta pergunta:

Deus deseja que você deteste o pecado e se contente na justiça dEle:

Deus expressa esse desejo no Décimo Mandamento
Deus sabe a incapacidade que você tem para cumprir Seu desejo
Deus auxilia você a cumprir o desejo dEle



1. Deus deseja que você deteste o pecado e se contente na justiça dEle: Deus expressa esse desejo no Décimo Mandamento

Amados irmãos, o que Deus exige no Décimo Mandamento?
A passagem é clara e forte: “Não cobiçar a casa do seu próximo”.
Deus NÃO quer que você tenha um desejo mau por aquilo que pertence ao seu próximo. O texto fala “casa”, mas o sentido não é o imóvel, mas o lar, ou seja, o cônjuge, seus empregados, os bens, “coisa alguma que pertença” ao seu próximo!
A cobiça malígna é a geradora dos pecados contra o seu próximo.
É bom você lembrar como o pecado é concebido no coração do homem. Veja dois textos da Escritura.
O texto de Gn 3.6 mostra o processo da Queda, a Escritura diz: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar conhecimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu”.
Perceba, o coração de Eva desejou ardorosamente o fruto que Deus proibiu ela comer. Eva e Adão se entregaram a esse desejo mau, a cobiça má! E qual a consequência? Pecado, o primeiro pecado! E saiba que a palavra “desejável” em Gn 3.6 vem da palavra “cobiçar” que encontramos em Êx. 20.17.
Outro texto é Tg 1.14,15 (veja por favor). Tiago, pelo Espírito Santo, lança mais luz sobre como o pecado é concebido no coração do homem. Tiago disse: “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. A palavra “cobiça” é a tradução grega da mesma palavra em Êx 20.17: “não cobiçarás”.
Perceba que a Escritura mostra que sem a cobiça não há como o pecado nascer. Todo tipo de desrespeito as autoridades, assassinatos, violências, adultérios, defraudações, difamações, nascem de um sentimento de cobiça má.
Por isso, não é a toa que Deus fecha os mandamentos dando o imperativo da graça: “Não cobiçarás!”
SE você evita a cobiça danosa você mostra que quer cumprir a vontade de Deus, pois a cobiça danosa é um sentimento contrário ao amor ao próximo! E se é contrário ao amor ao próximo é contrário a toda a Lei, pois o cumprimento da Lei é o amor!
O Apóstolo Paulo, cheio do Espírito Santo, disse em Rm 13.10: “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”. Quem ama o próximo tem cumprido a Lei.
Veja, meu irmão, o Desejo de Deus ao dar o Décimo Mandamento é que Seu povo viva plenamente o amor, viva a Lei, viva a Sua Vontade santa, justa e boa! E para viver assim você deve DETESTAR qualquer pensamento que mova seu espírito com uma cobiça danosa e que pente ao prejuízo do seu próximo!
Agora, não podemos pensar que a cobiça danosa é um sentimento que vem somente antes dos pecados contra o próximo. Os textos de Gn e Tg mostram que a cobiça antecede os pecados que praticamos! …
Isto mostra a profundidade do Décimo Mandamento!
Por isso, o Catecismo, com base na Palavra, não se refere somente o detestar os pecados que ofendem o nosso próximo, mas apresenta o nosso dever de “sempre detestar de todo coração a todo o pecado e, nos deleitar em toda a justiça” (DS 44, R 113).
Então, podemos dizer que da idolatria ao desejar o lar do próximo temos a cobiça danosa. Sendo assim, quando lutamos para comprir o Décimo Mandamento estamos lutando para detestar o pecado e se contentar na vontade do SENHOR.

2. Deus deseja que você deteste o pecado e se contente na justiça de dEle: Deus sabe a incapacidade que você tem para cumprir seu desejo

Meu irmão, note que não estou perguntando se você cumpre perfeitamente a Lei. Deus sabe dessa icapacidade dos seus servos. O Dom da Lei não foi dado por que o povo de Deus fosse capaz de cumprir perfeitamente a Lei. Deus revela essa verdade na Escritura.
Obediência perfeita a Lei é impossível nessa vida até mesmo para os homens mais santos. A Escritura mostra que até o Apóstolo Paulo, um grande apóstolo do SENHOR, sentia-se incapaz de cumprir perfeitamente o desejo de Deus revelado na Lei.
O Apóstolo ao ouvir a Lei de Deus conheceu a vontade de Deus: “Não cobiçarás”. Mas, a Lei despertou nele toda sorte de concupiscência (cobiça malígna). Paulo pela Lei percebeu sua pecaminosidade e, assim, viu e reconheceu sua incapacidade para cumprir o desejo de Deus revelado no Mandamento.
Por isso, com base na Escritura, confessamos no Catecismo, que até mesmo os mais santos servos de Deus, ou seja, aqueles que foram santificados e justificados em Cristo, são incapazes e “só têm um leve começo dessa obediência” aos mandamentos do SENHOR.
Agora, meu irmão em Cristo, saiba que você deve reconhecer a sua incapacidade diante da Lei. Mas, você não pode achar que essa incapacidade é plena, ou seja, o crente não prova de jeito nenhum a obediência a Lei.
O Espírito Santo, na experiência do apóstolo, mostra que aqueles que foram salvos por Jesus Cristo podem já provar nessa vida “um leve começo dessa obediência”. Veja o que o Apóstolo diz (Rm 7.15): “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto!”
O que o Apóstolo preferia com a mente? OBEDECER o desejo de Deus revelado na Lei! O que o Apóstolo detestava? O pecado, a desobediência ao Mandamento do Senhor!
O Apóstolo, em Cristo, já provava nesta vida “um leve começo dessa obediência” que Deus deseja no Mandamento: O Detestar o pecado e o deleitar-se na justiça de Deus!
Uma pessoa que está fora de Cristo pode até reconhecer a sua incapacidade diante da Lei. Mas, tal pessoa é totalmente dominada pelo pecado: alma e corpo. Sua mente e seu corpo servem de livre e espontânea vontade aos seus pecados. O coração dela olha para o pecado de modo natural. O homem fora de Cristo Jesus não sente nenhum conflito em sua mente que o leve a detestar seus pecados e que o leve a se satisfazer na Lei de Deus.
Mas, aqueles que foram libertados por Cristo Jesus não são assim. Eles, pela obra do Espírito e da Palavra, sentem nos seus pecados sua incapacidade de cumprir a Lei e sentem na mente o desejo de obedecer a Deus.
Esses sentimentos criam um conflito nos corações dos filhos de Deus. Um conflito por que eles querem atender o desejo de Deus com todo o seu coração, alma, entendimento e força, mas percebem nas suas vidas a atuação do pecado.
Por isso, um verdadeiro filho de Deus vai ter um conflito diário na mente, pois vai abominar os seus velhos pecados, seus velhos desejos maus, suas concupiscências enganosas!
Os eleitos de Deus desejam e lutam já agora para cumprir o desejo de Deus. Isto é “um leve começo dessa obediência” aos mandamentos de Deus!
Eu, em nome do SENHOR e pela Palavra de Deus, pergunto a você (isto inclui os membros batizados):
Você tem sentido a sua incapacidade diante da Lei? Essa incapacidade tem criado em você um conflito? Qual o resultado desse conflito em sua vida? Você tem sentido o desejo de atender o desejo de Deus revelado em toda Lei?

3. Deus deseja que você deteste o pecado e se contente na justiça de dEle: Deus auxilia você a cumprir o desejo dEle

Meu irmão em Cristo, o SENHOR Deus capacitou você, em Cristo, pelo poder do Espírito Santo e da Palavra, a buscar viver o desejo de Deus já nesta vida: O SENHOR Deus libertou você, deu a você um novo coração, seu Espírito Santo e os dons de Cristo.
E Deus usa um poderoso instrumento para auxiliar você a cumprir o desejo dEle: A PREGAÇÃO DOS MANDAMENTOS DE DEUS!
Veja a experiência de Paulo em Rm 7. Paulo sente pelas palavras da Lei o peso da sua pecaminosidade. O Apóstolo enfrenta a luta interna que é comum a todos os crentes em Cristo Jesus.
Então, o apóstolo pela Lei vê como ele (em si mesmo) é um miserável pecador, e pela Lei o Apóstolo é levado a dar graças a Deus, por causa de Jesus Cristo, e a buscar somente em Cristo Jesus a Salvação da condenação eterna!
Essas palavras do Apóstolo em Romanos mostram a importância da pregação dos mandamentos de Deus para a igreja. Por isso, a Igreja de Cristo, com base na Palavra de Deus, declara a importância da pregação dos mandamentos para igreja (veja o que o nosso catecismo diz no DS 44. P & R 115).
Meu irmão em Cristo, esta declaração bíblica do Catecismo me leva a perguntar:

Há quanto tempo você é membro da igreja?
Há quanto tempo você está debaixo da pregação dos Mandamentos de Deus?

Pela Escritura e pela confissão bíblica, não tem como um membro de Cristo ficar debaixo da pregação dos mandamentos e a sua vida ser como uma vida sem Cristo Jesus.
Meu irmão, digo isso por que há membros da igreja que falam o tempo todo: “Sou miserável pecador”, mas não passa disso a confissão deles! A vida deles parecem não ter mudado nada durante todos os anos que estão debaixo da pregação: são cheios de idolatria, cheios de egoísmo, cheios de inveja, cheios de ódio, são descontentes com Deus, ou seja, cheios de conscupiscências carnais!
Cadê a obra do Espírito Santo na vida desses crenstes? Cadê o resultado da Pregação dos Mandamentos em suas vidas? Cadê a vida segundo a imagem de Deus, uma vida onde se mostram a justiça e a retidão procedentes da verdade?
Meu irmão em Cristo, qual a mudança real a pregação dos mandamentos tem feito em sua vida?
Meu irmão em Cristo, hoje acabou-se mais uma série de pregações dos mandamentos de Deus. Então, vamos orar para que essas pregações surtam efeito em nossa vida como povo de Deus!
Vamos orar para que o Espírito Santo e a Palavra opere poderosamente em nossos corações nos capacitando cada vez mais a obedecer o desejo de Deus e a se deleitar na Sua santa, e justa, e boa Vontade! Vamos orar para buscarmos e descansarmos sempre na Justiça de Cristo Jesus.
O Senhor Deus chama você a continuar orando a Deus, para que a graça do Espírito Santo, em Cristo, seja cada vez mais abundante em sua vida, moldando você cada vez mais conforme a imagem de Deus em Cristo Jesus!
O SENHOR Deus quer que você o ame de todo o caração a Ele e ao seu próximo, por isso, cumpra com alegria o DESEJO DE DEUS: Deteste de todo coração o pecado e se contente na justiça de dEle. Amém

sábado, 5 de dezembro de 2009

SALMODIA EXCLUSIVA: Compartilhando algumas observações à luz de alguns princípios gerais da fé Cristã Reformada


Por Waldemir Magalhães Cruz

Após ler o livro “Salmodia exclusiva, uma defesa bíblica” do Pr. Brian M. Schwertley, compartilho algumas impressões sobre o mesmo:

Primeiramente, gostaria de advertir que estas simples observações são “meras observações” e não pretendem ser, sob hipótese alguma, uma refutação ao livro. Pois tal labuta não passaria de uma pretensão simples. Outrossim, é uma recomendação a alguns irmãos que porventura possam ficar com o coração sob suspense crendo que poderiam estar praticando um culto não bíblico e pecaminoso.

Acredito que o livro tem destinatário certo, isto é: as igrejas presbiterianas que adotam a Confissão de Fé de Westminster como exposição de doutrinas bíblicas e símbolo de fé. Certamente a mencionada confissão reformada estabelece que as igrejas que adotam-na estão autorizadas a cantar os Salmos e somente ou exclusivamente os Salmos.

Uma vez que as Igrejas Reformadas adotam as Três Formas de Unidade, e embora tenham um profundo apreço pelos Padrões de Westminster, não estão sob o Princípio Regulador Puritano do Culto em matéria de Adoração.

Portanto, a menos que o Pr. Brian queira aplicar o Princípio Regulador Puritano do Culto indistintamente a toda e qualquer igreja reformada, estas minhas observações devem ser ignoradas.

Eis algumas observações:

1. Parece que o livro faz uma análise incompleta do assunto pois elenca apenas duas correntes apresentando assim um dilema aparente: de um lado ele apresenta os que amam os salmos e mostram seu apreço quando cantam estes exclusivamente; e de outro lado os que se opõem a salmodia exclusiva que são necessariamente os que desprezam os Salmos. Entretanto, creio que tal dilema não existe pois há irmãos e igrejas que não defendem a salmodia exclusiva e não chegam a desprezar os Salmos. Portanto, ao que parece, não concordar com a salmodia exclusiva não significa necessariamente desprezar os Salmos;

2. Parece que o livro não é muito claro sobre qual ou quais os princípios que devem reger o louvor na igreja pois apresenta certos critérios que ora são apresentados como princípios bíblicos e ora como regras. O próprio Princípio Regulador, às vezes, parece ser aplicado como regra internacional de culto e não como um princípio puritano ou presbiteriano que se aplica às igrejas Presbiterianas. O entendimento geral da Reforma parece ser o de que a Bíblia fornece princípios que regem o culto ao Senhor, mas isso não significa uma padronização internacional de modo que cada ato cúltico de cada igreja que exista no mundo seja regido por este padrão. Por exemplo: há igrejas que no culto lêem os Dez Mandamentos, confessam o Credo Apostólico e outras não. Porém os princípios estão presentes: orações, pregação da Palavra, cânticos, ofertório, benção, saudação, etc., mas todos estes atos obedecendo aos princípios de estar o ato e o conteúdo em conformidade com as Escrituras e também de acordo com a simplicidade do Culto de modo que nem tudo que não seja necessariamente pecado seja introduzido na adoração. O livro ora fala de “composições humanas não-inspiradas” ou “hinos não-inspirados” (p. 10, etc.) como sendo o problema. Mas poderíamos perguntar: os Credos, as formas, as confissões enquanto composições humanas não-inspiradas têm lugar no culto? As igrejas que se utilizam de tais composições, no dizer de Brian, “abandonaram o Princípio Regulador ou sua prática de culto é não-autorizada e pecaminosa” (p. 39). Insistimos, parece que o pastor Brian quer aplicar o Princípio Regulador Puritano do Culto indistintamente. Mas, somente pode abandonar o Princípio Regulador Puritano do Culto as igrejas que o adotaram.

3. Parece que o Pr. Brian pretende transformar o mandamento de se “cantar os Salmos” em “cantar EXCLUSIVAMENTE os Salmos”. Para tanto, alega que há um livro de cântico oficial na Bíblia que é justamente a coleção de 150 Salmos. Ele sempre insiste que não podemos, portanto, cantar composições mesmo inspiradas no Culto que não seja EXCLUSIVAMENTE os Salmos e cantar qualquer coisa que não Salmos é sacrilégio. Quando, mencionamos que há outros “cânticos inspirados” nas Escrituras como o Cântico de Mirian, os Cânticos que o Apóstolo Paulo e outros dirigiram ao Senhor, o Pr. Brian parece criar uma classe inferior de “Cânticos ou composições inspiradas” ao dar a entender que tais “composições inspiradas” não fazem parte da coleção de 150 Salmos. Perguntamos: poderíamos cantar estes cânticos inspirados ou outras partes das Escrituras no Culto? Ou cometeríamos sacrilégio? Haveria os Salmos de ser “mais” inspirados do que outras partes das Escrituras? E quando acrescentamos que há para as igrejas reformadas outros elementos de culto que são “composições humanas não-inspiradas” como Credo Apostólico, leitura do Catecismo de Heidelberg, Confissão Belga, as Formas litúrgicas, as orações e a própria pregação, ele diz que o louvor é um elemento distinto. Mas o que significa esta distinção? Qual o problema finalmente, o fato de ser “composições humanas não-inspiradas”, não estar na coleção dos 150 Salmos, ou o que? A própria formulação: ou a coleção dos 150 Salmos ou nada, parece ser estabelecida de forma arbitrária. Parece que assim ele estabelece um Cânon dentro do Cânon sendo o primeiro superior ao segundo. Parece que a conclusão é que há uma supervalorização dos Salmos em detrimento de outras partes das Escrituras.

4. Podemos ver pelo menos três conclusões a que o Pr. Brian chega e quer nos fazer aceitar:

a) O Princípio Regulador Puritano do Culto e as inferências do Pr. Brian se aplicam indistintamente a toda igreja reformada e não somente presbiterianas;
b) A Bíblia manda cantar exclusivamente os Salmos e não composições humanas não-inspiradas e nem mesmo outras partes da Escrituras, pois doutra sorte praticam um culto “não-autorizado e pecaminoso”;
c) As igrejas que adotam a Salmodia Exclusiva amam os Salmos; as igrejas que não adotam desprezam os Salmos.

5. Quanto ao zelo do Pr. Brian, não temos dúvida. Aliás apreciamos muito suas lições que mostram que é um Mandamento cantar os Salmos. Apreciamos também suas exortações às igrejas que não cantam os Salmos mas somente hinos a que se arrependam desse pecado e passem a cantar os Salmos. Entretanto, não podemos deixar de mencionar nossa tristeza e discordância quanto ao severo julgamento que ele parece colocar sobre várias igrejas de Cristo que não adotam a Salmodia exclusiva.

Bem, certamente há muitas outras coisas que gostaríamos de levantar como perguntas, mas não dispomos de tempo no momento.

Mas gostaríamos de compartilhar alguns princípios que deveriam ser adotados por igrejas fiéis:

1. Cantar necessariamente os Salmos;
2. Cantar hinos que sejam congregacionais e tenham um conteúdo estritamente bíblico;
3. Considerar como igrejas fiéis àquelas que adotam exclusivamente os Salmos e orar caso estas venham a considerar igrejas que não cantam os Salmos exclusivamente como infiéis;

Finalmente advirto sobre o perigo de algumas pessoas usarem a posição da Salmodia Exclusiva como um martelo para bater na cabeça das demais igrejas que não adotam tal posição. Também devemos ser vigilantes para que as investidas de Satanás não nos acometam a ponto de desprezarmos irmãos e igrejas simplesmente para estabelecer uma posição de algumas igrejas fiéis. Que as lições do Pr. Brian não sejam usadas de modo a causar contendas e divisões entre crentes e igrejas fiéis. Vamos labutar juntos para deixar bem estabelecidas as principais marcas das igrejas verdadeiras: pregação fiel, administração correta dos sacramentos e disciplina cristã. Tenho certeza que estabelecidas estas marcas, estaremos muito mais perto uns dos outros e mais preparados para a discussão de pontos fundamentais de forma mais amadurecida e mais edificante sem corrermos riscos desnecessários de sermos pedras de tropeço uns para os outros.

Que Deus nos ajude!

Forte abraço!

Sobro o autor:
Waldemir Magalhães Cruz é um dos diretores do Centro de Literatura Reformada (CLIRE).

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Educação dos Filhos da Aliança: Entendendo nossa responsabilidade



Por Rev. Elienai Bispo Batista

Sou pastor de uma igreja que, pela graça de Deus, passou por um processo de reforma, um processo de retorno às Escrituras no que diz respeito à doutrina, ao culto e à prática. Neste processo, uma das doutrinas que nos trouxe um grande impacto foi a doutrina da aliança. Nós a estudamos por cerca de dois anos, até que nossos filhos vieram a receber o selo da aliança, o santo batismo. Com o aprendizado da doutrina da aliança, logo percebemos que não estávamos educando nossos filhos a partir do pressuposto de que eles pertencem a Deus. Isso nos levou a nos preocuparmos cada vez mais com a educação dos nossos filhos e, por isso, começamos a estudar sobre a educação cristã.
Como pastor e pai, sei que há o grande perigo de abraçarmos a doutrina bíblica da aliança sem, contudo, vermos as implicações da aliança no que concerne à educação de nossos filhos. Creio que a compreensão da doutrina da aliança deve nos levar a uma reforma na educação dos nossos filhos. Por isso, escrevo esta série de artigos na esperança de que o Senhor promova tal reforma, principalmente entre aqueles que confessam a doutrina da aliança. Neste primeiro artigo procuraremos entender nossa responsabilidade como pais e, nos próximos, veremos não só o perigo que nossos filhos estão correndo sendo submetidos a uma educação humanista como também aquilo que podemos fazer a esse respeito.
Neste primeiro artigo, precisamos atentar para algo muito importante, precisamos de uma resposta para a seguinte pergunta: de quem é a responsabilidade pela educação dos filhos da aliança? A resposta parece óbvia. E é mesmo. Creio que todos concordarão que os responsáveis são os pais. Mas, mesmo concordando com isso, na prática, muitos pais correm o risco de dividir a educação de seus filhos em duas ou três partes, responsabilizando-se apenas parcialmente.
Quando isso ocorre, os pais tendem a dizer: “Nós não estamos habilitados para ensinar, por exemplo, ciências a nossos filhos, portanto, essa é uma responsabilidade do professor. Nossa responsabilidade é de educar em relação a outros assuntos”. Assim, se pode chegar à seguinte divisão na educação dos filhos e, consequentemente, da vida:
1. Educação moral. Os pais dizem: “É nossa responsabilidade”. Ainda que, já aqui, haja muita intromissão da escola — intromissão que, por vezes, é tolerada. 2. Educação intelectual. Os pais dizem: “É responsabilidade da escola”. Neste caso, os pais se limitam a cobrar dos filhos boas notas e algum compromisso com os estudos. 3. Educação religiosa (bíblica). Os pais dizem: “É responsabilidade da igreja”. Aqui muitos pais se omitem de ensinar a Palavra de Deus a seus filhos de uma maneira consistente, transferindo a responsabilidade para os oficiais da igreja e para as professoras de Escola Dominical.
Tal concepção educacional tem como origem e consequência uma divisão da vida em vários compartimentos. É como se não houvesse unidade entre essas áreas e como se houvesse uma separação entre espiritual e material (gnosticismo). Tal visão não está de acordo com a Palavra de Deus, que nos ensina que tudo pertence ao Senhor (Sl 24) e que até as mínimas coisas devem ser feitas para a glória de Deus (1 Co 10.31).
Essa tricotomia educacional (separação entre campos moral, intelectual e espiritual), pode fazer com que os pais entreguem seus filhos à escola, entendendo que é responsabilidade dela educar seus filhos intelectualmente. Se a escola é pública, o Estado é visto como o responsável pela educação dos filhos. E em nosso país, onde o Estado costuma ganhar um status de deus que deve nos dar tudo e em quem devemos confiar e esperar, tudo isso se agrava. Então se o Estado ocupa nossos filhos tirando-os de casa, se ele provê material escolar, merenda, roupas e, em alguns casos, até dá um dinheiro por filhos matriculados, muitos pais se darão por satisfeitos (q.v. Sl 146). Por outro lado, se é particular, a escola também é vista como responsável pela educação dos filhos. Neste caso, os pais podem dizer: “Nós estamos pagando, então a responsabilidade é da escola”. Com isso, os pais podem imaginar que estão cumprindo com sua obrigação, oferecendo a seus filhos uma “educação de qualidade”. Em ambos os casos, o grande perigo é diminuir a responsabilidade dos pais quanto à educação dos filhos e transferi-la a terceiros. Porque é mais fácil colocar a culpa em terceiros se algo der errado.
Mas o que cada pai cristão precisa lembrar, e especialmente nós que professamos a fé denominada de reformada, e que cremos que Deus estabeleceu uma aliança com seu povo, aliança da qual nossos filhos também participam, é que a responsabilidade de educar nossos filhos é nossa. Cada pai é responsável por educar seus filhos em todos os sentidos, seja no âmbito moral, espiritual ou intelectual.
Portanto, os pais não devem ver a educação de seus filhos partimentada, mas, como um todo pelo qual são responsáveis. É verdade que eles podem pedir ajuda, mas a responsabilidade, perante Deus, continua sendo dos pais. Em Efésios 6.4, lemos sobre esta responsabilidade. A primeira coisa que podemos notar é que o apóstolo Paulo utiliza uma palavra que geralmente é usada para referir-se a “pais” no sentido masculino, o que faz recair um peso maior de responsabilidade sobre o cabeça da família, no que concerne à educação dos filhos. No entanto, precisamos notar que a responsabilidade dos pais (masculino), não exclui a responsabilidade das mães, que devem ser auxiliadoras também nisso. É, portanto, responsabilidade dos pais (pai e mãe) criarem seus filhos. O verbo “criar” tem o significado de “nutrir”, “cuidar”, e a idéia é de ajudar a florescer, ou seja, de ajudar os filhos a alcançarem maturidade em todas as áreas da vida. Podemos pensar nos filhos como pequenas plantas, as quais regamos, aplicamos nutrientes, protegemos, limpamos, em suma, cultivamos com todo cuidado esperando que um dia possam dar frutos. Isso mostra que a participação dos pais na educação de seus filhos é ativa. Se desejam que seus filhos produzam frutos para a glória de Deus, eles devem nitri-los para esse fim.
O texto também nos mostra como devemos fazer isso. Primeiro somos instruídos sobre o que não fazer, isto é, os pais não devem provocar seus filhos à ira. A razão disso nos é fornecida no texto paralelo em Cl 3.21: “... para que não fiquem desanimados”. Portanto, ao criarem seus filhos, os pais devem ter todo cuidado para não encher os corações deles de amargura e desânimo, fazendo com que obedeçam apenas por medo. Pelo contrário, devem dirigir o coração de seus filhos à obediência exigida (Ef 6.1-3), utilizando a “disciplina e admoestação do Senhor”. A palavra “disciplina” (paideia), que também pode ser traduzida por “treinamento”, “instrução”, se refere a tudo aquilo que concorre para o desenvolvimento mental, moral e espiritual da criança, é a educação por meio de regras e normas e que pode envolver recompensas ou castigos. A “disciplina” tem como alvo a vontade da criança. Já a palavra “admoestação” (nouthesia), pode ser traduzida por “advertência”, “instrução”. É a educação por meio de instrução verbal visando a correção do pensamento, da mente. A “admoestação” tem como alvo o intelecto da criança.
Por fim, o texto nos ensina que essa “disciplina e admoestação” devem ser “no Senhor”, isto é, a educação deve se desenvolver sob a autoridade que o Senhor dá e de acordo com a Sua Palavra. Isso nos chama a atenção para o fato de que o Senhorio de Cristo deve ser reconhecido também na educação dos filhos, mesmo aí, não podemos nos submeter a outro senhor.
Portanto, à luz de Efésios 6.4, devemos reconhecer que os pais são responsáveis por “nutrir” seus filhos, para um desenvolvimento pleno, como o próprio Senhor Jesus se desenvolveu como homem (Lc 2.52). Os pais são responsáveis por educar seus filhos e não devem se desfazer desta responsabilidade.
E talvez você pergunte: Se a responsabilidade da educação em todos os âmbitos é dos pais, então qual o papel da escola? A escola e seus professores são meios que os pais podem utilizar para cumprir sua responsabilidade de educar seus filhos. Neste caso, o professor tem autoridade delegada pelos pais para ensinar seus filhos, e ainda que o professor seja também responsável, a responsabilidade final recai sobre os pais. Então se um professor está ensinando a seus filhos que não há nenhum problema em uma união homossexual, que a questão de sexo masculino ou feminino é uma questão de opção, que Deus não existe, que o mundo veio de uma grande explosão, que não existe verdade absoluta, que o aborto deveria ser legalizado, que não existe pecado ou que o homem é inerentemente bom, você, pai, é responsável por isso diante de Deus.
Então, como vocês podem perceber, este é um assunto muito sério. Os pais devem sentir o peso de sua responsabilidade na educação de seus filhos. E já que a responsabilidade é dos pais, então a educação dos filhos é algo para o qual os pais devem dar muita atenção. Eles não podem simplesmente entregar seus filhos à escola, seja cristã ou não, como se não fosse sua responsabilidade a educação como um todo.
Isso nos leva a outro ponto, isto é, à questão do tipo de educação que os filhos da aliança devem receber. Quanto a isso, em resumo, podemos dizer: os filhos da aliança devem receber uma educação conforme a Escritura e para a glória de Deus.
É isso que nos ensinam as Escrituras, por exemplo, no Salmo 78. Este Salmo é uma meditação histórica cujo objetivo por um lado é exaltar a graça e a misericórdia do SENHOR no estabelecimento e manutenção da Sua aliança e por outro demonstrar a ingratidão, rebeldia e infidelidade do povo da aliança. À luz disso, o salmista se dirige ao povo da aliança na qualidade de mestre e o encoraja a instruir as futuras gerações a fim de que não sejam como seus pais, “geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus” (v.8). Podemos notar alguns princípios no início do Salmo: 1. A educação dos filhos da aliança é responsabilidade dos pais (vv.3-5). Notem os verbos: ouvir, aprender, não encobrir, contar, transmitir. É o Deus da aliança que confere essa responsabilidade aos pais (v.5). 2. A educação dos filhos da aliança deve ser de acordo com o testemunho e a lei que o SENHOR instituiu (v.5). Portanto, a educação dos filhos da aliança não pode ser contrária à Palavra de Deus. 3. A educação dos filhos da aliança tem efeito sobre as gerações futuras (v.6). É bom lembrar: se falhamos na educação dos nossos filhos, isso tem consequências sobre as gerações futuras. 4. A educação dos filhos da aliança tem como objetivos: a glória de Deus (v.4), a confiança em Deus (v.7) e a obediência aos mandamentos de Deus (v.8).
Além das Escrituras, as confissões reformadas também apontam para uma educação que glorifique a Deus. Por exemplo, podemos notar alguns princípios no Catecismo de Heidelberg:_
No Dia do Senhor 38, ao confessarmos o que cremos sobre o 4º Mandamento, lemos sobre “escolas cristãs” que devem ser mantidas. Há algumas discussões sobre o significado de escolas cristãs nesse contexto. Alguns entendem tratar-se de escolas cristãs como sendo o lugar onde as crianças da aliança devem ser educadas, outros pensam que estas palavras se referem ao treinamento de ministros da Palavra, conforme o contexto da resposta parece indicar, ou seja, escolas cristãs seriam o que chamamos de seminários hoje. Mas mesmo adotando esta interpretação, temos um princípio aqui: a igreja deve investir na preparação de ministros da Palavra. O objetivo desse investimento na preparação de ministros da Palavra é que a Palavra de Deus seja bem entendida. Portanto, pela mesma razão, os ouvintes também devem ser preparados para ouvir a instrução da Palavra de Deus.

Essa foi uma preocupação do reformador João Calvino, conforme menciona Edson Pereira Lopes ao falar sobre alguns pressupostos educacionais de Calvino: “O pressuposto básico de Calvino é que a ignorância é a mãe da heresia. Assim, podemos vê-lo questionar como poderia um povo inculto em todas as áreas absorver os ensinamentos de homens bem preparados. O povo também tinha de ser bem preparado para poder receber e apreciar as instruções. Sendo assim, Calvino começou a preparar seu trabalho inicial. A solução era começar a educar as crianças”. 1
Então, à luz do que confessamos no Dia do Senhor 38, do Catecismo de Heidelberg (confira também as perguntas 158 a 160 do Catecismo Maior de Westminster a respeito da pregação da Palavra), fica implícito que devemos educar nossos filhos da melhor maneira possível, para que, no futuro, se chamados por Deus para o ministério da Palavra, estejam preparados para cursar um seminário e servir como ministros da Palavra; e se forem chamados para outra vocação, estejam prontos para servir de igual modo, na vocação para a qual Deus lhes chamar, bem como capacitados para ouvir as instruções da Palavra de Deus.
No Dia do Senhor 12, confessamos sobre nossa responsabilidade como cristãos. Como membros de Cristo, partilhamos Sua unção para poder sermos profetas, sacerdotes e reis (1 Pe 2.9). A implicação disso é que devemos estar bem preparados para, pela graça de Deus, servi-lo neste mundo da melhor maneira possível. O que nos leva à conclusão de que nossos filhos precisam de uma educação que lhes permita cumprir da melhor maneira possível seus ofícios como profetas, sacerdotes e reis a fim de glorificar a Deus em suas vocações. Este é um princípio do sacerdócio de todos os santos. Quanto a isso, a idéia dos Reformadores, bem como das Igrejas Reformadas é que não deve haver separação entre o ensino seja de matemática, geografia ou história e o ensino das Escrituras. A educação tem de ser vista como um todo, visando o aperfeiçoamento do homem para a vocação para a qual Deus o chamou. A criança deve ser educada para cumprir um papel na sociedade de tal modo que atinja o fim principal do homem, isto é, “glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Breve Catecismo de Westminster).
No Dia do senhor 48 (confira também a pergunta 191 do Catecismo Maior de Westminster), confessamos a respeito do significado das palavras de Jesus na oração modelo: “venha o teu reino”. Podemos ver aqui a necessidade de crentes bem preparados para serem instrumentos nas mãos do Senhor. Por exemplo, em nossas orações devemos pedir a Deus que destrua as obras do diabo, todo poder que se levante contra Ele e toda conspiração contra a Sua Palavra. Sabemos que Deus não irá fazer isso por meio de anjos, mas que Ele usa sua Igreja, que é “coluna e baluarte da verdade”. A implicação disso é que devemos ser crentes conhecedores dessas conspirações contra a Palavra de Deus e estar preparados para, na força que o Senhor dá, destruí-las com a própria Palavra de Deus. E isso deve acontecer em todas as áreas. Portanto, mais uma vez somos levados à conclusão de que devemos educar nossos filhos de tal maneira que eles possam ser nutridos com a verdade, servir a Deus neste mundo e manifestar, assim, a presença de Seu reino.
Agora que já vimos a educação dos nossos filhos a partir da Palavra de Deus e das nossas confissões, podemos vê-lo a partir do voto que fizemos no batismo de nossos filhos2. Vocês lembram que quando nossos filhos receberam o santo batismo nos foram feitas quatro perguntas? As duas últimas são as seguintes:
— Vocês prometem e assumem a responsabilidade, como pais desta criança, de instruí-la no ensino já mencionado, logo que for capaz de entendê-lo? — Vocês prometem fazer todo o possível para que esta criança seja instruída naquele ensino?
Mas que ensino é esse sobre o qual lemos nas duas perguntas? É o ensino mencionado na segunda pergunta: “O ensino do Novo e do Antigo Testamento, o verdadeiro e completo ensino da salvação”. Que resposta vocês deram? Creio que vocês disseram: Sim! Então isso quer dizer que no batismo dos seus filhos vocês fizeram um voto de educá-los de acordo com as Escrituras (Antigo e Novo Testamentos). Esse voto é uma coisa muito séria, algo que fizemos diante do Deus da aliança e do povo da aliança. A implicação disso é que se abandonamos a educação dos nossos filhos, transferindo a responsabilidade para o Estado ou para a escola particular, estaremos violando o 3º Mandamento — e este mesmo nos diz que, se o violarmos, Deus não nos terá por inocentes 3.
É bom lembrar também que esta responsabilidade que os pais assumiram no batismo de seus filhos é mencionada no Regimento das Igrejas Reformadas do Brasil em seu artigo 48, que trata sobre o compromisso dos pais que têm filhos batizados. O artigo 48, diz: “Os pais devem instruir seus filhos batizados na doutrina da palavra de Deus, como prometeram quando seus filhos foram batizados, também, se for possível, através de educação escolar baseada nesta doutrina” 4.
Então a que conclusão chegamos? A Escritura ensina que os pais devem educar seus filhos para Deus, de acordo com a Palavra de Deus, visando a glória de Deus. Nossas confissões apontam para uma educação que redunde em pessoas preparadas para servir a Deus e ao próximo. Nós fizemos votos, no batismo de nossos filhos, de que os educaríamos de acordo com “o ensino do Novo e do Antigo Testamento”. Portanto, se os pais abandonam sua responsabilidade de educar seus filhos conforme a Escritura e para a glória de Deus, eles podem estar desobedecendo a Palavra de Deus, contrariando sua confissão e violando o terceiro mandamento. Então, mais uma vez, temos de reconhecer que a educação dos nossos filhos é um assunto muito sério. Nossos filhos precisam de uma educação baseada na Verdade, tendo como centro a Pessoa de Cristo e sua Palavra, uma educação que prepare nossos filhos a cumprirem sua vocação a fim de servirem a Deus e ao próximo, uma educação que os habilite a entender bem as instruções da Palavra de Deus, uma educação que redunde na Glória de Deus, e espero que vocês pais reconheçam sua responsabilidade em prover tal educação.
No próximo artigo, iremos analisar os perigos a que expomos nossos filhos quando os submetemos a uma educação humanista. Por hora, o encorajo a orar reconhecendo sua responsabilidade, buscando perdão por sua omissão e a ajuda do Senhor, a fim de possa dar a seus filhos uma educação para a glória de Deus.

Pr. Elienai B. Batista serve a Igreja Reformada em Cabo Frio RJ, como Ministro da Palavra e dos Sacramentos. É esposo de Maralice e pai de Israel, Joabe e Abner.

Notas:

1 LOPES, Edson Pereira. O conceito de teologia e pedagogia na Didática Magna de Comenius. São Paulo: Editora Mackenzie, 2003.

2 Uma referência às perguntas usadas na Forma para administrar o santo batismo aos filhos, usada pelas Igrejas Reformadas do Brasil.

3 Conforme o Manual Litúrgico (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. 2ª edição, 1992), utilizado pela Igreja Presbiteriana do Brasil, os pais, membros desta igreja, assumem o mesmo compromisso, no batismo de seus filhos. No manual existem três formas para o batismo de crianças e entre as perguntas feitas aos pais, podemos destacar as seguintes:
“Prometem ensinar-lhe a ler para que leia por si mesmo a Santa Escritura; orar por ele e com ele; servir-lhe, vocês mesmos, de bom exemplo de piedade e religião, e esforçar-se, por todos os meios designados por Deus, para criá-lo na disciplina e correção do Senhor?”
“Prometem encaminhá-la pelas santas veredas da cruz, servindo-lhe vocês mesmos de exemplo de piedade, e envidar todos os esforços para livrá-la de más companhias e de maus exemplos; ensinar-lhe a Bíblia, e trazê-la com vocês à igreja regularmente; ensiná-la a adorar o Senhor com reverência e a estimar como irmãos os demais membros da igreja?”

4 No Manual Presbiteriano (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 15ª edição, 1999), no tópico sobre os Princípios de Liturgia, lemos o seguinte sobre batismo infantil: Art. 11 - Os membros da Igreja Presbiteriana do Brasil devem apresentar seus filhos para o batismo, não devendo negligenciar essa ordenança. § 1º - No ato do batismo os pais assumirão a responsabilidade de dar aos filhos a instrução que puderem e zelar pela sua boa formação espiritual, bem como fazê-los conhecer a Bíblia e a doutrina presbiteriana como está expressa nos Símbolos de Fé.