quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Subscrição das Confissões: Um Instrumento de Segurança Espiritual para a Igreja


Por Rev. Adriano Gama

Quando se fala a palavra “subscrição” devemos lembrar do ato de colocar uma assinatura embaixo de um documento, confirmando ou firmando o conteúdo nele escrito.
Nós conhecemos bem na prática o que seja uma subscrição, pois assinamos certidões de casamentos, habilitações, contratos, cheques, recibos ou outros documentos que exigem de nós uma confirmação ou um compromisso com algo ou alguém.
A subscrição, apesar de ser um pedaço de papel com tinta e uma assinatura nele impressa, representa um compromisso com aquilo que está escrito e assim segurança para as partes envolvidas.
Na Igreja de Cristo também existem subscrições. O conselho e os concílios subscrevem as suas atas confirmado e se compromentendo com as decisões tomadas. Os delegados das igrejas apresentam nos concílios suas credencias assinadas pelos seus Conselhos e sem essas cartas assinadas eles não podem ser recebidos como delegados nesses concílios. E os oficiais de Cristo nas igrejas também subscrevem um documento por meio do qual eles se comprometem a ensinar, defender e se submeter as Confissões de Fé e a disciplina caso não cumpram seu compromisso. Esse documento é conhecido como Forma de Subscrição das Confissões.
Devemos lembrar alguma coisa sobre as Confissões e o valor delas para segurança das igrejas. As Confissões não são a Palavra de Deus, mas são o ensino fiel dela. As igrejas de Cristo sempre entenderam que a unidade na Doutrina é o fundamento da unidade entre as igrejas. Podemos dizer que as confissões escritas de nossas igrejas são a pedra fundamental da nossa existência como uma denominação.
João Calvino (1509-1564) entendeu bem isto. Por isso, uma das primeiras coisas que ele fez quando começou seu ministério em Genebra (Suíça) foi escrever uma Confissão de Fé. Também as igrejas na França em seu primeiro Sínodo (1559) aceitaram uma Confissão de Fé comum. As Igrejas Reformadas do Sul da Holanda (hoje Bélgica) da mesma maneira aceitaram a Confissão de Fé Belga no seu primeiro Sínodo (Armentieres, 1563). As Igrejas das províncias do Norte da Holanda fizeram também o mesmo no seu primeiro Sínodo (Enden, 1571). Elas rapidamente adotaram obrigatoriamente a mesma Confissão e o Catecismo de Heidelberg.
Todo esse testemunho histórico mostra como as igrejas de Cristo tem sentido a necessidade de assegurar a pureza da doutrina e unidade na Fé desde o início de sua história.
E sobre os oficiais recai maior peso de manter segura a pureza e a unidade na Fé. E, por isso, os oficiais têm o dever de subscreverem a Forma de Subscrição quando são ordenados ou antes de começarem o exercício no ofício. Essa prática também é antiga.
Durante as primeiras décadas da Reforma do Século XVI as igrejas da Holanda não tinham uma Forma de Subscrição. Os ministros faziam apenas uma declaração verbal de concordância e depois uma simples subscrição foi usada, que não mostrava um compromisso muito claro com as Confissões.
Mas, com o passar do tempo, apareceu a necessidade das igrejas estabelecerem uma Forma de Subscrição que firmasse o compromisso e concordância plena dos oficiais com as Confissões Reformadas.
Essa necessidade se mostrou mais urgente por causa dos Arminianos (seguidores de Jacó Armínio: 1560-1609). Tanto Armínio como os ministros arminianos subscreveram a Confissão e o Catecismo, mas continuaram a expressar suas idéias contrárias a doutrina reformada, especialmente, contra a doutrina da eleição (Confissão de Fé Belga Arts. 16 e 17).
No início do ano 1608 um Concílio Regional na Holanda (Alkmaar) considerou que seria importante uma Forma de Subscrição mais bem elaborada que desse segurança à igreja contra as heresias. Essa Forma de Subscrição continha uma declaração de plena concordância com o Catecismo de Heidelberg, a Confissão de Fé Belga e uma promessa que obrigava os seus assinantes de “manter a doutrina neles contidos e que ele abertamente rejeitava todas doutrinas que se opusessem ao Catecismo e a Confissão de Fé Belga”.
Essa Forma do Concíio Regional foi adotada (com certas modificações) por outras assembléias eclesiásticas (concílios e sínodos) e, finalmente, o Grande Sínodo de Dort (1618-1619) definiu que ministros e os professores das Universidades teriam que assiná-la (Art. 53 do Regimento de Dort). Isto fez os oficiais e professores terem compromisso com a Fé Bíblica ensinada nas Três Formas de Unidade: Confissão de Fé Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort.
A Forma de Subscrição adotada pelas igrejas no Grande Sínodo de Dort foi com o tempo sofrendo pequenas adaptações. Hoje a Forma que os oficiais das Igrejas Reformadas do Brasil assinam tem a mesma natureza. E todos oficiais dessas igrejas são conscientes das suas responsabilidades bem expressas nas partes da Forma de Subscrição.
Podemos dividir a nossa Forma de Subscrição em 4 partes:
Primeira, uma declaração de concordância plena com as Confissões: “Estamos plenamente convictos de que a doutrina reformada, expressa nas Três Formas de Unidade – a Confissão de Fé, o Catecismo de Heidelberg e os Cinco Artigos da Fé Contra os Arminianos – está em plena conformidade com a Palavra de Deus, em todas as suas partes.”
Segunda parte, uma promessa para ensinar e defender a doutrina reformada, e rejeitar e refutar todo erro doutrinário: “Por isso prometemos que nós, cada um em seu próprio ofício, ensinaremos esta doutrina com dedicação, a defenderemos fielmente e rejeitaremos qualquer ensino que esteja em conflito com a doutrina reformada”.
Terceira parte, uma promessa para expôr dúvidas ou mudanças de pensamento quanto a doutrina: “Prometemos que, caso fiquemos com uma objeção contra esta doutrina ou mudemos de pensamento, não ensinaremos ou defenderemos nosso pensamento, nem publicamente nem de outro modo, mas apresentaremos nosso pensamento ao Conselho para que seja investigado por ele.
Quarta parte, uma promessa de submissão a investigação e disciplina por parte do Conselho: “Prometemos que sempre estaremos dispostos a explicarmos melhor nosso pensamento a respeito de qualquer parte da doutrina reformada, caso o Conselho exija isto por motivos fundamentados, afim de reservar a unidade e a pureza da doutrina. Se quebrarmos esta promessa, também seremos suspensos, embora fique preservado nosso direito de apelar contra decisões consideradas injustas. Mas durante o período de apelação nós nos conformaremos com a sentença do Conselho.”
O final da Forma de Subscrição mostra claramente o objetivo de se assinar tal documento: “Assim declaramos e prometemos agir para a glória do Senhor e para a edificação da sua Igreja”.
Esse final da Forma é muito importante, pois o SENHOR chamou e ordenou homens para Sua Glória e para a edificação da Sua Igreja. E os oficiais agem para glória de Deus quando mantêm pura a Sua doutrina que é bem exposta nas nossas Confissões. Também, os oficiais só edificam a Igreja quando mantêm a unidade na mesma Fé.
Por esse motivo devemos manter essa boa prática de exigir a subscrição de compromisso com as Confissões, especialmente, no meio de um mundo onde se prega e se vive uma diversidade doutrinária que não glorifica a Deus nem edifica Sua Igreja.
Devo encerrar dizendo que a Forma de Subscrição não é a segurança plena para manter a glória de Deus e a edificação da Igreja. Pode haver mil subscrições e todas elas serão sem efeito se não houver a disciplina eclesiástica dentro da Igreja. É a disciplina na Igreja que vai fazer valer o que se diz e se assina na Forma de Subscrição.
Mas, isto não tira a importância da Forma de Subscrição, pois, por meio da disciplina bíblica, ela se torna um eficiente instrumento de Segurança Espiritual para a Igreja de Cristo. A Forma lembra e firma o compromisso daqueles que vão servir no ofício e os seus deveres. Assim a Forma protege os oficiais do erro e indica o caminho como eles devem tratar suas possíveis dúvidas.
A Forma também protege a igreja, pois prevê a suspensão e a disciplina para os oficiais que se rebelam contra a doutrina da Escritura. Assim a Forma é um instrumento que dá segurança espiritual à igreja.
Portanto, encerro na esperança que este pequeno artigo tenha esclarecido você sobre a prática de termos uma Forma de Subscrição e a sua importância. Faço isto para que você seja estimulado a orar e trabalhar a fim de que essa boa prática seja mantida em nosso meio. Que o SENHOR Deus, em Jesus Cristo, nos guarde por Seu Espírito Santo e Sua Palavra.


Fontes de pesquisa:

1. Degier, K. Explanation of the Church Order of Dordt: In Questions and Answers – Netherlands Reformed Book and Publishing Committee. Grand Rapids: 2000.
2. Van Dallen and Monsma, The Church Order Commentary: A Brief Explanation of the Church Order of the Christian Reformed Church.
3. Van Oene, W. W. J.. With Common Consent – A practical guide to the use of the Church Order Of the Canadian Reformed Churches - Premier Publishing.
4. Feenstra, Peter G. . Unspeakable Comfort – A Comm.entary on The Canons of Dort - Premier Publishing.
5. Forma de Subscrição dos oficiais das Igrejas Reformadas do Brasil
6. Regimento das Igrejas Reformadas

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Deus é o Autor da Conversão

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina do Senhor Deus ensinada no Dia do Senhor 33 do Catecismo de Heidelberg

Textos: Jeremias 31.18,19; Dia do Senhor 33
Leitura: Jr 30.1-31.22

Amados irmãos no Senhor Jesus Cristo e visitantes,

O significado de “arrependimento”, “conversão” e boas obras há muito tempo foram violados ou mal compreendidos.
Veja que o nosso Catecismo foi publicado no ano de 1563 e naquela época a Igreja já tratava sobre o que é o verdadeiro arrependimento, conversão e boas obras.
Este é mais um exemplo de como é antiga a necessidade de se definir conforme a Escritura o que é “verdadeiro arrependimento ou conversão do homem” e o lugar das boas obras na salvação.
No tempo que o Catecismo foi escrito a igreja era caluniada pelos inimigos da Fé. Os inimigos criam na doutrina da salvação pelo auxílio das boas obras. E eles diziam que os reformados pela doutrina da justificação somente pela Fé estimulavam os homens a viverem uma vida de libertinagem e que negavam o ensino da Escritura sobre as boas obras.
Então, a Igreja para se manter na Escritura e ensinar o Evangelho confessou o que se encontra no Dia do Senhor 33, para mostrar aos crentes a verdade de Deus sobre arrependimento ou conversão e o lugar das boas obras na salvação.
Mas, será que a violação e má compreensão do que seja arrependimento ou conversão, ou o que são as boas obras e o lugar delas na salvação é coisa do passado? Hoje as pessoas compreendem conforme a Escritura estas coisas?
Meus irmãos e demais ouvintes, a experiência mostra que precisamos ouvir hoje o que a Escritura diz sobre o que é verdadeiro arrependimento, conversão e as boas obras. Os inimigos da Fé de ontem estão presentes hoje junto com uma multidão de confusos!
Hoje muitos ditos cristãos sinceramente dizem: “Eu me converti a Jesus, fui eu que me arrempendi”. Outros dizem: Dê um passo para Jesus e Ele faz o resto!” Estas afirmações, mesmo que sejam sinceras, devem ser pautadas pela Escritura, pois a crença popular é que o homem produz o seu arrependimento ou sua conversão e que as boas obras auxiliam na salvação.
Todo cristão deve perguntar: Será que conforme a Palavra de Deus podemos crer e afirmar que a conversão é uma obra do homem? Será que na salvação graciosa não há lugar para boas obras? O que o Espírito Santo nos ensina sobre arrependimento ou conversão e sobre as boas obras?
E para você saber o que o Espírito diz, então, ouça o que a Escritura nos ensina sobre o que é verdadeiro arrependimento ou conversão do homem. Ouça a Palavra de Deus no seguinte tema:

Deus é o Autor da Conversão

Deus age no homem
Para o homem agir para Deus

1. Deus é o Autor da Conversão: Deus age no homem

O profeta Jeremias proclamou uma palavra de consolo e esperança para a igreja de sua época.
A Igreja dos dias de Jeremias provava as consequências dos seus pecados e, por causa da Aliança, o SENHOR Deus de amor disciplinou a Igreja.
Por isso, o profeta fala (veja o v. 18 a): “Bem ouvi que Efraim se queixava dizendo: Castigaste-me, e fui castigado como novilho ainda não domado;”.
Saiba que Deus usa Efraim no texto como uma ilustração de Israel, Seu povo, Sua igreja. Efraim era uma tribo muito impetuosa e rebelde. Efraim liderou a rebeldia contra Davi, o Ungido de Deus. Efraim apanhou por causa dos seus pecados e foi levado cativo para o exílio.
E Deus, o Pai de Efraim, ouve a queixa do Seu filho. Efraim como um filho depois de levar umas boas palmadas se queixa. Mas, a palavra queixa aqui NÃO tem o sentido de reclamação (como muitas crianças reclamam depois de apanhar). Saiba que “as queixas no texto” é no sentido de se lamentar, fazer luto, pesar.
Efraim, reprensentando a igreja, depois de ser castigado pelo SENHOR lamentava as consequências dos seus pecados. A Igreja reconhecia com tristeza que pecou contra SENHOR Deus e por isso lamenta.
E meu amado irmão, veja o amor paternal de Deus. O SENHOR bem ouviu o lamento do Seu filho arrependido. Deus havia castigado a Igreja. Ela foi, praticamente, arrasada pelos Babilônicos, pois a mão pesada do SENHOR Deus caiu sobre a Igreja.
Meu irmão em Cristo, o que nos consola é que Deus ama Sua igreja com amor eterno! Amor que faz Ele sempre direcionar seus ouvidos a voz de lamento do Seu povo. Amor que faz o SENHOR trazer a Sua igreja para seus braços paternos!
Uma amor que faz o SENHOR ser benígno e não nos deixar nos consumir de sofrimento!
A ilustração no texto nos faz ver um pai que depois de corrigir seu filho o pega, o abraça e o beija como prova do seu perdão e restauração da comunhão.
O Espírito Santo fala que Efraim, reconhecendo a correção do SENHOR e sentindo a tristeza do pecado, diz como povo da Aliança: “Converte-me, e serei convertido, porque tu és o SENHOR, meu Deus!
Note que o povo do Antigo Testamento já entendia que o arrependimento era uma obra do SENHOR Deus. Efraim diz: “Converte-me, e serei convertido”! Assim o Espírito Santo revela que Deus é aquele que age na conversão de Efraim.
Meu amado irmão, se a conversão fosse obra do homem o Espírito Santo teria inspirado o profeta a dizer: “Converto-me e serei convertido! Mas, na Escritura não tem isto. O Espírito Santo levou o Seu povo dizer: “Converte-me, e serei convertido”! Assim, o Espírito Santo, ensina que a conversão é uma ação soberana de Deus e não do homem caído e morto no pecado!
Saiba que dizer que o homem tem o poder de se converter é o mesmo que dizer que um morto tem poder de se levantar da tumba, ou dizer que o homem tem o poder de se autogerar no ventre de sua mãe!
O Senhor Jesus Cristo falou a Nicodemus (veja Jo 3.5,6) “o que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. Jesus Cristo falou a Nicodemos que o arrependimento ou conversão é uma obra da Soberania do Espírito Santo.
Meu irmão, da mesma forma os Apóstolos, na pessoa de Pedro, falaram o seguinte sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo (veja Atos 5.31): “Deus, porém com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados” (veja em casa 2 Tm 2.25,26).
Veja que tanto no Antigo como no Novo Testamento o verdadeiro arrependimento ou conversão do homem é uma obra soberana de Deus. E, por isso, confessamos o que tem no Catecismo no Dia do SENHOR 33.
Meu irmão em Cristo é falsa a doutrina que diz que o homem produz o arrependimento ou a sua conversão. Não há na Escritura nenhum versículo que mostre que a conversão é obra do homem. Pelo contrário, o Espírito Santo colocou na boca da Igreja as seguintes palavras: “Converte-me e serei convertido”!
Meu irmão em Cristo, saiba que se hoje você se entristece por seus pecados contra Deus, abomina e foge dos seus pecados é porque Deus, em Cristo, soberanamente operou o verdadeiro arrependimento e converteu você!
Saiba que se hoje você, em Cristo, esta vivo para Deus, ou seja, se alegra em obedecer a Deus; … se você ama e se satisfaz com uma vida de obediência a Deus e pratica boas obras é porque Deus agiu soberanamente em você!
Foi Deus, o Espírito Santo, na Sua Soberania, que fez você, um pecador rebelde e inimigo do Ungido de Deus, clamar: “Converte-me e serei convertido!”
Meu amado irmão, essa doutrina nos leva a dar somente a Deus toda a glória pelo nosso arrependimento ou conversão! Essa doutrina nos leva amar a Deus por ter agido em nossas vidas! Essa doutrina leva a viver em gratidão ao Senhor por Ele ter mudado o nosso coração insubmisso, num coração voluntário e desejoso de obedecer a Deus. …
Meu irmão em Cristo, Deus é o Autor da Conversão e Ele age no homem, para que o homem possa agir para Deus. Esse é o segundo ponto do Sermão.
Vamos para Jeremias 31, o versículo 19. Note as palavras do Espírito Santo no v. 19. Digo uma coisa a você: Não há problema em declarar: “eu me arrependi e me converti a Jesus Cristo”. Essa frase em si mesma não é uma heresia.
Veja que o Espírito Santo na Escritura não proibe essa declaração. Efraim, a igreja, diz: “Na verdade, depois que me converti, arrependi-me … !” Pergunto: Quem se converteu, ou seja, quem se arrependeu? Efraim é a resposta.
Meu irmão em Cristo, o que a Escritura proibe é afirmar que é uma obra do homem a conversão ou arrependimento. É importante que se diga isto, porque o hipercalvinismo (heresia tão maligna quanto o arminianismo) tem se levantado no Brasil.
O hipercalvinismo reprime e proibe sem nenhuma base na Escritura frases como: “eu me arrependi e me converti a Jesus Cristo”. Saiba que proibir um crente de falar isto é proibir o que Espírito Santo não proibe e é negar a linguagem da Escritura e das Confissões!
Perceba que A Fé bíblica mostra que é Deus quem age no homem para o homem agir para Deus. Deus agiu em Efraim e Efraim agiu para Deus! Efraim se converteu, se arrependeu (que é a mesma coisa), bateu no peito, ficou envergonhado, confuso, por causa dos seus pecados!
No nosso Catecismo quem é que verdadeiramente se arrepende e converte? Quem é que morre para o pecado e é ressuscitado para Deus? Quem é que pratica as boas obras? A resposta É VOCÊ que está em Cristo!
Veja, por exemplo, as palavras de Jesus em Mt 12.41, falando sobre os ninivitas do tempo de Jonas (que eram gentios fora da Aliança): “Ninivitas se levantarão, no juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas”.
E, meu amado irmão, veja o que Os Cânones de Dort declaram conforme o ensino da Escritura sobre a Regeneração como obra de Deus somente (III/IV, Art. 12). Note a parte final: “A vontade [do homem] restaurada não é apenas alvo da ação e da restauração de Deus, mas, sob o agir de Deus, ela também age. Assim, por essa causa, diz-se com justiça que o homem crê e se arrepende mediante a graça que recebeu”.
Meu irmão, Deus é o Autor da Conversão e Ele age no homem, para que o homem possa agir para Deus. Por isso, não há conflito nas palavras do clamor de Efraim no v. 18 e a confissão de Efraim no v.19.
Meu irmão em Cristo, pelas Escrituras e pelos ecos da Escritura (as Confissões), negue qualquer doutrina que ensine que o homem é o autor da conversão! Negue qualquer ensino que fale que o cristão não deve fazer nada para sua santificação.
Mantenha o ensino e a linguagem bíblica, pois Efraim tendo a sua vontade regenerada pelo poder de Deus clamou a Deus por arrependimento, mudou suas atitudes para com o pecado, mostrou obras de arrependimento e louvou a Deus em gratidão.
Agora, veja que tudo isso na vida da Igreja era fruto do amor de Deus. Os versos que se seguem mostram isto (veja 20).
Meu irmão em Cristo, mesmo Efraim sendo tão rebelde, Deus diz que Efraim era uma filho precioso (primogênito), um filho das delícias. O SENHOR Deus ainda diz mais: “Pois, tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele. Comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR”.
Essas palavras do SENHOR mostram o Seu profundo amor e compaixão por sua igreja. O coração de Deus estremesse pela igreja (o verbo hebraico traz esse sentido).
Pergunto a você: Será que você tem dúvida do amor e compaixão de Deus por Sua igreja? Será que você precisa de Palavras mais comoventes e convincentes que estas para que você veja o amor de Deus por você que está em Cristo?
Como um Deus santo e justo pode amar ao ponto de se comover no seu íntimo por pecadores como eu e você? Olhando os nossos pecados contra Deus como posso imaginar que Ele pode ter profundo amor e misericórdia por mim?
Meu amado irmão, a resposta é graça! As palavras de Deus no v. 20 lembram os Salmos, especialmente, Sl 103.13,14.
Meu irmão o que nos consola no meio da ira de Deus é que Ele é o Pai do Seu povo. Um Pai que na sua ira se lembra da Sua misericórdia. Um Pai que não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a Sua ira. Um Pai que leva os Seus filhos à conversão e chama seus filhos as boas obras de gratição por Seu amor imerecido.
Veja os versos 21-22. Note que Deus em amor e por amor chama Seu povo a preparar-se para retornar ao SENHOR, para os braços paternos. Estes versos é um chamado de Deus a Sua Igreja! Israel é chamada a voltar para o SENHOR.
O SENHOR chama Sua igreja sinceramente a ser fiel a Aliança. A cumprir os Seus mandamentos. A praticar obras de gratidão ao SENHOR.
Saiba que a verdadeira conversão que Deus opera em nós se manifesta na pratica das boas obras. Essas boas obras são frutos da Fé no Senhor Deus soberano.
Digo a você que não existe verdadeiro arrependimento ou conversão onde não existe Fé! E saiba que não existe verdadeira Fé onde não existe a prática das boas obras. Assim as boas obras são obras que somente pessoas em Cristo podem produzir, pois elas são frutos da Fé e são conforme os mandamentos de Deus e para glória de Deus (veja o bom ensino da Escritura no Dia do Senhor 33, P. e R. 91).
Meu irmão, Deus agiu em Israel agora Deus chama seu povo a agir! Por amor a sua alma vou ser bem claro a você! Se na sua vida você não vê as boas obras, então, ou você está em profundo pecado ou você não tem experimentado o verdadeiro arrependimento ou conversão!
O que você tem feito mostra a conversão operada por Deus na Escritura? … Você tem atendido o chamado de Deus para retornar ao Caminho da casa paternal? … Você tem sentido um profundo pesar por seus pecados? … Onde estão as obras de arrependimento e gratidão em sua vida? … Será que você e as pessoas ao seu redor podem vê-las?
Você e eu devemos nos preocupar se os nossos pecados não nos constrangem mais. Devemos nos perturbar se o pecado não nos entristece e nos faz chorar diante de Deus. Devemos ficar sem sono se as exortações de Deus nas pregações e na Lei são ouvidas e não tocam nossos corações nem nos levam a voltar para Deus!
Se não estamos sendo incomodados por nossos pecados e se não nos alegramos em praticar obras que agradam a Deus, então, devemos clamar: “CONVERTE-ME E SEREI CONVERTIDO, PORQUE TU ÉS O SENHOR MEU DEUS!
Creia que O SENHOR é seu Deus e Ele tem o poder de levar você ao arrependimento do mais terrível pecado que você não consegue se libertar! O SENHOR Deus fez isso com Efraim, Seu povo no Antigo Testamento, quanto mais agora quando temos provas mais claras do amor de Deus manifestada a nós no Evangelho de Cristo.
Como assim? Hoje você sabe o quanto profundo é o amor de Deus, pois você sabe que Deus matou o Seu Único e Amado Filho numa cruz para tornar certa a salvação do Seu povo!
Imagine, se Deus declarou um entranhável amor por pecadores rebeldes como Efraim, eu e você, então, imagine o quanto Deus amava e ama o Senhor Jesus Cristo que, como homem, nunca pecou contra Seu Pai? Jesus Cristo por merecimento era o Filho da delícia de Deus!
E, meu amado irmão em Cristo, foi a este Filho de Delícias, muito amado, que Deus tornou maldição para que você hoje estivesse adorando e servindo a Deus. Será que Deus, depois de ter feito tudo isso com Jesus Cristo não ouvirá a sua oração pedindo arrependimento ou conversão?
Por isso, meu amado irmão em Cristo, creia naquilo que você confessa conforme a Escritura! Creia que Deus é o Autor da Conversão, que Ele age no homem para que o homem possa agir para Deus. E com o coração cheio de amor e confiança em Deus clame: Converte-me e serei convertido. Amém.

sábado, 19 de setembro de 2009

Johannes Geerhardus Vos: Oitavo Mandamento versus Comunismo


Por Rev. Adriano Gama

Johannes G. Vos (1903-1985) de janeiro de 1946 a julho de 1949 publicou uma série de 191 lições sobre o Catecismo Maior de Westminster. Estas lições foram publicadas na revista Blue Banner Faith and Life a qual Vos ocupou o cargo de editor por quase 30 anos. Essas 191 lições foram editadas por G. I. Williamson e colecionadas em um Livro cujo título origianal é The Westminster Larger Catechism: A Comentary.
No ano de 2007 a obra de Vos foi lançada pela Editora Os Puritanos para o enriquecimento do povo de Deus no Brasil e para os países de língua portuguesa. A obra de Vos recebeu o título de Catecismo Maior de Westminster Comentado e é um indispensável instrumento de ensino para as igrejas de Cristo, especialmente, as Igrejas Presbiterianas que têm como um de Seus documentos confessionais o Catecismo Maior de Westminster.
Neste artigo compartilho com vocês as breves considerações de Johannes Geerhardus Vos acerca do Comunismo. Essas considerações foram retiradas do Comentário de Vos quando ele explica o Catecismo Maior e aplica o Oitavo Mandamento em nossas vidas condenando com base na Palavra de Deus o comunismo.
Johannes G. Vos é muito simples e sucinto nas suas palavras, mas ele expõe o âmago do comunismo e o analisa à luz do oitavo mandamento, levando-nos a ver que “segundo o que a Bíblia ensina, o comunismo é errado a princípio. Não é errado meramente em alguns de seus aspectos ou práticas, ou por causa dos abusos a ele associados, mas é errado e maligno na sua idéia fundamental”.
E Vos não escreve contra o comunismo por ser um extremista de direita que cegamente acredita que o capitalismo é um sistema perfeito, pois para Vos “o capitalismo viola a lei moral de Deus pelos males e abusos a ele vinculados;”.
Julguei propício reproduzir as palavras de Vos após conversar com um irmão que estava muito preocupado por ouvir palavrasde alguns jovens num encontro da juventude das igrejas, que valorizavam o ideal e a luta dos comunistas para implantar uma ordem social mais justa no mundo.
De fato, devemos nos preocupar quando jovens cristãos que formam a Igreja de hoje e guiarão a igreja do futuro começam a louvar ou adimirar um movimento extremamente anticristão como é o comunismo, que em tese e na prática trabalhou e trabalha contra o progresso do Reino de Cristo nos países que o adotaram como filosofia de governo.
Pelo fato da Escritura não apoiar o comunismo a defesa dele no meio Cristão-Reformado não foi comum. Na verdade as Igrejas vindas da Reforma e os reformadores romperam com as idéias comunistas vindas do período medieval da Igreja e do meio anabatista. As Igrejas Reformadas confessam na Confissão de Fé Belga no seu Artigo 36 o seguinte: “… reprovamos os Anabatistas e outros rebeldes, e em geral todos quantos se opõem às autoridades e aos oficiais civis, subvertem a justiça, introduzem a comunhão de bens, e perturbam a boa ordem que Deus estabeleceu entre os homens” (grifo de minha autoria). Sendo assim, a defesa da comunhão de bens como algo imposto aos cristãos é estranha a Fé bíblica historicamente confessada pelas igrejas de Cristo.
Os pais e pastores precisam saber o que a Escritura diz sobre os pressupostos básicos daquilo que se chama comunismo e ideologias congêneres, especialmente, nós que vivemos um momento quando as esferas governamentais e educacionais do Brasil estão praticamente dominadas por pessoas que (até por meio da luta armada) já defenderam o comunismo e movimentos afins.
Portanto, os pais e oficiais devem estar atentos contra qualquer filosofia que negue a propriedade privada, exalte a coletividade em detrimento a individualidade do homem e imponha sobre o homem a comunhão de bens.
Essa atenção deve se manifestar através da supervisão do que os professores da escola passam para seu filhinho no ensino básico, pois as professoras de nossos filhos foram preparadas em instituições de ensino superior que são infestadas de professores defensores ou bem influenciados pelas filosofias comunistas. Por isso, para ajudar os pais, os pastores e os jovens das igrejas de Cristo reproduzo as palavras de Vos com autorização da Editora Os Puritanos.
Espero que as palavras desse homem de Deus possam ajudar os cristãos a se posicionarem contra o que conhecemos como comunismo, para a preservação da igreja e progresso do Reino de Deus.
Seguem as palavras de Vos. Elas foram retiradas do Catecismo Maior Comentado, Cap. 13, págs. 433-436) e que você tenha uma boa leitura e reflexão sobre elas:

A Vontade de Deus Expressa em Nosso Dever para com o Próximo – Oitavo Mandamento:

“1. Qual é o alcance geral do oitavo mandamento?

O alcance geral do oitavo mandamento é o respeito à santidade da propriedade, da mesma sorte que o sexto impõe respeito à santidade da vida e o sétimo, à santidade do sexo. A propriedade ou a riqueza é criada por Deus e confiada ao homem para o seu uso na glorificação e no serviço de Deus. É, portanto, um compromisso adminstrativo atribuído ao homem e por isso tem de ser respeitado. O oitavo mandamento, portanto, requer não apenas que nos guardemos de roubar o bem do nosso próximo, mas que conquistemos e conservemos o nosso.

2. A Bíblia autoriza a propriedade privada?

Sim. A posse da propriedade privada, no estado pecaminoso em que a humanidade existe desde a queda, é necessária para que uma vida possa glorificar e gozar a Deus. A propriedade privada fundamenta-se não na mera invenção ou costume humanos, mas na lei moral de Deus. Está definitivamente autorizada pelo oitavo mandamento – “Não furtarás” – o qual só fará sentido se houver por trás dele uma ordenação divina para a propriedade privada. Mesmo for a da Bíblia, a revelação natural ensina a todos os homens que roubar é errado. Está profundamente equivocado quem hoje pensar que a propriedade privada é malígna. Os males que ele têm em mente procedem não da propriedade privada em si mesma, ma dos abusos da propriedade privada.

3. À luz da Bíblia, que devemos pensar do comunismo?

Segundo o que a Bíblia ensina, o comunismo é errado a princípio. Não é errado meramente em alguns de seus aspectos ou práticas, ou por causa dos abusos a ele associados, mas é errado e maligno na sua idéia fundamental. Se pudéssemos imaginar um “perfeito” estado de comunismo, em que não houvesse tirania, campos de concentração, polícia secreta, propaganda política, nem censura de informações, ele ainda seria inerentemente pecaminoso e maligno. O capitalismo viola a lei moral de Deus pelos males e abusos a ele vinculados; o comunismo viola a lei moral de Deus por sua própria natureza e idéia fundamental. O princípio do comunismo é a posse coletiva da propriedade imposta pelo Estado. Isso pressupõe que a posse particular do indivíduo é um mal que só pode ser tolerado em pequena escala, como uma concessão à natureza humana. Isso é contrário à Bíblia, que ensina que a propriedade privada é um direito dado por Deus. O ser humano individual, como portador da imagem de Deus, deve ter o direito à propriedade privada e a aquisição de riqueza, se for para desenvolver a sua personalidade conforme o propósito de Deus e para o O glorificar plenamente na sua relação com o seu ambiente. A imagem de Deus no homem abrange a implicação de que o homem deve ter o domínio sobre a Terra (Gn 1.27-28); mas o homem é essencialmente um indivíduo, com alma e consciência individuais, com competências e habilidades individuais, com esperança e desejos individuais. O comunismo procura fundir o indivíduo à massa da humanidade e isso envolve o sacrifício do elemento essencial da personalidade do homem, como portador individual da imagem divina e mordomo de Deus com domínio sobre uma parcela da criação de Deus. O comunismo assume que o indivíduo existe por causa da massa, da sociedade, mas isso é contrário à Palavra de Deus, a qual nos ensina que a sociedade e todas as instituições sociais existem por causa do indivíduo, para que ele possa alcançar o propósito divino da sua vida e assim glorificar a Deus. É o indivíduo quem possui uma alma imortal, uma consciência e a capacidade para a comunhão com Deus. Essas coisas sobreviverão a esse mundo e existem para sempre. Elas é que dão dignidade e valor reais à vida humana. Qualquer sistema que considere o ser humano individual como sem importância e busca amalgamá-lo à massa supostamente pelo bem-estar da “sociedade” é fundamentalmente errado e anticristão. Isso se aplica tanto à propriedade coletiva compulsória quanto às outras subversões da individualidade da personalidade humana.

4. Segundo registra Atos (2.44; 4.32-37), a igreja primitiva não praticava o comunismo?

É verdade que existia um tipo de “comunismo” na igreja de Jerusalém, mas era totalmente diferente do comunismo que existe hoje. Deve-se observar que (a) era voluntário e não compulsório, como mostram as palavras de Pedro a Ananias em Atos 5.4; (b) era parcial e não total, como demostra o fato de que a casa de Maria, mão de João Marcos, não for a vendida; (c) logo surgiu uma murmuração acusatória de que as rações de comida não estavam sendo distribuídas de modo justo (At 6.1); (d) isso foi apenas temporário, sendo descontinuado mais tarde, provavelmente no tempo da grande perseguição que seguiu ao martírio de Estevão, quando os crentes se espalharam a partir de Jerusalém (At 8.1-4); (e) não há a menor indicação de que tenha sido implantado algum “comunismo” assim em nenhuma das igrejas estabelecidas pelos apóstolos, além da igreja de Jerusalém. É claro, portanto, que o “comunismo” temporário da igreja em Jerusalém não era uma questão de princípio, mas de contigência em face das condições peculiares àquele tempo e lugar. É extremamente insensato, antibíblico e anti-histórico apresentar o estado temporário das ocorrências na igreja de Jerusalém como análogo ao comunismo moderno, ou como um padrão a ser imitado pelos crentes em Cristo de todos os lugares.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Deus, por Sua misericórdia, proclama a Sua mensagem de destruição aos pecadores

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre Jonas 3.1-4

Leitura: Jonas 2.1-3.4
Texto: Jonas 3.1-4

Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo,

Quando lemos o Livro de Jonas lemos e cantamos com mais gozo no coração o Salmo 136 que nos chama a render “graças ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre!”
O Espírito Santo mostra em Jonas como Deus é bom e sua misericórdia dura para sempre. Jonas provou a misericórdia de Deus provando o poder perdoador e restaurador de Deus. Pois veja que O SENHOR colocou o profeta onde tudo começou: Na terra onde ele foi vomitado pelo peixão. E o SENHOR não faz somente isto, mas Deus novamente comissiona Jonas, pois o texto diz: “Veio a palavra do SENHOR, segunda vez, a Jonas, dizendo: … ”.
O Espírito mostra a Sua misericórida para com os Ninivitas, pois faz Jonas chegar a Nínive, para proclamar a Sua mensagem ao povo daquela cidade.
E além disto, a passagem serve para nos despertar para a obra de Evangelização. Por isso, trago a mensagem de Deus no seguinte tema:

Deus, por Sua misericórdia, proclama a Sua mensagem de destruição aos pecadores

1. Pelo ministério de Jonas
2. Pela pregação de Jonas

Amados irmãos, Deus poderia não querer saber mais de Jonas, mas Deus entrega pela “segunda vez” a Palavra a Jonas.
Note que o SENHOR não dá um sermão em Jonas: olha Jonas, vou lhe dar uma segunda chance, mas … não invente de fazer de novo aquilo que você fez!
O SENHOR não faz nada disto! O Senhor restaurou a vida e o ministério do profeta como se nada tivesse acontecido.
O SENHOR Deus é um Deus misericórdioso que ao invés de passar na cara de Jonas as fraquezas e os pecados cometidos pelo profeta dá a ele um novo começo. Um novo começo para fazer a vontade de Deus revelada.
Meu irmão em Cristo, a atitude de Deus para com Jonas nos ensina muito quanto a nossa desconfiança para com aqueles que são restaurados pelo SENHOR. Muitas vezes eu e você exercemos misericórdia para com o nosso próximo e quando vamos dar uma nova chance a quem perdoamos somos tentados a ficar com um pé atrás. Agimos cheios de reservas. Mas, note que o SENHOR, o Todo-poderoso, não fez isto com Jonas. O SENHOR Deus “pela segunda vez” dá a Palavra a Jonas. O SENHOR faz isto sem reservas.
O nosso amado Deus que apesar de ser o Todo-Poderoso é misericórdioso e concede aos seus servos arrependidos uma nova vida, um novo começo, sem passar nada na cara de Jonas os pecados passados.
Essa a atitude de Deus para com Jonas enche nosso coração de esperança no poder restaurador de Deus, pois Deus continua a honrar aqueles que com um coração humilde reconhece seus pecados e confiam no Deus a quem pertence a Salvação.
Agora, meu irmão em Cristo, veja o v. 2. Deus chama Jonas de novo e mostra de novo o trabalho do profeta. Pois, o desejo de Deus, por Sua misericórdia, é pelo ministério de Jonas proclamar a Sua mensagem de destruição aos pecadores.
Perceba que Deus usa quase as mesmas palavras do começo do livro (Jn 1.1,2). Mas, o SENHOR dá mais explicações para Jonas daquilo que o profeta vai fazer em Nínive.
O SENHOR Deus no v. 2 diz que o clamor de Jonas contra Nínive será uma pregação. Deus, por Sua misericórdia, proclama pela pregação a Sua mensagem de Destruição aos pecadores.
Jonas deve proclamar aos habitantes de Nínive a mensagem de Deus. Jonas chegará em Nínive como um arauto do Todo-poderoso, para proclamar a mensagem do Soberano Deus aos pecadores maliciosos e pervertidos de Nínive. Jonas não vai bater um papo com os moradores de Nínive.
E isto deve mostrar para você que quando Deus usa Seus ministros da Palavra Ele não está batendo um papo com o pecador. A idéia de hoje é transformar Deus num Deus LEGAL, MANEIRO, UM DEUS ABERTO que usa bermuda e camiseta e que bate-papo com o homem como se Ele fosse um ser igual a Suas criaturas.
Saiba, o mundo não aceita um Deus que seja SENHOR, Soberano, que proclama Sua vontade ao homem e que o pecador deve se submeter a vontade desse Deus. Por isso, o homem moderno e caido quer produzir um deus que não é soberano, mas um deus que bate-papo com pecadores e deixa os pecadores viverem nos seus pecados.
Saiba que o fato do SENHOR Deus ser amor e misericórdia não significa que Ele deixa sua posição SUPREMA. Saiba que o verdadeiro Deus, o SENHOR Deus da Escritura, não bate-papo com ninguém, muito menos com pecadores maliciosos. Por isso, o SENHOR PROCLAMA a pecadores Sua mensagem. E essa proclamação é pela pregação! E, Jonas foi chamado para pregar a mensagem do SENHOR Deus Soberano aos ninivitas.
Meu irmão, Jonas faz “segundo a Palavra do SENHOR”. Jonas obedece a vontade de Deus (veja o v. 3). E a obra de Jonas era importante e grande demais. O Espírito Santo diz que “Nínive era uma cidade grande para Deus”.
Essa expressão mostra como Deus é mais misericodioso do que pensamos que Ele seja. Essa expressão mostra também como Deus valoriza as almas das suas criaturas. Ele é um Deus que mostra a Sua compaixão e misericórdia fazendo o sol nascer sobre todos os homens. Deus dá chuva e faz as plantas crescerem sustentando todos os homens sem acepção de pessoas.
Meu amado irmão, o Salmo 24 diz que do SENHOR é a terra, tudo que nela contém incluindo todos os seus habitantes! Todas as almas pertencem a Deus. O Espírito Santo diz: “Ninive era uma cidade grande para Deus”.
Essa declaração do Espírito Santo ensina que por mais distante que um povo esteja do SENHOR jamais podemos declarar que esse povo já está no inferno. O SENHOR Deus misericordioso tinha interesse pelos habitantes de Nínive. O SENHOR queria salvar aquelas almas da sua malícia e pecado.
E o SENHOR achou importante as vidas dos moradores de Nínive e enviou para eles o Seu profeta, para por meio da pregação comunicar a Sua mensagem ao povo. …
E o trabalho não seria fácil para Jonas. Seriam necessários três dias para que Jonas proclamasse em toda a cidade a mensagem de Deus. E note que Jonas começou o trabalho obedecendo o SENHOR Deus com disposição e sem demora.
O texto não mostra que naquele momento Jonas pôs dificuldades para a execução do trabalho e nem você lê que o profeta fez corpo mole.
Fico imaginando se Deus falasse essa mesma mensagem aos membros de nossa igreja. Acredito que o texto apresentaria muitas dificuldades e manifestações de corpo mole: cansaço, filhos, trabalho, faculdade, falta de dinheiro, etc.
Meus irmãos em Cristo, existe dentro da igreja muitos que só mostram ânimo para fazer o que gostam de fazer! Se for proposto um trabalho de evangelização ou algo que eles não gostam de fazer, então, começam aparecer as dificuldades e o corpo mole!
Meus irmãos, onde está a disposição dentro da igreja para a proclamação da mensagem de Deus aos perdidos? Onde está o desejo de fazer conhecida a mensagem de salvação aos pecadores? Será que não temos deixado o amor pelas almas perdidas e desconsiderado a misericórdia de Deus por aqueles que ainda estão mortos em seus pecados?
Veja que naquele momento Jonas, como um servo fiel, quer fazer a vontade de Deus sem demora e sem exitação. Ele põe o pé na estrada e começa a proclamar a mensagem de Deus aos habitantes de Nínive.
Agora, o que deve nos chamar atenção é o conteúdo da mensagem que o SENHOR Deus entregou a Jonas (veja o v. 4): “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida”.
Note que a mensagem de Jonas era curta e grossa. Muitos pregadores hoje não estariam dispostos para pregar uma mensagem como está. Mas, essa foi a mensagem que o SENHOR entregou a Jonas e que o profeta proclamou durante três dias nas ruas, nas praças, nos mercados de Nínive.
Os pregadores não devem escolher a mensagem que deve ser dada ao povo, mas apenas proclamar a mensagem que Deus entregou a ele. Jonas não tentou tornar a mensagem de Deus mais agradável aos pecadores.
Uma das tentações para os pregadores é fazer a mensagem ser mais agradável aos ouvidos dos perdidos. Por isso, hoje na maioria dos púlpitos não se ouve o que Deus revela na Escritura, mas são mensagens cheias de conceitos e palavras que não afrontam o pecador em seu pecado!
Saiba que esses pregadores são amantes de si mesmos e não amam nem a Deus nem aos pecadores que vão perecer. E a infelicidade da nossa cidade e de toda nação é que faltam pregadores que tenham um só interesse: Falar integralmente a mensagem de Deus aos pecadores de nosso país!
Porém, Nínive não teve a infelicidade de nossos dias, pois lá estava Jonas. A felicidade de Nínive é que Jonas pregou e não se calou a mensagem curta e grossa de Deus para seus habitantes.
Saiba que o Todo-poderoso por meio de Jonas proclamou um últimato aos moradores de Nínive com tempo e pena determinados. Os moradores de Nínive têm somente quarenta dias para se arrepender! Eles devem fazer isto ou serão arrasados até os fundamentos, não sobrará pedra sobre pedra que não seja derrubada por Deus!
Meu irmão em Cristo, veja que a mensagem de Deus é uma declaração de destruição. E este verso 4 é uma preparação para mostrar o poder de Deus de converter pecadores com Sua mensagem de juízo. Pois é este v. 4 a introdução para os versículos 5-9 que mostram o arrependimento profundo dos ninivitas. Por isso, vamos nos limitar aqui e esperar a próxima pregação, que mostrará a consequência da pregação de Jonas em Nínive.
Por enquanto aqui devemos salientar que o pregador deve se preocupar em proclamar a Palavra de Deus e deixar que Deus faça o resto. O SENHOR Deus é quem dá o resultado e não o pregador! O pregador só tem que pregar a mensagem de Deus e o resto é responsabilidade do SENHOR, pois a mensagem é do SENHOR.
O pregador não deve pensar se a mensagem é longa ou curta, se é dura ou mais branda, o pregador deve se preocupar em proclamar o que Deus o entregou para ser proclamado. Nada de acréscimos e palavras enfeitadas. Nada de preocupações se com a recepção da mensagem, ou seja, se a pregação vai agradar ou não aos seus ouvintes!
Meu irmão, devemos orar para que o Senhor levante mais pregadores com essa disposição e coragem de Jonas. Peça para que o Senhor derrame do Seu Espírito Santo sobre os ministros da Palavra, para que sejam sempre dispostos e corajosos para proclamarem integralmente a mensagem de Deus aos pecadores.
Pergunto aos membros da igreja: O quanto você tem orado por isto em sua casa pelos ministros da Palavra? O quanto você tem ajudado o ministro da Palavra para que ele pregue a Palavra de Deus com disposição e coragem? O quanto você tem trabalhado para que o mensageiro da Igreja leve a Palavra aos perdidos?
Saiba que a quantidade de suas orações, esforço em favor do ministério da Palavra mostra o quanto você valoriza a glória do Deus que é o Dono da Salvação! Saiba que suas atitudes mostram quanto você entende a misericórdia de Deus! Será que suas atitudes para com o ministério da Palavra mostram que você ama e deseja que pecadores sejam salvos da ira de Deus? Você entende a obra de Jesus Cristo em vir para ser o Salvador do mundo (gentios e judeus)?
Jesus Cristo como o maior profeta foi fiel e proclamou toda a Palavra de Deus aos pecadores. Jesus Cristo não colocou dificuldades nem fez corpo mole, mas o Senhor Jesus se colocou à disposição do Pai até rasgar seu corpo na Cruz.
Jesus Cristo veio ao mundo e proclamou durante três anos (não três dias) a mensagem de Deus. E saiba que a consequência de Sua mensagem o levou a cruz. Foi a mensagem de Jesus que levou os perversos de seu tempo matá-lO. Mas, isto era plano de Deus, pois foi através da sua mensagem e sacrifício que a salvação chegou a você e a mim que, pela verdadeira fé, fomos salvos da ira do SENHOR!
E Jesus Cristo depois de ressuscitar enviou seus apóstolos ao mundo, para pregar a salvação em Seu Nome: Aquele que crer e for batizado será salvo, porém quem não crer será condenado! E ainda hoje fala aos pecadores a Sua mensagem, não por profetas como Jonas, mas por meio dos ministros da Palavra.
Hoje os profetas são os ministros da Palavra que proclamam ao povo a mensagem de Deus. Uma mensagem urgente que chama os pecadores ao arrependimento e a vida somente pela Fé em Jesus Cristo. Cada vez que um ministro prega fielmente a Palavra de Deus é o próprio Cristo Jesus chamando os pecadores ao arrependimento e a vida.
O SENHOR Deus chama você a ver que ele tinha como importante as almas de Nínive, para você não menosprezar nenhuma alma e a se esforçar ao máximo para que a mensagem de Deus seja proclamada em nossa cidade.
A obra de Deus em nossa cidade é importante e grande demais. Pecadores estão se perdendo e a mensagem de Deus requer de nós urgência!
Os moradores de Nínive tinham quarenta dias, mas o povo de nossa cidade não sabe quanto tempo resta para que o SENHOR venha derrubar tudo!
Jesus Cristo diz: “Eis que venho sem demora! Jesus Cristo pode chegar a qualquer momento, para subverter, arrasar este mundo rebelde e perverso! Por isso, temos como igreja do SENHOR uma responsabilidade grande para proclamar, pelo ministério da Palavra, a mensagem de Deus a nossa cidade e país!
Deus chama a Igreja a proclamar a ira de Deus contra os pecadores que querem viver na perversão dos seus pecados. A igreja é chamada a proclamar que o ÚNICO CAMINHO de Salvação da destruição se chama: Jesus Cristo que é o Salvador Prometido!
E Jesus Cristo tem proclamado a nós neste culto a Sua mensagem. E qual a sua resposta a mensagem de Deus? O que você como membro fará com as palavras de Deus faladas a você neste culto?
O SENHOR Deus fala a você uma mensagem que mostra o desejo de Deus manifestar ao mundo perdido a Sua misericórdia salvadora. Você, como igreja, ignorará ou buscará cumprir a vontade de Deus em proclamar Sua mensagem aos perdidos?
Você não tem muito tempo para pensar! O momento é agora. Jesus vem buscar a sua igreja, Jesus Cristo vem! E essa vinda é o Grande e Terrível dia do SENHOR! Jesus Cristo vem derreter com Seu fogo os elementos e assim purificar toda a criação!
Meu irmão em Cristo, os pecadores precisam ouvir esta urgente mensagem: hoje é o dia da Salvação! O SENHOR Deus quer uma resposta imediata de sua parte, pois pouco tempo resta, para que nossa cidade seja subvertida! Dispõe-te, pois O SENHOR Deus quer por meio da Sua igreja e pela pregação do Evangelho salvar pecadores da destruição eterna! Amém.

O SENHOR com Sua misericórdia leva o pecador a louvar o Dono da Salvação

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre Jonas 2.1-10.

Texto: Jn 2.1-10
Leitura: Sl 69.1-3; Sl 88.1-18; Jonas 1.17-2.10

Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo e demais ouvintes,

Só valorizamos a misericórdia de Deus quando provamos dela. Jonas é um bom exemplo disto.
O profeta fugiu da presença de Deus, pois não adimitiu que o Senhor Deus manifestasse Sua misericórdia ao povo de Nínive.
Jonas precisou ser chocalhado na tempestade, ser lançado ao Mar e engolido por um grande ser marinho, para ser levado a saborear a misericórdia de Deus de modo profundo.
Profundo mesmo! Pois foi das profundezas do grande mar e do ventre do grande peixe que Jonas clamou e louvou a misericórdia de Deus.
E este louvor de Jonas era o resultado da obra de Deus. O Senhor Deus é misericordioso para socorrer da angústia todo aquele que nEle confia.
Os Salmos estão cheios de expressões que mostram isto. E o povo de Deus sempre nas suas orações, ações de graças e cânticos manifestou essa confiança no SENHOR que é o Deus que no meio da sua ira mostra a Sua misericórdia, levando o pecador a reconhecer a quem pertence a Salvação. E ouça a mensagem de Deus neste culto sob o seguinte tema:

O SENHOR com Sua misericórdia leva o pecador a louvar o Dono da Salvação

Veja o v. 1. Jonas “do ventre do peixe, orou ao SENHOR, seu Deus”. Isto mostra que Jonas estava provando da misericórdia de Deus quando orou. O peixão era uma manifestação da misericórdia e não da punição de Deus!
Assim é dentro da misericórdia de Deus que Jonas ora ao SENHOR, seu Deus. Que coisa interessante: Foi necessário Jonas ser provado pelo peixão, para poder provar o profundo gosto da misericórdia de Deus, pois a oração em forma de um salmo é um louvor de ações de graças ao Senhor e não um lamento de agônia.
Porém, esse louvor a Deus contém a descrição dos momentos angustiantes que Jonas provou logo que foi lançado no mar. Jonas “do ventre do peixe” diz: “na minha angústia, clamei ao SENHOR, …”.
A angústia de Jonas era um resultado do seu pecado de rebeldia. Não era fruto da sua obediência a Deus. Você pode ser angustiado por causa da sua obediência a Deus. Jeremias era um profeta que chorou muito por ser obediente à Palavra de Deus no meio de uma nação rebelde. Mas, Jonas provava a angústia por causa do seu pecado, por não cumprir seu ofício, por não se colocar debaixo da vontade de Deus.
E Jonas abre sua oração de ações de graças reconhecendo sua angústia fruto do seu pecado. Pecado só traz angústia, agônia, tristeza e dor! E um pecador verdadeiramente arrependido e grato a Deus pela salvação reconhece a angústia que o pecado produz. E a angústia pelo pecado leva o servo de Deus a clamar a Deus. E Jonas menciona essa atitude no seu cântico. Ele diz: Clamei ao Senhor.
Um servo de Deus angustiado por seus pecados não reclama, mas clama! Saiba, meu irmão, que Reclamação não é fruto de um coração arrependido, mas de um coração duro e impenitente. Saiba que um coração cheio de arrependimento se vê numa boca e em atitudes cheias de clamor a Deus, para que Deus lhe salve da angústia do pecado. Jonas clamou e não reclamou e o SENHOR ouviu o seu clamor.
E o ato de Deus ter ouvido o clamor de Jonas é o motivo do seu louvor de ações de graças (veja o v. 2). O SENHOR Deus não virou as costas para Jonas no momento de Sua angústia. O SENHOR respondeu a oração de Jonas, o SENHOR inclinou Seus santos e paternais ouvidos para o clamor do Seu servo!
Esse verso 2 é um resumo dos versos 3-7. E quando lemos os versos 3-7 vemos os detalhes da profunda angústia do profeta e da profunda misericórdia de Deus para com o Seu servo.
Saiba, meu amado irmão, o pecador somente consegue ver a profunda misericórdia de Deus quando consegue sentir a profundidade da miséria e perdição nas quais se encontra.
Jonas teve essa experiência. Jonas descreveu a profundidade da perdição que ele se encontrava. Jonas estava no ventre do abismo (v.2). Ele se sentia já no mundo dos mortos, pois a palavra hebraica é hades. Jonas se sentia lançado no coração dos mares (v. 3).
O profeta tinha a consciência que havia sido lançado diante dos olhos de Deus, ou seja, Jonas se sentia fora da protecão e dos cuidados de Yahweh (v. 4)! Jonas já se sentia separado de Deus e do Seu povo, pois não tinha esperança de tornar a ver o Templo Santo do Senhor. Jonas se sentia incapaz de se libertar da profundidade que chegava até a sua alma e o prendiam no fundo do mar!
Veja, meu amado irmão em Cristo, como era dramática a situação de Jonas nos versos 5-7. O profeta sentia uma angústia muito grande, pois estava no fundo do poço, não havia lugar mais baixo para ele descer mais: Jonas chegou aos fundamentos dos montes, chegou ao a descer até a terra! Jonas se sentiu sozinho no fundo do mar de angústia, sua alma desfalecia dentro dele! Não havia nenhum sentimento de esperança nele e para ele!
Veja, que essa descida de Jonas começou quando ele desceu para Jope a fim de pegar um barco para fugir da presença de Deus (Jn 1.3). Isso é um alerta para mim e para você! Saiba que para se descer ao fundo do poço da perdição é necessário somente um pequeno passo ou deslize de nossa parte. Jonas não imaginou que a atitude inicial do seu pecado iria lançá-lo numa tão profunda angústia e perdição.
Assim é quando gostamos de nos arriscar chegando perto do abismo dos nossos pecados. Sabemos do perigo do pecado. Sabemos que podemos ser arrastados pelo pecado até o fundo do poço da perdição, mas continuamos nos nossos desejos pecaminosos. E, aí, depois que caímos, quando provamos a profundidade da angústia e chegamos ao fundo do posso, então, pensamos: Por que fiz aquilo? Por que me afastei da vontade de Deus? Veja que Jonas provou a angústia profunda dos seus pecados!
Meu irmão em Cristo, isto é um chamado de Deus para você e para mim. Não espere chegar no fundo do poço para provar as angústias produzidas pelo pecado. Deus não quer que você viva no pecado e sinta o pavor do afogamento no pecado! Não desça mais no seu pecado. Clame a Deus, pois Ele é misericordioso e não há profundidade que possa impedir a Deus de ouvir o clamor de um pecador arrependido e necessitado de Salvação! Veja isto em Jonas.
Meu irmão em Cristo e demais ouvintes, Jonas da profundidade da angústia provou e cantou a profundida da misericórdia de Deus!
Saiba, que podemos ver a profundidade da misericórdia de Deus quando vemos a profundidade da angústia e miséria de onde Deus nos salvou. Jonas diz: “Ele me respondeu o seu clamor, Deus ouviu o seu grito de socorro (v. 2)! Jonas diz que Deus fez subir da sepultura a sua vida (o resssuscitou) (v. 6).
Veja, meus amados irmãos em Cristo e demais ouvintes, que Deus misericordioso é Yahweh, o SENHOR da Aliança! Ele é o Deus que atende a oração do pecador arrependido e desesperado! O SENHOR tem compaixão dos Seus que estão em profunda angústia por causa dos pecados que cometeram! O SENHOR Deus tem ouvidos atentos para o pedido de socorro daqueles que clamam a Ele por Salvação!
Veja, que Deus não tapou os ouvidos ao clamor de Jonas. Perceba que Deus não desviou Seus olhos do Seu servo angustiado. Note que Deus não deixou seu Servo na morte! Esse é o Deus misericordioso de Jonas! Esse é o Deus e SENHOR da Igreja e a quem você pertence!
Meu irmão em Cristo, Deus poderia ter sido duro com Jonas, deixando Seu servo continuar se debatendo até morrer afogado no profundo mar. Mas, Deus é misericordioso e não se agrada de ver o sofrimento dos Seus filhos. Por isso, Deus vai logo ao socorro de Jonas e guarda seu profeta no ventre do peixão.
Porém, note um detalhe importante: a misericórdia de Deus foi manifestada a Jonas na disciplina do Senhor. Como assim por meio da disciplina? Ora, como Deus levou Jonas a reconhecer e louvar a Sua misericórdia? (veja o v. 3).
Meu irmão em Cristo, Jonas no seu salmo tinha plena consciência que o que ele passava era uma obra da disciplina de Deus. Jonas diz que foi o SENHOR que o lançou “no profundo, no coração dos mares, …”. Jonas confessa que as ondas eram obras de Deus, pois diz “tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim”. Assim, Jonas reconhece a disciplina de Deus sobre ele.
Veja a disciplina de Deus levou Jonas a uma angústia e o leva a reconhecer seu pecado e a temer. Agora temer o quê? Temer a morte física? Não. Jonas não estava com medo de perecer fisicamente, mas de perecer espiritualmente (veja o v. 4).
Jonas teme ser lançado fora dos olhos de Deus, ou seja, o profeta teme não estar debaixo da proteção e cuidados de Deus. Jonas teme não retornar a ver o Santo Templo de Deus! Não ver mais o templo Santo do Senhor para onde subiam as tribos do Senhor, para oferecer sacrifícios de louvor a Deus. Não ver mais o templo onde o SENHOR é entronizado como Deus e Rei do Seu povo.
Jonas pela disciplina sente o medo de ser afastado de Deus, do culto a Deus e da comunhão com o povo de Deus. Veja que o temor de Jonas é perecer espiritualmente.
Meu irmão em Cristo e demais ouvintes, o louvor de Jonas mostra como é necessária a disciplina da igreja. Deus ama seus servos, por isso, Ele disciplina aos Seus amados como um pai disciplina seus filhos.
E um servo de Deus quando disciplinado não se sente bem, porque para um servo de Deus somente o pensar em ser afastado de Deus, do seu culto e da comunhão dos santos causa mais angústia no seu coração que a própria morte física!
Meu amado irmão em Cristo, veja a profundidade da misericórdia de Deus. Jonas provou a disciplina do SENHOR para ser resgatado da rebeldia, para ser restaurado à Comunhão com Deus e para louvar a Deus como o Dono da Salvação (veja os versos 8,9).
Nestes versos temos o ponto mais alto desse Salmo de ações de graças.
Jonas declara como aqueles que confiam em ídolos falsos serão decepcionados na hora da angústia. Por que Jonas fala de falsos ídolos e a decepção daqueles que neles confiam?
Jonas conta a sua própria experiência pecaminosa e de todos aqueles que são idólatras. Jonas viu que os falsos deuses dos marinheiros foram incapazes de salvá-los da tempestade. Jonas viu que somente quando os marinheiros e ele fizeram a vontade de Yahweh foi que provaram a misericórdia de Deus e a salvação. Jonas chega a essa conclusão após ser disciplinado pelo SENHOR e por provar a misericórdia de Deus.
E o Espírito Santo mostra no v. 9 mais resultados da disciplina do SENHOR em Jonas. Jonas levanta uma voz não de angústia, mas de agradecimento a Deus pela Salvação. Jonas não mais se considera um perdido e sem esperança, mas convicto que irá voltar a cultuar a Deus em plena comunhão no Seu templo, pois diz: “eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei.” Jonas, exercitado pela disciplina, tem o coração restaurado!
E Jonas conclui seu salmo reconhecendo o que não quis reconhecer: AO SENHOR PERTENCE A SALVAÇÃO!
O SENHOR Deus, pela disciplina, dobra Jonas e o faz provar e reconhecer que a Salvação pertence a Yahweh. O SENHOR tem o poder para Salvar a quem Ele quer: A judeus e a gentios, pois de Yahweh é a Salvação!
Jonas provou a profundidade da misericórdia do SENHOR e não tinha como questionar mais a vontade de Deus para manifestar a Sua misericórdia aos moradores de Nínive.
E veja o que Deus faz (v. 10). Deus coloca Jonas onde tudo começou. O SENHOR fala ao peixe para vomitar Jonas na terra. Provavelmente essa terra é a Palestina. Alguns estudiosos consideram que seja até Jope (o porto de onde Jonas partiu para Tarsis).
Isto mostra que Deus deu a Jonas a oportunidade de começar tudo de novo. Deus é misericórdioso, pois pela disciplina leva Jonas a reconhecer seus pecados, a clamar por Salvação e restaurou a vida do profeta como nada tivesse acontecido. Este é o SENHOR Deus que ama você, meu irmão em Cristo!

Conclusão:

Saiba que fugir de Deus sempre levará você as angústias do inferno! Mas, saiba que Deus é misericordioso e AO SENHOR PERTENCE A SALVAÇÃO!
O SENHOR ainda está disposto a ouvir a oração daqueles que em meio as angústias do pecado, oram, clamam a Ele por Salvação! Ele é Deus de misericórdia e não deseja a morte do pecador! Ele é Deus que não vira as costas para pecadores arrependidos e que reconhecem que Ele é o Dono da Salvação!
Meu irmão, Se você está provando a angustia do Seu pecado, então, reconheça que você pecou e clame a Deus pela Salvação!
Você pode ter esperança na Salvação, pois esta Salvação é do SENHOR Deus Misericordioso. Ele é compassivo e assaz benígno. Deus, o Seu Salvador, está disposto a ouvir o seu clamor por salvação, mesmo que você se encontre no fundo do poço da angústia e se sinta incapaz de se salvar das consequências dos pecados que você cometeu!
Meu amado irmão em Cristo, confie no Espírito Santo que diz: Ao SENHOR PERTENCE A SALVAÇÃO! Saiba que mais que Jonas você tem motivos para crer na misericóridia de Deus.
O que aconteceu com Jonas aponta para Jesus Cristo. As expressões usadas por Jonas contém muitos dos Salmos que expressam os sofrimentos do Messias e a confiança do Messias no SENHOR Deus.
O Espírito Santo levou o profeta a experimentar e a comunicar a você UM POUCO da experiência agonizante de Jesus Cristo, o Messias. Agora Jonas estava sofrendo as angústias dos seus pecados e declarando a Salvação que vem do SENHOR.
Porém, Jesus Cristo estava sofrendo as angústias do pecado do Seu povo e providenciando a Salvação para os que nEle confiam!
Saiba que o SENHOR Deus afogou Seu Amado Filho Jesus Cristo no mar da Sua Ira, para que você fosse salvo do pecado. Jesus Cristo provou em seu lugar o desamparo de Deus, para que você nunca mais fosse desamparado no fundo do mar da perdição!
Jesus Cristo foi angustiado até morte para você ser consolado com a Salvação pela Fé somente! E Jesus Cristo, pelo poder de Deus, venceu a morte para nossa justificação! Para nos dar o conforto que se confessarmos os nossos pecados a Deus Ele nos purifica de todos os nossos pecados e nos restaura à comunhão com o Pai!
Então, há salvação para você que sente as angústias do pecado, pois: AO SENHOR PERTENCE A SALVAÇÃO! O SENHOR em Seu Filho Jesus Cristo mostra isto no Evangelho no Livro de Jonas, nos sacramentos e na disciplina eclesiástica. Em todas essas coisas provamos a misericórdia salvadora do SENHOR Deus!
Por isso, Deus chama todos aqui a confiar na Salvação que Ele promete dar aos que confiam somente em Jesus Cristo.
Possa ser que sua alma esteja desfalecendo por causa da disciplina do SENHOR, mas clame a Ele pela Salvação, lembre-se da Aliança do SENHOR e clame a Deus para que Ele tire você da angústia do pecado e restaure você em Cristo Jesus.
Tenha de Deus a garantia que Ele ouvirá a sua oração de arrependimento. Veja que Jonas da profundeza clamou e Deus o fez subir da sepultura, ou seja, restituiu a vida a Jonas. Veja que Jonas da profundeza clamou e sua oração subiu ao Senhor, chegou ao santo templo do SENHOR!
Ouça, o SENHOR ainda está disposto para ouvir a sua oração e salvar você da angústia do pecado e da morte. O SENHOR está disposto a levar você a uma nova vida em Cristo Jesus e fazer você reconher e louvar que Ele é Dono da Salvação. Amém.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Deus é o Autor do Mal? O que dizem as nossas Confissões?

Por Rev. Adriano Gama

Quando falamos do Mal não é sobre as catástrofes, doenças, guerras, desastres, crises, a morte física, etc. O Mal que consta na pergunta é o Mal Moral, ou seja, de onde veio os pecados tanto de Satanás como dos homens.
O tema sobre a questão da autoria do Mal foi levantado dentro de nossas congregações devido ao anúncio da suspensão de um dos nossos oficiais do exercício do seu ofício. Este oficial, dentre outras coisas, professou que cria que Deus é o Autor do Mal. A suspensão deixou a igreja triste e suscitou na mente de alguns irmãos indagações sobre a origem do Mal.
Esta palavra que coloco no Boletim não deve ser tomada como um estudo profundo sobre a origem do Mal e defesa da Fé Cristã. Mas, são orientações aos membros da Igreja, a fim de acalmar seus corações e estimulá-los a buscarem consolo e paz naquilo que eles professam à luz da Escritura.
De onde veio o Mal é uma pergunta que tem intrigado a mente de muitos cristãos há séculos. E as igrejas de Cristo na História tem tratado essa questão de modo cuidadoso e humilde.
E a Igreja de Cristo com cuidado e humildade buscou na Escritura responder as perguntas: Deus é soberano e sustenta e comanda tudo segundo Sua vontade? Então, como fica a questão das Quedas do diabo e do homem? Foi Deus o Autor destas quedas? De onde veio o orgulho, mentira e ódio de Satanás? De onde veio a ganância e insubmissão de Adão? Estas criaturas não foram criadas boas?
As igrejas de Cristo souberam responder essas indagações. E um exemplo muito lindo desse cuidado e da humildade bíblicos são as nossas Confissões de Fé. Essas Confissões não são a Palavra de Deus, mas ecoam a fiel doutrina da Escritura, incluindo o que a Palavra de Deus diz sobre a Origem do Mal.
Onde em nossas Confissões podemos aprender sobre a origem do Mal? Nos seguintes lugares (É de suma importância que você veja as bases bíblicas nas notas de suas Confissões):

Confissão de Fé Belga – Artigos: 1, 2, 7, 12, 13, 14, 15, 16, 17
Catecismo de Heidelberg – Dias do Senhor 3 e 4
Cânones de Dort: Cap I, Arts. 5-7; 15; Cap II, Art. 6; Caps. III/IV, 1, 2, 9, 16

Estude estas passagens. Mas, é importante destacarmos a Confissão de Fé Belga no seu Artigo 13 sobre a Providência de Deus:

“Cremos que o bom Deus, depois de haver criado todas as coisas, não as abandonou nem as entregou ao destino ou acaso1, mas segundo a Sua santa vontade Ele as rege e governa de tal modo que no mundo nada acontece sem a Sua determinação2. Deus, contudo, não é autor nem é culpável dos pecados que se cometem3, pois Seu poder e bondade são tão grandes e incompreensíveis que Ele ordena e faz Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça4. E quanto àquilo que ele faz que ultrapassa o entendimento humano, não queremos investigar curiosamente além de nossa capacidade de entender. Mas adoramos com toda humildade e reverência os justos juízos de Deus, que nos estão ocultos5. Contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, que devem aprender apenas o que Ele nos ensina em Sua Palavra, sem transgredir esses limites6. …”.

O Artigo 13, com base na Palavra de Deus, fala da Doutrina da Providência. Nele a Igreja confessa a Bondade e Soberania de Deus que sustenta e domina todas as coisas da sua criação “segundo a Sua santa vontade, Sua determinação”. E note que, ao mesmo tempo, na mesma doutrina, temos o cuidado de não fazer Deus o “autor e nem culpável dos pecados que se cometem pelos demônios e dos ímpios”. Na Confissão a Igreja justifica esta afirmação com base na grandiosidade do poder e da bondade de Deus revelada na Escritura, que mostra que Deus ordena e faz a “Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça”.
Outro detalhe é que a nossa Confissão também manifesta a humildade cristã de se submeter a revelação da Escritura, quando nossas mentes limitadas não conseguem entender como se combina as ações soberanas, bondosas, excelentes, santas e justas de Deus e a responsabilidade dos demônios e pecadores quanto a Queda e seus pecados.
Saiba que muitos cristãos são mortos na Fé, pois são levados pelo diabo e por homens soberbos a usarem a lógica humana como um submarino que conseguirá levar o homem até às profundezas dos mistérios de Deus. A lógica tem o seu lugar como instrumento para aprofundar nosso conhecimento sobre Deus e suas obras. Porém, a lógica como um submarino pode falhar e tem um limite de profundidade para nos manter seguros no estudo dos mistérios de Deus. Esse limite é a Revelação da Escritura.
Se quisermos ultrapassar com a lógica os limites da Escritura, então, seremos esmagados e arrastados para a mais profunda morte. Por isso, o cristão se limita à Revelação da Escritura. Por esse motivo, humildemente, professamos que Deus “não é o autor nem é o culpável dos pecados que se cometem”. E, além disto, adoramos com toda humildade e reverência os justos juízos de Deus, que nos estão ocultos.”
Esta atitude humilde da Igreja aos limites da Revelação já é manifestada na sua crença que a Escritura é a Palavra de Deus e que ela foi preservada durante séculos, na Santíssima Trindade, na Encarnação do Verbo, no nascimento virginal de Cristo. Isto não pode ser diferente quanto a doutrina da Providência de Deus, que nos leva a ver que Deus é Soberano e ao mesmo tempo não é o autor nem o culpável dos pecados dos demônios e ímpios.
Portanto, com estas palavras chamo você a enfrentar esse momento de tristeza e desafio da Fé Cristã que estamos passando. Firme-se nas nossas Confissões que são Bíblicas. E ore para que você como membro da Igreja se contente em ser um discípulo (aluno) de Cristo, que deve aprender apenas o que Ele nos ensina em Sua Palavra, sem transgredir esses limites.
Sendo assim, continue firme e consolado com a Escritura quando se deparar com a profundidade da doutrina da providência e a questão do Mal, por isso continue confessando que: “Deus … não é autor nem é culpável dos pecados que se cometem3, pois Seu poder e bondade são tão grandes e incompreensíveis que Ele ordena e faz Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça.” Que o Senhor abençoe e guarde você em Cristo Jesus pelo poder do Seu Espírito e da Palavra.

Meditação:

“Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom“ Gn 1.31.

“Pois Tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal” Sl 5.4

“Ó profundidade da riqueza, tanto de sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminnhos! Rm 11.33


“Só uma exceção se deve fazer, a saber: que a causa do pecado, as raízes do qual sempre reside no próprio pecador; não têm sua origem em Deus, pois resulta sempre verdadeiro que “A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim o teu socorro (Os 13.9).”

João Calvino
(Comentário da Carta Aos Romanos, pág. 71 – Editora Paracletos)