segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Cuidado com o boato sobre o Fim do 13º, mas tenha mais cuidado ainda com sua gratidão ao SENHOR

Por Rev. Adriano Gama

Recebi um e-mail de um membro da igreja que me chamou a atenção. Esse e-mail falava e convocava os seus leitores a reagir contra uma suposta tramóia do Congresso Nacional, para acabar com o 13º salário e outros benefícios trabalhistas.
Fiz uma pequena e rápida pesquisa sobre o conteúdo do e-mail e vi que era mais uma mentira divulgada na internet. Porém, essa mentira me fez refletir sobre o 13º e a gratidão dos crentes ao Senhor.


O 13º salário na verdade é uma gratificação que virou obrigação para os empregadores desde 1962, quando o presidente João Goulart sancionou a Lei 4.090/62 (A Lei que instituiu a Gratificação de Natal). Apesar de não ser um salário, essa gratificação recebeu o nome de 13º salário na Constituição Federal (Art. 7º, VIII) e é um tipo de artigo que somente uma nova Assembléia Constituinte pode mudá-lo. Isto garante ao trabalhador que não é tão fácil retirar esse benefício dele.
Mas, o que importa no momento é entendermos o principal motivo para a criação do 13º, que foi proporcionar aos trabalhadores uma melhor comemoração das festas de final de ano, especialmente, o Natal. Por isso, ele deve ser pago até o dia 20 de dezembro.
Agora, o que tem a ver esse assunto com a igreja e sua gratidão ao SENHOR? Ora, o que tem a ver é que os ministérios da Palavra e Diaconia em muitas igrejas não tem sentido a presença do 13º salário que os seus membros receberam. Não sei se isto é por falta de entendimento ou por infidelidade mesmo, mas a verdade é que muitos diáconos notam que não há aumento nas ofertas nos meses de dezembro.
Veja que se a mentira sobre o fim do 13º salário fosse verdade a proclamação do Evangelho nem os necessitados dessas Igrejas não seriam prejudicados. Os que se sentiriam prejudicados seriam os membros individuais, especialmente, aqueles que não tiram do seu 13º a sua oferta ao SENHOR.
A gratificação de natal ou 13º é uma bênção financeira. E como em qualquer bênção financeira recebida (salários-férias, outras gratificações, vendas, etc) você tem o dever (de amor) de mostrar gratidão e tirar dele as primícias e entregar essa oferta ao Senhor.
O livro de Provérbios mostra o princípio bíblico dessas palavras (Pv 3.9,10): “Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”.
Essa passagem está dentro de um contexto de amor e fidelidade, de auto-sacrifício e devoção a Deus, de uma vida de verdadeira sabedoria (Pv 3.1-18). E o contexto mais próximo dos vs. 9,10 nos fala de uma vida que reconhece o SENHOR em todos os seus caminhos. E isto inclui reconhecer a Deus na vida financeira.
E reconhecer a Deus em sua vida financeira se mostra quando você honra a Deus com os bens e com as primícias de toda a renda que o SENHOR tem dado a você. Note primícias, o melhor, o primeiro, e não o resto!


Honrar a Deus com os bens e primícias de toda renda é uma marca daqueles que reconhecem o Senhor em todos os seus caminhos, em toda a sua vida. É a diferença marcante entre o trabalhador ou empregador cristão e os demais. Veja, por exemplo, Genesis 4.2-6.
Note a diferença entre a disposição de Abel e de Caim quanto o ofertar ao Senhor. Ambos eram trabalhadores e receberam do Senhor o fruto do seu trabalho. Porém, Caim dá “uma oferta”, mas Abel dá “as primícias do seu rebanho e a gordura deste”, ou seja, honra a Deus, dá o primeiro lugar e o melhor dos seus bens e da sua renda ao SENHOR (veja isto á luz de Hb 11.4).
E aqui surgem as perguntas: O seu 13º salário é ou não uma renda que você recebe? Então, você tem honrado a Deus com ele, fazendo retornar ao SENHOR as suas primícias?
Por isso, quero chamar com o boato sobre o fim do 13º sua atenção, não pela mentira que assustou a muitos, mas pela verdade de Deus que nos chama a mostrar honra a Deus também com essa gratificação que é tão significativa para o trabalhador, especialmente, para o trabalhador cristão.
Por que especialmente para o cristão? Por que o cristão, diferentemente, dos demais trabalhadores, não usa seus bens e seu 13º para o seu prazer somente, mas, para honrar a Deus e proporcionar o bem para o seu próximo. Sendo assim, o 13º é mais significativo para o cristão. Então, por tudo isso, imagine como é contraditório de nossa parte não tirarmos do 13º as primícias ao SENHOR.
Também chamo atenção para uma questão bem prática para vida da igreja em relação ao 13º. Note o detalhe importante que levou a criação e imposição dessa gratificação de natal.
Os empregadores e governantes, que dentre eles muitos não reconhecem a Deus na sua vida, quando criaram o 13º pensaram em dar alegria e bons festejos aos trabalhadores, especialmente, no Natal.
Lembro como era bom quando meu pai chegava com o seu 13º e minha mãe comprava o sapato e os tecidos para costurar as nossas roupas de final de ano (pai e mãe mais quatro crianças). Lembro como era gostosa a ceia de natal e até um dinheirinho para comprar um confeito. Tudo isso vinha do 13º de meu pai. Acho que a maioria de nós já passou por isso também e que gostava de provar essas coisas boas.
Você imagina que se você for fiel honrando a Deus com as primícias do 13º os necessitados da igreja ou da vizinhança poderão receber uma cesta no Natal ou uma melhor roupa para as festas? Isso não é tão bom para o seu próximo? Esse bem-estar do próximo, acrescentado a honra devida a Deus, deve incentivar você a mostrar amor com seu 13º salário.
Encerro dizendo: Fique aliviado, pois o 13º salário não vai acabar (pelo menos tão fácil). Porém, ao mesmo tempo, tenha mais cuidado em honrar ao SENHOR com as primícias dessa gratificação e assim mostre o quanto você reconhece o Senhorio do SENHOR Deus em Sua vida.
Dessa forma você mostrará que honra ao SENHOR e provará das bênçãos provenientes do Deus que é seu Dono e que faz você, em Cristo, prosperar nessa vida e na eterna. Que o SENHOR Deus te abençoe nesse final de ano com 13º e que Ele use sua fidelidade para abençoar e aliviar também a outros.

3 comentários:

Salomão Freitas Alves disse...

Pr. Adriano,

Graças a Deus por mais esse estudo profundamente Bíblico.
Esse é o caminho de Deus para todo verdadeiro cristão: "Honrar a Deus com os bens e primícias de toda renda é uma marca daqueles que reconhecem o Senhor em todos os seus caminhos, em toda a sua vida. É a diferença marcante entre o trabalhador ou empregador cristão e os demais."
Mas gostaria de contribuir com uma informação, verdadeira, sobre uma PEC - Proposta de Emenda Constitucional, que propõe retirar ca Constituição Federal de 80% dos seus artigos. O grande problema, é que os direitos sociais sairiam da constituição. A PEC 341/2009 é do Deputado Régis de Oliveira, PSC, e já teve a aprovação em Comissão interna de um deputado do PT. Se aprovada, "Direitos dos trabalhadores, como seguro-desemprego, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), 13º salário, férias, garantia de salário mínimo e a livre associação profissional ou sindical também não estariam presentes no documento", na Costituição.
Veja:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/proposta-quer-retirar-direitos-sociais-da-constituicao/discussion_reply_form

Gustavo Paiva disse...

Visto ser o comércio grande beneficiário da gratificação natalina, acredito que exercerá pressão sobre o governo, pela manutenção deste direito. Atualmente, a indústria não exerce tanta influência quanto o comércio, sendo indicador disto o fortalecimento do SESC e SENAC e a obsolescência do SESI e SANAI. O comércio conta com a referida gratificação para aumentar seu lucro e, para tal, abre bastantes vagas temporárias. A indústria é impulsionada pelo aumento das vendas e também contrata mais. O INSS recebe mais contribuições, bem como o FGTS. A Receita Federal arrecada mais. Se analisarmos isoladamente, o fim do 13o aparenta-se benéfico ao empregador, mas numa visão macroscópica todos sairiam perdendo. Conforme Adam Smith, a comida que vai para tua mesa não depende da bondade do padeiro ou do açogueiro, mas da busca deles pelos próprios interesses. Nós todavia sabemos que tudo provém das mãos do SENHOR.

Danilo Fernandes disse...

Ola Rev. Adriano!


Queria convidar você para conhecer o meu blog, o Genizah que horas é pirado e engraçado, horas é exaltado e sério, mas é super do bem e tem como regra levar o Evangelho da Liberdade Verdadeira e a Santa Subversão de Jesus ao mundo egocêntrico e perdido nos seus valores! E, ainda dando tempo, aproveito para tirar uma onda com este pessoal que anda explorando a fé das pessoas e ainda dizendo que são cristãos... Ops!

Por minha vez, já me tornei seu seguidor.

Abraços em Cristo e Paz!

Danilo

http://www.genizahvirtual.com/