segunda-feira, 9 de março de 2009

A Criação da Mulher

A Criação da Mulher
Palestra dada pelo Rev. Adriano Gama

Leitura: Gn 1-2.25
Texto: Gn 2.18-25

Esta semana foi comemorado o dia internacional da mulher. Considero muito oportuno o momento Para dispor esta exposição sobre Gn 2.18-25, pois nela o Senhor Deus mostra a sua bondade na criação da mulher.
Que todos possam ser edificados em aprender da Escritura sobre a criação da mulher e a consequência desse ensino para nossas vidas. Louvado seja o Senhor Deus pela criação da mulher e no Dia Internacional da Mulher-

I. Contexto da passagem

Toda essa passagem cita acontecimentos que estão ocorrendo no sexto dia da criação (Gn 1.24-31) e antes da Queda do homem em pecado.
Deus já havia preparado tudo para que o homem pudesse viver na terra. Porém, faltava algo para que tudo estive “muito bom” (Gn 1.31).
O Capítulo dois nos dá certos detalhes sobre:

1. Como se deu a criação do homem;
2. Da primeira moradia do homem;
3. Como o homem poderia viver uma vida de plena felicidade com Deus;
4. A criação da mulher, seu papel em relação ao homem;
5. A criação da família e o ato sexual.


II. A Criação da mulher: o plano de Deus revelado (Gn 2.18)

“18 E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idónea para ele.

O v. 18 nos mostra a primeira vez que Deus na Escritura se refere a algo como não bom , agradável, não convém, não é oportuno. O Senhor Deus diz: “Não é bom (heb.: lô-tob) que o homem esteja só (heb.: haya lebaddô)”.
A expressão “não é bom que o homem esteja só” pelo contexto mostra duas coisas:

Primeira – Deus ainda tinha algo a fazer para que sua criação estivesse boa, agradável aos seus olhos. Note que Deus somente declara o “muitíssimo bom” depois que fez o homem e a mulher (Gn 1.31). O uso da palavra “bom” (tob) na Escritura não é exclusivo para as questões morais, mas estendesse para descrever algo agradável, completo, etc. Dou um exemplo: quando um artista olha para sua obra de arte que ainda não está acabada e diz: “esta obra ainda não está boa”. Então, depois de fazer o complemento que faltava o artista exclama: “agora sim, esta obra esta boa”. A expressão de Deus “não é bom” nos dá também essa idéia.
A Segunda coisa, Deus vê a solidão de Adão como espécie como algo não bom. O verbo usado é o verbo “ser” (haya) que tanto pode indicar a natureza como o estado de Adão como espécie.
O plano de Deus era que a criação fosse dominada não só por Adão (como único ser humano), mas pelo homem, ou seja, por uma raça. Veja que em Gn 1.26-30 Deus diz façamos o homem, mas no desenrolar do texto Deus faz homem e mulher e dá a estes seres o mandato cultural: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai, etc (note que todos os verbos e pronomes estão no plural). Estes versos lançam luz sobre Gn 2.18 e mostram que Deus não pensava que Adão fosse só.
Vamos para a segunda parte do v. 18: “far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea”. O verbo traduzido como “far-lhei-ei” (´sar: hifil causativo intensivo do qal) mostra que o Senhor Deus decide, toma a iniciativa e trabalha para fazer “uma ajudadora idônea” para o homem.
A criação da mulher não foi um acidente genético, mas foi um dos itens dentro do bom plano de Deus para a criação.
E no verso 18 vemos que Deus delibera fazer para o homem “uma ajudadora idônea” (Ezer kenegedó). Deus criou para Adão a mulher como “uma ajudadora idônea”. E esta expressão é interessante (ela aparece nos vs. 18 e 20). Veja alguns detalhes:
Primeiro, O termo “uma ajudadora” (heb.: ezer) mostra o ofício da mulher: auxiliar, ajudar, socorrer o homem. Este termo explica muito como a mulher toma parte no mandato cultural. A mulher executa esse mandato auxiliando o homem na sua missão e ofício.
Segundo, a palavra “idônea” (heb.: kenégedó) dá a entender que a mulher será correspondente ao homem, à altura do homem, semelhante a ele. Isto tanto quanto a espécie, mas também quanto a missão. Pelo texto da Escritura a mulher não é um ser inferior ao homem, um subproduto. Porém, a mulher é um ser de igual espécie (correspondente ao homem) para estar ao lado do homem com o objetivo de lhe auxiliar.
Sendo assim, ninguém pode desprezar sua esposa, considerando-a ou tratando-a como um objeto ou um ser inferior. Fazer tal coisa é menosprezar gravemente a obra da bondade de Deus em prover para o homem uma ajudadora e pior ainda: É desprezar a imagem e semelhança de Deus que está presente na mulher como ser humano (Gn 1.27).

III. Criação da mulher: Deus desperta em Adão a necessidade de uma ajudadora idônea (Gn 2.19,20):

O v. 18 mostra o Senhor Deus vendo a situação de Adão e dizendo o que vai fazer. Agora vamos para o v. 19 e 20. Estes versos nos mostram como o Senhor Deus agiu até fazer a mulher.
Primeiro, Deus quis despertar em Adão a necessidade de uma “ajudadora idônea”. No texto do v.19 vemos Deus levando os animais do campo e todas as aves dos céus, para que Adão desse a eles os seus nomes. Adão viu um por um e deu o nome a cada um deles.
Deus leva os animais para Adão e o texto diz “e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles” (v.19). Com isto Deus mostra um exemplo do domínio de Adão sobre os animais e sua singularidade sobre as outras criaturas.
Agora será que o objetivo de Deus era somente mostrar esse domínio a Adão e fazer? Parece que não! Deus tinha um objetivo maior: o objetivo de despertar em Adão a necessidade de uma ajudadora.
Note que o Senhor Deus já sabia que havia a necessidade de uma auxiliadora à altura do homem (v.18). Mas, parece que Adão precisava descobrir esta necessidade. O v. 20 diz que depois que Adão deu nome a todos os animais “para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idôneo”
O verbo traduzido por “achava” (mátsar) mostra que a nomeação dos animais parece ter despertado uma procura. O texto diz: não foi encontrado nenhum ser correspondente ao homem, para que lhe service como ajudadora idônea. Além destas palavras temos o louvor de Adão no v. 23 dizendo: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne”, ou seja, Adão reconhece que agora achou uma ajudadora idônea.
Portanto, o Senhor Deus desperta a necessidade de uma ajudadora idônea no coração de Adão.
Agora podemos também ver no texto a singularidade do homem e da mulher diante das outras criaturas. O homem é uma criatura especial e necessita de uma outra criação à sua altura: A mulher (ajudadora idônea). E este ato de Deus mostra a excelência do homem no fato de se fazer necessária a criação da mulher, mostra a razão do Apóstolo Paulo dizer que a glória do homem se manifesta na mulher (1 Co 11.7).

IV. Criação da mulher: Deus faz a mulher (Gn 2.21,22)

Agora veja o v. 21. Nos versos 19,20 o Senhor Deus mostra que despertou Adão para a necessidade. Porém, o verso 21 revela que Deus fez Adão dormir para suprir a ele uma ajudadora idônea.
O texto hebraico mostra que Deus fez cair um sono muito pesado sobre Adão (o verbo “naphal”- cair - esta no hifil que é a voz ativa e causativa). Um sono tão pesado que podemos compará-lo a uma anestesia geral (Adão recebeu a primeira anestesia geral da história).
Era necessário o sono profundo, pois uma profunda operação seria feita. O Senhor Deus faz Adão adormecer e retira uma das costelas (no hebraico a palavra “tsela’ ” pode ser traduzida como uma parte lateral do homem). E dessa costela faz a mulher.
O v. 21 diz que Deus “tomou” (heb.: laqar). Isto mostra que o Senhor Deus se envolveu diretamente na criação da mulher, destacando a mulher como uma criação especial tanto quanto o homem. Também note que enquanto o homem dorme o Senhor Deus providência para ele o que é bom: A mulher.
Além disto, o texto diz que Deus “formou” (heb.: banah - construir, formar) a mulher de uma costela do homem. A mulher foi formada diretamente de Adão e não da terra como as outras criaturas.
O Senhor Deus quer dar ao homem uma ajudadora que seja parte dele e esteja ligada de modo especial ao homem. A mulher será osso dos ossos do homem e carne da sua carne. E o verbo traduzido como “transformou” é o mesmo que foi traduzido como “esteja” no v. 18 (haya). Assim, Deus fez a costela ser uma mulher. Por isso, Adão diz no v. 23: “esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne”.
Outro detalhe é que o Senhor Deus criou a mulher de tal forma que o homem é um ser completo somente quando acompanhado por sua esposa. Isto se mostra quando olhamos a parte final do v. 21, pois diz que o lugar da costela tomada foi tapado com carne e não com outra costela.
Por que Deus fez isto? Por que Deus não colocou outro osso no lugar da costela tirada? Deus revela isto para ensinar que o homem só pode estar completo se ao seu lado estiver uma esposa! O Senhor Deus completa o homem quando dá a ele uma esposa (v. 22).
Veja o cuidado de Deus para com o homem. Deus faz e traz para Adão uma ajudadora idônea. E esse ato de Deus em trazer a mulher e dá-la a Adão foi o motivo de louvor a Deus (v. 23): “E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada”.
Adão compreendeu que foi o Senhor que tomou sua costela e fez dela uma mulher. Adão louva a bondade de Deus e entende a ligação muito íntima dele com a sua mulher (osso dos meus ossos e carne da minha carne). Adão também compreendeu que sua esposa foi um presente do Senhor Deus, pois deu um nome a ela que manifesta essa realidade: Varoa, porque “do Varão foi tomada”.
Agora uma coisa interessante é que a Escritura revela que não é Deus, mas Adão é quem dá o nome da mulher. Por que Deus não dá o nome a mulher? Deus quer mostrar que a mulher esta também debaixo do domínio do homem. Ela é um ser especial e com a responsabilidade de cumprir o mandato cultural, mas ela cumpre seu chamado sendo submissa a seu esposo.

V. A Criação da Mulher: O primeiro casamento (Gn 2.22-24)

O v. 22 diz que Deus trouxe a mulher ao homem. O homem recebe-a e a nomeia (v. 23). E Moisés no v. 24 conclui que esse ato de Deus criar e levar a mulher a Adão é um casamento (o primeiro casamento). Moisés diz: “Por isso (heb.: ´al-ken - portanto), deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”.
No texto o verbo deixar (heb.: ´azab) ressalta o verbo unir (heb.: dabaq). Deus usa palavras com sentidos fortes. O verbo usado para deixar pode ser traduzido como desamparar, abandonar, deserdar. E o verbo unir pode significar amalgamar-se, fundir-se, vincular-se, colar-se.
Deus quer deixar claro que o homem quando se casa se desprende, desvincula-se dos seus pais e passa a estar “colado” a sua esposa.
Isso não significa que o homem vai abandonar, desamparar seus pais (no hebraico dabaq pode ser traduzido neste sentido). Mas, Deus quer deixar claro que o homem no casamento tem seu forte vínculo com a sua esposa, “tornando-se os dois uma só carne”, ou seja, uma só vida, uma unidade!

VI. A Criação da Mulher: Sua união com o homem dá origem ao casamento (Gn 2.24)

Moisés, pelo Espírito Santo, ensina no v. 24 a base e a natureza do casamento. A base do casamento está na vontade de Deus. Deus quis que Adão tivesse uma esposa e se uni a ela. Mas, Deus não queria que essa união fosse algo que pudesse se quebrar. Então, Deus cria a mulher apartir do homem.
Isto mostra que o casamento, segundo a vontade revelada de Deus, não deve ser quebrado. O casamento é uma obra de Deus unindo homem e mulher de modo tão íntimo, “tornando-se os dois uma só carne”. Podemos dizer que no casamento duas vidas passam a ser uma vida.
O Senhor Deus abomina o divórcio ilícito (Ml 2.10,11). Jesus Cristo em Mt 19.4-6 ensina contra o divórcio: “… Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
Jesus Cristo ensina que o divórcio somente é aceito por Deus em caso de adultério. E o Apostolo Paulo também coloca o divórcio algo possível quando o cônjuge descrente abandona o lar (1 Co 7.15). Estas situações são atos graciosos de Deus, por causa da dureza do nosso coração. Mas, o Senhor Jesus diz que no princípio Deus estabeleceu o casamento como uma união que o homem não deve separar.
Por isso, os cristãos devem considerar o divórcio ilícito uma abominação e como algo inaceitável para suas vidas e para vida dos outros. O divórcio ilícito é pecado e é uma ameaça à família.
A experiência de casais que se separaram mostra como é ruim o divórcio. A vida de pessoas que sofreram divórcio não é normal. As marcas deixadas pelo divórcio no homem, na mulher e nos filhos mostram como ele é antinatural e contra a vontade de Deus.

VII. Criação da mulher: Sua união com o homem selada e sinalizada no ato sexual (Gn 2.24)

Como podemos chegar ao ato sexual no texto de Gn 2.24? Pelo contexto da Escritura. O ato sexual está presente na expressão “tornando-se os dois uma só carne”.
O Apóstolo Paulo usa essa expressão em 1 Co 6.15,16 para previnir a igreja contra a imoralidade sexual e se manter pura como corpo de Cristo. Assim, podemos dizer: É no ato sexual que se dá a maior e mais profunda manifestação da união entre marido e esposa.
O Apóstolo Paulo nos ensina isto em 1 Co 6.15,16. Pela Escritura quando um homem e uma mulher tem relações sexuais estão se fundindo, unindo-se, tornando-se uma só carne.
O ato sexual ilustra tão bem essa união que o Apóstolo usa a união sexual entre o marido e a esposa como ilustração da profundidade da união entre Cristo e a igreja. Por isso, devemos aborrecer qualquer banalização do sexo, pois não honra o propósito e o significado dele para com Deus.
Também foi da vontade de Deus que o ato sexual esteja presente apenas no contexto do casamento. Isto é claro nas palavras do Apóstolo em 1 Co 7.1,2,9. Assim, pela Palavra de Deus, fica claro o motivo que torna o adúltério, prostituição, fornicação pecados pois estas impurezas são perversões do propósito de Deus para o sexo.
É o ato sexual abençoado por Deus, pois é por meio deste ato que o homem cumprirá parte do mandato cultural: “multiplicai-vos e enchei a terrra”. Assim o ato sexual não é um mal necessário, mas um bem ordenado por Deus ao homem para o homem desfrutar e cumprir o seu ofício.
As famílias devem ter bem isto na mente no meio dessa sociedade adúltera e sexualmente promíscua que vivemos. Os cônjuges devem se proteger contra as tentações se lembrando da vontade de Deus em relação ao sexo. Marido e mulher devem entender que o ato sexual é uma bênção de Deus para ser desfrutada no casamento (Gn 1.28). Deus criou homem e mulher e disse: “sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra …”. O ato sexual é dado para o prazer do homem e como meio dele cumprir o mandato de Deus. Assim, o marido e esposa devem usufruir dessa bênção de Deus e assim se proteger contra a imoralidade.
Os pais devem ensinar aos seus filhos (no momento adequado) o que Deus ensina sobre o uso do sexo. O ato sexual deve ser passado como uma bênção de Deus para o ser humana, porém uma bênção para ser provada no casamento e não fora dele. Também devemos ensinar a nossos filhos que o casamento é mais um meio de Deus preservar a igreja da impureza sexual. E se eles querem provar o sexo, então, que se casem no Senhor.

VIII. Criação da mulher: Comunhão no casamento e com o Senhor Deus (Gn 2.25)

Vamos agora para o último versículo (v.25). Este verso serve como um encerramento dos anteriores e uma preparação para os textos que se seguem e que vão narrar a Queda.
O verso 25 nos mostra que o primeiro casal estava nu (heb.: ´arm) e “não se envergonhavam”. Para entendermos esta frase devemos considerar que a percepção da nudez passou a ser algo vergonhoso com o pecado (Gn 3.7-11).
A Queda é que trouxe a vergonha da nudez. E é depois da Queda que o Senhor Deus coloca a nudez como sinal de vergonha e da Sua maldição contra o pecado do homem (ver Dt 28.48; confira Ez 16.6,7,22,39; 18.7,16; 23.29; Am 1.11; Is 20.2ss; Os 2.16; Am 1.8).
Assim quando a Escritura diz que, o homem e a mulher estavam nus e não se envergonhavam é para indicar que o casamento gozava de plena comunhão com Deus, ou seja, sem motivo de vergonha diante de Deus e de um para com o outro.
Portanto, toda vergonha, tristezas e falta de comunhão entre o homem e a mulher (marido e esposa) não fazem parte da família original, mas é fruto do pecado do homem. O casamento é algo muitíssimo bom pois é uma obra de Deus. Nenhum trauma produzido pelo pecado deve roubar esse mérito do casamento.

IX. Mais aplicações deste ensino para nossas vidas:

O ato de Deus em criar, trazer a mulher e dá-la a Adão foi o primeiro casamento. O casamento assim dá início a primeira família. Agora devemos notar alguns detalhes sobre o casamento revelados nos versos expostos:
A Escritura repudia qualquer sentimento que insine a independência absoluta entre homem e mulher – A Escritura diz que no Senhor homem e mulher dependem um do outro (1 Co 11.11,12). Sendo assim, o Senhor Deus em Gn 2 e demais passagens repudia tanto o machismo como o feminismo.
Todo marido deve reconhecer e honrar o ofício dado por Deus a sua esposa. O marido não deve se achar autosuficiente para desempenhar todas as suas responsabilidade como homem. Pense: Se antes da Queda o homem já precisava de uma auxiliadora quanto mais depois da Queda? Então, como um homem pode se achar autosuficiente?
Muita soberba, desprezo pela obra de Deus e desobediência a Escritura se manifesta quando um homem centraliza o controle da família em suas mãos, desprezando a ajuda de sua esposa.
Saiba que o Senhor Deus deu a ordem de dominar a criação ao homem e a mulher (note que em Gn 1.26-30 os verbos estão no plural). A mulher desempenha esse mandato auxiliando o homem. Assim, o marido tem o dever de gerenciar a família com a ajuda da sua esposa, pois ela foi feita para ser sua ajudadora.
E, especialmente, os crentes devem reconhecer o ofício das suas esposas, pois o Apóstolo diz (veja 1 Co 11.11,12): “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. [12] Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus.”
Veja que o Apóstolo diz “No Senhor, …”, ou seja, em Cristo, como novas criaturas de Deus, não há lugar para sentimentos independentistas do homem para com a mulheres. Assim qualquer sentimento que não valorize a mulher como ajudadora do homem não vêm de Deus.
Agora muito se disse para os maridos. Mas, as esposas também devem saber que qualquer sentimento que leve a mulher a não ajudar o seu marido não vem de Deus.
As esposas tem um ofício: Ser ajudadora do seu esposo. Você foi criada para ser a ajudadora do Seu marido. Uma mulher que não desempenha esse ofício peca contra Deus, pois não cumpre o objetivo de sua existência e chamado. Então, qualquer coisa que esteja impedindo você de ser ajudadora do seu marido deve ser retirado de sua vida.
É desejo de Deus que você cumpra seu ofício e a sua família depende disto, pois seu esposo não pode desempenhar bem sua missão e ofícios como homem, marido, pai e membro da igreja sem seu apoio.
É bom pensar, por exemplo, como você tem ajudado seu marido para superar o estresse produzido pelas responsabilidades de sustentar e governar a casa, para cuidar bem de você e das crianças. Também como você tem ajudado seu marido a servir melhor o Senhor Deus. Esposa: Deus fez você para auxiliar seu esposo e Ele deu a você a capacidade para desempenhar seu papel, pois Deus fez você “uma ajudadora idônea” para o bem de sua família.
A palavra “idônea” (heb.: kenégedó) dá a entender que a mulher será correspondente ao homem, à altura do homem, semelhante a ele. Isto tanto quanto a espécie, mas também quanto a missão. Pelo texto da Escritura a mulher não é um ser inferior ao homem, um subproduto. Porém, a mulher é um ser de igual espécie (correspondente ao homem) para estar ao lado do homem com o objetivo de lhe auxiliar.
Sendo assim, ninguém pode desprezar sua esposa, considerando-a ou tratando-a como um objeto ou um ser inferior. Fazer tal coisa é menosprezar gravemente a obra da bondade de Deus e pior ainda: É desprezar a imagem e semelhança de Deus que está presente na mulher como ser humano (Gn 1.27).
O casamento mostra que na família só deve existir uma esposa – O plano original de Deus era que o homem tivesse apenas uma esposa. O texto diz que o homem se unirá “a sua esposa” (singular).
A bigamia (duas esposas) ou poligamia (mais de duas) é uma perversão do casamento. Deus tolerou esse erro por muito tempo, mas essa não é Sua vontade revelada para a família.
O casamento, conforme a Escritura, descarta a união homossexual – A criação da família só se tornou algo real por meio da criação da mulher. Sem a criação da mulher Adão estaria só e não haveria casamento e famílias na terra. Sendo assim, pela revelação de Deus, para a família passar a existir se fez necessário a criação da mulher e a união dela com o homem.
Por isso, pela Escritura, não podemos considerar como família a união entre pessoas do mesmo sexo. Neste momento quero dar um alerta contra o homossexualismo que cada vez mais (por muita pressão) é imposto aos cristãos como algo aceitável. Você já parou para pensar por quê o homossexualismo é pecado? O homossexualismo é um pecado abominável, pois:
a. é uma perversão da natureza criada por Deus – a constituição física e sentimental do homem e da mulher mostram que eles foram feitos um para o outro;
b. é uma negação da vontade de Deus para o homem e mulher – o Senhor fez a mulher para o homem.
c. é uma obstinada e declarada desobediência ao mandato de Deus para o ser humana (Gn 1.28) – Relacionamentos homossexuais não produzem um outro ser homossexual. O homossexualismo é estéril.
Assim todos, especialmente, os cristãos, são chamados a ver o homossexualismo como algo não aceitável a Deus e como uma verdadeira ameaça para a família e, consequentemente, para a sociedade como um todo.
O casamento é fruto da bondade de Deus – Deus viu que não era bom o homem estar só. Deus quer o nosso bem e o que é bom para nós segundo a Sua vontade. E o casamento estava nos seus planos para beneficiar o homem e a criação.
O casamento, junto com a Escritura e a criação, é mais uma das provas que o Senhor Deus não gosta de solidão e não quer que o homem viva só.
Como cristãos sabemos pela Escritura que Deus é Um, mas que Ele subsiste em Três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus na criação do homem revelou essa pluralidade quando disse: “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;” (Gn 1.26). Então, o Senhor Deus como Triúno nunca esteve só.
A criação também é uma prova que o Senhor Deus não gosta de solidão. O Senhor Deus poderia viver sozinho pois Ele não precisa de ninguém e de nada para existir, mas Ele resolveu criar e encher a terra de toda sorte de criaturas. Deus quis e mostrou que seu desejo era estar acompanhado com Suas criaturas e que elas vivessem com Ele em amor, alegria e gozo eternos.
Desta forma, o Senhor Deus pela Escritura, criação e instituição da família mostra-nos que solidão não é segundo a Sua vontade revelada. O livro de Provérbios diz: “O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria”. A Escritura mostra que o desejo de querer se isolar (por um sentimento de egoísmo) não é um sentimento que vem de Deus.
O casamento estava no plano de Deus. O casamento não é uma consequência da necessidade do homem de estar em sociedade. O casamento foi algo que foi planejado e instituído por Deus para Sua glória e o bem do homem. O texto diz: “Não é bom (tob) que o homem esteja só”. E a continuação do v. 18 nos mostra que o Senhor Deus resolveu agir para mudar a situação solitária de Adão.
Veja como o Senhor Deus é bom e como ele cuida do homem, pois pessoal e ativamente Deus trabalhou para tirar o homem da solidão e completar o homem fazendo para ele “uma ajudadora que lhe seja idônea” (Ezer kenegedó).
Assim vemos o Senhor Deus revelando Seu plano de criar uma ajudadora para Adão e assim constituir a primeira família da terra.
O casamento é motivo de louvor ao Senhor Deus (veja o v. 23): “E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada”.
Adão louva a bondade de Deus e entende a ligação muito íntima dele com a sua mulher (osso dos meus ossos e carne da minha carne). Adão compreende que sua esposa veio dele e deu um nome a ela que manifesta essa realidade: Varoa, porque “do Varão foi tomada”.
O casamento põe fim ao forte vínculo que liga o homem a seus pais e cria uma nova família. O texto diz: “por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher.
No texto o verbo deixar (heb.: ´azab) ressalta o verbo unir (heb.: dabaq). Deus deixa claro que o homem quando se casa se desprende, desvincula-se dos seus pais e passa a estar “colado” a sua esposa.
Isso não significa que o homem vai abandonar, desamparar seus pais (no hebraico dabaq pode ser traduzido neste sentido). Mas, Deus quer deixar claro que o homem no casamento tem seu forte vínculo com a sua esposa, “tornando-se os dois uma só carne”, ou seja, uma só vida, uma unidade!
Os maridos para manterem a família bem devem quebrar todo tipo de dependência dos seus pais (dependência sentimental e, especialmente, financeira). Por isso:
Quando brigar com a esposa não vá chorar nos ombros dos seus pais e nem durma na casa deles. Na hora do almoço vá para sua casa e não vá comer a comidinha da mamãe. Também controle seus gastos como bom mordomo, para não ter que pedir socorro financeiros aos seus pais. Estas atitudes são exemplos de como não quebrar a vontade de Deus no casamento: “deixará o homem pai e mãe”.
Quebrar a vontade de Deus não é algo bom. Saiba muitos casamentos se acabaram por que o marido não cortou o cordão umbilical que o liga aos seus pais. Lembre-se você esta ligado a sua esposa pelo casamento. Ela e seus filhos são sua família.
A formação da família pelo casamento deve ser buscada pelo homem. A Escirutra diz que é o homem quem deixa os pais. Estas palavras servem para os pais que têm filhos:
Ensine aos seus filhos a responsabilidade de buscarem para si boas esposas no Senhor. Eles não devem esperar que sua esposa bata na porta de sua casa. Deus diz que eles têm que deixar vocês e se unirem a esposa deles.
No casamento homem e mulher são unidos de modo inseparável. Isto torna a família algo que não deve ser quebrado:
Moisés, pelo Espírito Santo, diz (veja o v. 24): “Por isso (heb.: ´al-ken - portanto), deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”.
Casamento não é um mero contrato social que pode ser desfeito a qualquer momento. Casamento é uma obra de Deus unindo homem e mulher de modo tão íntimo, “tornando-se os dois uma só carne”. Podemos dizer que no casamento duas vidas passam a ser uma vida.
Essa realidade do casamento deve ser enfatizada nas famílias, principalmente, porque o divórcio é tido como algo normal e aceitável. Divórcio não é algo normal e aceitável aos olhos de Deus.
O Senhor Jesus Cristo falando contra o divórcio diz (Mt 19.4-6): “… Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
Jesus Cristo ensina que o divórcio somente é aceito por Deus em caso de adultério. E o Apostolo Paulo também coloca o divórcio algo possível quando o cônjuge descrente abandona o lar (1 Co 7.15). Estas situações são atos graciosos de Deus, por causa da dureza do nosso coração. Mas, o Senhor Jesus diz que no princípio Deus estabeleceu o casamento como uma união que o homem não deve separar.
O Senhor Deus abomina o divórcio ilícito (Ml 2.10,11), por isso, os cristãos devem considerar o divórcio ilícito uma abominação e como algo inaceitável para suas vidas e para vida dos outros. O divórcio ilícito é pecado e é uma ameaça à família.
A experiência mostra que a vida de pessoas que sofreram divórcio não é normal. As marcas deixadas pelo divórcio no homem, na mulher e nos filhos mostram como ele é antinatural e contra a vontade de Deus.



Conclusão:

Só em Jesus Cristo o homem, a mulher, o casamento e assim a família pode encontrar salvação e consolo: Somente vivendo nAquele que foi pendurado nu em uma cruz permanecer firme, consolada e vencer as consequências do pecado. Jesus Cristo estava nu sobre a cruz mostrando a nós que Ele recebeu a maldição pelo pecado cometido pela primeira família e por nós.
Jesus Cristo foi despido vergonhosamente para nos despir da vergonha do pecado e cobrir nossa nudez espiritual com as vestes gloriosas da Sua justiça. Jesus Cristo fez isto para salvar Sua igreja das consequências do pecado e da vergonha eterna.
Esta salvação é prometida para o crente individual e para os seus descendentes, ou seja, para sua família. O Evangelho diz: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. (At 16.31).
Como isso é consolador para os filhos de Deus e para suas famílias. Deus por meio e em Jesus Cristo promete salvar as nossas famílias da maldição da Queda. Como famílias cristãs não deixamos de ter problemas, mas como famílias em Cristo temos a promessa de vitória em Cristo Jesus.
Por isso, SOMENTE EM JESUS CRISTO sua família pode ser salva das consequências do pecado, viver em consolo e vencer os contratempos desta vida perturbada. A família é uma bênção de Deus para o homem.

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