segunda-feira, 14 de abril de 2008

Pregações em Filemom (Parte III): Em nome do amor receba seu irmão

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre Fm 8-20

Texto: Fm 8-20
Leitura: Fm 1-20


Amada Congregação de Cristo e visitantes,

Vou confessar para você uma dificuldade que tenho: É muito difícil para mim receber um irmão, que me lesou, feriu ou magoou! Meu desejo natural é nem querer saber dele, mesmo que veja seu arrependimento.
Será que você não sente esta mesma dificuldade? Será que alguma vez em sua vida você não sofreu uma decepção ou foi profundamente lesado por alguém e você pensou: “Não quero saber de Fulano nem que ele esteja pintado de ouro!
Mas, eu quero confessar outra coisa: Para nós recebermos aqueles que nos lesaram, ou ofederam, ou nos magoaram, precisamos da obra de Deus em nosso coração. Precisamos exercitar a fé em Cristo, para exercermos o perdão para com aqueles que arrependidos vêm a nós.
E, por isso, precisamos ouvir a mensagem de Deus na carta de Filemom:
O Apóstolo Paulo já havia dado uma amaciada no coração de Filemom, falando a Filemom que Filemom é um bom motivo de ações de graças a Deus, que Filemom praticava amor e fidelidade para com “todos os santos” (vs.4,5).
O Apóstolo falou que orava para que Filemom torne mais eficiente a comunhão da sua fé (v.6). Está oração é, ao mesmo tempo, uma instrução e um chamado para Filemom partilhar todo bem que há nele em Cristo e para Cristo e para com todos os santos.
E fechando no v. 7, o Apóstolo disse a Filemom que seu serviço de amor para reamimar os corações de todos os santos dá “grande alegria e conforto” ao Apóstolo e assim contribui para a propagação do Evangelho.
Estas palavras do Apóstolo são a introdução do grande pedido que Paulo fará a Filemom. Um pedido inspirado para o bem da Igreja de Cristo, de Filemom e de Onésimo.
E Deus chama você a ouvir o Evangelho de Cristo nas palavras de Paulo a Filemom no seguinte tema:

Em nome do amor receba seu irmão

1. Não por obrigação
2. Mas por livre vontade


1. Em nome do amor receba seu irmão: Não por obrigação

O Apóstolo faz uma bela introdução e prossegue para o alvo. O alvo que é fazer que Filemom receba Onésimo. Onésimo que tinha fugido e lesado seu dono Filemom.
E não pense que era fácil para Filemom receber Onésimo. Filemom, pela lei romana, tinha plenos poderes sobre a vida de Onésimo: Poder até de matar Onésimo por seus atos.
Lembre-se que um escravo era uma PROPRIEDADE de seus senhores. Então, não é fácil para Filemom, humanamente falando, olhar para Onésimo, abrir os braços e dizer: Venha, eu recebo você como se nada tivesse acontecido! Não, não é fácil.
Imagino que não seja fácil para você (por exemplo) receber seu marido ou esposa, ou, seus filhos, ou seus alunos, ou seus irmãos em Cristo, quando eles pisam na bola com você, quando eles pecam contra você! É fácil? Não, não é!
As vezes você pode até pensar: Ah, se eu pudesse torcer o gogó de fulano…! Era esse o poder que Filemom tinha: Filemom (de verdade) podia torcer o gogó de Onésimo!
O Apóstolo sabe dessas dificuldades quando apela a Filemom para receber a Onésimo. E, por isso, Paulo apela sobre uma sólida base. E qual é a base do pedido de Paulo?
Não é a autoridade de Apóstolo que Paulo tem (veja o v. 8). O apóstolo não PREFERE falar sobre esta base, porque Paulo não quer constranger Filemom a agir.
Por isso, Paulo usa o nome e o poder do Amor como a base do seu pedido (v.9): “prefiro, todavia, solicitar em nome do amor”.
É muito fácil para você resolver conflitos usando o título que você possui.
Por exemplo: Para o marido melhorar a cara emburrada da mulher diz: “Mulher, deixe dessa cara feia! Eu sou seu MARIDO, VENHA LOGO PRA CÁ! Ou a mãe para sua filha: “Olhe, não fique com raiva do seu irmão não viu!
Mas, puxando mais para dentro da igreja. As vezes tem ofíciais que gostam de apelar para o nome e o poder do ofício, para levar os crentes a cumprirem seus deveres como membros de Cristo.
Não é ILEGÍTIMO apelar aos ofícios, não é não! Existem certas situações que você até deve “chamar na grande” os irmãos, usando o nome e o poder do ofício que Cristo dá a você (marido, mãe, patrão e ofícios na igreja).
O Apóstolo reconhece isto, porque diz que tem liberdade para usar o poder do ofício. Até em outros lugares da Escritura Paulo usa o ofício apóstólico, para repreender e ensinar a igreja.
Mas, o Espírito Santo ensina mais um modo, para você solucionar problemas de relacionamentos, especialmente, entre pessoas debaixo de sua autoridade. O Espírito Santo diz: Apele ao nome e ao poder do Amor!
E que amor? O amor que é fruto da Fé em Cristo! O amor que é um dos bens que há em Filemom. O amor que é a manifestação do Espírito de Cristo. É em nome desse amor que Paulo “suplica” a Filemom que receba a Onésimo:
Filemom, receba a seu irmão NÃO por ser obrigado pelo nome e pelo ofício que tenho, mas pelo nome e poder do amor em Cristo!
Maridos, mães e oficiais tenham o cuidado para não usarem (logo de cara) o nome e o poder dos seus ofícios, para solucionar problemas de relacionamentos dentro da igreja.
Deus, na atitude de Paulo, mostra que você não deve e nem precisa usar sempre a força do nome do seu ofício.
Apontem para o amor seu cônjuge, filhos e ovelhas devem manifestar por causa da fé em Cristo. Assim toda reconciliação será muito mais agradável, pois não é feita por constrangimento. Veja como vai ser agradável a reconciliação!

2. Em nome do amor receba seu irmão: Mas por livre vontade

Por favor, veja o que o Apóstolo diz a Filemom no v.14.
O princípio que o Apóstolo fala neste versículo serve para toda a carta: Filemom que a tua bondade venha a ser de “livre e espontânea vontade”.
Você sabe o que é livre e espontânea vontade? É fazer algo não por constrangimento legal, não por obrigação de um mandamento. Esse é o sentido da palavra que o Apóstolo usa no original grego.
Paulo já falou a Filemom que tinha a liberdade, para ordenar a Filemom o que Filemom deveria fazer: Paulo é Apóstolo de Cristo e o seu ensino é o ensino de Cristo, a vontade de Cristo!
Mas o desejo de Paulo, como um bom ministro de Cristo, é conduzir Filemom a exercitar o compartilhar da fé.
Paulo dá oportunidade para Filemom revelar o bem que nele há para Cristo, por meio de uma atitude voluntária e não motivada por obrigação.
A palavra “bondade” no texto original do v. 14 é a mesma que foi traduzida para o português como “bem” no v.6. Então, “bondade” aqui é algo mais específico que o dom “bondade”, que é generosidade, que é o fruto do Espírito.
E essa “bondade” ou “bem” é receber Onésimo em sua casa. É aceitar que a separação e problemas que aconteceram entre Onésimo e Filemom estava debaixo e seguia o PROPÓSITO DE DEUS (v.15).
O propósito de Deus para tornar mais profunda a relação de Filemom com Onésimo no Senhor Jesus Cristo.
O propósito de Deus que levaria Filemom exercitar o perdão pleno e receber Onesímo como caríssimo irmão em Cristo (veja o v.16).
Agora existe um detalhe importante: Onésimo é apresentado pelo Apóstolo Paulo a Filemom como “caríssimo”. Por que Caríssimo? Não porque foi um escravo que custou caro para Filemom!
Onésimo é caríssimo porque foi um escravo caro para Cristo. Onésimo foi comprado por um alto preço, não prata nem ouro, mas o preço do Sangue de Jesus Cristo.
O mesmo Sangue que pagou o preço por Filemom. O mesmo Sangue que comprou Filemom, para Filemom ser escravo de Cristo e não mais escravo do diabo e do pecado.
O Sangue de Cristo prende Onésimo a Filemom como irmãos. E, por isso, apesar da diferença social entre Filemom (senhor) e Onésimo (escravo), Onéssimo, por causa do Evangelho, deve ser recebido por Filemom como um caríssimo irmão, e não como caríssimo escravo (veja os vs.17-19).
O Espírito Santo tem muitas coisas para ensinar a você nestas poucas palavras:
Primeira coisa, os oficiais devem dar oportunidade para as ovelhas exercitarem o bem que há nelas. Veja que Paulo não foi logo obrigando a Filemom a operar o bem do perdão e a aceitar a vontade de Deus.
Paulo instrui e deixa que Filemom por livre e espontânea vontade opere o bem. Os oficiais devem ter paciência para instruir e deixar o Espírito Santo agir nas ovelhas, levando as ovelhas a exercitarem a fé.
Segunda coisa: Por livre e espontânea vontade você recebe seu irmão ofensor em amor? Ou, você sempre tem que ser obrigado pelos presbíteros a fazer isto?
O Espírito Santo instrui a você: exercite o bem que há em você de “livre e espontânea vontade” e não por constrangimento! Não espere que os presbíteros coloquem você no canto da parece e constranjam você a receber seu irmão.
Terceira coisa, veja que os problemas de relacionamento entre você e um irmão não estão fora do controle e do bom propósito de Deus (veja os textos 15,16). Paulo tinha certeza que a separação entre Onésimo e Filemom foi para aproximar permanentemente Filemom a Onésimo.
O Evangelho mostra que até problemas entre irmãos é uma chance para melhorar o relacionamento no Senhor e não uma desastrosa separação entre irmãos!
Você pode pensar: isso é muito difícil! Sim, ninguém está dizendo que é fácil! Mas olhe o que Deus diz a Filemom! Creia que o poder transformador do Evangelho vai além da sua capacidade de ação e de compreensão:.
Se um irmão se separa de você por desavença e se esse mesmo irmão volta a você, arrependido: Coloque sua mágoa de lado e não deixe de receber seu irmão!
Faça a separação melhorar a comunhão entre você e esse irmão. Aceite seu irmão de livre e espontânea vontade como um caríssimo irmão! Um caríssimo irmão, não por sua pessoa em si, mas caríssimo por causa do preço que foi pago por ele.
Cristo pagou um alto preço para que esse irmão fosse feito seu irmão. Você não pode desvalorizar aquilo que Cristo valorizou. Quando você deixa de receber um irmão que se arrepende de um pecado cometido contra você, você não valoriza o que Cristo valorizou e, pior: Você quer se fazer melhor que Cristo!
Receba seu irmão arrependido de livre e espontânea vontade! Você pode pensar; Ah, irmão, Fulano me magoou muito!
– Sim, pode até ser verdade – Mas acredito que você magoa muito mais a Cristo com seus pecados diários, porém, Cristo, mesmo assim, pagou o preço na Cruz e recebe você de livre e espontânea vontade!
Só este fato é suficiente para levar você a receber seu irmão de livre e espontânea vontade.
Agora há um detalhe nesse recebimento. Receber não é somente aceitar, mas é perdoar plenamente todo o pecado e dano cometido contra você. Essa é a quarta coisa que o Espírito ensina para você neste texto!
É muito fácil camuflar seu rancor: Sabe como se esconde, um rancor? Vou dar uma dica a você: “Eu já perdoei Fulano, mas ele pra lá e eu prá cá! Ou: Bem, recebi fulano, mas Fulano pensa que eu esqueci o que Ele fez comigo?
Você acha que uma atitude de perdoar só por aparência, guardar rancor mostram sua gratidão a Cristo?
Lembre-se do Evangelho quando você for tentado a não receber seu irmão, a guardar rancor no coração por seu irmão: Cristo Jesus não me perdoou só por aparência, Cristo Jesus não guarda rancor por mim. Cristo Jesus me perdoou plenamente!
Veja as palavras inspiradas do Apóstolo (veja os vs. 17-18): Perdão pleno! Perdão de verdade! Por amor a Cristo exercite este perdão com seus irmãos.
O Espírito Santo chama a Filemom e a você: a perdoar em nome do amor, de livre e espontânea vontade.

Conclusão:

Vamos concluir com os vs 19 e 20. Paulo quer certificar a Filemom que é o próprio Apóstolo que escreve aquelas palavras e que vai pagar todo prejuizo causado por Onésimo (de próprio punho, ou seja, assino esta carta).
Mas, o Apóstolo, ao mesmo tempo, que coloca-se à disposição para pagar as dívidas de Onésimo, menciona o fato que Filemom deve ao Apóstolo a vida.
Essas palavras não são para constranger Filemom a perdoar as dívidas de Onésimo, mas para despertar Filemom a exercitar outro bem: o bem da gratidão!
A Gratidão é a sua resposta a um bem feito a você. Paulo parece ter beneficiado Filemom com a vida: Vida em Cristo que foi dada a Filemom por meio do ministério de Paulo.
Por isso, Paulo está certo da resposta grata de Filemom, porque Paulo diz: “sim (literalmente é: de fato, certamente), irmão, que eu receba de ti, no Senhor, este benefício. Reanima-me o coração em Cristo” (v.20).
Há ensino de Deus para você nesse versículo:
Primeiro, obras de gratidão são o reconhecimento do benefício recebido. Veja os oficiais da igreja. Esses homens são dons de Cristo para aperfeiçoamente e vida da Igreja.
Cristo por meio dos oficiais comunica benefícios e vida a você através do ministério deles: A palavra pregada e o sacramento dado pelo ministro, o cuidado pastoral e ensino dos presbíteros, o amor e a comunhão providos pelos diáconos.
Se você reconhece o bem que Cristo faz a você por Seus oficiais, então, você mostrará ações que mostram gratidão a Cristo: Obediência, respeito, amor, cuidado e dedicação. Todas estas ações é igual a gratidão!
Segundo ensino, todo benefício que você faça seja no Senhor, ou seja, na comunhão do Senhor, refletindo o benefício que Cristo fez a você. Digo isto pois muitas vezes fazemos benefícios, porque gostamos de Fulano ou de Beltrano.
Este tipo de benefício pode ser bom, mas não é no Senhor. Qualquer ateu pode fazer esse tipo de benefício e até melhor que você.
Terceiro ensino, sua gratidão a Cristo levará você a ser obediente ao ensino apóstólico e isto reanimará os trabalhadores do Evangelho. O Apóstolo diz: “Reanima-me o coração em Cristo” (v. 20).
Paulo está velho e preso em Roma. A obediência de Filemom vai servir como um meio de “fazer descansar”, “reanimar” o coração do velho Paulo:
A palavra “reanima-me” usada por Paulo é a mesma usada no v. 7. Esta palavra é usada para descrever a ação de reanimar, fazer descansar um trabalhador ou um combatente cansado, para que possa retornar com força ao trabalho ou a batalha.
Assim, o Espírito Santo, chama você a manifestar gratidão a Cristo, reanimando o coração daqueles que estão guiando você!
E o Espírito mostra que para reanimar seus oficias é necessário mais que um tapinha nas costas e que dizer: “Meu pastor! Ou meu presbítero, ou meu diácono! É muito mais que isto: é uma vida de obediência a Deus!
O Espírito Santo pergunta: O que você faz para reamimar seus oficiais, para eles continuarem no trabalho e na batalha na fé? Você pensa que seus oficiais são super-heróis: como Batman, super-homem ou Hulk?
Seus oficiais podem até viver saindo toda noite (como Batmam), ficar voando de um lado para o outro da cidade (como super-homem) e até ficar verde de raiva por causa do pecado da igreja (como o Hulk), mas isto não faz deles super-heróis!
Por isso, reanime no Senhor seus oficiais: seja grato e viva em obediência ao ensino apostólico, especialmente, em praticar o perdão.
É desanimador para os oficiais em Nome de Cristo trabalhar tanto para manter a igreja em comunhão, enquanto, tem crentes dentro da igreja trabalhando em favor da “DESCOMUNHÃO” no meio do povo, negando-se de perdoar, se omitindo em estimular uma vida de obediência a Deus.
O pedido apostólico é claro: “Reanima-me o coração em Cristo”! E neste pedido está o ensino: “Reanime os seus oficiais, vivendo em gratidão e obediência a Deus, especialmente, praticando perdão e promovendo a paz entre os irmãos”!
Obedeça essa palavra e você fará benefícios aos oficiais como consequência da sua gratidão e comunhão em Cristo, porque é no Senhor que você deve reanimar seus oficiais!
Caro irmão em Cristo, Deus despede você para sua casa com esta palavra, para reanimar o seu coração em Cristo:
Como Cristo Jesus fez por você: receba seu irmão, não por obrigação, mas por livre vontade. Assim você vai mostrar muita gratidão a Cristo e o bem a seus irmãos! Amém.

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