sábado, 19 de setembro de 2009

Johannes Geerhardus Vos: Oitavo Mandamento versus Comunismo


Por Rev. Adriano Gama

Johannes G. Vos (1903-1985) de janeiro de 1946 a julho de 1949 publicou uma série de 191 lições sobre o Catecismo Maior de Westminster. Estas lições foram publicadas na revista Blue Banner Faith and Life a qual Vos ocupou o cargo de editor por quase 30 anos. Essas 191 lições foram editadas por G. I. Williamson e colecionadas em um Livro cujo título origianal é The Westminster Larger Catechism: A Comentary.
No ano de 2007 a obra de Vos foi lançada pela Editora Os Puritanos para o enriquecimento do povo de Deus no Brasil e para os países de língua portuguesa. A obra de Vos recebeu o título de Catecismo Maior de Westminster Comentado e é um indispensável instrumento de ensino para as igrejas de Cristo, especialmente, as Igrejas Presbiterianas que têm como um de Seus documentos confessionais o Catecismo Maior de Westminster.
Neste artigo compartilho com vocês as breves considerações de Johannes Geerhardus Vos acerca do Comunismo. Essas considerações foram retiradas do Comentário de Vos quando ele explica o Catecismo Maior e aplica o Oitavo Mandamento em nossas vidas condenando com base na Palavra de Deus o comunismo.
Johannes G. Vos é muito simples e sucinto nas suas palavras, mas ele expõe o âmago do comunismo e o analisa à luz do oitavo mandamento, levando-nos a ver que “segundo o que a Bíblia ensina, o comunismo é errado a princípio. Não é errado meramente em alguns de seus aspectos ou práticas, ou por causa dos abusos a ele associados, mas é errado e maligno na sua idéia fundamental”.
E Vos não escreve contra o comunismo por ser um extremista de direita que cegamente acredita que o capitalismo é um sistema perfeito, pois para Vos “o capitalismo viola a lei moral de Deus pelos males e abusos a ele vinculados;”.
Julguei propício reproduzir as palavras de Vos após conversar com um irmão que estava muito preocupado por ouvir palavrasde alguns jovens num encontro da juventude das igrejas, que valorizavam o ideal e a luta dos comunistas para implantar uma ordem social mais justa no mundo.
De fato, devemos nos preocupar quando jovens cristãos que formam a Igreja de hoje e guiarão a igreja do futuro começam a louvar ou adimirar um movimento extremamente anticristão como é o comunismo, que em tese e na prática trabalhou e trabalha contra o progresso do Reino de Cristo nos países que o adotaram como filosofia de governo.
Pelo fato da Escritura não apoiar o comunismo a defesa dele no meio Cristão-Reformado não foi comum. Na verdade as Igrejas vindas da Reforma e os reformadores romperam com as idéias comunistas vindas do período medieval da Igreja e do meio anabatista. As Igrejas Reformadas confessam na Confissão de Fé Belga no seu Artigo 36 o seguinte: “… reprovamos os Anabatistas e outros rebeldes, e em geral todos quantos se opõem às autoridades e aos oficiais civis, subvertem a justiça, introduzem a comunhão de bens, e perturbam a boa ordem que Deus estabeleceu entre os homens” (grifo de minha autoria). Sendo assim, a defesa da comunhão de bens como algo imposto aos cristãos é estranha a Fé bíblica historicamente confessada pelas igrejas de Cristo.
Os pais e pastores precisam saber o que a Escritura diz sobre os pressupostos básicos daquilo que se chama comunismo e ideologias congêneres, especialmente, nós que vivemos um momento quando as esferas governamentais e educacionais do Brasil estão praticamente dominadas por pessoas que (até por meio da luta armada) já defenderam o comunismo e movimentos afins.
Portanto, os pais e oficiais devem estar atentos contra qualquer filosofia que negue a propriedade privada, exalte a coletividade em detrimento a individualidade do homem e imponha sobre o homem a comunhão de bens.
Essa atenção deve se manifestar através da supervisão do que os professores da escola passam para seu filhinho no ensino básico, pois as professoras de nossos filhos foram preparadas em instituições de ensino superior que são infestadas de professores defensores ou bem influenciados pelas filosofias comunistas. Por isso, para ajudar os pais, os pastores e os jovens das igrejas de Cristo reproduzo as palavras de Vos com autorização da Editora Os Puritanos.
Espero que as palavras desse homem de Deus possam ajudar os cristãos a se posicionarem contra o que conhecemos como comunismo, para a preservação da igreja e progresso do Reino de Deus.
Seguem as palavras de Vos. Elas foram retiradas do Catecismo Maior Comentado, Cap. 13, págs. 433-436) e que você tenha uma boa leitura e reflexão sobre elas:

A Vontade de Deus Expressa em Nosso Dever para com o Próximo – Oitavo Mandamento:

“1. Qual é o alcance geral do oitavo mandamento?

O alcance geral do oitavo mandamento é o respeito à santidade da propriedade, da mesma sorte que o sexto impõe respeito à santidade da vida e o sétimo, à santidade do sexo. A propriedade ou a riqueza é criada por Deus e confiada ao homem para o seu uso na glorificação e no serviço de Deus. É, portanto, um compromisso adminstrativo atribuído ao homem e por isso tem de ser respeitado. O oitavo mandamento, portanto, requer não apenas que nos guardemos de roubar o bem do nosso próximo, mas que conquistemos e conservemos o nosso.

2. A Bíblia autoriza a propriedade privada?

Sim. A posse da propriedade privada, no estado pecaminoso em que a humanidade existe desde a queda, é necessária para que uma vida possa glorificar e gozar a Deus. A propriedade privada fundamenta-se não na mera invenção ou costume humanos, mas na lei moral de Deus. Está definitivamente autorizada pelo oitavo mandamento – “Não furtarás” – o qual só fará sentido se houver por trás dele uma ordenação divina para a propriedade privada. Mesmo for a da Bíblia, a revelação natural ensina a todos os homens que roubar é errado. Está profundamente equivocado quem hoje pensar que a propriedade privada é malígna. Os males que ele têm em mente procedem não da propriedade privada em si mesma, ma dos abusos da propriedade privada.

3. À luz da Bíblia, que devemos pensar do comunismo?

Segundo o que a Bíblia ensina, o comunismo é errado a princípio. Não é errado meramente em alguns de seus aspectos ou práticas, ou por causa dos abusos a ele associados, mas é errado e maligno na sua idéia fundamental. Se pudéssemos imaginar um “perfeito” estado de comunismo, em que não houvesse tirania, campos de concentração, polícia secreta, propaganda política, nem censura de informações, ele ainda seria inerentemente pecaminoso e maligno. O capitalismo viola a lei moral de Deus pelos males e abusos a ele vinculados; o comunismo viola a lei moral de Deus por sua própria natureza e idéia fundamental. O princípio do comunismo é a posse coletiva da propriedade imposta pelo Estado. Isso pressupõe que a posse particular do indivíduo é um mal que só pode ser tolerado em pequena escala, como uma concessão à natureza humana. Isso é contrário à Bíblia, que ensina que a propriedade privada é um direito dado por Deus. O ser humano individual, como portador da imagem de Deus, deve ter o direito à propriedade privada e a aquisição de riqueza, se for para desenvolver a sua personalidade conforme o propósito de Deus e para o O glorificar plenamente na sua relação com o seu ambiente. A imagem de Deus no homem abrange a implicação de que o homem deve ter o domínio sobre a Terra (Gn 1.27-28); mas o homem é essencialmente um indivíduo, com alma e consciência individuais, com competências e habilidades individuais, com esperança e desejos individuais. O comunismo procura fundir o indivíduo à massa da humanidade e isso envolve o sacrifício do elemento essencial da personalidade do homem, como portador individual da imagem divina e mordomo de Deus com domínio sobre uma parcela da criação de Deus. O comunismo assume que o indivíduo existe por causa da massa, da sociedade, mas isso é contrário à Palavra de Deus, a qual nos ensina que a sociedade e todas as instituições sociais existem por causa do indivíduo, para que ele possa alcançar o propósito divino da sua vida e assim glorificar a Deus. É o indivíduo quem possui uma alma imortal, uma consciência e a capacidade para a comunhão com Deus. Essas coisas sobreviverão a esse mundo e existem para sempre. Elas é que dão dignidade e valor reais à vida humana. Qualquer sistema que considere o ser humano individual como sem importância e busca amalgamá-lo à massa supostamente pelo bem-estar da “sociedade” é fundamentalmente errado e anticristão. Isso se aplica tanto à propriedade coletiva compulsória quanto às outras subversões da individualidade da personalidade humana.

4. Segundo registra Atos (2.44; 4.32-37), a igreja primitiva não praticava o comunismo?

É verdade que existia um tipo de “comunismo” na igreja de Jerusalém, mas era totalmente diferente do comunismo que existe hoje. Deve-se observar que (a) era voluntário e não compulsório, como mostram as palavras de Pedro a Ananias em Atos 5.4; (b) era parcial e não total, como demostra o fato de que a casa de Maria, mão de João Marcos, não for a vendida; (c) logo surgiu uma murmuração acusatória de que as rações de comida não estavam sendo distribuídas de modo justo (At 6.1); (d) isso foi apenas temporário, sendo descontinuado mais tarde, provavelmente no tempo da grande perseguição que seguiu ao martírio de Estevão, quando os crentes se espalharam a partir de Jerusalém (At 8.1-4); (e) não há a menor indicação de que tenha sido implantado algum “comunismo” assim em nenhuma das igrejas estabelecidas pelos apóstolos, além da igreja de Jerusalém. É claro, portanto, que o “comunismo” temporário da igreja em Jerusalém não era uma questão de princípio, mas de contigência em face das condições peculiares àquele tempo e lugar. É extremamente insensato, antibíblico e anti-histórico apresentar o estado temporário das ocorrências na igreja de Jerusalém como análogo ao comunismo moderno, ou como um padrão a ser imitado pelos crentes em Cristo de todos os lugares.

Um comentário:

Marcel disse...

Olá! Pr. Adriano, assim como o senhor também estou bem interessado nestas questões político-sociais. Sou professor e cunhado do Pr. Elienai, tenho 26 anos e descobri junto com Elienai, a uns 3 anos atrás, sobre esta onda de comunização em nosso país. Já dei alguns estudos na igreja sobre o tema,falando de uma maneira geral. Precisamos informar, ensinar aos nossos irmãos e não votar em Dilma ou Lula jamais. Na verdade não temos em quem votar. Que situação! Abraços!