sexta-feira, 31 de julho de 2009

Em Cristo morra para o pecado e viva para Deus

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama na doutrina bíblica exposta no Dia do Senhor 26 do Catecismo de Heidelberg

Textos: Rm 6.1-11 e Dia do Senhor 26
Leitura: Rm 5.1-21; 6.1-11;

Amada Congregação de Jesus Cristo e demais ouvintes,

Vamos ouvir mais um sermão na Carta do Apóstolo Paulo Aos Romanos. Nessa Carta o Apóstolo pelo Espírito Santo instruiu a igreja em Roma na Doutrina da Salvação em Cristo.
E para apresentar a doutrina da Salvação em Cristo o Apóstolo, pelo Espírito Santo, dividiu a Carta Aos Romanos em três grandes divisões (o Catecismo também foi organizado assim): A primeira delas fala da nossa miséria e pecado em Adão (Rm cap. 1 ao cap. 3:20), nossa salvação em Cristo do pecado e da miséria (Rm cap. 3.21 ao cap 11.36); e, nossa gratidão a Deus pela salvação graciosa em Cristo (Rm cap. 12 ao cap. 16). A passagem que lemos fica na segunda divisão de Romanos: Nossa salvação em Cristo.
O Apóstolo Paulo enfrentou na igreja de Roma duas heresias que tentavam acabar com a Igreja: O legalismo dos judeus e a libertinagem dos libertinos.
Os judeus odiavam e caluniavam a Igreja Cristã. Os judeus atacavam o Evangelho da Justificação pela fé somente, humilhavam os gentios como um sub-povo, exaltavam-se como herdeiros da promessa de Abraão, confiavam na circuncisão e nas demais cerimônias da Antiga Aliança, em suas obras como meio de justificação. Este ataque poderia levar os gentios cristãos a abandonarem a Fé no Evangelho da Graça de Cristo.
Do outro extremo estavam os libertinos, que eram membros da igreja cristã vindos no mundo gentio (não judeu), que falavam e viviam contra a Lei de Deus resumida nos Dez Mandamentos. Estes promoviam a libertinagem e a não aceitação da Lei dentro da Igreja e seu modo de pensar é conhecido hoje como antinomismo.
E a igreja de Cristo no meio desse tiroteio entre judeus e libertinos tem que ser defendida com a Verdade acerca da justificação pela fé somente. Então, o Apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, vai usar a doutrina da justificação pela Fé tanto para desmentir o legalismo dos judeus como a libertinagem dos libertinos, ou, antinomistas.
E assim chegamos a esta passagem do cap. 6, onde o Apóstolo estava usando o escudo da Fé e a Espada do Espírito para defender a Igreja da heresia dos libertinos. E é neste texto que o Apóstolo faz uma ligação muito interessante entre o sacramento Santo Batismo e a nossa realidade em Cristo, aplicando o ensino sobre o sacramento de modo muito prático, para levar a igreja se proteger contra uma vida de libertinagem.
Assim, meus amados irmãos, o sacramento do Santo Batismo é usado pelo Espírito Santo para fortificar nossa Fé e nos levar a viver uma vida conforme a Salvação que Cristo operou no Seu povo.
E ouça o Apóstolo falando sobre o sacramento do Santo Batismo como um sinal e selo da realidade da obra que Jesus Cristo em nós. Sendo assim, para a Igreja ser mantida e fortificada na Fé e longe da libertinagem chamo você a ouvir a seguinte mensagem de Deus:

Em Cristo morra para o pecado e viva para Deus

1. Este é o chamado de Deus no Evangelho
2. Este chamado de Deus é sinalizado e selado no Santo Batismo


1. Em Cristo morra para o pecado e viva para Deus: Este é o chamado de Deus no Evangelho

A vida de santidade estava sendo algo estranho para muitos dentro da Igreja em Roma, pois não poucos viviam uma vida de libertinagem.
Meu amado irmão, saiba que o não entendimento do Evangelho da Graça de Cristo é manifestado claramente quando um cristão não mostra um compromisso amoroso com a Lei de Deus, ou seja, quando uma vida de libertinagem ou antinomismo se revela no dia a dia do cristão.
O Apóstolo enfrentou esse problema na Igreja de Roma, pois os irmãos lá tinham aprendido o Evangelho da justificação pela fé em Cristo independente das obras da Lei, mas não haviam entendido que esta doutrina leva o cristão a uma vida de santificação, ou seja, obediência a Deus no Espírtio Santo. E o Apóstolo para enfrentar o erro infernal da libertinagem faz a primeira pergunta (veja o v. 1).
Os irmãos em Roma tinham sido retirados de uma sociedade inimiga de Deus, pois Roma, como o Brasil, era uma sociedade violenta, idólatra, injusta, imoderada, afundada em imoralidade sexual de todos os tipos (homossexualismo, pedofilia, adultérios, órgias). E do outro lado os cristãos estavam sendo apertados pelos judeus legalistas a viverem o falso evangelho das ordenanças humanas: não manuseis isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro (leia em casa Rm 14). Então, esse era o contexto que devemso imaginar para a Carta Aos Romanos.
Mas, imagine que neste contexto chega o Evangelho que diz aos Romanos: “o justo viverá pela Fé, Abraão creu e Deus imputou a ele justiça sem as obras! Jesus Cristo por sua obra retirou a ofensa e agora a graça de Deus abunda em nós, somos justos, a graça reina em nós pela obra de Cristo!
Imagine essa mensagem mal entendida por pessoas que pertenciam a promiscuidade ou ao legalismo? E imagine agora pessoas que não entenderam o Evangelho e acham que poderiam ser salvas da Ira de Deus e, ao mesmo tempo, viver uma vida entregue aos seus pecados e desejos carnais?
Esse era o contexto mais completo da situação da Igreja. Agora veja novamente a pergunta do Apóstolo no v. 1: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?
Meus amados irmãos em Cristo, essa era era “a crise”, o drama vivido na Igreja em Roma, pois muitos cristãos em Roma depois de ouvirem o Evangelho se entregaram a toda sorte de desejos carnais e pecados, porque entenderam erradamente a doutrina da salvação pela graça e acharam que tinham que continuar pecando, para tornar abundante a graça de Deus em suas vidas, pois onde abunda o pecado, superabunda a graça de Deus!
Mas, veja no v. 2 como o Espírito Santo responde a pergunta do v. 1. O Espírito diz fortemente pela Palavra do Apóstolo: “De modo nenhum!” A expressão é muito forte no grego e serve como uma reprovação bem enfática. De modo nenhum você pode continuar levando uma vida de pecado, para que a graça de Deus seja abundante em você!
E o motivo do Apóstolo para fundamentar a negação do início do v. 2 é dado no restante do versículo também em forma de uma pergunta forte: “Decerto, como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?
Meu amado irmão, veja que isto é uma resposta em forma de pergunta! Usando perguntas o apóstolo dá a resposta para uma vida libertina: “Você já morreu para o pecado, como ainda viverá nele [no pecado]?
Meu amado irmão em Cristo, o Apóstolo diz que alguém que está em Cristo é tão morto para o pecado quando um cadáver é morto para as atividades dessa vida! Então, veja como o Evangelho da Justificação pela Fé de modo nenhum estimula os crentes a viverem uma vida ativa para os velhos pecados, vícios e costumes do nosso velho Adão, velha natureza.
Meu irmão em Cristo, saiba que É um engano SE alguém grita: “fui justificado pela Fé somente”, ou: “vivo pela abundante graça de Deus em Cristo”; … e, ao mesmo tempo, mostra uma vida entregue aos seus desejos e paixões carnais! Veja a pergunta do Apóstolo com base no Evangelho da Justificação pela Fé: “Você morreu (no passado e de uma vez por todas) para o pecado, como então você viverá no pecado?
Saiba meu amado irmão, na Igreja de Roma, como tem acontecido em nossa igreja, o problema estava em viver o Evangelho da Graça de Cristo e não no conhecer intelectualmente esse Evangelho. Os libertinos conheciam intelectualmente que o justo viverá pela Fé, mas eles não viviam como justos, não viviam em santidade. Uma pessoa que entende a justificação pela Fé somente não é aquela que sabe a doutrina na cabeça, mas uma pessoa mostra entendimento prático através de uma vida de obediência amorosa aos mandamentos de Deus.
Eu pergunto a você em Nome de Deus e com base no mesmo Evangelho: “Você tem entendido de verdade o Evangelho da Graça de Cristo? Como está sua vida de santidade diante de Deus? Você tem mostrado uma vida morta para o pecado?
Meu amado irmão, você conhece seus velhos pecados e vícios nos quais você vivia antes da Fé, então, você ainda se mostra ativo para eles? Note que não estou perguntando se você entende intelectualmente a doutrina da justificação pela Fé somente, mas estou perguntando se você tem vivido a mortificação para o pecado em sua vida, no seu dia-a-dia, mortificação para a ira, a inveja, a inimizades, a imoralidade sexual, a glutonaria, a idolatria, as fofocas, as insubordinações, ou seja, mortificação para toda a sorte de desejos carnais que pertenciam (passado) a sua velha natureza no Adão caído.
O Evangelho chama você: De modo nenhum viva para o pecado, pois, em Cristo você morreu para o pecado, então, viva para Deus em novidade de Vida, em santidade no Senhor Jesus Cristo!
E o Espírito quer fortificar a sua Fé na obra de Cristo em fazer você morrer para o pecado. E sabe como Jesus Cristo faz isto? … Vamos para o segundo ponto.

2. Em Cristo morra para o pecado e viva para Deus: Este chamado de Deus é sinalizado e selado no Santo Batismo

O Apóstolo após despertar nossa mente para a realidade da nossa mortificação para o pecado vai agora ilustrar essa mortificação. E o que o Apósotolo usa como exemplo visível dessa mortificação? O Sacramento do Santo Batismo (veja o v. 3).
Veja que o Sacramento do Batismo é usado pelo Apóstolo como sinal e selo da obra de Jesus Cristo em Sua igreja. Pelo Evangelho o Apóstolo mostrou a nossa mortificação para o pecado e o Sacramento do Batismo é usado para sinalizar e confirmar essa obra de Jesus Cristo em nós.
Meus amados irmãos em Cristo, a Escritura claramente ensina que o seu batismo é o sinal e selo da Sua morte em Cristo. O Batismo não é algo oco, mas é o sacramento, ou seja, o sinal e selo que torna visível e confirma aquilo que o Evangelho promete e o Espírito Santo operou em você: que pela Fé em Jesus Cristo você morreu para o pecado.
E, por isso, a Igreja confessa sobre o sacramento do Santo Batismo o que está escrito no Catecismo de Heidelberg (veja o Dia do Senhor, 26, P. e R. 69,70). A igreja confessa que Cristo deu o Batismo (que é um lavar exterior) junto com a promessa do Evangelho, para nos mostrar e confirmar a obra feita em remover da nossa alma todos os nossos pecados com Seu Sangue e Espírito Santo.
E veja como a Pergunta e Resposta 70 ecoa o ensino do Apóstolo Paulo aos Romanos. No primeiro parágrafo temos o ensino sobre a justificação pela Fé somente que é sinalizado e selado no Batismo, pois diz: “Ser lavado com o sangue de Cristo significa receber de Deus o perdão de pecados, por meio da graça, por causa do sangue de Cristo derramado por nós em seu sacrifício na cruz.” Mas, especialmente, no segundo parágrafo encontramos a doutrina do Apóstolo Paulo explicitamente sendo repetida: “Ser lavado com o Seu Espírito significa ser renovado pelo Espírito Santo e santificado para sermos membros de Cristo, para que morramos mais e mais para o pecado e vivamos uma vida santa e irrepreensível”.
Meu amado irmão em Cristo, pegue esta última frase e compare com os versículos 3 e 4 de Romanos 6. … Note como é bíblico o que confessamos sobre o Sacramento do Santo Batismo. Veja como o Espírito Santo usa o sacramento para fortificar a sua fé na obra de Jesus Cristo que foi feita em você que nEle creu e foi batizado.
Agora note um detalhe importante (veja v. 4): O Santo Batismo é usado como sinal e selo da sua morte em Cristo, mas também da sua ressurreição em Cristo para uma nova vida de obediência a Deus o Pai. E o Apóstolo vai desenvolver mais ainda essa doutrina nos versículos seguintes (veja os vs. 5-7)
Jesus Cristo é o nosso último Adão. Ele é o representante da Igreja (leia em casa o Rm 5). Então, fomos unidos a Ele pela Fé! Sendo assim, unidos na sua morte e, certamente (como diz o texto), o seremos também na semelhança da sua ressurreição (v. 5).
Essa união com Cristo Jesus na sua morte teve consequência real em nossas vidas, pois nosso velho homem, ou o corpo do pecado, o velho Adão, a nossa velha natureza que é dominado pelo pecado e as inclinações da carne, foi feita inoperante ou seja morta e destruída com Jesus na Cruz!
E essa morte aconteceu em Cristo e as consequências dela é liberdade do pecado, pois Cristo com Seu sangue pagou o preço do pecado com Sua morte e você é justo diante de Deus! O pecado não tem domínio sobre você porque o preço já foi pago por Cristo na Cruz do Calvário (veja o v. 7)! Toda essa realidade é prometida a você no Evangelho e selada no Santo Batismo.
Mas além disso, o Apóstolo continua mostrando e chamando a igreja a ouvir o Evangelho e a ver o Evangelho da regeneração sendo feito visível e selado no Santo Batisto (veja os vs. 8,9). Com base na inoperância do poder da morte sobre Jesus e da vitória eterna de Jesus sobre a morte quando ressuscitou, o Apóstolo, pelo Espírto Santo, chama a igreja a confiar no Evagelho prometido e selado no Batismo, para que a igreja se considere morta para o pecado e viva para Deus, em Cristo Jesus.
Meu amado irmão em Cristo, nas palavras do Apóstolo vemos como o Espírito Santo utilizou o Sacramento do Batismo e sua doutrina para nos fortificar na Fé na promessa do Evangelho: Cristo Jesus morreu para justificar você diante de Deus e regenerou você para fazer você viver livre do pecado e na justiça que vem por meio da Fé, ou seja, uma vida onde as obras da Fé podem ser vistas em você!

Conclusão:

Meu amado irmão em Cristo, essas Palavras do Espírito Santo mostram a você que não tem como alguém dizer que é justificado pela fé e, ao mesmo tempo, viver se satisfazendo numa vida de pecado e paixões carnais!
A Palavra e o Sacramento do Batismo mostram e selam que a justificação e regeneração são obras que ocorrem ao mesmo tempo! E, por isso, é mentira e malígno o antinomismo, uma vida de libertinagem!
Meu irmão se proteja dessa heresia vivendo o Evangelho pregado e selado em você no Seu Batismo, pois o Evangelho mostra e você prova no Batsimo que não tem como alguém que foi justificado viver uma satisfação nos velhos pecados, entregues as seus velhos vícios: bebedice, fofocas, intrigas, ódio, inveja, maledicências, roubo, idolatria e todos os outros pecados amados pela nossa velha natureza em Adão!
A Palavra de Deus no Sacramento mostra que quando o Espírito Santo pelo Evangelho opera a Fé em mim, Ele através da Fé me justifica e me regenera em Cristo Jesus e isto torna impossível para um eleito de Deus viver entregue definitivamente em pecado! (leia em sua casa A Confissão Belga Artigo 24 e Os Cânones de Dort, capítulos 3 e 4, Artigos 11-13)
Assim, meu amado irmão, no Santo Batismo temos a visualização e selagem da obra de Jesus Cristo em cruscificar com Ele o nosso velho homem e nos ressuscitar para uma vida de santificação.
Veja como é pernicioso o ensino de libertinagem para a igreja, pois viver uma vida de libertinagem é negar a obra de Jesus Cristo prometida no Evangelho e selada no Santo Batismo. Por isso, devemos repudiar fortemente todo tipo de vida e ensino que diga: Sou justo em Cristo para viver entregue aos meus pecados! Isto é uma heresia blasfema que escarnece da obra de Jesus Cristo prometida no Evangelho e selada no Batismo!
Veja a Conclusão do Apóstolo no v. 11: Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Você tem o dever de se considerar morto para o pecado e se considerar vivo para Deus, em Cristo Jesus!
Essas palavras são um chamado a sua responsabilidade de aborrecer a sim mesmo não se entregando ao pecado e a viver uma vida de santidade em Cristo Jesus! Um chamado para você viver uma obediência amorosa a Deus como fruto da regeneração, como manifestação da Sua gratidão ao Deus que perdoou todos os seus pecados pela Graça em Cristo Jesus, o Deus que atribui a justiça de Cristo a você pela Fé!
Meu amado irmão em Cristo, se o diabo está tentando você a viver uma vida de pecado, então, ouça o Evangelho e visualize o Santo Batismo, pois o Evangelho diz e o Santo Batismo sinaliza e confirma que você morreu para o pecado e, por isso, você não pode viver no pecado!
Meu amado irmão em Cristo, em Nome de Jesus Cristo, conforme o Evangelho e ao seu Batismo, chamo você a crer nessa obra de Jesus Cristo e a se libertar do assédio satânico e mundano que tenta escravizar você nos seus velhos vícios pecaminosos, prazeres carnais e a toda sorte de desejos malígnos da natureza caída em Adão!
Meu amado irmão em Cristo, você foi batizado e isto tem valor espiritual e real para sua vida cristã. E use o sacramento como uma arma na luta contra o pecado. O Senhor Acrescentou o sacramento à promessa do Evangelho para fortificar você na vida de santificação. Sendo assim, Em Cristo morra para o pecado e viva para Deus. Amém.

sábado, 25 de julho de 2009

Abraão foi justificado bem antes da circuncisão

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina bíblica exposta no Dia do Senhor 25

Textos: Rm 4.9-12 e Dia do Senhor 25
Leitura: Gn 17.1-14; Rm 4.1-12


Amada congregação do Senhor e demais ouvintes,

Santo Agostinho (que viveu no quarto século da era cristã) definiu Sacramento como “o sinal visível de uma coisa sagrada; ou: a forma visível de uma graça invisível; (Catequese XXVI 50; Cartas, 105, III, 12)
João Calvino, por sua vez, seguindo Agostinho, escreve na sua obra “Breve Esboço da Fé Cristã (obra escrita em 1536-37 e que é um resumo da primeira edição das Institutas): “um sacramento é uma expressão da Graça de Deus declarada por um sinal exterior”.
A nossa Confissão de Fé (que foi escrita por Guido de Brès em 1561) declara que: “Os sacramentos são os sinais e os selos visíveis de algo interior e invisível, por meio dos quais Deus opera em nós pelo poder do Espírito Santo.”
E o nosso Catecismo (escrito em 1563) ensina no Dia do Senhor 25, P. 66: “Os sacramentos são sinais e selos santos e visíveis”.
Note que em nossas confissões estamos repetindo o que nossos irmãos em Cristo, o povo de Deus, desde de muito tempo atrás em uma só voz professa sobre o que é um sacramento!
E na verdade a confissão do povo de Deus é um eco daquilo que a Escritura diz sobre o sacramento. Pois a fonte do eco é a Palavra de Deus, por exemplo na Carta Aos Romanos. Nesta Carta Deus nos chama a ouvir, crer e confessar a verdade de Deus acerca do que é um sacramento. E este ensino trago da parte de Deus para vocês no seguinte tema:

Abraão foi justificado bem antes da circuncisão:

1 A justificação de Abraão foi sinalizada e selada com o sacramento
2. A justificação pela Fé é confirmada através do sacramento a todo que Crê


1. Abraão foi justificado bem antes da circuncisão: A justificação de Abraão foi sinalizada e selada com o sacramento


O Apóstolo Paulo nos vs. 1-8 mostrou através da Escritura, pelo exemplo de Abraão e a declaração de Davi, que a bem-aventurança da justificação é um dom de Deus concedido mediante a Fé em Cristo somente. O Apóstolo ensinou que que Abraão não conseguiu o perdão de pecados diante de Deus como um prêmio, um salário, por seu esforço.
E o Apóstolo continua seguindo o ensino da justificação pela Fé somente. E como um bom mestre (usando a mesma prática dos rabinos judeus) faz mais perguntas (veja o v. 9).
E o fundamento da pergunta é a Escritura. E ele toma novamente o exemplo de Abraão e a palavra de Deus dada a Abraão: “A fé foi imputada a Abraão para justiça”.
O Apóstolo quer despertar os judeus orgulhosos a pensar se a promessa de Deus sobre a justificação era algo “exclusivo para os judeus ou se era uma bênção para ser também colocada sobre os gentios”.
Meus irmãos, os judeus orgulhosos responderiam respoderiam ao Apóstolo: “Somente sobre os judeus (circuncisos) foi proclamada a bem-aventurança!” E essa é a resposta conforme o orgulho deles, mas não conforme a revelação de Deus!
O Apóstolo começou no v. 10 a combater o orgulho dos judeus. E o apostolo ataca uma das maiores armas dos judeus para marginalizar os outros povos: A circuncisão. E para chegar na circuncisão Paulo faz outra pergunta: Como, pois, foi atribuída a justiça a Abraão?
Com essa pergunta o Apóstolo vai ensinar sobre a relação entre a justificação diante de Deus e o sacramento da circuncisão.
A circuncisão era uma pequena cirurgia feita pelo pai nos seus filhos, para retirar o prepúcio, o que hoje podemos comparar a uma operação de fimose. E essa retirada do prepúcio era feita quando o menino tinha apenas 8 dias de nascido.
E o sacramento da circuncisão era um dos motivos de orgulho dos judeus e eles a usavam como um verdadeiro instrumento de tortura contra os gentios.
Um judeu todo dia era lembrado da aliança, pois todo dia olhava para circuncisão feita nele. E os orgulhosos olhando à circuncisão diziam: “olhe o sacramento da circuncisão em mim, sou especial diante dos povos, pois a circuncisão foi dada a meu pai Abraão e a promessa é para os seus descendentes. Oh, sou circuncidado e a benção de Abraão é só dos judeus!” Veja que orgulho fruto da falta de entendimento da Escritura e do dom de Deus.
É verdade que o sacramento da circuncisão foi dado a Abraão (veja em casa Gn 17.1-14). Mas, isto não era motivo de orgulho pecaminoso, nem de crer que é a partir da circuncisão que o homem se tornava justo!
O Apóstolo com a pergunta 10 vai começar a desmantelar tanto o orgulho quanto o ensino judaico que a justificação diante de Deus começava com a circuncisão. … O apóstolo coloca luz sobre a ordem dos acontecimentos na história da redenção na vida de Abraão.
E o apóstolo faz as perguntas de uma forma que se o judeu for usar a Escritura ele só tem uma resposta a dar! … E qual a resposta? Veja o final do v. 10: “Não foi quando Abraão estava debaixo do regime da circuncisão, mas bem antes, quando ainda era um incircunciso, que Deus o justificou, o fez bem-aventurado” (Leia em casa Gn 15.6 e vá lendo até 17.14).
Meu irmão e demais ouvintes, passaram-se 14 anos (no mínimo) entre o dia que Deus declarou que Abraão era justo diante dEle até a entrega da circuncisão! Assim, o Apóstolo, pelo Espírito Santo, mostra que bem antes da circuncisão Abraão foi justificado diante de Deus. E isto para o judeu era uma verdade estrondante, pois era o mesmo que falar que Abraão estava na mesma situação dos gentios quando foi declarado justo diante de Deus!
Abraão o pai dos judeus foi justificado pela fé e antes de ser circuncidado, então, como posso dizer que os gentios não receberam pela Fé em Cristo a justificação pela Fé somente? Como posso dizer que é a circuncisão que torna o homem justo diante de Deus? Como posso dizer que os gentios (incircuncisos) em Cristo não são justos diante de Deus?
Assim, os judeus tinham que engolir o Evangelho. Eles deviam reconhecer que Deus despojou os pecados de Abraão não pela circuncisão, que só viria muito tempo depois (14 anos), mas pela Fé na promessa de Deus. Paulo mostrou a mentira dos judeus diante da Igreja de Cristo e exaltou a verdade que o perdão dos pecados é uma bêm-aventurança que vem pela Fé em Cristo e não pela circuncisão.
Mas, o judeu poderia perguntar: Então para que serviu a circuncisão? Isto é uma boa pergunta e que nos ensinará muito sobre a natureza dos sacramentos dados por Deus ao Seu povo (veja o v. 11).
O Apóstolo diz que a circuncisão era um sinal ou selo da justiça da Fé. O Apóstolo diz que pela circuncisão Deus estava tornando visível e confirmando a promessa do Evangelho dada a Abraão e aos seus descendentes.
Por isso, falamos que a circuncisão era um sacramento. Um sacramento é algo que torna visível o que estava escondido. Mas, não somente isto! Um sacramento é também é um selo que confirma as promessas de Deus para o Seu povo.
Vou ilustrar. Vocês que são casados olhem para sua mão esquerda. O que vocês estão vendo? Este anel (esta aliança) é o seu casamento? Não, mas é um sinal que diz a você e a todos: Sou casado, tenho um cônjuge, firmei com ele um pacto, tenho segurança nas promessas feitas por ele a mim, tenho deveres que tenho que cumprir para com meu cônjuge. A aliança não é o casamento, mas é um sinal e selo da realidade, ou seja, o casamento.
Assim a circuncisão não era a justificação pela fé, mas era um sacramento, ou seja, o sinal e selo dessa justificação. A circuncisão tornou visível e firmou a promessa de Deus dada a Abraão!
Os judeus enfatizaram tanto a circuncisão que esqueceram da promessa e para o que ela apontava, ou seja, o perdão completo dos pecados e que esse perdão é real para todo aquele que Crê em Jesus Cristo!
E saiba que toda vez que sobrevalorizarmos os sinais e selos da Aliança além do que a Escritura revela, então, cairemos no mesmo erro dos judeus: orgulho espiritual e desvio da fé!
Veja o que aconteceu com a Igreja antes da Reforma e o que hoje acontece com a Igreja Roma. Por exemplo, Roma, como a igreja medieval, enfatiza tanto o santo batismo, que é a circuncisão da Nova Aliança, que torna o batismo um meio de remissão dos pecados.
Os católicos romanos creêm que esse sacramento foi entregue somente a eles, que este sacramento opera por si mesmo a regeneração e a graça da remissão dos pecados, independente da Palavra de Deus. Assim, Roma e os judeus negam a justificação pela fé somente, vivem em orgulho espiritual; e desprezam e perseguem o povo de Deus.
Mas, a igreja de Cristo tem mantido a Fé Apostólica e Evangélica, que aprensenta o sacramento como sinal e selo da Promessa de Deus. Essa Fé bíblica se vê naquilo que confessamos no Catecismo de Heidelberg no Dia do Senhor 25 (veja p e r 65 e 66).
Meu irmão, o Espírito Santo na Escritura mostra que não devemos nos apegar ao sinal e ao selo ao ponto de esquecermos ou pervertemos o Evangelho da Graça de Cristo, pois isto é PERDIÇÃO ETERNA.
Saiba, meu irmão em Cristo, isto é um alerta para nós: Não tire seus olhos da realidade e para onde os sacramentos apontam que é Cristo, Sua obra e a promessa de perdão dos pecados pela fé nEle!
Meu irmão, os sacramentos (batismo e Santa Ceia) são meios para fortificar a Fé e NÃO PARA SUBSTITUIR A FÉ COMO INSTRUMENTO PARA RECEBERMOS A JUSTIÇA DE DEUS! O sacramento em SI e POR SI não opera a justiça! Nunca se esqueça que Jesus e Sua obra são a realidade da minha e sua justificação, a garantia da vida eterna (veja o Dia do Senhor 25, P. e R. 67).
Meu irmão em Cristo, o Evangelho mostra que nos apropriamos dessa justiça de Cristo pela Fé. E o Espírito Santo pelos sacramentos fortifica a Fé que Ele operou em nós pelo Evangelho.
Meus irmãos, se a justiça diante de Deus viesse por meio do sacramento, Abraão somente seria justo quando se circuncidou. E se isto fosse verdade, então, a salvação seria exclusiva aos circuncidados e não seria pela Fé em Cristo somente. Mas, o Evangelho deixa claro que a Justiça diante de Deus é dada a todo aquele que crê no sacrifício de Cristo na Cruz. Isto nos leva ao último ponto do Sermão.

2. Abraão foi justificado bem antes da circuncisão: A justificação pela Fé é confirmada através sacramento a todo que Crê

A Palavra de Deus já mostrou que Deus justificou a Abraão antes da circuncisão. Também que a circuncisão é o sinal ou selo dessa justiça, justiça que vem pela fé somente e não pela circuncisão. E agora o Apóstolo mostra que o plano de Deus sempre foi justificar o homem, não somente os judeus (circuncisos), mas todos os que creêm em Cristo (independente deles serem judeus ou não)!
Meu irmão em Cristo, veja o que Paulo diz em Gálatas 3.6-9. …
Essa passagem é um auxílio a passagem de Romanos que estamos lendo. Deus havia revelado a Abraão o Evangelho da justificação pela fé e que essa justificação era também para os gentios (os incircuncisos)!
E, pelo Espírito Santo, o Apóstolo tanto em Gálatas como em Romanos fala que os verdadeiros filhos de Abraão não são segundo a carne, ou seja, não é o ser judeu ou o ser circuncidado, que torna o homem justo e herdeiro da promessa de Deus!
Assim o Evangelho é claro: Abraão é pai da circuncisão não para dizer que somente os judeus são justos, não para dizer que é a circuncisão que atribui justiça ao homem, mas para REVELAR a graça justificadora de Deus para TODO AQUELE QUE CRÊ! O Evangelho diz: “o que de fato faz um homem ser filho de Abraão não é somente ser judeu e ser circuncidado, mas é seguir a Fé de Abraão, ou seja, confiar na justificação pela Fé Somente e não pelas obras humanas!
Essa é outra bomba para os judeus orgulhosos, pois Paulo estava como que dizendo que os verdadeiros filhos de Abraão não são os judeus incrédulos, que vivem se confiando na circuncisão, mas todo aquele que crê no Evangelho crido por Abraão, que confia no Deus que imputa, atribui, justiça ao que crê no Sacrifício de Cristo na Cruz!
O Apóstolo mostra que o título pai da circuncisão dado a Abraão é uma pregação que Deus justificador de todos que creêm em Jesus Cristo: seja um judeu (circunciso) ou um não judeus (gentio incircunciso)!
Os judeus perderam de vista a Palavra de Deus e o alvo do sacramento da circuncisão revelado na Escritura. Eles ao invés de seguirem a Palavra se rebelaram contra Deus e contra Cristo, para quem a Palavra e os Sacramentos apontavam. Os judeus tomados de orgulho negaram e mataram Jesus Cristo, perseguiram a Igreja e até hoje se acham os herdeiros das promessas de Deus.
Meu amado irmão, não caia no erro dos judeus deixando que as poderosas promessas de Deus e os dois sacramentos que Cristo ordenou sejam um tropeço para você, levando você a se orgulhar e humilhar aqueles que ainda vivem em ignorância e pecado.
As promessas da justificação pela Fé e os sacramentos devem criar em você humildade e um forte desejo de Evangelizar aqueles que estão fora da Igreja, aqueles que creêm que serão salvos por suas obras.
Meu amado irmão, veja como o Evangelho revelado na Escritura, o Evangelho da Justificação pela Fé, chama a Igreja a ser humilde e a Evangelizar.

Conclusão:

Chamo você a pensar na sua vida como cristão:
Você entendeu que Abraão foi justificado bem antes da circuncisão? Você entende a promessa de Deus no Evangelho e o que significa os sacramentos?
Então, como se manifesta esse entendimento em você? Você tem sido humilde diante de Deus e dos homens? Você tem tratado com amor aqueles que mostram ignorância da doutrina da Justificação pela Fé somente? O que você tem feito para a Evangelização dos perdidos?
Meu irmão em Cristo, quem entende de verdade a doutrina da justificação pela Fé manifesta humildade e dedicação na promoção do Evangelho da Graça de Cristo a todos os homens! Quem entende de verdade a doutrina sobre os sacramentos não quer deixar ninguém sem ouvir o Evangelho e sem provar os dons de Cristo sinalizados e selados no Batismo e Santa Ceia!
Meu amado irmão, Abraão foi justificado bem antes da circuncisão, para que hoje você pela Fé no Deus que justifica pecadores por sua graça em Cristo Jesus, fosse feito filho de Abraão!
Veja que bênção você desfruta: Hoje neste culto você louva em amor e gratidão ao Deus de Abraão, o Deus que em Cristo adotou você como Seu povo! Também imagine que o fato de Abraão ter sido justificado bem antes da circuncisão, é exemplo real que mostra que pela fé Deus atribuiu a você a justiça de Cristo!
Imagine que os sacramentos que Cristo Jesus ministrou e ministra a você no Santo Batismo e na Santa Ceia sinalizam e firmam a promessa de Deus: o perdão completo e vida eterna pro causa do único sacrifício de Cristo ofertado na Cruz.
E Deus chama você a se confortar com o Evangelho e a seguir os passos de Abraão, crendo que Deus justifica o pecador pela graça mediante a Fé em Cristo Jesus.
Deus chama você a continuar alegre na bênção de Abraão, bênção que podemos ouvir no Evangelho, bênção podemos provar espiritualmente nos sacramentos, bênção que é real em Cristo! … Amém

Siga a fiel instrução para viver a doutrina fiel em santificação

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama na Epístola do Apóstolo Paulo a Tito 3.8-11

Texto: Tt 3.8-11
Leitura: Tt 1.1-16; 3.1-11;


Amada congregação do Senhor Jesus Cristo e demais ouvintes,

Uma igreja cristã na ilha de Creta havia nascido. E o Apóstolo Paulo deixou nesta ilha o seu filho na fé e cooperador na obra de Deus: Tito.
E Tito foi deixado em Creta para concluir a obra de Deus e para pôr a igreja em ordem (v.5). Uma obra grande para o Evangelista Tito. Especialmente em Creta, cujo o povo era arrogante, mentiroso e muito rebelde.
Além disso, a igreja estava cheia de falsos mestres e muitos membros insubordinados e que se levantavam contra as autoridades, ensinavam a justificação pelas obras, com sua falsa piedade, professando que conheciam a Deus e desprezavam e difamavam a Tito. Estes eram os judaizantes (judeus que abraçaram o cristianismo, mas não o Evangelho). Os judaizantes desviaram famílias inteiras, eram maus obreiros e gananciosos pelos ofícios eclesiásticos. Em resumo: Estes membros malvados e gananciosos não eram sadios na fé … e por isso foram considerados abomináveis, desobedientes e reprovados para toda a boa obra.
Era nesta sociedade e neste tipo de igreja que Tito tinha que levar a obra de Deus à estabilidade. E que estabilidade? Prepará-la para manter a doutrina da graça de Deus pura e ao mesmo tempo viver de modo santo e irrepreensível como igreja e no meio de uma sociedade corrupta.
Meus amados irmãos, conhecimento bíblico e uma vida de santificação são coisas que não devem ser contraditórias em nossas vidas. Mas, infelizmente a igreja provou e sempre provará o surgimento de membros e até oficiais que em sua vida colocam estas coisas como inimigas e ensinam essa inimizade pelo seu testemunho diante da congregação e da sociedade.
E, por isso, é tão necessário ouvirmos a mensagem de Deus na Carta a Tito, pois estamos no meio de uma sociedade arrogante, mentirosa e muito rebelde. E na igreja já temos começado a enfrentar problemas sérios de calúnias e insubmissão que promovem divisão entre os irmãos. E os pastores do rebanho que devem proteger as ovelhas de Cristo contra tais pecados.
Então, para a Igreja ser firme na doutrina e na vida de santificação prego a mensagem de Deus no seguinte tema:

Siga a fiel instrução para viver a doutrina fiel em santificação, por isso:

1. Seja solicito na prática de boas obras
2. Evite discussões insensatas
3. Evite o homem faccioso

1. Siga a fiel instrução para viver a doutrina fiel em santificação: Seja solícito na prática de boas obras

A expressão “Fiel é a Palavra” que o Apósotolo Paulo abre o v. 8 deve ser observada por nós. Ela aparece apenas cinco vezes na Escritura: Quatro vezes nas Cartas a Timóteo e aqui em Tito (veja em sua casa 1 Tm 1.15; 3.1; 4.8,9; 2 Tm 2.11-13).
E todas as vezes que surge a expressão “Fiel é a Palavra” é uma afirmação solene para ressaltar uma importantíssima instrução de Deus para os Seus ministros e Seu povo. E qual a solene instrução de Deus para Tito? Veja o v. 8:
Tito deve afirmar com confiança as instruções de Deus que ele recebeu do Apóstolo. Tito como um ministro da Palavra fiel deve falar aos que crêem que sejam solícitos na prática de boas obras, que ele evitasse discussões insensatas e evitasse o homem faccioso. Mas, neste primeiro ponto estamos tratando a primeira instrução.
Meu irmão, Tito recebeu de Paulo o ensino da Verdade da Palavra de Deus, o Evangelho da Graça de Cristo exposto a ele nos vs 4-7. E com base e confiança nesse Evangelho Tito deve, pelo ensino e pregação, levar os crentes a viver esse Evangelho na prática.
A igreja precisa aprender que o viver a doutrina bíblica é o que deve ser buscado! Por quê? Porque a vida de piedade de um crente é o que embeleza a doutrina de Cristo diante dos olhos das pessoas.
E isto deve ser enfatizado, pois muitos membros da igreja em Creta, como hoje, tinham se mudado da sociedade cretense para morar dentro da igreja. Só que eles vieram morar e trouxeram junto a velha bagagem mundana para dentro da Igreja, uma mala cheia de lixo podre que foi aberto dentro da igreja, exalando o mau cheiro do pecado e contaminando a igreja de: doutrinas falsas, difamações, insubordinação, mentiras, malícias, fofocas, paixões e prazeres carnais, inveja, inimizades, brigas, discordias pecaminosas, divisões, e toda sorte de pecados que não mostravam a Fé viva em Cristo e na graça do Seu poder!
E Saiba que os falsos mestres aumentavam ainda mais a poluição da igreja, pois levavam os crentes a viver uma falsa piedade, falando coisas bonitas acerca de Deus, mas procedendo de modo que a doutrina e Deus eram negados.
Então, o Espírito Santo diz a Tito por meio de Paulo: Fiel é a Palavra, pois confiantemente faça afirmação, com confiança na Verdade do Evangelho, e chame os crentes a serem solícitos na pratica de boas obras!
Tito deve chamar os crentes a serem solicitos na prática de boas obras. O que é ser solícito? O verbo usado aqui chama você a ter a mente cheia de preocupação, a atenção para fazer obras boas!
E o que são boas obras? Tudo aquilo que glorifica a Deus e serve para o bem do meu próximo; e, no contexto, são obras conforme a Escritura e que promovem a santificação da Igreja.
Os crentes em Creta por causa dos falsos mestres estavam sendo tentados a serem relaxados na prática de uma vida de santificação. Mas, Tito deve chamar os crentes a se preocuparem a viver na prática de obras, pois são elas mostram no crente o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, a obra do Sangue de Cristo em nós, são as boas obras uma consequência da selagem do Espírito!
Meu irmão em Cristo, “Fiel é a Palavra”, por isso, siga a instrução do Espírito Santo e seja solícito na prática de boas obras. E para isso devemos encher as nossas mentes daquilo que o Espírito fala em Fp 4.8 (abra a Escritura nessa passagem e vamos ler).
Pergunto aos crentes aqui: aquilo que você pensa, diz e faz tem mostrado o cumprimento dessa fiel instrução? Você diz que crê em Deus e nas doutrinas da graça! Isso leva você a se preocupar, a ter muito cuidado e atenção para praticar boas obras? O que você tem feito para promover a sua santificação e da igreja?
Há um perigo dentro das igrejas reformadas que é dar atenção maior ao ensino de doutrinas verdadeiras, capacitar seus membros para discutir com liberais, com arminianos, pentecostais e outras seitas. Mas… não prestar tanta atenção se os membros estão enchendo suas mentes de coisas edificantes e assim vivendo a Fé, ou seja, praticando as obras que glorificam a Deus e para santificação da igreja.
E os oficiais da igreja devem se preocupar com isto, pois um crente que conhece doutrina e não vive a doutrina é pior que um descrente e, precisa ser educado na Doutrina para ser salvo do seu pecado.
E os oficiais devem crer e se confiar que a pregação e o ensino é o modo estabelecido por Deus para educar os crentes a serem solícitos na prática de boas obras, pois de fato é isto que é “excelentes e proveitosas aos homens”. Para isso, os oficiais devem cuidar de si mesmo e da igreja, priorizar o uso do seu tempo para instruir a igreja a ser solícita na pratica de boas obras.
E para isto ele deve tomar o cuidado de não dispensar atenção em discussões insensatas. Isto nos leva ao segundo ponto do Sermão.

2. Siga a fiel instrução para viver a doutrina fiel em santificação: Evite discussões insensatas

O Apóstolo aqui não disse que todo debate é algo ruim. A igreja cresceu muito por meio de vários debates no decorrer da História. Mas, o que o Espírito Santo nos proibe é o envolvimento em discussões insensatas!
Saiba, meu irmão em Cristo: O diabo muitas vezes tenta desviar o foco da atenção dos ministros e oficiais da igreja, levando-os a se envolver em disputas sobre assuntos que não levarão os crentes a viverem uma vida de santificação em Cristo.
Tito estava rodeados de falsos mestres vindos do judaismo, que eram homens que gostavam de gastar seu tempo discutindo sobre, por exemplo: quem pertence ao povo de Deus? Ou as lendas dos judeus, o que um crente deve comer ou beber? Estes falsos mestres e seus discípulos discutiam essas coisas só por discutir e por gostar de discutir e para confundir os outros!
O Apóstolo é muito claro e direto: Fuja dessas discussões que são na verdade loucuras, coisa de insensatos. E por que o ministro Tito deve fugir disto? Veja o v. 9: “porque não têm utilidade e são fúteis, ou seja, “porque não prestam para nada e não tem valor nenhum!
Meu irmão em Cristo, em quê as discussões insensatas dos falsos mestres tinham contribuido para santificação da igreja em Creta? Em absolutamente em nada!
As discussões tinham contribuído sim, mas para o crescimento do legalismo, do ódio entre irmãos, fofocas, para casas inteiras serem desviadas, para exaltação dentro da igreja de pessoas soberbas e insubordinadas.
Saiba que isto sempre será o resultado para o povo de Deus quando em seu meio temos oficiais e membros que gostam de gastar tempo discutindo coisas inúteis e vãs. Por isso, nenhum ministro deve alimentar um apetite para estudar e ficar debatendo coisas que no final não vão contribuir em nada para a santificação da igreja.
Meu irmão, um oficial que quer ser fiel a Deus e ao seu chamado deve se preocupar em ensinar e testemunhar a sã doutrina, pois é essa atitude que vai fazer a igreja crescer em santificação no Espírito Santo.
E saiba, meu irmão em Cristo, que Deus chama você a evitar que seus oficiais estejam se envolvendo em discussões insensatas. Você na verdade deve livrar seus oficiais disto e fazer tudo que estiver em seu alcance para que eles levem a igreja a praticar boas obras, a viver em santidade e unidade e não discutindo coisas que não têm utilidade e valor para santificação de sua vida, família e o resto da igreja.
Hoje existe uma multidão de assuntos que membros instruídos, não falo de pessoas simples, gostam de levantar, questões só para discutir e promover as suas idéias tais como: o Grupo A ou B vai para o céu? É certo um crente beber, fumar ou dançar? Quem é o autor do mal? Qual a ordem dos decretos de Deus?
Meu irmão em Cristo, qual o interesse e que utilidade e valor a discussão desse tipo de assunto traz para sua santificação e da igreja? Você deve aprender a perguntar a si mesmo: Esse assunto que quero discutir ajudará a minha santificação em quê? Ele ajudará a igreja a ser mais obediente a Deus e unida?
Meus irmãos, falsos mestres e pessoas vaidosas é quem gostam e vivem ansiosos para discutir assuntos que não tem valor e que não promovem a santificação da igreja. Os falsos mestres têm esse interesse, pois eles querem ser o centro das atenções custe o que custar. E os falsos mestres não se preocupam se suas doutrinas ou idéias e a discussão delas vão promover a santidade e a unidade da igreja. …
Meu irmão em Cristo, pergunto a você:
Que tipo de assunto você tem levado para seus oficiais discutirem? São assuntos que tem utilidade e valor para santificação? Como você tem contribuído para seus oficiais, especialmente, os ministros da Palavra, dediquem mais tempo para estudar e promover a santidade da igreja?
Amado irmão, tenha muito cuidado e evite discussões inúteis e vãs. … Mas, não somente cuidado para evitar as discussões desse tipo, … mas, também tenha muito cuidado para evitar as pessoas que as promovem. … E isto nos leva ao terceiro e último ponto do Sermão.

3. Siga a fiel instrução para viver a doutrina fiel em santificação: Evite o homem faccioso:

O Apóstolo no primeiro ponto instrui Tito a usar a pregação da palavra para levar os crentes à santificação no Espírito Santo. No segundo a evitar a discussão de assuntos insensatos. E a terceira parte da fiel instrução (que é ligada a segunda) o Apóstolo Paulo diz: Fiel é a Palavra: Evita o homem faccioso.
Nessa parte o Apóstolo, pelo Espírito Santo, ensina Tito a usar a disciplina para aqueles que querem dividir a igreja. No original temos o “homem herege”. A palavra “herege” no tempo da Escritura qualificava o homem que promove divisões entre os crentes seja por falsa doutrina ou não.
Meu irmão em Cristo, não pense que divisões na igreja só podem ser promovidas através de doutrinas falsas. Divisões são promovidas também por meio de discussões de assuntos insensatos, ou por opiniões particulares que em si não são ruins.
Por isso, um pessoa facciosa (um herege) pode ser vista num membro que tem opiniões boas, porém que usa o que é bom para semear discórdia, divisão e assim não promover a unidade dos irmãos e a santificação da Igreja.
Os oficiais devem ouvir a Fiel Instrução do Espírito Santo, pois uma das tentações do Diabo é sugerir ao oficiais o não uso da disciplina eclesiástica, para combater o faccioso dentro da igreja.
Meu irmão em Cristo, os problema de divisões na igreja não se resolvem somente através do ensino e evitando as discussões insensatos. O Espírito Santo na Fiel Instrução de Paulo a Tito e a todos os oficiais da igreja, mostra que também é VITAL o uso da disciplina eclesiástica, para com os facciosos do seu meio.
Pare para pensar: Como podemos pensar que ensino falso, difamações, fofocas, desobediências, insubordinações, malícias, ou seja, tudo que divide os irmãos será evitado e bem tratado se não disciplinarmos aqueles que promovem tais coisas? …
Por isso, Paulo diz a Tito: Fiel é a Palavra … Evita o homem faccioso, o homem herege.
E o Apóstolo dá o modo de se disciplinar o homem faccioso (veja o v.10): Exortação, admoestação. É dever dos oficiais exortarem os facciosos de dentro da igreja. Assim é por meio da Palavra com autoridade que os hereges ou facciosos devem ser enfrentados na igreja.
Agora esse trabalho de exortação tem um limite. O texto diz: uma e duas vezes. Os oficiais não devem gastar muito tempo admoestando os facciosos. Saiba que os facciosos nunca se cansam de discutir e defender suas idéias. Então, isso tirará o tempo dos oficiais para instruir as ovelhas de Cristo a viver em santificação. E o texto afirma o motivo de não gastarmos tempo com os facciosos impenitentes (veja o v. 11): “está pervertido, e vive pecando, e por si mesma está condenada!
Meu irmão, se um homem é exortado duas vezes com a Palavra de Deus e não se arrepende e insiste em continuar a promover divisão, mostra que tipo de coração ele tem, que tipo de vida ele quer viver, que fim ele quer ter (condenação)!
Saiba, meu irmão em Cristo, gastar tempo com facciosos impenintentes é o mesmo que tentar pastorear lobos como se eles fossem ovelhas. O Lobo é lobo e a ovelha é ovelha. O lobo não ouve a voz do Pastor do Rebanho e sua natureza o leva a dividir o rebanho para poder dilacerar as ovelhas do Bom Pastor. Por isso, os pastores do rebanho devem usar o Cajado e o Bordão da Palavra de Deus e da disciplina eclesiastica, para afastar os homens facciosos do contato com a Igreja! Isto é parte da terceira Fiel instrução dada pelo Espírito a Sua Igreja.

Conclusão:

Meus amados irmãos em Cristo, esta Fiel Instrução é um chamado para os oficiais e todos os membros do povo de Deus. Então:
Aplique sua mente para praticar boas obras, Evite discussões sobre assuntos inúteis para santificação, e evite o homem que tenta dividir a Igreja.
Chamo sua atenção para este último ponto, pois se obedecido diminuíra em muito as dificuldades para você executar os dois primeiros chamados da Fiel Instrução.
A exortação e admoestação do homem faccioso é também uma tarefa sua como membro (veja em casa 1 Ts 5.12-15). Você (como ovelha) é o primeiro a sentir o ataque do lobo. Sendo assim, cumpra seu papel na disciplina eclesiástica. Admoeste até duas vezes e procure os oficiais da igreja.
Saiba que na igreja não faltará membros que com rebeldia falem: Ah, o Conselho ensina assim, mas EU CREIO ASSADO! Ou o Conselho decidiu assim, mas eu não concordo! Eu penso que deveria ser assim ou assado, etc!
Meu irmão, não há problema em você pensar diferente dos seus oficiais. O problema é quando seus pensamentos diferentes mostram insubordinação e insentiva infâmia contra as autoridades, promovendo divisão no meio do povo de Deus. E este pecado é maior ainda quando é feito por um homem ordenado por Cristo!
E Deus chama você, por amor a Ele, ao pecador e a igreja, faça sua parte na disciplina dos facciosos. E faça isto com sua consciência tranquila sem medo que vai prejudicar seu irmão em pecado (seja ele oficial ou membro), pois quem persiste no pecado é o culpado de sua própria condenação (veja a parte final do v. 10). Não é a igreja que condena os facciosos, mas eles mesmos se condenam e a prova são os seus pecados.
E encerro chamando sua atenção para Santa Ceia.
Olhe para Santa Ceia. Veja que o Filho de Deus foi partido por nossos pecados para você e eu vivermos unidos em santificação. Este objetivo desse ser provado e visto em sua vida como membro. Então pergunto:
Será que podemos deixar que o pecado e homens faciosos apague diante dos homens esse obejtivo de Jesus Cristo em nossa vida como Igreja?
Por isso, meu irmão em Cristo, Siga a fiel instrução dada a você nesse sermão e viva a doutrina fiel em santificação! Amém.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Somos justificados somente pela Fé, independentemente de obras

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama na doutrina bíblica exposta no Dia do Senhor 24 do Catecismo de Heidelberg

Texto: Dia do Senhor 24
Leitura: 143.2; Sl 32.1; Rm 4.1-8


Amada Congregação de Jesus Cristo e demais ouvintes,

O Apóstolo Paulo escreveu a Carta Aos Romanos para instruir à igreja em Roma na Doutrina da Salvação. E a igreja em Roma era composta de membros judeus e não judeus (gentios) que abraçaram a Fé em Jesus Cristo.
A Carta tem três grandes divisões: A primeira fala de nossa miséria e pecado em Adão, a segunda sobre nossa salvação em Cristo do pecado e da miséria, a terceira sobre nossa gratidão a Deus pela salvação graciosa em Cristo. O Catecismo de Heidelberg seguiu essa mesma divisão.
E a passagem que lemos fica na segunda divisão de Romanos. O Apóstolo Paulo instrui sobre como Deus justifica o homem em Cristo. E o Apóstolo, pelo Espírito Santo, enfrentou com essa doutrina duas heresias que estavam tentando acabar com a Igreja: O legalismo dos judeus; e a libertinagem dos libertinos.
Os judeus, como “bons” judeus, vangloriavam-se diante dos cristãos não judeus por sua descendência, pela circuncisão e pelas promessas pactuais que aos judeus haviam sido dadas na Antiga Aliança. Os judeus achavam que a salvação era de Israel e a justificação diante de Deus era uma obra humana.
Por isso, os judeus caluniavam o Evangelho da Justificação pela fé somente, humilhavam os gentios como um sub-povo. Este ataque intimidava a igreja e poderia levar os judeus e gentios cristãos a desfalecer na fé.
Do outro extremo estavam os libertinos, que eram membros da igreja cristã de origem gentílica (não judeus), falavam e viviam contra a Lei de Deus resumida nos Dez Mandamentos. Achavam que uma vez em Cristo o cristão podia viver em pecado, para fazer abundar a graça de Deus mais e mais em sua vida. Esta libertinagem e não aceitação da Lei é chamada de antinomismo.
E a igreja de Cristo no meio desse tiroteio entre judeus e libertinos tem que ser defendida com a Verdade acerca da justificação que é pela fé somente sem auxílio das obras humanas. E Paulo, pelo Espírito Santo, vai usar a doutrina da justificação pela Fé tanto para desmentir o legalismo dos judeus como a libertinagem dos libertinos, ou, antinomistas.
E, meus amados irmãos em Cristo, para a glória de Deus, da Sua doutrina e a integridade da Sua igreja proclamo a todos o mesmo Evangelho pregado pela Escritura do Antigo e Novo Testamento no seguinte tema:

Somos justificados somente pela Fé, independentemente de obras

1. O exemplo de Abraão
2. A declaração de Davi

1. Somos justificados somente pela Fé, independentemente de obras: O exemplo de Abraão


Meus irmãos em Cristo e demais ouvintes, o Apóstolo defende a igreja da heresia dos judeus, usando a Escritura do Antigo Testamento que era reconhecida pelos judeus que odiavam o Evangelho da Graça de Cristo que Paulo pregava. E o Apóstolo começa com o patriarca Abraão (v.1). E qual a importância de Abraão nessa história?
Ora, Abraão era o pai carnal dos judeus, todos judeus descendiam dele. Abraão foi aquele que havia recebido a Promessa de Deus, o sacramento da circuncisão e era por meio de Abraão e seu descendente que os povos da terra iriam ser abençoados. Por isso, Abraão era tão estimado pelos judeus e um dos motivos de vanglória para eles diante dos gentios (não judeus). E (veja o v.1):
Paulo começa a ensinar sem negar a sua descendência judia, pois chama Abraão “nosso pai segundo a carne”, ele mostra o Evangelho da graça de Deus não anula sua ligação carnal com Abraão e com as promessas pactuais. Mas, não somente isto … .
O Apóstolo Paulo, quer provar a todos que a doutrina por ele ensinada tem base na Escritura recebida pelos judeus e que não é estranha a experiência de vida do pai carnal deles, daquele em quem eles se gloriavam, Abraão.
Paulo estava dando uma cutucada forte na consciência dos judeus. O Apóstolo diz que eles, que tanto se orgulhavam de serem filhos de Abraão, não seguem a Fé de Abraão. Paulo estava como que acusando os judeus de serem filhos desobedientes e desviados do ensino do Deus da Aliança e daquilo que seu pai cria e vivia em fidelidade.
Então, o Apóstolo Paulo pergunta (v.1): O que foi que Abraão achou? A resposta a pergunta é: a justiça de Deus. Os judeus ensinavam que Abraão havia achado justiça, ou seja, tinha sido justificado por suas obras e não pela fé somente. E a pergunta do Apóstolo vai dizer que isto não é totalmente verdade.
Meu amado irmão em Cristo e demais ouvintes, em certo sentido é verdade que Abraão havia achado justiça pelas obras. E em que sentido é verdade? No sentido terreno, isto é, diante dos homens.
Se você ler Gênesis verá Abraão obedecendo Deus, deixando a sua terra e a sua parentela, e indo para uma terra que Deus o havia revelado. Verá Abraão obedecer o mandamento de Deus, circuncidando os seus. Observará Abraão obedecendo a Deus ao ponto de ir sacrificar o seu filho Isaque. A justiça de Abraão foi vista pelos homens e, neste sentido, podemos dizer que foi justificado pelas obras e não somente pela Fé.
O Espírito Santo fala nesse mesmo sentido nas palavras de Tiago (veja por favor Tg 2.18-24). Tiago, pelo Espírito Santo, fala da justificação de Abraão diante dos homens. Abraão em sua obediência a Deus mostrava uma fé viva em Deus. Por isso, não há contradição entre as Palavras de Deus ditas por Paulo e por Tiago nas suas cartas.
E sabe por que não há contradição entre Paulo e Tiago? Porque Paulo afirma (veja o v. 2): “Porque se Abraão foi justificado por obras, tem razão de se gloriar, porém não diante de Deus.
Meu amado irmão em Cristo e demais ouvintes, se você nunca assassinou ninguém, então, você tem toda razão de dizer diante dos homens: Sou justo, pois não sou um assassino! Nesse sentido você está coberto de razão diante dos homens. Mas, será que diante de Deus você pode dizer o mesmo? … Se você tem dúvida vamos ler 1 Jo 3.15: “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não têm a vida eterna permanente em si”. João, o Apóstolo, repete aqui o que ele aprendeu de Jesus Cristo (veja em casa Mt 5.21-26)!
Meu amado irmão, você pode ter alguma razão de ser considerado justo diante dos homens, MAS NÃO DIANTE DE DEUS! O Apóstolo Paulo fala isto apontando para Abraão, o pai carnal dos judeus orgulhosos. Os judeus deveriam entender que diante de Deus a situação de todos os homens, isto inclui Abraão, é “não há justo, nem um sequer” (vamos ler Rm 3.10-18).
Em resumo: Os judeus deviam entender que pela Lei Deus impossibilitou o homem de ser justo diante de Deus com auxílio de obras e méritos humanos, na lei Deus revela que (veja Rm 3.23): “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”! Os judeus deveriam entender que Deus é justo e justificador daquele que tem Fé em Jesus (Rm 3.26).
Sendo assim, meu amado irmão e demais ouvintes, pergunto a você: Se não há um justo sequer, um que não faça o bem, se todos pecaram e carecem da glória de Deus, então, como Abraão por si e por suas obras poderia ser justos aos olhos de Deus? Por que a Escritura diz que Deus é justo e justificador daqueles que tem fé em Jesus Cristo?
Por isso, o Apóstolo fala que “se Abraão foi justificado por obras, tem razão de se gloriar, porém não diante de Deus! E no verso 3, o Espírito Santo diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça! Justiça diante de Deus pela Fé sem o auxílio das obras!
E a Igreja de Deus confessa no dia do Senhor 24 essa justificação pela Fé independentemente de obras, pois a igreja confessa a incapacidade de nossas boas obras em nos justificar diante de Deus (veja o Catecismo, Dia do Senhor 24, P e R. 62).
Meu amado irmão em Cristo e demais ouvintes, por acaso a Escritura revela que Deus deve a salvação a aqueles que não bebem, não fumam, não adulteram, não assassinam, não roubam, ou seja, Deus por causa de obras deve o perdão e, consequentemente, a justificação a algum homem?
Se alguém tem dúvida então leia, por favor, os vs. 4 e 5 para responder essa pergunta. … Agora, com base no Evangelho, responda: Deus deu a justificação a Abraão como um salário por seu fiel trabalho? O Apóstolo diz não! A justiça que Deus atribuiu a Abraão é um dom da Sua graça que vem mediante a Fé independente das obras!
Esse é o Evangelho da Escritura exemplificado pelo Espírito Santo na vida de nosso Pai Abraão. Esse é o Evangelho da Graça de Cristo e que você deve crer para sua salvação em Cristo.
O diabo e os homens orgulhosos (judeus, pelagianos, semi-pelagianos e os arminianos) lutaram e lutam contra esse Evangelho e contra a pregação dele. Por isso, os hereges na história da Igreja corromperam e corrompem o Evangelho, para iludir a muitos com a mesma doutrina dos judeus ou com a mentira de uma salvação que é fruto das boas obras junto com a graça de Deus!
O Espírito Santo na Escritura mostra o exemplo de Abraão e diz: “Porque se Abraão foi justificado por obras, tem razão de se gloriar, porém não diante de Deus. E o Apóstolo conclui: “Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça”.
Isto é visto no testemunho de Abraão e ouvido no Salmo de Davi. Vamos para o segundo ponto.

2. Somos justificados somente pela Fé, independentemente de obras: A declaração de Davi (vs. 6-9)

Os Salmos são os cânticos inspirados por Deus. E dentre esses cânticos encontramos a Palavra de Deus saindo da boca do Seu Povo, para expressar os mais ricos e precisos louvores de gratidão pela salvação.
E o Apóstolo usa o mesmo Salmo 32 que cantamos, para mostrar a tremenda felicidade “do homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras (veja o v. 6).
E note que pelas palavras do Apóstolo o ato de Deus atribuir justiça significa a não imputação de pecado pela uma ação da graça de Deus. E o Apóstolo mostra essa verdade na Declaração do Rei Davi de quem Israel esperava o Messias, que é Jesus Cristo. … Mas, não somente isto:
Davi tinha caído em pecados feios: adultério e assassinato! Mas, o Salmo 32 mostra que Davi era um homem que, pelo Espírito Santo, confiava na justificação pela Fé sem o auxílio de obras, pois diz: “bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado”!
Meu amado irmão, Somente quem confia no Evangelho da justificação pela Fé independentemente de obras pode louvar a Deus dessa forma! Deus revelou a Davi que ele não podia confiar sua felicidade em suas obras e, que é Deus quem dá ao homem a justiça da Fé!
Meus amados irmãos em Cristo, o homem só pode ser feliz quando descobre que a sua justiça diante de Deus não depende das suas boas obras! Neste momento pergunte no seu coração:
Qual a fonte da minha felicidade? Qual o motivo de eu viver feliz nesta vida? Qual o motivo de eu estar neste culto cantando alegremente os Salmos e adorando a Deus? São as minhas obras ou o perdão gracioso mendiante a fé somente?
O cristão responde pelo Evangelho: A fonte da minha felicidade é saber que pela Fé, independente de obras tenho meus pecados perdoados e escondidos dos olhos de Deus! Minha alegria e motivo de adoração é que o “Senhor jamais imputará, atribuirá, contabilizará, pecado a mim! … A minha alegria é que isto é um dom de Deus que recebi somente mediante a Fé em Cristo Jesus! Essa é a fonte da alegria e consolo do povo de Deus de todas as épocas, que podemos ouvir e cantar nos Salmos. Glórias somente ao Senhor Deus e ao Seu Cristo!
Agora, amado irmão e demais ouvintes, o homem orgulhoso odeia a expressão “Deus atribui justiça, independentemente de obras (v. 6c). E o que o homem orgulhoso faz para negar essa verdade? Tenta argumentar, apontando para a recompensa prometida na Escritura para nossas boas obras.
E Deus promete recompensar nossas boas obras? Sim, Deus promete isso em diversas partes da Escritura (por exemplo veja em casa Ap 22.8-15)! … Mas, você lendo as promessas de recompensa pergunte ao orgulhoso: Essa recompensa é por mérito ou é um dom da graça de Deus? Como assim? …
Abra, por favor, Efésios 2.10 e leia. Segundo esse texto as boas obras são dons de Deus em nossas vidas (Deus preparou de antemão para que andássemos nelas). Então, veja que quando Deus promete abençoar as nossas obras, na verdade, Ele está sendo DUPLAMENTE ABENÇOADOR, pois Deus preparou as boas obras para nós, Ele nos faz andar nelas, Ele nos promete nos abençoar por praticar as obras que Ele, por graça, fez para que nós andássemos nelas!
Meu irmão em Cristo, quando Deus recompensa nossas boas obras Deus está coroando, recompensando a Sua própria graça em nós! Veja como o Seu Deus em Cristo é SUPREMAMENTE GRACIOSO! E a igreja crê nesse Deus que é supremamente gracioso quando confessa o que está escrito no Catecismo, P e R. 63.
Mas, meus irmãos, quando falta argumentos para provar a mentira, o homem orgulhoso usa a calúnia! E os judeus fizeram isto com o Apóstolo e contra o Evangelho da justificação pela Fé (veja o Rm 3.8). Saiba, que enquanto a igreja pregar o Evangelho da justificação pela fé sempre será caluniada de incentivar o antinomismo, ou seja, uma vida de libertinagem. Esse fato faz a igreja confessar o que está escrito no Catecismo, Pergunta e Resposta 64.
Amados irmãos, a calúnia dos homens orgulhos é desmentida quando se mostra o ensino do Apóstolo em Rm 6.1,2. … Leu essa passagem? Por acaso, essa passagem ensina a você que “uma vez salvo, salvo para sempre viver em pecado? As palavras do Apóstolos ensinam você a viver uma vida descuidada e ímpia na Igreja? De modo nenhum!
Saibam todos: Aqueles que foram enxertados em Cristo mediante a Fé NÃO vão viver vidas entregues ao pecado, pois “É impossível que os que são enxertados em Cristo pela verdadeira fé não produzam fruto de gratidão!
Meus irmãos em Cristo, a verdadeira Fé, é obra do Espírito Santo, por isso, frutifica em nossas vidas levando o cristão a uma nova vida, uma vida de libertação do pecado (veja Rm 6.4-6). Essa verdadeira fé leva você a fazer por amor a Deus as boas obras e não por amor a você mesmo ou por medo de ser condenado por Deus! Essa verdadeira Fé é viva e atua pelo amor!
Saibam que é uma calúnia terrível e abominável dizer que você pela justificação pela fé tem um passaorte para se entregar aos seus desejos carnais! E se dissermos que a justificação pela fé é um passaporte para uma vida descuidada e ímpia, então, fazemos de Jesus Cristo o ministro do pecado! Isto é blasfêmia maldita!
O chamado de Deus para aqueles que entenderam o Evangelho da justificação pela Fé sem auxílio das obras é viver como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este viver é uma consequência da gratidão por entender que seus pecados foram perdoados por pura graça, somente pela Fé em Cristo sem o auxílio de obras!
Meus irmãos e demais ouvintes, depois de ler e ouvir estes texto você acha que a doutrina da justificação pela Fé independente das obras pode levar o homem a ser confiante em suas obras e descuidado e a ter uma vida de impiedade? Não, de modo nenhum!

Conclusão:

Meus amados irmãos, você como filho de Deus pela Fé em Cristo deve fugir e repudiar os extremos do legalismo e da libertinagem. Permaneça firme confiado que a justificação é pela Fé independentemente de obras e praticando uma viva de santidade.
E chamo atenção para que você não deixe os homens orgulhosos e o diabo serem ajudados a manchar a doutrina bíblica pregada hoje aqui. Por isso, chamo a você a notar se dentro da igreja há libertinos que promovem escandalos entre os irmãos e entre os de fora da igreja.
Se você conhece membros que estão em libertinagem você tem o dever de aplicar Mateus 18 e chamar os presbíteros para corrigir a vida desses irmãos libertinos, para que eles sejam levados ao arrependimento.
Agora, digo para você que deseja viver uma vida piedosa: Meu amado irmão, não deixe o diabo encher seu coração de tristeza por causa de um pecado que você cometeu e já foi perdoado. Também não fique triste por que: você não tem dinheiro, um bom emprego, uma família, um cônjuge crente, uma namorada ou namorada!
Pecado e a falta dessas coisas entristecem de verdade, mas você pela Fé em Cristo, tem O motivo de viver eternamente FELIZ: Deus, em Cristo, mediante a Fé, declarou você justo e “jamais imputará pecado a você! Essa é uma promessa do Evangelho que Abraão provou, que Davi declarou e que o Apóstolo pregou e que Cristo sela a você nos Sacramentos!
Veja a Santa Ceia que será servida a você. Note que na Ceia Deus chama você a fixar seus olhos em Jesus Cristo o Autor e Consumador da Fé e se alegrar sempre no SENHOR!
Meu amado irmão, Deus chama você a cantar o Salmo 32 e Ele convoca você a cear sabendo que pela Fé em Cristo nada mais pode condenar você, pois pela Fé em Cristo independente de obras, Deus jamais imputará pecado aos Seus eleitos, Deus considera você um justo. Amém.

sábado, 11 de julho de 2009

Somos justos diante de Deus pela Fé somente

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina bíblica exposta no Dia do Senhor 23 do Catecismo de Heidelberg

Texto: Dia do Senhor 23
Leitura: Gl 1.1-9; 2.11 - 3.14


Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo,

Desde o Dia do Senhor 7 temos tratado sobre o tema Fé: O que é a verdadeira fé, o autor dessa Fé (o Espírito Santo) e o meio que ele usa para operar a fé no coração do homem (o Evangelho), os artigos da Fé (doutrina) Cristã, as promessas do Evangelho que devemos direcionar a fé. … Em resumo do Dia do Senhor 7 até o Dia do Senhor 22 temos aprendido sobre o que é a Verdadeira Fé e o Conteúdo da Fé e as Promessas nas quais devemos depositar a Fé.
Agora, no Dia do Senhor 23, o tema ainda é Fé. E desta vez temos diante dos nossos olhos claramente a doutrina que foi considerada o coração da Reforma Protestante do Século 16: A Doutrina da Justificação pela Fé Somente, o Sola Fide como diziam os reformadores.
O nosso amado irmão Martinho Lutero dizia que pela doutrina da justificação pela fé somente que a Igreja se firma ou cai. E isto é pura verdade, não porque os reformadores diziam, mas porque a Escritura diz: “o justo viverá pela Fé” (Gn 15.6 e Hc 2.4)!
E é essa doutrina que todos os homens no mundo precisam ouvir! Todos os homens estão debaixo da Ira de Deus desde a Queda no Éden. E do céu Deus revela essa ira a toda humanidade. A criação proclama aos seres humanos que Deus está irado e que Ele em justiça pede conta da iniqüidade da humanidade. Por isso, todos os homens são indesculpáveis e no fundo da sua alma se contorcem de medo da morte, pois sabem que haverão de prestar contas dos seus pecados a Deus (veja em sua casa o Sl 19 e Rm 1.18-27).
E por isso as religiões e seitas pagãs no mundo (hinduísmo, xintoísmo, islamismo, judaísmo contemporâneo, etc.) é a tentativa do homem de responder a seguinte pergunta… : Como posso ser justo diante de Deus?
Meu amado irmão, se você estudar a história das religiões então notará que todas as religiões tem doutrinas que ensinam aos seus seguidores sobre a ira dos deuses e os rituais de como aplacar a ira de suas divindades. E o que estas doutrinas em sua essência ensinam? Ensinam que é o homem e suas obras, suas ofertas e suas cerimônias que vão fazê-lo justo diante da “divindade”.
Por isso, meus amados irmãos e demais ouvintes, a doutrina da Justificação pela Fé somente e não pelas obras é a essência do evangelho, o coração do Evangelho! É essa doutrina que faz o cristianismo diferente das religiões pagãs. A doutrina da justificação pela Fé Somente é a verdadeira boa notícia que o homem precisa ouvir para ser salvo da Ira de Deus e receber consolo para sua alma. É a ÚNICA resposta verdadeira e consoladora para a pergunta perturbadora: Como sou justo diante de Deus? …
E, em Nome do Senhor, proclamo a todos o Evangelho da Graça de Cristo no seguinte tema:

Somos justos diante de Deus pela Fé somente

1. Fé pela qual nós recebemos a justiça de Cristo
2. Fé que é o meio e não a fonte da nossa justiça

1. Somos justos diante de Deus pela Fé somente: Fé pela qual nós recebemos a justiça de Cristo


O Apóstolo Paulo estava enfrentando uma luta terrível nas igrejas da região da Galácia contra os judaizantes.
Esses judaizantes tinham muita força e chegaram a intimidar até o Apóstolo Pedro e Barnabé e a serem identificados com o Tiago, o meio irmão do Senhor Jesus Cristo e dirigente da igreja em Jerusalém (veja em casa Atos 12.17; 15.12-21; Gl 2.9). Os judaizantes eram um tropeço para a igreja de Cristo.
E por que eles eram um tropeço para as Igrejas de Cristo? Estes judaizantes eram judeus que abraçaram a pregação do Evangelho de Cristo, mas que não entendiam bem como o homem é considerado justo diante de Deus.
Eles achavam que os gentios deveriam crer em Jesus, mas que era a obediência da Lei, o circuncidar e as outras cerimônias do Antigo Pacto que iria garantir ao homem a justificação ou o ser justo diante de Deus.
E essa doutrina, segundo o Apóstolo era uma perversão do Evangelho de Cristo e, por isso, uma maldição para os seus mensageiros e para a Igreja de Cristo (veja Gl 1.6-9).
E por que essa doutrina é uma maldição? Porque tornava em vão a morte de Cristo e mantinha os homens debaixo da maldição de Deus (veja Gl 2.14 e 3.10).
E por que a justificação pelas obras tornava a morte de Cristo em vão? Ora, Cristo veio a terra para cumprir toda a Lei, porque nós pecadores éramos e somos incapazes de cumprir a Lei e sermos salvos por ela. Se o homem pode cumprir a Lei, então, Cristo morreu em vão!
Por que a justificação pelas obras mantém o homem debaixo da maldição de Deus? Por que só há um meio do homem ser salvo. E esse meio não é através das obras e méritos humanos, ou seja, pela carne.
Os judeus e os judaizantes não entendiam que a Lei foi dada por Deus não para que o homem fosse salvo por ela, mas para encerrar todos os homens debaixo do pecado e calar a boca do homem orgulhoso que acha que pode se salvar (veja em casa Rm 3.9-20). A lei veio para conduzir o homem a desesperadamente depositar Fé na oferta de salvação graciosa em Jesus Cristo (veja Gl 2.15,16).
Por isso, Paulo defende o Evangelho e diz que “o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus! E aqui o Apóstolo pela revelação de Cristo diz o ÚNICO MEIO PARA O HOMEM RECEBER A JUSTIFICAÇÃO.
E as palavras do Apóstolo são tão claras que até as crianças da igreja poderão responder. Crianças prestem atenção: Pergunte ao texto da Escritura de Gl 2.16: Qual o meio do homem ser justificado? O Evangelho responde: mediante a fé em Cristo Jesus! Glória Somente a Deus e ao Seu Cristo!
Meus amados irmãos e demais ouvintes, não existe outro evangelho na Escritura, mas somente um evangelho que diz ao homem condenado: Você só pode ser justo diante de Deus pela fé em Cristo Jesus somente!
Este evangelho não foi entendido pelos judeus nem pelos judaizantes! Mas, foi este Evangelho que foi pregado por Deus a Abraão e aos demais crentes da Antiga Aliança e entregue aos Apóstolos para ser pregado ao mundo.
E, por isso, o Apóstolo Paulo vai usar o Antigo Testamento para provar às Igrejas na Galácia que e a justificação é pela fé somente (veja Gl 3.6-9).
Meus irmãos e demais ouvintes, vocês estão vendo que o Evangelho da justificação pela Fé Somente não é uma doutrina nova, que surgiu no Novo Testamento ou que foi inventada pela Reforma Protestante?
Essa doutrina é a essência do Evangelho que foi pregado pelo próprio Deus a Abraão, por Jesus Cristo em Seu ministério e hoje pela boca de Cristo que são os ministros do Evangelho que pregam fielmente a doutrina da justificação por meio da Fé em Cristo Jesus!
Meu amado irmão e demais ouvintes, Se o homem quer ter todos os seus pecados perdoados, para ser recebido em graça por Deus, o homem tem que SOMENTE CRER na obra de Jesus Cristo na cruz e nada mais. Isto é a justificação pela fé somente que o Evangelho prega e a igreja confessa (veja o Catecismo Dia do Senhor 23, P. e R 59 e 60)!

2. Somos justos diante de Deus pela fé somente: Fé que é o meio e não a fonte da nossa justiça

No primeiro ponto nos foi pregado pela Escritura que o homem é justo diante de Deus, ou, justificado pela Fé em Cristo somente.
Mas, chamo a sua atenção que certos espíritos malignos tem pervertido a expressão justificação pela Fé, como se a Escritura estivesse atribuindo a fé humana algum mérito que torne o homem merecedor do perdão dos pecados. Em resumo, estes espíritos malignos, tem transformado a Fé como fonte do perdão e não como o meio de receber o perdão de Deus.
Saiba que quando alguém prega que a Fé é um produto do homem ou que a fé tem o valor de ser a fonte da salvação, então, a fé passa a ser mais uma obra do homem e a justificação passa a ser pelas obras do homem.
A Escritura não mostra a Fé como a fonte da nossa justiça, mas como o meio de receber a justiça de Cristo em nosso favor. Veja as palavras do Apóstolo em Gl 2.16 que não deixam dúvida alguma: “o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus”, “para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei”. E agora veja Gl 3.8,11,14:
v. 8: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o Evangelho a Abraão”; v.11: “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé; agora o v. 14: Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.
Meus irmãos e demais ouvintes, as expressões “mediante e pela” mostram que a Fé é o meio, mas a fonte de nossa Justiça é Cristo! Cristo Jesus é a nossa justiça. Isso o Apóstolo Paulo, através do Espírito Santo fala à Igreja em 2 Co 5.21: “aquele [Cristo] que não conheceu pecado, ele [Deus] o fez pecado por nós; para que, nele [Cristo], fôssemos feitos justiça de Deus”.
É muito clara a verdade de Deus acerca da Fé. E em resumo cito a Confissão Belga que diz (Artigo 22): A Fé é “o instrumento com que abraçamos Cristo, justiça nossa. … Assim, pois, Jesus Cristo é a nossa justiça e a fé é o instrumento que nos mantém com Ele na comunhão de todos os Seus benefícios. Quando estes se tornaram nossos, são mais do que suficientes para nos absolver dos nossos pecados”. E o Catecismo está ecoando a Escritura e repetindo o que a Confissão Belga diz (veja Dia do Senhor 23, P. e R. 61).

Conclusão:

Encerro com alguns palavras de chamado e encorajamento a todos que me ouvem:
Chamo, em Nome do Senhor Jesus, todos aqueles que ainda confiam em suas obras a se renderem ao Evangelho da Graça de Cristo, o Evangelho da justificação pela fé somente.
Veja a Lei e ouça a voz da sua consciência iluminada pela Lei, elas mostram a necessidade do homem se render ao Evangelho da Graça de Cristo! Pois, tentar se justificar pelas obras é o mesmo que se manter debaixo da maldição da ira de Deus (veja Gl 3.10-12).
Veja como é claro o Evangelho para o homem perdido! Deus pelo Evangelho chama o homem: Ó homem, não se mantenha em maldição tentando ser bonzinho para Deus, tentando ser justo aos olhos Santos de Deus pelas boas obras!
O único caminho de você ser justo diante de Deus e desfrutar da salvação e vida eternas é se rendendo ao Evangelho de Cristo e aceitando a Jesus Cristo como o pagamento por todos os seus pecados. O Apóstolo Paulo fala isto (veja Gl 3.13).
Meu querido ouvinte, o Apóstolo diz a igreja: “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar”. E para que Jesus fez isto? Veja a resposta no v. 14: “para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios (a homens não judeus), em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela Fé, o Espírito prometido!
Meus amados irmãos e demais ouvintes, vejam que proveito o crente tem pela Fé no Evangelho da Graça de Cristo Jesus, somos feitos descendentes de Abraão, somos incluídos na Aliança da Graça de Deus e recebemos, pela Fé, o Espírito.
E sabe que Espírito é este? O Espírito Santo. O Espírito Santo que aplica em nós a obra de Cristo e os dons salvadores de Cristo!
Sabe que dons? Todos e entre eles: a perfeita obediência de Cristo, a justiça de Cristo e a santidade de Cristo! E sabe qual o resultado disto? Perfeita justiça diante de Deus, ou seja, a justificação mediante a Fé somente!
Agora tenho uma palavra de consolo para todos que estão em Cristo e que reconhecem e lutam contra os seus pecados:
Meu irmão em Cristo, todos os dias você se olha no espelho e diante dos seus olhos você vê uma imagem: E essa imagem mostra quem você de fato é. …
Meu amado irmão, todos os dias, especialmente, nos domingos você ouve a Lei de Deus. A Lei é como um espelho e sua consciência são como seus olhos. A Lei de Deus faz sua consciência ver quem você de fato é diante de Deus: um pecador perdido e merecedor da maldição eterna! Sua consciência lhe acusa dos pecados que você cometeu e comete. Então, como filho de Deus, em Cristo, você fica triste por seus pecados revelados pela Lei e declarados por sua consciência.
Mas, o Evangelho da justificação pela Fé somente é um consolo para os filhos de Deus, pois você pode dizer a sua consciência as Palavras de Deus escritas em Gl 2.19-20 (vamos ler juntos essa passagem).
Então, meu amado irmão em Cristo, viva com alegria e consolo no coração, mesmo conhecendo suas fraquezas e quedas que contra a vontade de Deus você pratica, pois o Evangelho diz a você que Cristo morreu e em Cristo você morreu e vive pela Fé! Ou seja, os méritos da morte de Cristo são seus pela Fé! Então, viva por meio desta Fé em Cristo uma nova vida e alegre vida para Deus o Seu Salvador! Viva como justo diante de Deus, uma vida de gratidão e amor, em Cristo, pelo perdão total de todos os seus pecados! A vida segundo a justificação pela fé somente!
Meu amado irmão, mantenha-se firme na doutrina do Evangelho ensinada na Escritura e ecoada nas confissões, especialmente, nos dias de hoje quando a maldita e amaldiçoadora mensagem da justificação pelas obras é pregada dos púlpitos de inúmeras seitas e ditas igrejas em nosso país.
Deus chama você a orar para que Deus levante uma Reforma da Igreja no Brasil, para que a mensagem do Evangelho da Graça de Cristo, o Evangelho da Justificação pela Fé Somente, seja pregado e assim nosso povo possa provar o consolo e a vida eterna em Cristo Jesus.
Suplique a Deus que levante homens que preguem fielmente o Evangelho, levante seminários que ensinem seus alunos a expor o mesmo Evangelho que foi pregado aos santos do Antigo e Novo Testamentos: o Evangelho que diz ao homem condenado: SOMOS JUSTOS DIANTE DE DEUS PELA FÉ SOMENTE! Vamos terminar cantando o Salmo 32. … Amém.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Não seja um insensato, continue a crer na mensagem do Evangelho da justificação pela Fé.

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre Gálatas 3.1-5

Texto: Gl 3.1-5
Leitura: Gl 1.1-17; 2.11 - 3.5

Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo,

O Apóstolo Paulo escreveu a Carta às igrejas da região da Galácia (1.2). Estas igrejas estavam sendo desviadas do Evangelho da graça de Cristo para outro evangelho.
Conforme o Apóstolo de Cristo, esse outro evangelho, na verdade não era evangelho, mas era uma perversão do Evangelho de Cristo (Gl 1.6,7), que dizia para os gentios serem cristãos, mas que confiassem na obediência deles à Lei e as cerimônias da Lei, pois está obediência era quem justificava o homem diante de Deus.
Mas, meus irmãos, se isso fosse tudo seria menos mau …
Note que as palavras do Apóstolo Paulo em toda Carta revela algo mais terrível sobre essa mensagem:
Esse “outro evangelho”, segundo o ensino apostólico, tinha o poder de tornar maldito seus pregadores e de manter debaixo da maldição de Deus todos aqueles que abraçassem de coração essa mensagem (veja Gl 1.8; 3.10).
E você pode estar pensando: Que mensagem maldita e amaldiçoadora era essa? Era uma mensagem que negava a justificação somente mediante a Fé em Cristo! E segundo o apóstolo Paulo, negar a justificação pela fé somente é o mesmo que dizer que Cristo morreu em vão” (veja Gl 2.21)! E dizer que Cristo morreu em vão é igual a MALDIÇÃO ETERNA NO INFERNO!
Essa mensagem maldita e amaldiçoadora que Paulo falou em Gl 1.8 infectava a Igreja através de falsos irmãos, conhecidos como judaizantes, que queriam se fazer mestres do povo de Deus.
Esses falsos mestres tinham vindo do judaísmo para perturbar e desviar do Evangelho de Cristo muitos cristãos, pois eles levavam os gentios a pensarem que o homem poderia ser salvo por meio das obras da Lei. Estes judaizantes tinham muita força ao ponto de intimidar o Apóstolo Pedro e Barnabé (veja em casa Gl 2.11-13).
E o Apóstolo Paulo viu a malícia desses falsos mestres e a malignidade da mensagem deles para as igrejas. E o que Paulo fez? Ele declarou que estes falsos mestres eram malditos e o Apóstolo chamou a igreja a se manter firme CRENDO no Evangelho de Cristo que por ele foi pregado!
E para manter a Igreja de Cristo confiante e viva no Evangelho da Graça de Cristo proclamo a todos a seguinte mensagem:

Não seja um insensato, continue a crer na mensagem do Evangelho da justificação pela Fé.

1. Você é insensato quando se deixa iludir pelos falsos mestres;
2. Você não tem desculpas para ser um insensato;
3. Preste atenção nas perguntas do Apóstolo que livrará você da insensatez

1. Você é insensato quando se deixa iludir pelos falsos mestres:


Por favor, veja Gl 3.1. O Apóstolo foi muito duro com as igrejas da Galácia. Paulo com autoridade apostólica chama os Gálatas de insensatos (veja o Gl 3.1,3). E por que o Apóstolo foi tão duro ao ponto de chamar seus irmãos de insensatos?
Sabe quando você precisa dar uma bofetada no rosto para despertar uma pessoa hipnotizada? Então, o Apóstolo Paulo dá uma bofetada no rosto dos gálatas, mas só que usando não a mão, porém chamando eles de “insensatos”!
O apóstolo necessitava ser duro com nossos irmãos da Galácia, pois eles se deixavam iludir com a doutrina falsa e malígna dos falsos mestres judaizantes. O Apóstolo exorta duramente os gálatas despertá-los do estado de encantamento voluntário!
Como assim encantamento voluntário? Sim, a expressão “insensatos” mostra que os irmãos tinham consciência da verdade de Deus e voluntariamente se deixaram enganar pelos falsos mestres. Eles agiram como alguém que paga para ser enganado por um feiticeiro! E, por isso, eles foram chamados de INSENSATOS no v. 1!
E isto nos mostra como não devemos substimar a capacidade de engano daqueles que ensinam doutrinas que vão além da Escritura. Os falso mestres enganam e seduzem até mesmo aqueles que tem o conhecimento da verdade de Deus.
Por isso, você deve repelir de imediato todo aquele que tenta desviar você do Evangelho da Graça de Cristo com doutrinas falsas, que parecem com a verdade mas não são a verdade.
E, meu irmão em Cristo, saiba que se você não repelir com o Evangelho os falsos mestre e seus ensinos e, então, se iludir pela doutrina deles saiba que você não terá desculpas para poder se justificar do seu desvio. … Esse é o Segundo ponto da pregação:

2. Você não tem desculpas para ser um insensato:
Veja o final do v. 1. Nas palavras do final do v. 1 o Apóstolo diz que os irmãos não tinha como se desculpar, porque o Evangelho tinha sido pregado de modo tão preciso e claro, que era como se eles estivessem vendo um filme de Jesus Cristo pendurado na cruz como o maldito de Deus.
Os irmãos da Galácia não tinham desculpas, pois o ensino da doutrina tinha sido tão bem ensinado que os gálatas entenderam e aceitaram que o único sacrifício de Cristo foi o pagamento completo pelo perdão de nossos pecados diante de Deus. Os gálatas pela doutrina da Fé ensinada creram que somente mediante a Fé em Jesus Cristo recebemos o Espírito Santo e todos os dons para nossa Salvação.
Meu amado irmão, isto é uma mensagem de alerta para não sermos insensatos a semelhanças dos irmãos da Galácia. Saiba que somos insensatos, néscios, e agimos como ignorantes do Evangelho quando, sabendo a verdade de Cristo, deixamo-nos iludir pelos falsos mestres e seus enganos!
E saiba que isto torna você indesculpável diante dos olhos de Deus e da igreja de Cristo.
Por isso, somos chamados por Deus a nos mantermos na verdade e não dar crédito a mentira daqueles que nos tentam iludir com mensagens que vão além do Evangelho de Cristo.
E o meio de nos protegermos da insensatez é sempre se firmar na doutrina da Fé que a nós é pregada no Evangelho que ouvimos da Escritura e atentar para as consequências desse Evangelho em nossa vida!
A doutrina da Fé junto com a experiência da Fé em nossa vida e na vida da igreja são meios que o Espírito Santo usa para manter a igreja na sensatez e firme durante o ataque dos falsos mestres. …
E, meus irmão, por favor, veja os vs 2-5 e vamos para o terceiro ponto desta pregação:

3. Preste atenção nas perguntas do Apóstolo que livrarão você da insensatez:

Meus irmãos e demais ouvintes, o Apóstolo inicia com v. 2 certas perguntas que vão mostrar mais ainda a insensatez dos gálatas em abandonar a doutrina da justificação pela fé somente e elas servem para nos proteger desse mesmo erro (veja os verso 2-5).
Note que as perguntas apelam para a experiência provada pelos gálatas quando creram na mensagem do Evangelho que a eles foi pregada.
Os gálatas tinham a experiência do recebimento do Espírito não pelas obras da lei mas pela verdadeira Fé nas doutrinas do Evangelho de Cristo a eles pregada.
A Palavra de Deus promete o Dom do Espírito a quem crê no Evangelho de Jesus Cristo (veja em casa At 2.38; Ef 1.13) e não por meio dos meus méritos ou outras que eu ou você possamos fazer, para receber o Espírito.
Os gálatas provaram isto em suas vidas e puderam ver o mesmo na vida de outros membros da igreja. Seria um estúpido absurdo quer deixar essa verdade e tentar ter o Espírito Santo por meio das obras humanas.
Agora veja o v. 3. o Apóstolo no v. 3 chama novamente seus irmãos de insensatos, desta vez porque é uma contradição estúpida ter iniciado a carreira no Evangelho confiando totalmente na obra de Cristo como pagamento pleno para nossa justiça diante de Deus e, agora, abraçar uma doutrina que ensinava a justificação pelas obras do homem, pelas cerimônias do Antigo Testamento, pela circuncisão, ou seja, pela carne. Isso é pura insensatez!
Mas, o Apóstolo continua a mostrar outro sinal de insensatez dos nossos irmãos (veja o v. 4). No v. 4 Paulo mencionou os sofrimentos dos Gálatas por causa do Evangelho. Essa é razão da pergunta: Será em vão todas as coisas que vocês já sofreram?
Os gálatas já tinham sofrido e estavam sofrendo por causa da fé em Cristo (veja Gl 1.7 e 6.12). Os judaizantes os perturbavam e os judeus odiavam os gálatas por causa da pregação de Jesus Cristo cruscificado. E os falsos mestres estavam constrangendo os gálatas a abraçarem a justificação pelas obras e as cerimônia das leis mosaicas, para que eles pudessem assim evitar problemas com os judeus.
Mas, Paulo no vs. 4 chama atenção para que eles não fossem insensatos de fazer todo sofrimento que haviam suportado pelo evangelho ser em vão, deixando de confiar na doutrina de Cristo para abraçar a doutrina dos falsos mestres!
Vou usar uma ilustração: Imagine-se numa guerra terrível contra um invasor que estava tentando entrar no seu país. Você tinha com muito esforço e dor feito o inimigo recuar, havia capturado seus armamentos e tinha conquistado muitos tesouros do inimigo … Mas, em dado momento da luta, você resolve parar de guerrear, deixar seu general e se entregar para o invasor, juntamente, com os territórios, armamentos e tesouros conquistados com muita dor e sofrimento por você. Isto seria sensato? Que valor teria toda dor para vencer as batalhas passadas? Nenhum valor, seria tornar vão todo sofrimento! Isso seria uma insensatez.
Paulo diz mais ou menos isto com a pergunta do v. 4. O Apóstolo quer levar seus irmãos a verem o quanto de insensatez eles estavam mostrando em deixar de crer na doutrina da fé a eles pregada e se entregar ao falso ensino dos falsos mestres. Isto era o mesmo de dizer não valeu nada sofrer pela doutrina da Fé que Jesus Cristo me ensinou e que eu cri!

E nestas perguntas temos um alerta de Deus para nós:

Meu irmão, tome muito cuidado para não tornar sem valor toda sua experiência com a graça de Deus em Cristo, todo seu sofrimento pelo Evangelho da Graça de Cristo, deixando Jesus Cristo para seguir falsos mestres e seus falsos ensinos.
Não substime os ardis do diabo. O diabo usa os ministros dele, os falsos mestres, para enganar o povo de Deus. Veja o que estava acontecendo com os gálatas (observe o v. 5).
Os gálatas receberam a Palavra diretamente do Apóstolo Paulo, Jesus Cristo supria os gálatas com o Dom do Espírito e poderosas obras (milagres). Os irmãos receberam essas obras poderosas de jesus Cristo somente por meio da Fé no evangelho pregado a eles.
Mas, mesmo assim com tantas provas que mostravam a verdade do Evangelho da Graça de Cristo, do Evangelho da justificação pela Fé, os irmãos da Galácia estavam deixando de crer na doutrina da Fé, negando o Evangelho da Graça e as experiências poderosas vividas por eles.
Por isso, os nossos irmãos foram chamados de insensatos, pois sem motivo nenhum estavam se entregando a um outro evangelho, que na verdade não era evangelho, mas uma perversão da verdade e uma mensagem de maldição, pois levava o homem a negar a justificação pela fé somente e assim negar a obra perfeita e completa de Jesus Cristo para nos fazer justos diante de Deus!

Conclusão:

Meu irmão, lendo o que acontecia nas igrejas da Galácia, então, não pense que você é inabalável e que está fora do perigo da insensatez. Se você fosse inabalável Cristo não estaria falando a você nessa pregação na Carta aos Gálatas!
Essa passagem em Gálatas é um alerta para você que vive hoje o Evangelho da justificação pela Fé, para que você se cuide para não cair no engano de nenhum falso mestre, atendendo doutrinas que vão além do Evangelho revelado na Palavra de Deus e assim se torne UM INSENSATO.
Saiba que os falsos mestres muitas vezes não estão longe de você. Os judaizantes estavam dentro da igreja da região da Galácia e se faziam de verdadeiros irmãos. Estes falsos mestres eram muito gentis para ganhar o coração dos membros da igreja.
Os falsos mestres tinham conhecimento da Palavra de Deus, um zelo fervoroso pelas coisas de Deus, uma aparência e palavras piedosas.
Mas, … lendo a carta aos Gálatas você verá que os falsos mestres eram na verdade maliciosos, gananciosos, orgulhosos, egoístas, bajuladores e gentis SOMENTE com aqueles que não resistiam a sua influência.
E o Espírito Santo, pelas palavras do Apóstolo, mostra-nos que a tática dos falsos mestres era atacar e caluniar o Apóstolo, questionar o chamado de Paulo e o seu trabalho. E sabe o verdadeiro alvo das suas calúnias e ataques? Não era Paulo, mas a doutrina ensinada por Paulo às igrejas.
Veja que no cápitulo 1 e 2 da Carta aos Gálatas Paulo fala do seu chamado apostólico, da fonte de sua doutrina e da sua igualdade com os outros apóstolos de Cristo. O Apóstolo não fala estas coisas não para se vangloriar e defender sua reputação, mas para defender a Glória de Jesus Cristo e a reputação do Evangelho a ele revelado e pregado aos Gálatas das calúnias dos falsos mestres contra a doutrina da justificação pela fé somente.
Por isso, meu amado irmão em Cristo, você deve tomar muito cuidado e não se intimide com certas pessoas dentro da congregação (pode ser um oficial ou alguém que seja considerado conhecedor da Palavra e muito zeloso e piedoso), mas que buscam de modo sutil ou aberto manchar a imagem dos oficiais de Cristo que fielmente ensinam a você as doutrinas da graça de Deus.
Saiba que uma vez que o diabo mancha a imagem de um oficial da igreja ele consegue enfraquecer a confiança da igreja na doutrina que esse oficial ensina.
E digo que dentro de nossa igreja o diabo já tem levantado pessoas para caluniar os oficiais de Cristo e cabe a você não dar ouvido a estas pessoas e não se deixe intimidar e cumpra Mateus 18, a fim de manter a igreja na Verdade da Graça de Cristo.
E, meu amado irmão em Cristo, SE você está sendo tentado a falar dos seus oficiais, busque seus oficiais e diga a eles suas queixas e não a outras pessoas na congregação, pois assim você estará sendo fiel a Jesus Cristo e protegendo a igreja do engano de Satanás.
Os gálatas, nossos irmãos em Cristo, começaram a ser iludidos quando se deixaram levar pelas mentiras que caluniavam Paulo e assim caluniava o Evangelho da justificação pela Fé Somente!
Meu irmão em Cristo, você hoje é chamado a fugir da insensatez, mantendo-se na doutrina da Fé que você ouviu da Escritura e que é confirmada em sua vida pelo Espírito os dos dons do Espírito de Cristo que você provou e prova mediante a Fé em Jesus Cristo.
Veja as obras poderosas que Jesus Cristo opera em você e no meio da igreja: o Espírito Santo e o testemunho dEle em você que confirma que você é filho de Deus em Cristo, a regeneração espiritual, a justificação pela fé, a libertação do diabo e do pecado, a consciência livre da acusação dos pecados perdoados, a pregação da Palavras e os sacramentos (Santo Batismo e Santa Ceia), os ofícios eclesiásticos! Veja quantos milagres, verdadeiras obras poderosas, Jesus Cristo tem operado em você e nos membros da igreja!
Meu irmão, todo esse suprimento do poder de Jesus Cristo foi operado por você, por seus méritos, por suas boas obras ou SOMENTE PELA VERDADEIRA FÉ NA DOUTRINA DA GRAÇA DE CRISTO A VOCÊ PREGADA? …
O Espírito Santo, operou em você a Fé e através dessa fé Jesus Cristo supre todas as necessidades espirituais que você tinha, tem e terá. Por isso, para SUA SALVAÇÃO E CONSOLO ETERNOS continue firme na sensatez do Evangelho, crendo e confessando o Evangelho da Graça de Cristo, o Evangelho da justificação pela Fé somente!
Amém.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Diferença entre a Escola Comum e Cristã: Uma Diferença que começa nos seus alvos


Por Rev. Adriano Gama

Introdução:

O título da minha palestra é A DIFERENÇA ENTRE A ESCOLA COMUM E A ESCOLA CRISTÃ. E o tema proposto por mim é: Uma Diferença que começa nos seus alvos.
Este tema é muito importante para ser discutido entre os pais, educadores e oficiais que são membros das Igrejas Reformadas e que participam deste pequeno simpósio sobre Educação Cristã, pois somos novos na Fé Reformada, necessitamos crescer no conhecimento da relação Fé, escola, família e igreja[1]. Por isso, faz-se preponderante o conhecimento das distinções que existem entre as escolas comum e cristã e as fontes dessas distinções, para sermos estimulados a criar escolas cristãs e mantê-las para o bem das igrejas de Cristo em nossa nação.
Ditas estas palavras veremos dois pontos no tema desta palestra:

1. A diferença de alvo; e que
2. O alvo determina a estrutura da escola


1. A diferença de alvo (objetivo)

O material para descrever o alvo das escolas comuns pode ser retirado da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, Lei 9.394/1996). A Constituição do Brasil diz:

“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Na Constituição temos a descrição do objetivo geral da educação que deve ser atingido pelas instituições de ensino no Brasil: “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Mas, é na LDB que encontramos as diretrizes e bases da educação nacional (Art 2.). Nela encontramos descrito o objetivo que direciona as escolas comuns:
“A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
A LDB também nos fornece a inspiração do alvo da educação escolar. A Lei diz que a Educação … [é] inspirada “nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana”. Temos descritos na LDB o alvo da educação e sua inspiração. Então, podemos dizer que o alvo principal das escolas comuns no Brasil visa:

1. A pessoa humana;
2. O pleno desenvolvimento dessa pessoa nas áreas psíquicas e materiais;
3. Seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho;
4. Proporcionar o necessário para o homem viver bem como ser social nesta terra.

A centralidade do alvo da educação brasileira é a pessoa humana, seu desenvolvimento, preparo “para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Podemos dizer que o resumo do alvo da escola comum é desenvolver o homem para si mesmo. Esse alvo tem como fonte de inspiração tudo que mantenha o homem livre e que promova o vínculo do indivíduo à vida, aos interesses dum grupo social, duma nação, ou da humanidade. Sendo assim, o alvo das escolas comuns, apartir da fonte de inspiração, visa o homem e tudo que é para o bem do homem e para glória dele nessa vida.
Usei o texto de nossas leis para mostrar de modo geral o alvo e as fontes de inspiração da educação escolar brasileira.
E para vermos o alvo e a fonte de inspiração da educação escolar cristã usaremos o texto de uma decisão de um antigo Sínodo das Igrejas de Cristo, do Regimento adotado e da forma de batismo utilizada pelas Igrejas Reformadas do Brasil.
Um Sínodo das Igrejas Reformadas na Holanda realizado na Antuérpia no ano de 1565 declarou que:

“Os pais, como pastores de suas famílias, devem ser exortados, a fim de formar suas crianças no temor do Senhor, não as enviem para escolas ou qualquer outra instituição onde lá possam ser, [ou] onde elas serão corrompidas ou mergulhadas em doutrinas ou condutas malígnas”[2].

O Regimento das Igrejas Reformadas do Brasil diz o seguinte (Art 48):

“O Compromisso dos Pais que têm Filhos Batizados:
Os pais devem instruir seus filhos batizados na doutrina da palavra de Deus, como prometeram quando seus filhos foram batizados, também, se for possível, através de educação escolar baseada nesta doutrina.”

A forma de Batismo pergunta o seguinte aos pais:
“Vocês prometem fazer todo o possível para que esta criança seja instruída naquele ensino?” E os pais respondem: “Sim”.

Tomando esses textos como guias temos o alvo das escolas cristãs e podemos ver, ao mesmo tempo, a sua diferença do alvo das escolas normais, pois o nosso alvo visa:

1. A pessoa humana, porém, no seu devido lugar de criatura e não como um fim em si mesmo;
2. Desenvolver a pessoa como homem pleno, ou seja, criatura que é Imagem e Semelhança de Deus;
3. Formar e qualificar o homem, como ser social, para ele dominar a criação e desenvolvê-la de modo verdadeiramente justo e sustentável;
4. Elevar a visão do homem acima do nível da vida terrena;

Podemos perceber que o resumo do alvo das escolas cristãs é desenvolver o homem para Deus. E qual a fonte inspiradora desse alvo? São as Escrituras e as Confissões. Isto é muito claro nos textos, pois eles dizem que os pais, por meio das escolas cristãs, forneçam meios para levar seus alunos a crescerem no “temor do Senhor”, através de uma educação escolar baseada na doutrina da Palavra de Deus”. Este alvo leva o homem a glorificar a Deus seu Criador. Sendo assim, podemos dizer que as escolas cristãs e seu alvo são consequência da Fé.
As diferenças dos alvos explicam muito a distinção fundamental entre a escola comum e a escola cristã. E, nessa perspectiva, somos conscientizados que somente as escolas cristãs tem um alvo completo e a proposta para desenvolver o homem para viver plenamente bem nessa vida como ser social e qualificado para o trabalho.
Devido a diversos fatores, especialmente, desinformação da relação Fé-escola e da história da educação cristã[3], existem pais e educadores cristãos que pensam que não é necessário as escolas cristãs para seus filhos ou alunos. Acham que as escolas do governo e particulares são suficientes para preparar intelectualmente suas crianças. Mas, será que comparando os alvos, suas fontes de inspiração e a consequência final de cada um deles vamos achar desnecessária a criação e manutenção das escolas cristãs?
Podemos olhar para o alvo da educação esboçado na Constituição e na LDB e dizer que ele não é totalmente ruim, pois tenta dar ao homem condições para o seu desenvolvimento como ser social e para que ele tenha uma boa vida no mundo. Porém, o alvo da educação brasileira é incompleto e perigoso para os cristãos quando comparado ao alvo da Fé Cristã.
Por que é incompleto para o cristão o alvo da educação brasileira? Porque não leva o homem a ver nem prepara o homem para viver e desenvolver-se nesta terra, conforme o fim principal para o qual o homem foi criado que é: amar a Deus de todo coração, e viver com Ele em eterna felicidade para O louvar e glorificar (Catecismo de Heidelberg, P & R 6).
Pais cristãos não devem se contentar com um alvo educacional e instituições de ensino que somente levem seus filhos a visar o homem, a sua vida e glória nesta terra como um fim em si mesmos.
E por que não? Porque o alvo do cristão e, por isso, também da educação cristã, é mais elevado e mais sublime: o alvo é levar o homem a si ver e a viver como imagem e semelhança de Deus nesta terrra (Gn 1.26,27).
E esse entendimento nos conduz a desejar e desenvolver uma proposta educacional que considere o homem na sua plenitude como ser criado por Deus e para glória de Deus. E esta proposta visa proporcionar ao homem conhecimento e instrumentos para desenvolvê-lo e capacitá-lo a viver como ser social conforme a realidade plena do homem: Imagem e Semelhança de Deus. O alvo da educação escolar comum não leva em conta este aspecto pleno do homem e, por isso, é incompleto para os cristãos.
Também, o alvo das escolas comuns é perigoso para os cristãos. Por que? Porque as fontes de inspiração são “os princípios de liberdade e os ideais de solidariedade humana”.
O cristão defende os princípios de liberdade e os ideais de solidariedade humana, porém, com um detalhe importante: Os cristãos regulam esses ideais pelo padrão ético cristão, a Escritura. O cristão entende que a liberdade e solidariedade humana são bons ideais, mas só se forem pensados, regulados e fundamentados na Escritura do Antigo e Novo Testamentos.
Dou exemplos práticos: Como tratar em sala de aula o tema sexualidade sem poder partir da ética cristã? Em nome da liberdade e da solidariedade humanas o plano pedagógico das escolas normais passam para os alunos que o homossexualismo e a vida sexual ativa fora do casamento devem ser aceitas como coisas normais.
Também em nome da liberdade e solidariedade é defendido de modo explícito ou implícito nas escolas do país o evolucionismo, o humanismo anticristão, o relativismo da verdade, a ecologia panteísta, o ateísmo, o materialismo, etc. Esses temas são dados e debatidos nas escolas comuns e outras instituições de ensino brasileiras[4], mas sem dar lugar a reflexão guiada pelas Escrituras, ou seja, nos debates não há lugar para a ética cristã[5]. Isto é nocivo para o homem, por isso, os pais e educadores cristãos devem criar escolas que tem um alvo educacional inspirado na Escritura e Confissões, pois este alvo irá promover o debate dos temas da vida e analisá-los através da ótica da ética cristã. Isto beneficia a liberdade e a solidariedade verdadeira entre os homens; e, não porá em risco a integridade do homem, especialmente, dos filhos da Aliança. Aquilo que já aprendemos nos dá condições ver as diferenças entre o alvo da escola cristã e da escola comum.

(Por problemas técnicos a tabela comparativa das diferenças entre os alvos)


Essas diferenças nos levam a encerrar esse ponto com algumas perguntas: Qual o alvo da sua escola? O que você quer atingir com seu plano pedagógico? Quando você monta seu plano de aula você quer levar os seus alunos a serem instruídos bem para eles viverem como imagem de Deus e para a glória de Deus? O que mostra a diferença entre o alvo da sua escola e as demais escolas públicas e particulares do Brasil? O que faz o seu método de ensino e esforço ser diferente do seu colega descrente?
Você deve pensar nestas perguntas, pois são as diferenças de alvo que moldam e direcionam tudo na estrutura da escola. Na verdade, a escola é a consequência do seu alvo. Vejamos o segundo ponto:

2. O alvo determina a Estrutura da Escola


O alvo de uma escola logicamente determina sua estrutura. Isto por que a estrutura de uma instituição educacional é montada para que ela atinja seu objetivo. Essa verdade nos ajuda a ver e a compreender melhor a diferença entre a estrutura de um escola comum e da escola cristã.
E quando falo de Estrutura não me refiro às instalações físicas em primeiro lugar, mas os elementos que juntos formam uma escola: Os gerenciadores, os educadores, os alunos e seus pais, os funcionários, a metodologia de ensino, o plano pedagógico, os livros adotados, as normas disciplinares, etc. Estes elementos estruturais são formados e organizados de acordo com o alvo do tipo da escola: comum ou cristã.
Muitos filhos da Aliança estão em escolas gerenciadas e compostas por pessoas que não são comprometidas com a Escritura e Confissões. E quando chegamos a um dos pilares principais da estrutura escolar, os professores, vemos nossos alunos, e muitos deles filhos da Aliança, sendo formados por pessoas que defendem o ateísmo, divórcio, comunismo, materialismo, homossexualismo, relativismo, evolucionismo e outros princípios e idéias anticristãos.
Também o conteúdo programático das escolas comuns e a aplicação dele não é supervisionado pela ética cristã. Não há disciplina no ambiente escolar para regular as relações entre os alunos e entre eles e os professores. Sendo assim, a estrutura das escolas comuns nos obriga agir como cristãos em relação a educação escolar.
Por isso, devemos pensar na nossa responsabilidade como pais e educadores cristãos para oferecer àqueles que estão sob nossa responsabilidade instituições educacionais estruturadas conforme o alvo completo e seguro da educação cristã[6].
Chamo atenção, especialmente, para os gerenciadores e professores das escolas cristãs. Estes são pilares importantes para manter de pé a estrutura da educação cristã. O alvo da educação cristã requer que cristãos comprometidos com a Escritura e as confissões estejam dirigindo, coordenando, ensinando e cooperando na e para a escola. As igrejas na história viram essa necessidade de coerência entre o alvo e a estutura escolar. Um exemplo disso é o Grande Sínodo de Dort que adotou um regimento que no seu Art. 53 dizia:

“Os Ministros da Palavra de Deus e igualmente os Professores de Teologia (que também é coveniente aos outros Professores das universidades e das escolas) devem subscrever as Três Formas de Unidade, nominalmente, a Confissão de Fé Belga, O Catecismo de Heidelberg, e Os Cânones de Dort, 1618-19 …”[7].

O Sínodo de Dort conforme esse Artigo formulou e adotou uma breve forma de subscrição específica para os professores das instituições de ensino tanto superior como básico criadas para servir aos cristãos reformados da Holanda. Os professores das escolas reformadas assinavam essa forma e assim se comprometiam com as Três Formas de Unidade[8]. Esta atitude do Sínodo de Dort era para resguardar as igrejas, pois as instituições de ensino são cooperadoras dos pais e dos oficiais para manter a Igreja em fidelidade à Verdade de Deus.
Pergunto aos educadores que aqui estão: Qual o seu compromisso com a Palavra de Deus e as Confissões de Fé das Igrejas Reformadas? Como esse compromisso se tem manifestado em sua vida? Estas perguntas são importantes para sua vida e para vida dos alunos da escola onde você trabalha.
As escolas cristãs devem ensinar os seus alunos a viver em Cristo e amar a doutrina de Cristo. Este ensino vai ser dado por osmose aos alunos, ou seja, eles serão encharcados com a doutrina e influenciados pelo contato com educadores comprometidos com a Palavra e Confissões. O testemunho dos educadores da escola é mais importante para formar os alunos em Cristo, que o estampar versículos bíblicos na parede das nossas escolas e as aulas de educação religiosa dadas aos alunos.
É muito importante que os pais e coordenadores se preocupem, por exemplo:

· Se há momentos devocionais na escola para que os professores entre si orem e meditem na Palavra juntos.
· Se há algum meio na sua escola para enriquecer os seus funcionários com o conhecimento das Confissões.
· Se eles estão lendo bons livros reformados.
· Se os seus funcionários estão em plena comunhão com o Corpo de Cristo, ou seja, não estão sob disciplina.

Uma tentação grande para os pais e diretores de escolas cristãs é fazer vista grossa para a condição espiritual dos professores e funcionários da escola, por causa do desejo de ter uma melhor qualidade na oferta de educação para seus filhos ou alunos.
Essa tentação é forte, principalmente, quando temos poucos membros, especialmente, professores reformados nas nossas igrejas. Não é errado desejar os melhores profissionais para as nossas escolas, porém é errado colocar a qualidade profissional antes da qualidade espiritual. Os pais e os diretores das escolas cristãs devem se proteger pensando no alvo da educação cristã. Este alvo mostra que a qualidade profissional não está em primeiro lugar, mas a fidelidade a Deus e a Sua Palavra tem prioridade.
Por causa do alvo da escola cristã os pais e gestores devem trabalhar na estrutura da escola a fim de capacitar os professores fiéis que têm e achar ou formar outros educadores igualmente fiéis. Isto é conforme a Escritura e a história das igrejas reformadas e é um bem para a Igreja de Cristo.
Além disso, o alvo da educação cristã determina o peso dos pais na estrutura das escolas cristãs[9]. A educação conforme a Escritura e a Lei brasileira é uma responsabilidade, primeiramente, dos pais[10]. Esta responsabilidade pesa muito mais nos pais cristãos, pois é bíblica e é firmada no batismo dos seus filhos[11]. Numa escola cristã os pais são aqueles que devem tomar a frente da direção da escola, na escolha dos gestores, coordenadores, professores, regulamento da disciplina dos alunos, orçamento, etc.
Os pais cristãos não devem somente participar na escola através do pagamento das mensalidades, dos plantões pedagógicos e dos eventos. Eles devem estar dentro da estrutura escolar e ser agente de influência na gestão da escola. Os diretores de escolas cristãs também devem estudar métodos para cada vez mais incluir os pais na tomada de decisões importantes para a vida escolar.
Agora, um detalhe importante deve regular essas afirmações: Essa participação dos pais na gestão escolar deve respeitar a configuração das escolas cristãs que formamos[12], pois somente os pais que amam e são comprometidos com a Palavra de Deus e nossas confissões devem agir como gerentes dentro da estrutura escolar.
O alvo das escolas cristãs faz que a sua estrutura conte com o apoio dos conselhos das igrejas. Isto não significa que os conselhos gerenciarão as escolas, mas que eles como pastores da igreja auxiliarão aos pais que são parte da estrutura escolar. Isso nos lembra o Art 48 do Regimento[13]. Esse Artigo fala da responsabilidade do Conselho de supervisionar se os pais estão cumprindo os votos de batismo. No batismo os pais fizeram o seguinte voto: “fazer todo o possível para que esta criança seja instruída naquele ensino (ensino da Escritura e das confissões). Sendo assim, os conselhos cooperam para fortificar ou ajudam na criação das estruturas das escolas cristãs.
Portanto, a consequência prática do pensar no alvo deve levar os reformados do Brasil a refletir no tipo de estrutura que temos ou desejamos para nossas escolas cristãs, pois é a estrutura que nos levará a atingir o alvo cristão e é ela que testemunha que tipo de alvo temos: cristão ou comum.

Conclusão:

O alvo da educação mostra o tripé que sustenta a vida cristã: família, escola e igreja. Nossos filhos são membros da igreja e o ensino dado e a convivência na escola vão ajudar a edificá-los ou destruí-los, trazendo benefício ou prejuízo ao Reino de Deus. Por isso, a história das igrejas reformadas e seus documentos mostram que o assunto formação escolar e escolas cristãs foram parte das pautas de certos concílios. Isto porque o tipo de escola para onde mandamos nossos filhos influenciará fortemente a vida da igreja.
Por causa do alvo da escola cristã precisamos buscar supervisionar, aprimorar ou até (caso necessário) modificar a estrutura das escolas que existem entre as Igrejas Reformadas do Brasil[14].
Essas escolas, apesar das distinções e particularidades delas quanto a iniciativa de criação e modo de operação, ressaltam nos seus documentos que o principal fundamento e compromisso delas é oferecer uma proposta educacional baseada na Escritura e nas Confissões. Assim elas mantêm o objetivo geral: levar os seus alunos a temer a Deus e a prepará-los para viver como Imagem e Semelhança de Deus. Contudo, sempre temos que nos policiar como pais, educadores e oficiais para ver se a escola cristã que temos está cumprindo seu alvo como escola cristã e se sua estrutura é coerente a ele.
O tripé família-escola-igreja revelado pelo alvo da educação cristã mostra também a necessidade de sintonia entre os gestores das escolas cristãs e os conselhos das igrejas. Os gestores devem se preocupar em buscar meios para comunicar aos conselhos desvios de condutas dos seus funcionários e alunos. E também conscientizar seus professores da responsabilidade deles mostrarem que estão comprometidos com a Fé bíblica, em plena comunhão com a Igreja e debaixo da supervisão dos presbíteros[15]. Isto fortificará a estrutura da escola.
Encerramos essa palestra dizendo que a descrição constitucional da educação comparada com o que as igrejas declaram nos seus documentos nos mostram as diferenças entre os alvos da escola normal e da Escola Cristã. Essa diferença começa no alvo e isto determina a estrutura das escolas.
Por isso todos nós temos a necessidade, como cristãos herdeiros da Reforma, de manter ou criar escolas cujo o alvo seja conforme o fim principal para o qual o homem foi criado que é: glorificar a Deus, amá-lO de todo coração e viver com Ele para sempre em eterna felicidade.
Este alvo é completo e não retira a responsabilidade de termos instituições de ensino de alta qualidade[16], pois desejamos levar os homens a glorificarem a Deus com o melhor de suas vidas e para cumprir o mandato dado por Deus ao homem de dominar e desenvolver a criação (Gn 1.28).
A história da educação mostra quanto as escolas e outras instituições educacionais cristãs que foram fundadas pelos reformados na Alemanhã, em Genebra, na Holanda e nos Estados Unidos beneficiaram o desenvolvimento de suas sociedades e do mundo, ao mesmo tempo, conscientizando os homens a respeitarem a Deus e viver para Ele[17]. Foi o alvo das escolas cristãs que fizeram essas sociedades serem diferenciadas das outras nações do mundo que educaram seus povos através de escolas comuns.
Portanto, devemos orar e trabalhar em nossa amada nação brasileira para mostrar, defender e manter o alvo das escolas cristãs a fim de que possamos fortificar a Igreja de Cristo e, segundo a graça de Deus, reformar o alvo educacional de nosso país, para a glória de Deus e o bem do homem.

Bibliografia recomendada para aprofundar sua visão sobre a Educação Cristã:

1. Fides Reformata XIII – Número 2 – 2008. Edição especial: Educação
2. Lopes, Edson Pereira. O conceito de teologia e pedagogia na Didática magna de Comenius – São Paulo: Ed. Mackenzie, 2003. – Descoberta, 1.
3. Neto, F. Solano Portela. Educação Cristã? São Paulo: Ed. Fiel.
4. Gangel, Kenneth O.; Benson, Warren S. .Christian Education: Its History & Philosophy. USA: Moody Press, 1983.

Notas finais:


[1] A Revista Fides Reformata lançou uma edicão especial sobre Educação. Esta edição deve ser leitura obrigatória para os educadores cristãos e pais: Fides Reformata XIII, Nº 2, 2008. Esta edição está disponível gratuitamente no Site do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper – CPAJ.
[2] Citado por W.W. J. Van Oene na sua obra With Common Consent – A pratical guide to the use of the Church Order of the Canadian Reformed Churches, pág. 270 – Premier Publishing: Third printing 2007.
[3] O Dr. Alderi Souza de Matos tem um artigo muito bom cujo título é Breve História da Educação Cristã: Dos Primórdios ao Século 20. O autor mostrará na História a relação igreja e educação cristã e “chama a atenção para dois aspectos da educação cristã – instrução religiosa na fé cristã e educação escolar baseada em princípios cristãos”. Fides Reformata XIII, Nº 2, 2008, págs 9-24.
[4] A Lei 9.475/97 deu uma nova redação ao Art. 33 da LDB. A nova redação pluralizou mais ainda o conteúdo do ensino religioso, colocando barreiras a abordagem de temas conforme a ética cristã. O Art. 33, parágrafo 2º reza: “Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso”.
[5] A Ética cristã é a reflexão sobre a conduta moral à luz da perspectiva daquilo que a Escritura Sagrada nos oferece.
[6] F. Solano Portela Neto escreveu um artigo publicado em forma de livrete com o título “Educação Cristã”, que traz muitos princípios bíblicos que nos levam a pensar no que é educação cristã. Educação Cristã - Ed. FIEL.
[7] Citado por Van Dallen and Monsma, The Church Order Commentary: A Brief Explanation of the Church Order of the Christian Reformed Church, pág. 221.
[8] Degier, K. Explanation of the Church Order of Dordt: In Questions and Answers, pág. 82 – Netherlands Reformed Book and Publishing Committee. Grand Rapids: 2000.
[9] É crescente no Brasil o sentimento de dar aos pais maior responsabilidade na gestão escolar (conselhos de pais que auxiliam a diretoria, a compra de merenda, eventos, etc). Também, o número de pais que abrem cooperativas educacionais, para poderem oferecer a seus filhos ensino mais barato e de melhor qualidade. Porém, essas tentativas vêm e seguem para atingir o mesmo alvo das escolas comuns.
[10] É incrível que a LDB, ao contrário da Constituição, coloca em primeiro lugar a educação como uma responsabilidade da família. Mas a realidade mostra que o Estado Brasileiro, através da LDB e decisões do seu Supremo Tribunal, tem cada vez mais entrado na família e roubado dos pais os filhos e a responsabilidade deles de educarem suas crianças. O Jornalista cristão Julio Severo tem trabalhado bem para denunciar as tentativas do Estado de interferir e tolher dos pais a responsabilidade de educar seus filhos (cf. http://www.juliosevero.com.br/ o artigo “Defendendo a Responsabilidade da Família na Educação dos Filhos”).
[11] Dt 6.4-9; Pv 22.6.
[12] A MAB (Comissão das Igrejas de Surrey para o Apoio da Obra Missionária no Brasil) no ano de 2007 fez um levantamento e o final de sua pesquisa concluiu que havia três tipos de escolas cristãs criadas pelos reformados no Nordeste: Projeto Evangelístico (Escola Bíblica Cristã em São José da Coroa Grande/PE), Filantrópica (Escola João Calvino em Maceió/AL) e Escola de Parentesco ou Pactual (Escola Guido de Brès em Recife/PE). Cada uma dessas escolas têm suas particularidades históricas e gerenciais. A participação dos pais dos alunos é conforme essas particularidades. A Mab apresentou sua pesquisa à associação de pais da Igreja Reformada no Grande Recife em dezembro de 2007. A igreja de Surrey, por meio da MAB, tem sido uma verdadeira cooperadora das escolas cristãs criadas no Nordeste. Os delegados nesta ocasião foram Apko Nap e Darnele Kuik.
[13] Art. 48: “O Compromisso dos Pais que têm Filhos Batizados:
Os pais devem instruir seus filhos batizados na doutrina da palavra de Deus, como prometeram quando seus filhos foram batizados, também, se for possível, através de educação escolar baseada nesta doutrina.”
[14] Vide nota 12.
[15] É bom as associações de pais que têm escolas cristãs pensarem em estabelecer nos seus regimentos internos a obrigatoriedade de subscrição aos símbolos de Fé da Igreja e a carta de testemunho do Conselho para seus profissionais. Isto protegerá a estrutura da escola e conscientizará sempre seus funcionários a se manterem em plena comunhão e debaixo da supervisão de seus oficiais. Além disso, a subscrição de uma forma protegerá a escola cristã, diante das autoridades do Brasil, de falsas acusações de preconceito religioso vindas daqueles que forem demitidos por problemas de infidelidade ao Senhor.
[16] F. Solano Portela Neto tem um artigo excelente cujo título é “Pensamentos Preliminares Direcionados a uma Pedagogia Redentiva”. Neste artigo Solano Portela, “apresenta a educação escolar cristã como o entrelaçamento de todas as áreas do conhecimento com a verdade da existência de Deus Criador e com a revelação proposicional encontrada nas Escrituras” – Fides Reformata XIII, Nº 2 (2008).
[17] É importante a leitura da obra de André Bieler A Força Oculta dos Protestantes – Ed. Cultura Cristã. Está obra expõe as consequências do ensino cristão reformado para o desenvolvimento tecnológico, cultural e social na Europa e na América. Ver também Moog, Vianna - Bandeirantes e Pioneiros: Paralelos entre duas Culturas – 7ª edição – Ed. Civilização Brasileira S.A – Rio de Janeiro: 1964. Outra obra que mostra a influência da fé bíblica no desenvolvimento da sociedade, tecnologia, trabalho e educação é a obra de Robert Lawrence Sub-desenvolvimento Um Estado de Espírito – Record.