quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Diferença entre a Escola Comum e Cristã: Uma Diferença que começa nos seus alvos


Por Rev. Adriano Gama

Introdução:

O título da minha palestra é A DIFERENÇA ENTRE A ESCOLA COMUM E A ESCOLA CRISTÃ. E o tema proposto por mim é: Uma Diferença que começa nos seus alvos.
Este tema é muito importante para ser discutido entre os pais, educadores e oficiais que são membros das Igrejas Reformadas e que participam deste pequeno simpósio sobre Educação Cristã, pois somos novos na Fé Reformada, necessitamos crescer no conhecimento da relação Fé, escola, família e igreja[1]. Por isso, faz-se preponderante o conhecimento das distinções que existem entre as escolas comum e cristã e as fontes dessas distinções, para sermos estimulados a criar escolas cristãs e mantê-las para o bem das igrejas de Cristo em nossa nação.
Ditas estas palavras veremos dois pontos no tema desta palestra:

1. A diferença de alvo; e que
2. O alvo determina a estrutura da escola


1. A diferença de alvo (objetivo)

O material para descrever o alvo das escolas comuns pode ser retirado da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, Lei 9.394/1996). A Constituição do Brasil diz:

“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Na Constituição temos a descrição do objetivo geral da educação que deve ser atingido pelas instituições de ensino no Brasil: “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Mas, é na LDB que encontramos as diretrizes e bases da educação nacional (Art 2.). Nela encontramos descrito o objetivo que direciona as escolas comuns:
“A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
A LDB também nos fornece a inspiração do alvo da educação escolar. A Lei diz que a Educação … [é] inspirada “nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana”. Temos descritos na LDB o alvo da educação e sua inspiração. Então, podemos dizer que o alvo principal das escolas comuns no Brasil visa:

1. A pessoa humana;
2. O pleno desenvolvimento dessa pessoa nas áreas psíquicas e materiais;
3. Seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho;
4. Proporcionar o necessário para o homem viver bem como ser social nesta terra.

A centralidade do alvo da educação brasileira é a pessoa humana, seu desenvolvimento, preparo “para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Podemos dizer que o resumo do alvo da escola comum é desenvolver o homem para si mesmo. Esse alvo tem como fonte de inspiração tudo que mantenha o homem livre e que promova o vínculo do indivíduo à vida, aos interesses dum grupo social, duma nação, ou da humanidade. Sendo assim, o alvo das escolas comuns, apartir da fonte de inspiração, visa o homem e tudo que é para o bem do homem e para glória dele nessa vida.
Usei o texto de nossas leis para mostrar de modo geral o alvo e as fontes de inspiração da educação escolar brasileira.
E para vermos o alvo e a fonte de inspiração da educação escolar cristã usaremos o texto de uma decisão de um antigo Sínodo das Igrejas de Cristo, do Regimento adotado e da forma de batismo utilizada pelas Igrejas Reformadas do Brasil.
Um Sínodo das Igrejas Reformadas na Holanda realizado na Antuérpia no ano de 1565 declarou que:

“Os pais, como pastores de suas famílias, devem ser exortados, a fim de formar suas crianças no temor do Senhor, não as enviem para escolas ou qualquer outra instituição onde lá possam ser, [ou] onde elas serão corrompidas ou mergulhadas em doutrinas ou condutas malígnas”[2].

O Regimento das Igrejas Reformadas do Brasil diz o seguinte (Art 48):

“O Compromisso dos Pais que têm Filhos Batizados:
Os pais devem instruir seus filhos batizados na doutrina da palavra de Deus, como prometeram quando seus filhos foram batizados, também, se for possível, através de educação escolar baseada nesta doutrina.”

A forma de Batismo pergunta o seguinte aos pais:
“Vocês prometem fazer todo o possível para que esta criança seja instruída naquele ensino?” E os pais respondem: “Sim”.

Tomando esses textos como guias temos o alvo das escolas cristãs e podemos ver, ao mesmo tempo, a sua diferença do alvo das escolas normais, pois o nosso alvo visa:

1. A pessoa humana, porém, no seu devido lugar de criatura e não como um fim em si mesmo;
2. Desenvolver a pessoa como homem pleno, ou seja, criatura que é Imagem e Semelhança de Deus;
3. Formar e qualificar o homem, como ser social, para ele dominar a criação e desenvolvê-la de modo verdadeiramente justo e sustentável;
4. Elevar a visão do homem acima do nível da vida terrena;

Podemos perceber que o resumo do alvo das escolas cristãs é desenvolver o homem para Deus. E qual a fonte inspiradora desse alvo? São as Escrituras e as Confissões. Isto é muito claro nos textos, pois eles dizem que os pais, por meio das escolas cristãs, forneçam meios para levar seus alunos a crescerem no “temor do Senhor”, através de uma educação escolar baseada na doutrina da Palavra de Deus”. Este alvo leva o homem a glorificar a Deus seu Criador. Sendo assim, podemos dizer que as escolas cristãs e seu alvo são consequência da Fé.
As diferenças dos alvos explicam muito a distinção fundamental entre a escola comum e a escola cristã. E, nessa perspectiva, somos conscientizados que somente as escolas cristãs tem um alvo completo e a proposta para desenvolver o homem para viver plenamente bem nessa vida como ser social e qualificado para o trabalho.
Devido a diversos fatores, especialmente, desinformação da relação Fé-escola e da história da educação cristã[3], existem pais e educadores cristãos que pensam que não é necessário as escolas cristãs para seus filhos ou alunos. Acham que as escolas do governo e particulares são suficientes para preparar intelectualmente suas crianças. Mas, será que comparando os alvos, suas fontes de inspiração e a consequência final de cada um deles vamos achar desnecessária a criação e manutenção das escolas cristãs?
Podemos olhar para o alvo da educação esboçado na Constituição e na LDB e dizer que ele não é totalmente ruim, pois tenta dar ao homem condições para o seu desenvolvimento como ser social e para que ele tenha uma boa vida no mundo. Porém, o alvo da educação brasileira é incompleto e perigoso para os cristãos quando comparado ao alvo da Fé Cristã.
Por que é incompleto para o cristão o alvo da educação brasileira? Porque não leva o homem a ver nem prepara o homem para viver e desenvolver-se nesta terra, conforme o fim principal para o qual o homem foi criado que é: amar a Deus de todo coração, e viver com Ele em eterna felicidade para O louvar e glorificar (Catecismo de Heidelberg, P & R 6).
Pais cristãos não devem se contentar com um alvo educacional e instituições de ensino que somente levem seus filhos a visar o homem, a sua vida e glória nesta terra como um fim em si mesmos.
E por que não? Porque o alvo do cristão e, por isso, também da educação cristã, é mais elevado e mais sublime: o alvo é levar o homem a si ver e a viver como imagem e semelhança de Deus nesta terrra (Gn 1.26,27).
E esse entendimento nos conduz a desejar e desenvolver uma proposta educacional que considere o homem na sua plenitude como ser criado por Deus e para glória de Deus. E esta proposta visa proporcionar ao homem conhecimento e instrumentos para desenvolvê-lo e capacitá-lo a viver como ser social conforme a realidade plena do homem: Imagem e Semelhança de Deus. O alvo da educação escolar comum não leva em conta este aspecto pleno do homem e, por isso, é incompleto para os cristãos.
Também, o alvo das escolas comuns é perigoso para os cristãos. Por que? Porque as fontes de inspiração são “os princípios de liberdade e os ideais de solidariedade humana”.
O cristão defende os princípios de liberdade e os ideais de solidariedade humana, porém, com um detalhe importante: Os cristãos regulam esses ideais pelo padrão ético cristão, a Escritura. O cristão entende que a liberdade e solidariedade humana são bons ideais, mas só se forem pensados, regulados e fundamentados na Escritura do Antigo e Novo Testamentos.
Dou exemplos práticos: Como tratar em sala de aula o tema sexualidade sem poder partir da ética cristã? Em nome da liberdade e da solidariedade humanas o plano pedagógico das escolas normais passam para os alunos que o homossexualismo e a vida sexual ativa fora do casamento devem ser aceitas como coisas normais.
Também em nome da liberdade e solidariedade é defendido de modo explícito ou implícito nas escolas do país o evolucionismo, o humanismo anticristão, o relativismo da verdade, a ecologia panteísta, o ateísmo, o materialismo, etc. Esses temas são dados e debatidos nas escolas comuns e outras instituições de ensino brasileiras[4], mas sem dar lugar a reflexão guiada pelas Escrituras, ou seja, nos debates não há lugar para a ética cristã[5]. Isto é nocivo para o homem, por isso, os pais e educadores cristãos devem criar escolas que tem um alvo educacional inspirado na Escritura e Confissões, pois este alvo irá promover o debate dos temas da vida e analisá-los através da ótica da ética cristã. Isto beneficia a liberdade e a solidariedade verdadeira entre os homens; e, não porá em risco a integridade do homem, especialmente, dos filhos da Aliança. Aquilo que já aprendemos nos dá condições ver as diferenças entre o alvo da escola cristã e da escola comum.

(Por problemas técnicos a tabela comparativa das diferenças entre os alvos)


Essas diferenças nos levam a encerrar esse ponto com algumas perguntas: Qual o alvo da sua escola? O que você quer atingir com seu plano pedagógico? Quando você monta seu plano de aula você quer levar os seus alunos a serem instruídos bem para eles viverem como imagem de Deus e para a glória de Deus? O que mostra a diferença entre o alvo da sua escola e as demais escolas públicas e particulares do Brasil? O que faz o seu método de ensino e esforço ser diferente do seu colega descrente?
Você deve pensar nestas perguntas, pois são as diferenças de alvo que moldam e direcionam tudo na estrutura da escola. Na verdade, a escola é a consequência do seu alvo. Vejamos o segundo ponto:

2. O alvo determina a Estrutura da Escola


O alvo de uma escola logicamente determina sua estrutura. Isto por que a estrutura de uma instituição educacional é montada para que ela atinja seu objetivo. Essa verdade nos ajuda a ver e a compreender melhor a diferença entre a estrutura de um escola comum e da escola cristã.
E quando falo de Estrutura não me refiro às instalações físicas em primeiro lugar, mas os elementos que juntos formam uma escola: Os gerenciadores, os educadores, os alunos e seus pais, os funcionários, a metodologia de ensino, o plano pedagógico, os livros adotados, as normas disciplinares, etc. Estes elementos estruturais são formados e organizados de acordo com o alvo do tipo da escola: comum ou cristã.
Muitos filhos da Aliança estão em escolas gerenciadas e compostas por pessoas que não são comprometidas com a Escritura e Confissões. E quando chegamos a um dos pilares principais da estrutura escolar, os professores, vemos nossos alunos, e muitos deles filhos da Aliança, sendo formados por pessoas que defendem o ateísmo, divórcio, comunismo, materialismo, homossexualismo, relativismo, evolucionismo e outros princípios e idéias anticristãos.
Também o conteúdo programático das escolas comuns e a aplicação dele não é supervisionado pela ética cristã. Não há disciplina no ambiente escolar para regular as relações entre os alunos e entre eles e os professores. Sendo assim, a estrutura das escolas comuns nos obriga agir como cristãos em relação a educação escolar.
Por isso, devemos pensar na nossa responsabilidade como pais e educadores cristãos para oferecer àqueles que estão sob nossa responsabilidade instituições educacionais estruturadas conforme o alvo completo e seguro da educação cristã[6].
Chamo atenção, especialmente, para os gerenciadores e professores das escolas cristãs. Estes são pilares importantes para manter de pé a estrutura da educação cristã. O alvo da educação cristã requer que cristãos comprometidos com a Escritura e as confissões estejam dirigindo, coordenando, ensinando e cooperando na e para a escola. As igrejas na história viram essa necessidade de coerência entre o alvo e a estutura escolar. Um exemplo disso é o Grande Sínodo de Dort que adotou um regimento que no seu Art. 53 dizia:

“Os Ministros da Palavra de Deus e igualmente os Professores de Teologia (que também é coveniente aos outros Professores das universidades e das escolas) devem subscrever as Três Formas de Unidade, nominalmente, a Confissão de Fé Belga, O Catecismo de Heidelberg, e Os Cânones de Dort, 1618-19 …”[7].

O Sínodo de Dort conforme esse Artigo formulou e adotou uma breve forma de subscrição específica para os professores das instituições de ensino tanto superior como básico criadas para servir aos cristãos reformados da Holanda. Os professores das escolas reformadas assinavam essa forma e assim se comprometiam com as Três Formas de Unidade[8]. Esta atitude do Sínodo de Dort era para resguardar as igrejas, pois as instituições de ensino são cooperadoras dos pais e dos oficiais para manter a Igreja em fidelidade à Verdade de Deus.
Pergunto aos educadores que aqui estão: Qual o seu compromisso com a Palavra de Deus e as Confissões de Fé das Igrejas Reformadas? Como esse compromisso se tem manifestado em sua vida? Estas perguntas são importantes para sua vida e para vida dos alunos da escola onde você trabalha.
As escolas cristãs devem ensinar os seus alunos a viver em Cristo e amar a doutrina de Cristo. Este ensino vai ser dado por osmose aos alunos, ou seja, eles serão encharcados com a doutrina e influenciados pelo contato com educadores comprometidos com a Palavra e Confissões. O testemunho dos educadores da escola é mais importante para formar os alunos em Cristo, que o estampar versículos bíblicos na parede das nossas escolas e as aulas de educação religiosa dadas aos alunos.
É muito importante que os pais e coordenadores se preocupem, por exemplo:

· Se há momentos devocionais na escola para que os professores entre si orem e meditem na Palavra juntos.
· Se há algum meio na sua escola para enriquecer os seus funcionários com o conhecimento das Confissões.
· Se eles estão lendo bons livros reformados.
· Se os seus funcionários estão em plena comunhão com o Corpo de Cristo, ou seja, não estão sob disciplina.

Uma tentação grande para os pais e diretores de escolas cristãs é fazer vista grossa para a condição espiritual dos professores e funcionários da escola, por causa do desejo de ter uma melhor qualidade na oferta de educação para seus filhos ou alunos.
Essa tentação é forte, principalmente, quando temos poucos membros, especialmente, professores reformados nas nossas igrejas. Não é errado desejar os melhores profissionais para as nossas escolas, porém é errado colocar a qualidade profissional antes da qualidade espiritual. Os pais e os diretores das escolas cristãs devem se proteger pensando no alvo da educação cristã. Este alvo mostra que a qualidade profissional não está em primeiro lugar, mas a fidelidade a Deus e a Sua Palavra tem prioridade.
Por causa do alvo da escola cristã os pais e gestores devem trabalhar na estrutura da escola a fim de capacitar os professores fiéis que têm e achar ou formar outros educadores igualmente fiéis. Isto é conforme a Escritura e a história das igrejas reformadas e é um bem para a Igreja de Cristo.
Além disso, o alvo da educação cristã determina o peso dos pais na estrutura das escolas cristãs[9]. A educação conforme a Escritura e a Lei brasileira é uma responsabilidade, primeiramente, dos pais[10]. Esta responsabilidade pesa muito mais nos pais cristãos, pois é bíblica e é firmada no batismo dos seus filhos[11]. Numa escola cristã os pais são aqueles que devem tomar a frente da direção da escola, na escolha dos gestores, coordenadores, professores, regulamento da disciplina dos alunos, orçamento, etc.
Os pais cristãos não devem somente participar na escola através do pagamento das mensalidades, dos plantões pedagógicos e dos eventos. Eles devem estar dentro da estrutura escolar e ser agente de influência na gestão da escola. Os diretores de escolas cristãs também devem estudar métodos para cada vez mais incluir os pais na tomada de decisões importantes para a vida escolar.
Agora, um detalhe importante deve regular essas afirmações: Essa participação dos pais na gestão escolar deve respeitar a configuração das escolas cristãs que formamos[12], pois somente os pais que amam e são comprometidos com a Palavra de Deus e nossas confissões devem agir como gerentes dentro da estrutura escolar.
O alvo das escolas cristãs faz que a sua estrutura conte com o apoio dos conselhos das igrejas. Isto não significa que os conselhos gerenciarão as escolas, mas que eles como pastores da igreja auxiliarão aos pais que são parte da estrutura escolar. Isso nos lembra o Art 48 do Regimento[13]. Esse Artigo fala da responsabilidade do Conselho de supervisionar se os pais estão cumprindo os votos de batismo. No batismo os pais fizeram o seguinte voto: “fazer todo o possível para que esta criança seja instruída naquele ensino (ensino da Escritura e das confissões). Sendo assim, os conselhos cooperam para fortificar ou ajudam na criação das estruturas das escolas cristãs.
Portanto, a consequência prática do pensar no alvo deve levar os reformados do Brasil a refletir no tipo de estrutura que temos ou desejamos para nossas escolas cristãs, pois é a estrutura que nos levará a atingir o alvo cristão e é ela que testemunha que tipo de alvo temos: cristão ou comum.

Conclusão:

O alvo da educação mostra o tripé que sustenta a vida cristã: família, escola e igreja. Nossos filhos são membros da igreja e o ensino dado e a convivência na escola vão ajudar a edificá-los ou destruí-los, trazendo benefício ou prejuízo ao Reino de Deus. Por isso, a história das igrejas reformadas e seus documentos mostram que o assunto formação escolar e escolas cristãs foram parte das pautas de certos concílios. Isto porque o tipo de escola para onde mandamos nossos filhos influenciará fortemente a vida da igreja.
Por causa do alvo da escola cristã precisamos buscar supervisionar, aprimorar ou até (caso necessário) modificar a estrutura das escolas que existem entre as Igrejas Reformadas do Brasil[14].
Essas escolas, apesar das distinções e particularidades delas quanto a iniciativa de criação e modo de operação, ressaltam nos seus documentos que o principal fundamento e compromisso delas é oferecer uma proposta educacional baseada na Escritura e nas Confissões. Assim elas mantêm o objetivo geral: levar os seus alunos a temer a Deus e a prepará-los para viver como Imagem e Semelhança de Deus. Contudo, sempre temos que nos policiar como pais, educadores e oficiais para ver se a escola cristã que temos está cumprindo seu alvo como escola cristã e se sua estrutura é coerente a ele.
O tripé família-escola-igreja revelado pelo alvo da educação cristã mostra também a necessidade de sintonia entre os gestores das escolas cristãs e os conselhos das igrejas. Os gestores devem se preocupar em buscar meios para comunicar aos conselhos desvios de condutas dos seus funcionários e alunos. E também conscientizar seus professores da responsabilidade deles mostrarem que estão comprometidos com a Fé bíblica, em plena comunhão com a Igreja e debaixo da supervisão dos presbíteros[15]. Isto fortificará a estrutura da escola.
Encerramos essa palestra dizendo que a descrição constitucional da educação comparada com o que as igrejas declaram nos seus documentos nos mostram as diferenças entre os alvos da escola normal e da Escola Cristã. Essa diferença começa no alvo e isto determina a estrutura das escolas.
Por isso todos nós temos a necessidade, como cristãos herdeiros da Reforma, de manter ou criar escolas cujo o alvo seja conforme o fim principal para o qual o homem foi criado que é: glorificar a Deus, amá-lO de todo coração e viver com Ele para sempre em eterna felicidade.
Este alvo é completo e não retira a responsabilidade de termos instituições de ensino de alta qualidade[16], pois desejamos levar os homens a glorificarem a Deus com o melhor de suas vidas e para cumprir o mandato dado por Deus ao homem de dominar e desenvolver a criação (Gn 1.28).
A história da educação mostra quanto as escolas e outras instituições educacionais cristãs que foram fundadas pelos reformados na Alemanhã, em Genebra, na Holanda e nos Estados Unidos beneficiaram o desenvolvimento de suas sociedades e do mundo, ao mesmo tempo, conscientizando os homens a respeitarem a Deus e viver para Ele[17]. Foi o alvo das escolas cristãs que fizeram essas sociedades serem diferenciadas das outras nações do mundo que educaram seus povos através de escolas comuns.
Portanto, devemos orar e trabalhar em nossa amada nação brasileira para mostrar, defender e manter o alvo das escolas cristãs a fim de que possamos fortificar a Igreja de Cristo e, segundo a graça de Deus, reformar o alvo educacional de nosso país, para a glória de Deus e o bem do homem.

Bibliografia recomendada para aprofundar sua visão sobre a Educação Cristã:

1. Fides Reformata XIII – Número 2 – 2008. Edição especial: Educação
2. Lopes, Edson Pereira. O conceito de teologia e pedagogia na Didática magna de Comenius – São Paulo: Ed. Mackenzie, 2003. – Descoberta, 1.
3. Neto, F. Solano Portela. Educação Cristã? São Paulo: Ed. Fiel.
4. Gangel, Kenneth O.; Benson, Warren S. .Christian Education: Its History & Philosophy. USA: Moody Press, 1983.

Notas finais:


[1] A Revista Fides Reformata lançou uma edicão especial sobre Educação. Esta edição deve ser leitura obrigatória para os educadores cristãos e pais: Fides Reformata XIII, Nº 2, 2008. Esta edição está disponível gratuitamente no Site do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper – CPAJ.
[2] Citado por W.W. J. Van Oene na sua obra With Common Consent – A pratical guide to the use of the Church Order of the Canadian Reformed Churches, pág. 270 – Premier Publishing: Third printing 2007.
[3] O Dr. Alderi Souza de Matos tem um artigo muito bom cujo título é Breve História da Educação Cristã: Dos Primórdios ao Século 20. O autor mostrará na História a relação igreja e educação cristã e “chama a atenção para dois aspectos da educação cristã – instrução religiosa na fé cristã e educação escolar baseada em princípios cristãos”. Fides Reformata XIII, Nº 2, 2008, págs 9-24.
[4] A Lei 9.475/97 deu uma nova redação ao Art. 33 da LDB. A nova redação pluralizou mais ainda o conteúdo do ensino religioso, colocando barreiras a abordagem de temas conforme a ética cristã. O Art. 33, parágrafo 2º reza: “Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso”.
[5] A Ética cristã é a reflexão sobre a conduta moral à luz da perspectiva daquilo que a Escritura Sagrada nos oferece.
[6] F. Solano Portela Neto escreveu um artigo publicado em forma de livrete com o título “Educação Cristã”, que traz muitos princípios bíblicos que nos levam a pensar no que é educação cristã. Educação Cristã - Ed. FIEL.
[7] Citado por Van Dallen and Monsma, The Church Order Commentary: A Brief Explanation of the Church Order of the Christian Reformed Church, pág. 221.
[8] Degier, K. Explanation of the Church Order of Dordt: In Questions and Answers, pág. 82 – Netherlands Reformed Book and Publishing Committee. Grand Rapids: 2000.
[9] É crescente no Brasil o sentimento de dar aos pais maior responsabilidade na gestão escolar (conselhos de pais que auxiliam a diretoria, a compra de merenda, eventos, etc). Também, o número de pais que abrem cooperativas educacionais, para poderem oferecer a seus filhos ensino mais barato e de melhor qualidade. Porém, essas tentativas vêm e seguem para atingir o mesmo alvo das escolas comuns.
[10] É incrível que a LDB, ao contrário da Constituição, coloca em primeiro lugar a educação como uma responsabilidade da família. Mas a realidade mostra que o Estado Brasileiro, através da LDB e decisões do seu Supremo Tribunal, tem cada vez mais entrado na família e roubado dos pais os filhos e a responsabilidade deles de educarem suas crianças. O Jornalista cristão Julio Severo tem trabalhado bem para denunciar as tentativas do Estado de interferir e tolher dos pais a responsabilidade de educar seus filhos (cf. http://www.juliosevero.com.br/ o artigo “Defendendo a Responsabilidade da Família na Educação dos Filhos”).
[11] Dt 6.4-9; Pv 22.6.
[12] A MAB (Comissão das Igrejas de Surrey para o Apoio da Obra Missionária no Brasil) no ano de 2007 fez um levantamento e o final de sua pesquisa concluiu que havia três tipos de escolas cristãs criadas pelos reformados no Nordeste: Projeto Evangelístico (Escola Bíblica Cristã em São José da Coroa Grande/PE), Filantrópica (Escola João Calvino em Maceió/AL) e Escola de Parentesco ou Pactual (Escola Guido de Brès em Recife/PE). Cada uma dessas escolas têm suas particularidades históricas e gerenciais. A participação dos pais dos alunos é conforme essas particularidades. A Mab apresentou sua pesquisa à associação de pais da Igreja Reformada no Grande Recife em dezembro de 2007. A igreja de Surrey, por meio da MAB, tem sido uma verdadeira cooperadora das escolas cristãs criadas no Nordeste. Os delegados nesta ocasião foram Apko Nap e Darnele Kuik.
[13] Art. 48: “O Compromisso dos Pais que têm Filhos Batizados:
Os pais devem instruir seus filhos batizados na doutrina da palavra de Deus, como prometeram quando seus filhos foram batizados, também, se for possível, através de educação escolar baseada nesta doutrina.”
[14] Vide nota 12.
[15] É bom as associações de pais que têm escolas cristãs pensarem em estabelecer nos seus regimentos internos a obrigatoriedade de subscrição aos símbolos de Fé da Igreja e a carta de testemunho do Conselho para seus profissionais. Isto protegerá a estrutura da escola e conscientizará sempre seus funcionários a se manterem em plena comunhão e debaixo da supervisão de seus oficiais. Além disso, a subscrição de uma forma protegerá a escola cristã, diante das autoridades do Brasil, de falsas acusações de preconceito religioso vindas daqueles que forem demitidos por problemas de infidelidade ao Senhor.
[16] F. Solano Portela Neto tem um artigo excelente cujo título é “Pensamentos Preliminares Direcionados a uma Pedagogia Redentiva”. Neste artigo Solano Portela, “apresenta a educação escolar cristã como o entrelaçamento de todas as áreas do conhecimento com a verdade da existência de Deus Criador e com a revelação proposicional encontrada nas Escrituras” – Fides Reformata XIII, Nº 2 (2008).
[17] É importante a leitura da obra de André Bieler A Força Oculta dos Protestantes – Ed. Cultura Cristã. Está obra expõe as consequências do ensino cristão reformado para o desenvolvimento tecnológico, cultural e social na Europa e na América. Ver também Moog, Vianna - Bandeirantes e Pioneiros: Paralelos entre duas Culturas – 7ª edição – Ed. Civilização Brasileira S.A – Rio de Janeiro: 1964. Outra obra que mostra a influência da fé bíblica no desenvolvimento da sociedade, tecnologia, trabalho e educação é a obra de Robert Lawrence Sub-desenvolvimento Um Estado de Espírito – Record.

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