quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

CRISTO NOS FAZ PRISIONEIROS DELE PARA TERMOS SUA PAZ - Por Adriano Gama

LEITURA: Rm 5.1-11
TEXTO: Fm 1-3

Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo e visitantes,

Poucas pessoas em nossas congregações têm acesso à história do autor da Confissão Belga, nosso amado irmão o Rev. Guido de Brès.
Mas aqueles que tiverem a oportunidade de ler sobre a vida de Guido de Brès terão um grande testemunho de um homem que viveu muitas TRIBULAÇÕES POR CAUSA DO EVANGELHO.
O Rev. Guido de Brès viveu num período da Reforma de terríveis perseguições à Igreja de Cristo. Numa época onde quem confessasse a Fé Bíblica tinha seus bens tomados, família separada, seriam presos, torturados e mortos.
O próprio Rev. Guido não descansou durante seu ministério. Tinha que fazer seus sermões escondido num pequeno barraco de ferramentas, viveu muito tempo usando um outro nome para evitar ser pego pelas autoridades, mas por fim foi feito PRISIONEIRO.
A cela onde ele passou vários meses ficava na parte mais baixa da prisão. A luz entrava por um pequeno buraco na parte superior da cela de onde também escorria o esgoto da prisão. Uma PERTURBADORA situação.
Mas irmãos, quando nós lemos os depoimentos de pessoas que o visitaram na prisão e as cartas que ele enviou para sua esposa, parece que aquele homem não estava passando por nada disto que acabamos de ouvir.
Agora pense: Humanamente falando o Rev. Guido tinha alguma razão para ter UM CORAÇÃO CHEIO DE PAZ? UM PRISIONEIRO com Paz no coração?
Para descobrimos a fonte dessa Paz no coração de Guidó de Brès, eu vos proclamo a Palavra de Deus no seguinte tema:

CRISTO NOS FAZ PRISIONEIROS DELE PARA TERMOS SUA PAZ

1. PAZ DA PARTE DE DEUS NOSSO PAI E DO SENHOR JESUS;

2. PAZ COM NOSSOS IRMÃOS

1. CRISTO NOS FAZ PRISIONEIROS DELE PARA TERMOS SUA PAZ: PAZ DA PARTE DE DEUS NOSSO PAI E DO SENHOR JESUS CRISTO;


Paulo está PRESO em ROMA quando escreve a Filemom e aos irmãos de Colossos. E na sua saudação Paulo se identifica como “Paulo. prisioneiro de Cristo Jesus” (v.1).
Agora você não acha estranha esta saudação? Como alguém de cara vai se identificar como um prisioneiro? Que honra há nisto?
Imagine você, alguém de dentro do presídio escreve para seus parentes: Fulano de Tal, o prisioneiro do Anibal Bruno...? Esta saudação seria muito esquisita e muito desonrosa!
É muito esquisito o título que Paulo dá para si na Epístola a Filemon. Ele pode se identificar como “servo de Cristo” (Rm 1.1; Fl 1.1; Cl 1.1; ), “apóstolo de Cristo” (1 Co 1.1; 2 Co 1.1;Gl 1.1; Ef 1.1; 1 Tm 1.1; 2 Tm 1.1; Tt 1.1) ou como simplismente Paulo (1 Ts 1.1; 2 Ts 1.1) ou até mesmo de forma forte como faz em Tito se denominando “servo de Deus e apóstolo de Cristo” (Tt 1.1).
Títulos fortes e que mostram uma grande posição dentro da Igreja de Cristo. Mas Paulo prefere se identifica como “prisioneiro de Cristo”? Por que ele não se identifica assim?
Por que Paulo quer mostrar que é um prisioneiro por amor do Evangelho, mas que apesar de ser um prisioneiro ele é um prisioneiro DE Cristo!
PRISIONEIRO DE QUEM? O texto diz: de Cristo Jesus” (v.1). O que é um prisioneiro? É alguém que pertence ao Estado. É alguém que por algum motivo perde sua liberdade e é colocado sob a guarda do Estado.
Paulo é um prisioneiro. Mas não do ESTADO! Paulo é o prisioneiro de CRISTO JESUS. Ele É PRISIONEIRO DO MESSIAS SALVADOR DO SEU POVO.
Paulo assim mostra que a SUA LIBERDADE não pertence a nenhum homem nem a ele mesmo. A SUA LIBERDADE PERTENCE A CRISTO JESUS, pois dEle Paulo é prisioneiro.
Por isso, ele não se envergonha deste título, porque é uma honra ser um prisioneiro de Cristo Jesus!
MAS, PRISIONEIRO POR CAUSA DE QUÊ? “Por causa do EVANGELHO (v. 13). Não por causa de um crime cometido. Não por causa de um ideal político. Não por causa de seus INTERESSES PARTICULARES, mas por causa da Boa Nova de Cristo Jesus. Do Evangelho que é poder de Deus, para reconciliar o homem com Deus e o homem com o seu próximo!
Paulo assim faz QUESTÃO de manifestar que é Cristo que o prende e que está aprisionado por causa de Cristo. Paulo deixa claro que CRISTO JESUS FEZ ELE RENUNCIAR SUA LIBERDADE, SEU CONFORTO PARTICULAR POR CAUSA DO EVANGELHO PAZ!
Irmãos, por causa de Cristo, Paulo tem problemas PARA-DAR-E-VENDER! Ele, humanamente falando, tem TUDO para ser um DAQUELES crentes depressivos por causa da PERTURBAÇÃO DA VIDA.
Paulo poderia ser MAIS UM daqueles crentes PERTURBADOS, DE CARA ABATIDA que quando você pergunta a ele: Como vai você irmão, está tudo bem? Ele responde SEMPRE com uma cara de enterro: “Mais ou menos ... é tanta luta, são tantos problemas...”.
Mas, você vê o CONTRÁRIO na Carta de Filemom. VÊ um Filho de Deus COM PAZ E QUE COMUNICA A PAZ AOS IRMÃOS!
VEJA A SAUDAÇÃO APOSTÓLICA no v. 3. Uma tradução mais literal do v. 3 é: Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Será que esta saudação é uma saudação de um CRENTE DEPRESSIVO E PERTURBADO? NÃO, DE MODO NENHUM!
Esta é a saudação de um Apóstolo e de um crente que PROVA A GRAÇA DE CRISTO. Alguém que por causa da graça recebe a paz que parte de Deus e do Senhor Jesus Cristo e entra em nosso coração!
PAZ que não vem dos homens nem da terra, mas que procede de Deus pai e do Seu Cristo. A paz que vem do céu para nós!
Por isso, nenhuma prisão, nenhum homem, nem nada neste mundo pode retirar esta paz de Paulo nem do coração dos filhos de Deus!
Mesmo que você passe pela mais terrível tribulação. Mesmo que você sofra as mais terríveis dores. Mesmo que você esteja se sentindo só ou abandonado por Seus parentes e amigos. Mesmo que visivelmente sua vida esteja sendo virada de cabeça para baixo.
Essa PAZ não pode ser arrancada do SEU CORAÇÃO, porque ela nasce em Deus, ela vem de Deus, ela nos pertence por causa do sacrifício de Cristo Jesus na Cruz! LÁ NA CRUZ, quando Cristo esta preso no madeiro, Ele faz, pelo Seu Sangue, a paz entre Deus e nós!
E DO CÉU ESTA PAZ É ENVIADA PARA NÓS POR PURA GRAÇA! Se você tem a paz com Deus, então, você tem a verdadeira paz nesta vida!
NÃO UMA PAZ MUNDANA! Aquela que: SE eu TENHO dinheiro no bolso: Ah! Tenho PAZ! SE POSSUO o que eu quero: Ah! Possuo PAZ! SE ESTOU com as contas pagas: ESTOU EM PAZ! SE DESFRUTO de uma boa relação na família: Ah! Desfruto de grande paz! Se GOZO dos PAPARICOS DA IGREJA: Hum! Como Gozo de Paz!
SE É ESSA A TUA PAZ, ENTÃO, VOCÊ TEM UMA FALSA PAZ! É A PAZ QUE VEM DO MUNDO E NÃO DE DEUS! E a mesma paz que seu vizinho descrente tem! E um TIPO DE PAZ que até o mundo e Satanás podem dar a você!
Agora, como você tem provado DA VERDADEIRA PAZ? COMO VOCÊ REAGE AS PERTURBAÇÕES do DIA A DIA? Você fica perturbado e se desanima logo com tudo e até com a Igreja de Cristo? Lembre-se: A FALSA PAZ é aquela que só existe quando tudo está andando do nosso jeito! Que só existe no seu coração, quando VOCÊ ACHA QUE ESTÁ TUDO NO SEU CONTROLE!
Se Você É UM crente e está PERTURBADO: ORE AO DEUS DA PAZ, RECORRA ao PRINCIPE DA PAZ, CRISTO! PEÇA AO PAI A PAZ QUE CRISTO CONQUISTOU PARA VOCÊ! Esteja debaixo da PREGAÇÃO do EVANGELHO DA PAZ.
Assim, com toda certeza, você provará A PAZ que Paulo como crente desfruta e como Apóstolo saúda a Igreja! A PAZ QUE PROCEDE DE DEUS PAI E DO SENHOR JESUS CRISTO!
Cristo fez o Apóstolo Seu Prisioneiro para que ele recebesse a PAZ que procede de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

2. CRISTO NOS FAZ PRISIONEIROS DELE PARA TERMOS SUA PAZ: PAZ COM NOSSOS IRMÃOS

A paz que vem de Deus tem resultado em nossa vida! Ela se manifesta em nossos contatos com nossos irmãos.
É como a chuva: A chuva vem do céu. Ela cai sobre as plantas aqui na terra e faz estas plantas frutificarem!
A PAZ DE DEUS VEM DO CÉU E NOS FAZ FRUTIFICAR AQUI NA TERRA! ELA É UM FRUTO DO ESPÍRITO SANTO EM NÓS (GL 5.22)! Veja ESTA PAZ em Paulo:
O Apóstolo, CHEIO DO ESPÍRITO SANTO, diz que é prisioneiro NÃO para TIRAR PROVEITO PARA SI, MAS PARA O PROVEITO DOS OUTROS.
Ele usa o título de “prisioneiro de Cristo Jesus” para introduzir um pedido especial a Filemom. Ele quer promover a PAZ entre Filemom e seu escravo Onésimo (vs. 9,10). Ele quer promover a PAZ na Igreja, POR ISSO ELE ESCREVE TAMBÉM A IGREJA NA CASA DE FILEMOM (v. 2)!
Onésimo tinha roubado e abandonado seu senhor Filemom (8-17). Não sabemos como, mas Onésimo se encontra com Paulo e é salvo por meio da pregação do Apóstolo Paulo, que esta na prisão (v.10).
E agora Onésimo, que era inútil para Filemom É TRANFORMADO NUM SERVO ÚTIL PARA O PROGRESSO DO EVANGELHO. Onésimo chega a ser enviado por Paulo para Colossos, Igreja onde Filemom era Ministro da Palavra, como “o fiel e amado irmãos, para edificar a Igreja (Cl 4.8,9): O Evangelho TRANSFORMA UM HOMEM INÚTIL EM ÚTIL SERVO DO SENHOR!
AGORA VEJA: Paulo na prisão intercede por um irmão, para manter e promover a PAZ de Deus na Igreja!
Normalmente, quando sofremos QUEREMOS SABER SOMENTE DE NÓS MESMOS. Muitas vezes não estamos nem aí com os problemas dos outros! Geralmente dizemos nestas situações: Já tenho problema demais na minha vida para tentar resolver os problemas na vida dos outros!
Mas, Qual é a atitude de Paulo? É o contrário disto. Ele se preocupa com OS OUTROS! Ele se preocupa com a PAZ, COM A COMUNHÃO ENTRE OS IRMÃOS.
Ele intercede de forma tão intensa, gentil e amorosa por Onésimo ao ponto de PEDIR QUE FILEMOM receba o ex-esvravo-fujão como se recebesse a ele mesmo (v. 12, 17)!
Paulo chega ao ponto tomar as dívidas de Onésimo para si (v. 18,19)! Quem tem a PAZ de Deus PROMOVE A PAZ ENTRE OS IRMÃOS!
DEVEMOS tomar o CUIDADO PARA QUE A PAZ DE DEUS NÃO ESTEJA SOMENTE EM NOSSAS BOCAS E EM NOSSAS SAUDAÇÕES!
É fácil dizer que tem a PAZ DE DEUS E SAUDAR OS OUTROS COM A PAZ DO SENHOR, mas difícil é promover a verdadeira paz entre os irmãos, especialmente, quando você está em tribulação!
Por isso, uma Igreja que VERDADEIRAMENTE tem a PAZ DE DEUS, A PAZ DO SENHOR é aquela onde você pode ver a PAZ entre os Irmãos!
E COMO ESSA PAZ DO SENHOR SE MANIFESTA NA IGREJA? Quando vemos os membros MANTENDO E PROMOVENDO A COMUNHÃO.
Quando os Crentes REPUDIAM E LUTAM CONTRA FOFOCAS, INTRIGAS E O PARTIDARISMO DENTRO DA IGREJA!
Quando os crentes ao ouvirem sobre intrigas tentam apaziguar com a Palavra de Deus os ânimos das partes envolvidas! Quando há uma luta mortal contra toda e qualquer coisa e sentimento que ameace a paz entre os irmãos: NESSAS ATITUDES VEMOS QUE A IGREJA DE FATO TEM A PAZ DO SENHOR!
E aí: Como você tem promovido a paz de Deus na igreja? Como você tem se esforçado para que seus irmãos, irmãs cresçam na comunhão.
Como você tem evitado e lutado contra aquilo que pode PREJUDICAR a PAZ entre os crentes? Como você tem combatido A FOFOCA, AS INTRIGAS, OS RANCORES e O EGOÍSMO? Como você tem buscado usar todos os SEUS DONS para MANTER e PROMOVER A COMUNHÃO NA IGREJA?
A resposta a estas perguntas vai mostrar a você SE A PAZ DE DEUS ESTÁ OU NÃO EM SEU CORAÇÃO!
Preste atenção! Veja que o Espírito Santo diz: SE VOCÊ PREJUDICA A PAZ ENTRE OS IRMÃOS sendo um crente egoísta, fechado, resmungão, um crente não-me-toque, que sempre aponta para os erros nas pessoas, OU, se você é OMISSO NA TAREFA DE PROMOVER A PAZ na IGREJA: A PAZ DE DEUS E DO SENHOR JESUS CRISTO NÃO ESTÁ EM VOCÊ!
Arrependa-se deste pecado, porque a paz na igreja custou caro. Deus matou o Seu Filho para que sua igreja tivesse paz com Ele e dentro dela! Por isso, não canse de promover a paz entre os irmãos. Se esforce, pois para isto você foi salvo por Cristo. Assim poderemos não somente saudar, mas viver A PAZ DO SENHOR.
E se em nosso meio existem pessoas que não desfrutam dessa paz, porque estão fora de Cristo, saiba: Cristo é o PRÍNCIPE DA PAZ! Ele é a nossa PAZ! E você só pode ter PAZ verdadeira e real com Deus e com o Seu próximo SE você está em CRISTO. Por isso, confesse seus pecados ao SENHOR, peça a Ele o perdão dos seus pecados e, então, desfrute a PAZ que vem de Deus e do Senhor Jesus Cristo.


Conclusão:

Certo que o título de “prisioneiro” está ligado a Paulo, mas todos os cristãos são “prisioneiros de Cristo Jesus”. Com certeza nem todos estão em Prisões como Paulo, mas Cristo pela Sua morte nos tornou Seus prisioneiros, pois nos PRENDEU a Ele com Seu Sangue! Sendo assim, aproveite da PAZ que Cristo deu a você.
ENCERRO com o exemplo de nosso amado irmão Guido de Brès. Ele mesmo preso, segue o exemplo de Paulo, promoveu a Paz e comunhão entre os irmãos!
Ele na prisão enviou cartas encorajadoras para os crentes. Mas não somente isto. Ele escreveu um Livro sobre a Santa Ceia do SENHOR! Amém.
A Santa Ceia. Onde celebramos a PAZ QUE CRISTO conquistou para nós! A Santa Ceia que é um dos maiores SINAIS E SELOS da PAZ de DEUS E DA PAZ COM NOSSOS IRMÃOS!
Nosso Irmão, Rev. Guido de Brès, manifestou que também foi um verdadeiro “PRISIONEIRO DE CRISTO JESUS” NÃO SÓ NA PRISÃO, MAS ESPECIALMENTE, antes de ser ENFORCADO.
Ele, em PRAÇA PÚBLICA, encorajou e estimulou os seus irmãos a viverem fielmente ao Senhor e obedientes aos governadores.
Um homem que, pela graça de Deus, junto com o Apóstolo Paulo, verá o resultado de Suas algemas como um prisioneiro de Cristo Jesus Cristo no GRANDE DIA FINAL. Um homem que, como muitos outros, teve uma paz, cuja fonte é o Grande Deus e o Nosso Grande Salvador Jesus Cristo. Ao Princípe da paz seja toda glória. Amém.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Os Cânones de Dort - uma pequena introdução*

O terceiro dos padrões doutrinários das Igrejas Reformadas é Os Cânones de Dort, também chamado de Os Cinco Artigos Contra os Remonstrantes. Os Cânones são exposições doutrinárias que foram adotadas pelo grande Sínodo Reformado de Dort de 1618/1619.
Esse Sínodo teve dimensão internacional, pois não se compunha apenas de delegados das Igrejas Reformadas dos Países Baixos; vinte e sete representantes de igrejas estrangeiras também participaram dele.
O Sínodo de Dort foi convocado em vista de uma séria perturbação no seio das Igrejas Reformadas causada pelo surgimento e propagação do Arminianismo.
Armínio, Professor de Teologia da Universidade de Leyden, e seus seguidores desviaram-se da Fé Reformada quanto ao que alegavam em cinco importantes pontos. Ensinavam a eleição condicional tendo por base a previsão da fé, a expiação universal, a depravação parcial, a graça resistível e a possibilidade de cair da graça.
Tais posições foram rejeitadas pelo Sínodo e as percepções opostas materializaram-se naquilo que é hoje chamado de Os Cânones de Dort, ou de Os Cinco Artigos Contra os Remonstrantes. Nesses Cânones o Sínodo fixou a Doutrina Reformada dos seguintes pontos, a saber, a eleição incondicional, a expiação definida, a depravação total, a graça irresistível e a perserverança dos santos.
Cada Cânone consiste de uma parte positiva e de outra negativa. A primeira é uma exposição da Doutrina Reformada referente à questão, e a última é a refutação do erro arminiano correspondente. Embora, quanto à forma há apenas quatro capítulos, causados pela união da terceira e quarta seções em uma única, é certo falarmos em cinco Cânones; o terceiro capítulo é sempre designado como Capítulo III/IV. Requer-se de todos os oficiais eclesiásticos das Igrejas Reformadas que subscrevam aos Cânones, como também à Confissão Belga e ao Catecismo de Heidelberg.

* Introdução dos Cânones de Dort extraída das “Três Formas de Unidade das Igrejas Reformadas” publicadas pela CLIRE

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Pregações em Malaquias (Parte I): Eu, O SENHOR, Amo Você!

LEITURA: Rm 9.1-13
TEXTO : Ml 1.1-5


Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo,

Hoje começamos uma série de PREGAÇÕES no Livro do Profeta Malaquias. E o SENHOR tem muito a nos REVELAR POR MEIO DAS MÃOS DO SEU MENSAGEIRO.
O SENHOR pronuncia A PROFUNDIDADE DE SEU AMOR POR NÓS: SEU POVO! Amor que O LEVA a cumprir seu plano de Salvação.
O texto que acabamos de ler em Malaquias é falado ao povo de Deus, que já havia retornado do Exílio em Babilônia. Tudo está reconstruído: cidades, Jerusalém e seus muros e o segundo Templo do SENHOR.
Os sacerdotes trabalham, o povo leva para Deus os seus sacrifícios, o culto a Deus já é praticado regularmente no Templo, há um sistema administrativo com governantes. Toda vida social está ativa: Comércio funciona, famílias moram em suas casas, casamentos acontecem.
O povo de Deus em sua terra novamente depois de longos anos. A vida da nação de Israel está ativa como qualquer nação DO mundo. Prestem atenção na expessão “Do mundo”. Por que? Porque Israel não vive como uma nação DO SENHOR, mas uma nação DO MUNDO!
Malaquias profetiza a um povo que TEM DÚVIDAS DO AMOR DE DEUS; que DESPREZA ao seu SENHOR; que tem Sacerdotes infiéis. Um povo cheio de casamentos de crentes com descrentes. Um povo desleal nos seus casamentos. Um povo que pratica injustiças contra o trabalhador humilde, as viúvas, órfãos e estrangeiros. É feio o quadro pintado por Malaquias da situação espiritual da igreja.
Mas, o SENHOR NÃO FICA CALADO. Ele levanta um MENSAGEIRO para PRONUNCIAR o Seu AMOR, sua TRISTEZA, sua INDIGNAÇÃO, seu JUíZO e RESTAURAÇÃO.
A SENTENÇA de Malaquias é para a Igreja: Para a Igreja do tempo dele e para a IGREJA DE TODAS AS ÉPOCAS, para a IGREJA HOJE, porque se está Escrito é para nós que Está Escrito. Precisamos ouvir a mensagem do SENHOR QUE NOS AMA COM IMUTÁVEL AMOR.
Por isso, eu vos proclamo a MENSAGEM DO SENHOR no seguinte tema:

Eu, O SENHOR, Amo Você!

1. Com Declarado Amor
2. Com Verdadeiro Amor
3. Com Gracioso Amor

1. Eu, O SENHOR, Amo Você: Com Declarado Amor

“Setença pronuciada pelo SENHOR para Israel, por meio de Malaquias. Eu vos tenho amado, diz o SENHOR” (vs.1, 2a)
No primeiro versículo o SENHOR já mostra o que vem pela frente: uma censura, uma repreensão. E note que o SENHOR não está falando para o mundo: O SENHOR fala para Israel (v.1) que é Sua Igreja no Antigo Testamento. A igreja o SENHOR PRONUNCIA uma SENTENÇA.
Irmãos, Deus é um Deus que fala. Ele fala com Seu povo para manter Sua comunhão com Seu povo. O SENHOR fala para que Seu povo VIVA EM GRATIDÃO DENTRO DA ALIANÇA. Por isso o SENHOR fala e Censura Seu povo.
E Deus nos ensina algo aqui: Ele nos ensina como devemos tratar aqueles que os ofendem. Muitos crentes não imitam Seu Pai do Céu na pratica da disciplina cristã com seus irmãos. Muitos crentes quando se sentem ofendidos por um irmãos se cala, se fecha ao invés de buscar o ofensor para tratar o problema e restaurar a COMUNHÃO.
Veja o modo do SENHOR! o SENHOR é ofendido, mas Ele não deixa de buscar, não deixa de falar e não se fecha para os seus ofensores. O SENHOR busca o seu povo para falar, tratar do problema que quebra a comunhão e para restaurar a comunhão perdida!
Quando um crente se sente ofendido por um irmão e não busca o ofensor para tratar o problema e restaurar a comunhão, ele quer ser melhor que o Seu Pai do Céu! E isto é um absurdo!
Se o próprio SENHOR dos Exércitos busca e fala com pecadores que O ofenderam, quem sou eu, um miserável pecador, para deixar de buscar e falar com outro pecador que me ofendeu? Quem sou eu para deixar de buscar a RESTAURAR a COMUNHÃO COM MEU IRMÃO?
Quando você se sentir ofendido não se cale, mas busque e fale com quem te ofendeu, porque você não é melhor que Seu Pai do Céu, o SENHOR dos Exércitos! Vá até seu irmão para tratar a ofensa e restaurar a comunhão prejudica!
Agora, veja o modo como o SENHOR começa a tratar o problema e a censurar o Seu Povo: Com UMA DECLARAÇÃO DE AMOR! O SENHOR diz (v.2a): “Eu, vos tenho amado!
O Cabeçalho no v. 1 cria uma espectativa no povo: “Sentença ou Censura de Deus para Israel. Esta expressão deve deixar o povo arrepiado, mas logo vem a expressão: Eu vos tenho amado!
Que modo lindo e maravilhoso de iniciar o tratamento de ofensas! Este modo confunde a cabeça de homens pecadores, porque quando somos ofendidos a primeira coisa que pensamos é em descontar a ofensa com outra ofensa. É assim em nossas casas; é assim na igreja; é assim nas nossas relações no mundo!
Mas, o nosso Pai do Céu, que está irado com o Seu povo, começa a tratar da ofensa declarando o Seu Amor! O SENHOR declara: EU, o SENHOR, vos amo, apesar de você ter pecado e entristecido A MIM: Eu, o SENHOR, te amo!
É bom para Israel ouvir a declaração de amor no início da CENSURA, porque a Igreja de Deus, no tempo de Malaquias e hoje, precisa saber que Seu amor é o mesmo, mesmo quando ela é repreendida e punida por Deus. Isso dá segurança e consolo de Salvação. É bom para você ouvir e se lembrar disto quando for censurado e repreendido pelo SENHOR.
E o SENHOR aqui nos ensina mais: Quem ama censura e repreende! O fato de Deus ter um amor declarado pela Igreja não significa que ele fica calado diante dos pecados da Igreja.
Fique certo que Ele vai continuar a censurar e repreender os teus pecados, porque Ele ama você. Ele diz em Pv 3.11,12: “Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da Sua repreensão. Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem”.
Deus vai te censurar e repreender por meio das pregações, por meio dos oficiais, por meio dos seus irmãos que te amam e por meio da sua consciência. O SENHOR vai fazer isto até você se arrepender dos seus pecados. Ele vai fazer isto porque quer o teu bem e salvação.
Meus irmãos, quando esta igreja parar de censurar e repreender os pecados dos seus membros e congregados podem ficar certo: QUE O SENHOR DEIXOU DE NOS AMAR E SAIU DO NOSSO MEIO!
Eu, o SENHOR, amo você! Deus tem um Declarado amor por você, para te mostrar que Seu amor não muda mesmo quando seu juízo está sobre você. O SENHOR tem um Declarado amor que chama você a buscar os teus ofensores em amor. O SENHOR tem um Declarado amor que O levará a declara sua censura e repreensões sempre que você merecer.

2. Eu, O SENHOR, Amo Você: Com Verdadeiro Amor (vs. 2-5)

O SENHOR não somente DECLARA, mas Ele MOSTRA que ama Seu povo. ISTO SE VÊ LOGO NO PALAVRA USADA NO TEXTO.
O Espírito Santo descreve com a palavra “amo” um amor REAL: Não uma simples “afeição”, “desejo”, “cobiça”, “paixão”, mas um AMOR PRÁTICO, VERDADEIRO AMOR.
É a mesma palavra “amar”, que descreve a relação de amor entre marido e esposa. É o mesmo verbo usado para descrever o amor que devemos ter por Deus e pelo nosso próximo.
Um amor não LIMITADO as palavras, mas CONCRETO, VISÍVEL E PRÁTICO NA VIDA. Amor REAL como os tijolos deste prédio onde cultuamos, as cadeiras onde vocês estão sentados, a Bíblia que vocês têm em suas mãos: Amor que tem peso, tem cheiro e tem forma.
Quem ama de VERDADE dá prova do SEU AMOR. Por exemplo: Um marido que ama sua esposa cuida, respeita, protege, perdoa, consola, dá a vida por ela. A esposa que ama a seu esposo se sujeita a ele no SENHOR. O filho que ama seus pais é obediente e respeitador. Estas são provas de VERDADEIRO AMOR.
Um amor profundo, compromissado, VIVO! Tão vivo que nem a morte pode MATAR, tão QUENTE que nem todas as águas podem esfriar. Este é o tipo de amor que Deus TEM por você!
Mas, O PECADO É TERRÍVEL. Ele FECHA OS NOSSOS OLHOS para AS VÁRIAS PROVAS DO AMOR DE DEUS! Ele nos leva até a acusar o SENHOR de falta de amor por nós. Veja a pergunta rebelde de Israel: “Em que nos tens amado? (v.2)
E aí o SENHOR não fica calado. O SENHOR para mostrar o seu amor vai para a história do Seu povo. Vejam Esaú e Jacó. Eles eram gêmeos. Filhos de Isaque. Netos de Abraão. Herdeiros da Promessa. Vejam o que fiz: AMEI a JACÓ, todavia ODIEI a ESAÚ!
Jacó e Esaú são os cabeças de dois povos. Jacó representa a Igreja e Esaú representa Edom, um povo que por sua rebeldia foi cortado da Aliança. O SENHOR de forma concreta e terrível mostra o Seu Amor a Jacó e pela Igreja, por meio do SEU ÓDIO por Esaú e sua descendencia.
O SENHOR odiou Esaú e a descendência dele (vv 3,4). Não uma raivinha, mas um ódio profundo e prático mostrado na devastação da terra de Edom, na frustação dos planos de Edom e na maldição que Deus lança sobre Edom!
Edom é feito como um monumento da maldição de Deus. Edom é O EXEMPLO DE UM POVO QUE PROVA O ÓDIO E MALDIÇÃO ETERNA DO SENHOR (V.4)!
O fim de Edom serve como EXEMPLO DO VERDADEIRO AMOR DO SENHOR POR SEU POVO (v.4)! Que modo ASSUSTADOR do SENHOR mostrar que ama Seu povo! O ódio e a MALDIÇÃO SOBRE EDOM para APONTAR o verdadeiro amor pela Igreja!
Devido os nossos pecados e rebeldia podemos CHEGAR a QUESTIONAR o amor de Deus: Em que Deus me ama? Sou crente, mas tudo em minha vida parece dar errado! Estou desempregado, doente, não encontro um pessoa crente que me AME, ou, estou sofrendo com isto ou aquilo. Em que o SENHOR me ama?
Pare de questionar o amor de Deus por você! Não seja como os crentes dos dias de Malaquias: Olhe para o amor do SENHOR em AMALDIÇOAR SEU ÚNICO FILHO PARA SALVAR VOCÊ!
EU, PROVO MEU VERDADEIRO AMOR POR VOCÊ nisto: Eu AMALDIÇOEI MEU FILHO NA CRUZ. Amaldiçoei Meu Filho na Cruz para abençoar você com meu AMOR e SALVAÇÃO!
Abra a Escritura em Gl 3.13,14: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido”. Cristo Jesus foi amaldiçoado na Cruz para que você fosse abençoado com a Salvação! ISSO É verdadeiro amor!
Irmãos, a maldição lançada sobre Cristo é a maior prova do verdadeiro amor de Deus por Sua Igreja. O Espírito Santo fala por Paulo (Rm 5.8): “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”.
Agora, preste atenção: Deus com verdadeiro amor te ama. Ele provou isto na Cruz. E você, que prova de verdadeiro amor você pode dar a Deus? Verdadeiro amor que não se resume nos cânticos que você cantou neste culto, mas nas tuas atitudes!
Você está disposto a mostrar verdadeiro amor abandonando os pecados que prejudicam tua comunhão com Deus? Você está pronto a abandonar seus amigos descrentes ou namorado descrente por amar verdadeiramente a Deus? Deus chama você a praticar o verdadeiro amor!

3. Eu, O SENHOR, amo você: Com Gracioso Amor

O amor do SENHOR pelo seu povo não é apenas DECLARADO e VERDADEIRO. Ele também é GRACIOSO.
Por que? Porque não há no Seu povo nada que faça o SENHOR amá-lo! Israel desde de Sua saída do Egito só provoca a Ira Santa do SENHOR! Israel no antes do profeta Malaquias tinha sido levado para a Babilônia.
E o próprio Livro de Malaquias mostra a infidelidade da Igreja: o culto não é conforme a vontade de Deus, muitos sacerdotes infíeis, um povo cheio de adultérios e misturado com o mundo, um povo que não vê “vantagem” de pertencer ao SENHOR. Em nada o povo de Deus é melhor que Edom! É o mesmo que trocar 6 por meia-dúzia!
Mas, o SENHOR ama a Israel e odeia Edom. O SENHOR poderia EXTERMINAR ISRAEL como fez a Edon. Porém, o SENHOR faz o contrário: Israel é trazido da Babilônia e o restabelecido em sua terra. O SENHOR recria Israel e torna a ISRAEL um MONUMENTO DA SUA GRAÇA! Ele ama Israel sem ter motivo para amar!
Isto faz a Igreja ver que o SENHOR dos Exércitos é Grande sobre Israel (v. 5). Um Deus que tinha tudo para exterminar Seu povo como fez com Edom, mas um Deus que é grande em amor!
Por isso, o amor de Deus é um GRACIOSO AMOR: Um amor que você não merece, um amor que é um presente de Deus para você. Um amor NÃO conquistado por você através das suas obras. Um amor que é fruto da sua graça. Isto é Graça, Graça e Graça!
Somente o Deus rico em Misericórdia e Amor pode olhar para um povo que merece Seu ódio e dizer: EU AMO VOCÊ COM GRACIOSO AMOR! Veja esse amor gracioso em sua vida: O que você fez para merecer fazer parte do povo de Deus. Diante de Deus: Em que você é melhor que seus parentes e qualquer descrentes dessa cidade? Diante de Deus todos homenes merecem o INFERNO!
Mas veja o amor de Deus: Ele escolheu você do meio da multidão de pecadores que provam Sua Ira e que vão receber a Maldição Eterna! Ele escolheu você para pertencer a Ele, a Sua Igreja!
O Apóstolo Paulo usa a passagem de Ml 1.2,3 para mostrar que Seu amor pela Igreja é fruto da Eleição Soberana e Graciosa feita pelo SENHOR (Rm 9.11-13). O SENHOR escolhe pecadores não por suas obras, não por algo que o homem tenha em SI ou faça por SI, mas pela misericórdia graciosa do SENHOR (Rm 9.14-18)!
Por isso, o GRACIOSO AMOR do SENHOR é um chamado a humildade: Você não olhe com desprezo os que são deixados na perdição. Louve ao SENHOR por tão gracioso amor que faz você fazer parte do Seu amado povo.
O GRACIOSO AMOR também é um chamado para amar os nossos irmãos: O conceito de amor que o mundo prega é: Ame aquele que tem algo para dar a você! Ame aquele que ama você! É aquele amor interesseiro, amor do dar e receber! O Mundo QUER AMOR e NÃO QUER DAR AMOR.
E este conceito MUNDANO DE AMOR penetra no coração dos crentes. Alguns crentes um amor mundano no coração: Ah, a Igreja não me ama, por isso NÃO VOU PARA O CULTO! Ah, não me sinto amado pelos irmãos, por isso não NÃO COOPERO nos eventos da igreja! Ah, ninguém me visita, POR ISSO NÃO VOU VISITAR NINGUÉM! Este não é o amor de Deus e o INFERNO está cheio de pecadores que amam desse mesmo jeito!
E Se você tem este tipo de amor por seus irmãos, então, comece a DUVIDAR do tipo de amor que você tem a DEUS, POIS QUEM AMA A DEUS TEM AMOR PARA DAR! Tem um gracioso amor para com seus irmãos! O amor de Deus É o amor do DAR MESMO SEM RECEBER!

CONCLUSÃO:

Irmãos, o SENHOR ama a Sua Igreja! Ele ama declarada, verdadeira e graciosamente a Sua Igreja! Ele falou isto a Igreja do tempo de Malaquias e fala para nós neste culto.
Ele nos dá provas claras que nos ama. Veja o que Deus, o SENHOR dos Exércitos, fez com Seu filho por você!
Na Cruz Deus pendurou seu filho e o fez sangrar GOTA APÓS GOTA até MORRER POR VOCÊ! CADA GOTA que caiu da cruz é uma DECLARADA, VERDADEIRA E GRACIOSA manifestação de AMOR!
EM CADA GOTA QUE CAIU DEUS ESTÁ DIZENDO: Eu Amo Você, Eu Amo Você, Eu Amo Você ... ! Que amor! Que declarado Amor! Que Verdadeiro Amor! Que Gracioso Amor!
O AMOR DE DEUS NÃO SE LIMITA EM PALAVRAS. O teu amor TAMBÉM não pode se limitar a palavra e a uma prática religiosa. Lembre-se amar a Deus é OBEDECER SEUS MANDAMENTOS. Que O SENHOR aplique esta palavra em nossos corações. Somente a Ele toda a glória. Amém!

O Conceito Islâmico de Estado e o Cristianismo

Introdução:

Esse artigo tem por objetivo apresentar de modo simples qual o conceito islâmico sobre o Estado e o seu papel no mundo. Além disso, mostrar como esse conceito islâmico é contrário ao conceito cristão de Estado segundo a Escritura.

Definindo o que é o Estado Islâmico

A primeira coisa que devemos fazer é definir o que é o Estado Islâmico. “Estado Islâmico é um estado ideológico cuja constituição se origina exclusivamente da Aqidah islâmica (doutrina) e todas as leis e sistemas que definem sua estrutura emanam do Credo Islâmico”.
Segundo essa definição, o Estado Islâmico é essencialmente religioso. Sendo assim, uma estrutura que foi criada para depender e defender a religião islâmica. Ele gira em torno e vive do Alcorão e da Sunnah e não do povo mulçumano, ou grupos, ou interesses particulares.
Esse foi o objetivo do profeta Maomé quando deu início as suas lutas para destruir a estrutura social existente em sua época, para poder construir uma nova estrutura firmada na religião que ele criou, o islamismo.
Maomé após uma sangrenta luta de 30 anos conseguiu firmar um Estado Islâmico em Medina. Desde de sua fundação a vida deste estado foi regida pela Shari’ah .
Neste Estado todos os assuntos da sociedade, a relação entre os povos não-islâmicos foram dirigidos conforme o Islã. Desta maneira, o sistema político do Estado Islâmico está firmado em três princípios religiosos islâmicos: Tawhid (unicidade de Deus), Rissálat (missão do Profeta) e Khilafat (Califado).
Segundo Sayyd Abul A’la Al-Maududi: “O Alcorão declara que o objetivo do estado são o estabelecimento, manutenção e desenvolvimento dessas virtudes, com as quais o Criador do Universo quer dotar a vida humana, e a prevenção e erradicação desses males, cuja presença na vida é totalmente contrária à vontade de Deus. Tendo em vista este alvo, o Estado pode planejar uma felicidade programada para cada época e para cada circunstância”.
Sendo assim o objetivo do Estado Islâmico é formar e propagar a religião islâmica no coração dos homens.
Portanto, já tendo definido o que é o Estado Islâmico e os seus fundamentos, então, podemos chegar aos pontos que revelam a contradição entre o Estado Islâmico e o cristianismo.

As contradições entre o conceito de Estado no Islã e no Cristianismo

A primeira contradição é que o Estado e a religião islâmicos tornam-se uma só entidade. Isto torna ilimitada a sua ação na vida do homem, penetrando na esfera da família regulando-a por meio das regras islâmicas que o constitui.
O Estado Islâmico por sua natureza religiosa toma para si atribuições divinas, quando pretende estabelecer, manter e desenvolver virtudes no homem que agradam a Alá. Também, quando quer prevenir e erradicar dos homens certos males contrários à vontade de Alá, tendo o objetivo de planejar para os homens uma felicidade programada para todas as circunstâncias de sua vida.
Como foge ao estado o poder de criar o mínimo de virtude no coração de qualquer homem, então, sua prática é usar a força, a violência, perseguição, tortura e morte contra aqueles que se opõem a ele.
O Hadith Maomé exige que os islâmicos pratiquem a Guerra Santa (jihad) contra os infiéis em nome de Alá. “Para o Islã infiéis são todos aqueles que não confessam os dois credos do Islamismo: “Que não há outro Deus além de Alá e que Maomé é o mensageiro de Alá” .
Na realidade o Estado Islâmico só terá sossego quando eliminar o cristianismo da face da terra. Foi assim no surgimento dele e assim é nas ações terroristas modernas.
No Cristianismo o estado tem uma função diferente da religião. Ele é ministro de Deus para para manutenção da ordem, para punir aqueles que são desobedientes, proteger e beneficiar aqueles que são corretos no seu proceder.
Para o verdadeiro cristianismo o estado não tem a atribuição de anunciar o Evangelho nem de purificar a alma do homem, mas de proteger a Igreja para que esta faça o seu papel de propagadora do Evangelho (Confissão de Fé Belga, Artigo 36).
O Estado Islâmico é contrário ao cristianismo, pois não existe para promover o bem estar dos justos e punir os injustos (Rm 13:1-7). No islamismo o Estado existe para promover o Islã, mesmo que tenha que acabar com os justos cristãos.

As nações do mundo, especialmente aquelas que são cristãs, devem tomar bastante cuidado com os Estados Islâmicos. Eles não objetivam o bem de ninguém, que não aceite o Islã e o seu profeta.
O Estado Islâmico tem a função de impor seu deus sobre todos os povos, infringindo a consciência e até destruindo aqueles que o resistem.
Resumindo e finalizando, o Estado Islâmico por sua natureza é contrário ao cristianismo: 1) Porque não cumpre a função estabelecida por Deus; 2) Porque é de natureza religiosa e, por isso, tem uma esfera de ação ilimitada penetrando em áreas que não lhe pertencem; e 3) porque tenta propagar sua religião à custa da consciência e vida dos cristãos e daqueles dos demais credos.

Conclusão:

O Estado Islâmico por natureza é contrário ao Cristianismo. Seu objetivo ideológico é ser porta-voz de um falso deus e de um falso profeta , que propagam uma mensagem de ódio contra o Deus revelado na Escritura.
O deus dos Islâmicos não é o Deus dos cristãos. O Deus verdadeiro se revelou na Escritura como sendo Pai, Filho e Espírito Santo. Três pessoas distintas sendo o único, verdadeiro e eterno Deus. Alá não tem estas características, sendo assim não é o Deus verdadeiro.
Além disto, ninguém pode conhecer o verdadeiro Deus se não conhecer a Jesus Cristo. O Islamismo tem Maomé como maior de todos os profetas, enquando o Senhor Jesus Cristo é colocado do lado de Confúcio, buda, etc.
Esse simples artigo mostra a grande necessidade que as nações islâmicas têm de serem alcançadas pelo Evangelho de Cristo.
Os crentes devem orar e trabalhar para que os estados islâmicos sumam da face da Terra. Porém, sumam não porquê um bomba atômica vai varrê-los do mapa, mas sumam por meio da conversão a Jesus Cristo, o Único Salvador.

Adriano Gama

QUE TIPO DE LÍNGUA FOI FALADA PELOS CRENTES NO DIA DE PENTECOSTES E NA IGREJA PRIMITIVA?

Introdução:

Este pequeno artigo tem o objetivo de responder a seguinte pergunta: Que tipo de Línguas foram faladas pelos cristãos no dia de Pentecostes e na Igreja Primitiva?
Para respondermos esta questão iremos utilizar somente as Sagradas Escrituras, pois cremos e confessamos que elas são a nossa única regra de fé e prática, ou seja, tudo aquilo que cremos e fazemos deve ser de acordo com a única Regra Divina para a vida da Igreja: A Palavra de Deus.
A questão das línguas estranhas não é algo de pouca importância. Muitos cristãos sinceros e bem intencionados (em sua maioria) estão afirmando que hoje provam a mesma experiência espiritual de falar línguas estranhas como os crentes da era apostólica, chegando até a impor como um mandamento esta experiência a todos os crentes.
Outros que não provaram do falar em línguas sentem-se não tão espirituais quanto aqueles que têm o dom de línguas ou que já provaram esta experiência. Além disso, a questão do falar em línguas foi um instrumento de divisão no seio das igrejas cristãs. Hoje as denominações são divididas entre “tradicionais”, “pentecostais-tradicionais” e “renovadas ou neo-pentecostais”.
Portanto, a questão das línguas estranhas não é algo que devemos considerar como dispensável, mas que deve ser analisado à luz da Palavra de Deus, porque produziu e está produzindo divisões em todo mundo entre crentes e entre denominações que se dizem cristãs.
Então, que tipo de língua estranha foi falada pelos crentes em Pentecostes na igreja primitiva? Esta pergunta nos leva a buscarmos na Escritura quais as características daquelas línguas registradas em Atos dos Apóstolos e na Primeira Carta Aos Corintios. A Bíblia apresenta três características fundamentais:

• Elas eram idiomas da terra concedidos pelo Espírito Santo;
• Elas traziam uma mensagem profética revelada por Deus;
• Elas eram um sinal de juízo para os judeus incrédulos.

I As línguas eram idiomas da terra concedidos pelo Espírito Santo

Começamos esta seção pelas citações bíblicas feitas por Lucas em Atos dos Apóstolos. A Palavra de Deus em At. 2.8 diz o seguinte: “... Como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?”
Nesse texto vemos a expressão de perplexidade dos viajantes que vieram para cultuar a Deus em Jerusalém. Estes visitantes eram “homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu” (v. 5). As Escrituras registram quais eram suas origens: “Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frigia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas mediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios (vs. 9-11)”.
Assim o Espírito Santo de forma inequívoca declara nas Escrituras que esses judeus e prosélitos ficaram maravilhados com o fato deles estarem ouvindo em suas próprias línguas as grandezas de Deus que lhes eram faladas pelos apóstolos e pelos outros discípulos (vs. 6,7,8,11).
Para compreendermos melhor este ponto devemos fazer algumas perguntas: No v. 6: O que causou a perplexidade na multidão? Resposta: O fato que cada um os ouvia falar na sua própria língua!
Nos vs. 7, 8: Por que os mesmos ouvintes ficaram atônitos e se admiraram com os galileus? Resposta: Porque sendo eles estrangeiros ouviam cada um em sua própria língua materna os galileus falarem as grandezas de Deus a eles . No v. 11: Em quais línguas os galileus falaram as grandezas de Deus aos judeus e prosélitos de Jerusalém? Resposta: Na língua dos partos, medos, elamitas... (vs. 9-11).
Estas perguntas são necessárias, pois muitas pessoas utilizam estas mesmas passagens para defender que as línguas faladas no dia de pentecostes eram línguas ininteligíveis (misteriosa ou dos anjos) e, em alguns casos, podem ser línguas terrenas.
Em lugar algum da Escritura nós encontramos referência a uma língua falada que não seja um idioma da terra. De Gênesis a Apocalipse Deus se comunicou de forma falada aos homens por meio de idiomas humanos. Veja os seguintes exemplos
Quando Ele se comunicou com Adão foi por meio de uma língua inteligível. Deus em Babel dividiu o mundo em línguas (idiomas) inteligíveis aos seus grupos lingüísticos (Gn 10.5,10; 11.9). Os anjos que falaram com Abraão comunicaram-se por meio de um idioma terreno (Gn 18). A sentença de juízo escrita pela mão misteriosa na parede do palácio real de Belsazar (Dn 5.25): “MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM” era em aramaico uma língua terrena conhecida pelo profeta Daniel!
E se partirmos para o Novo Testamento veremos os mesmo. No capítulo das Sagradas Escrituras que mais fala sobre línguas encontramos a referência de que as línguas faladas pelos crentes na Igreja de Corinto eram idiomas da terra (1 Co 14.21): “Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor.” Também, mencionamos que em Apocalipse todas as mensagens faladas a João eram feitas na língua conhecida pelo Apóstolo!
Apesar de todos estes exemplos na Escritura, os grupos pentecostais tentam de todas formas basear seu ensinamento sobre línguas ininteligíveis e angelicais na Bíblia.
Certos eruditos do meio pentecostal chegam a usar um argumento supostamente baseado no texto original (grego) para dizer que a Bíblia confirma línguas angelicais. O argumento é o seguinte:
No Novo Testamento existem duas palavras diferentes para descrever as línguas estranhas. A primeira delas é glossa (γλωσσα); e a outra é dialektos (δι∝λεκτος). Baseados nesta verdade, os pentecostais ensinam que ocorreram dois tipos de línguas no dia de Pentecostes: Uma língua ininteligível (glossa) e outra inteligível (dialektos).
Todo este argumento nos parece, a primeira vista, um tanto convincente, porém se o analisarmos com detalhe veremos que ele não passa de uma falta de entendimento da língua original do Novo Testamento. Pois, ao afirmarem que “glossa” é um tipo de língua ininteligível e “dialektos” é inteligível é ir além do sentido das próprias palavras usadas pelo Espírito Santo, para registrar o ocorrido em Atos 2 e em 1 Co 14.
Por que é ir além? Porque no Novo Testamento estas duas palavras são usadas uma pela outra (intercambiavelmente) para descrever os idiomas falados pelos homens. Vejamos onde elas aparecem nos texto originais do Novo Testamento:
1. Glossa (língua) - Atos 2:4, 11; 19:6; 1 Co 12:10; 13:1,8; 14 ; Fp 2.11; Ap 5:9.
2. Dialektos (idioma, dialeto) - Esta palavra só ocorre no Livro dos Atos dos Apóstolos nas seguintes passagens: 2:6,8; 21:40; 26:14.
Se o ensino pentecostal quanto a distinção de significado e aplicação de glossa e dialektos é correto, então, devemos pensar no seguinte:
Primeiro: Porque o Espírito não inspirou os escritores sagrados a usarem a palavra “dialektos” ao invés de “glossa” nas passagens de Atos 2.11, Filipenses 2.11 e Apocalipse 5.9? Todas essas passagens usam glossa no sentido de uma língua inteligível.
Segundo: Por que Lucas em Atos 2 usa estas duas palavras uma pela outra? Nos vs. 6 e 8 Lucas usa a palavra ”dialektos” e no v. 11 ele usa a palavra “glossa” para descrever o motivo pelo qual os ouvintes estavam perplexos.
Comparando estes versículos vemos que na mente do escritor inspirado não havia diferenças entre “glossa” e ”dialektos”. Se houvesse uma diferença, então, seria muito estranho Lucas escrever no v. 11 que eles estavam entendendo as grandezas de Deus por meio de uma língua ininteligível.
O Apóstolo Paulo também não tinha em mente uma diferença de significado e aplicação entre “dialektos” e “glossa”. Vejamos as seguintes passagens:
a. 1 Co 13:1 – “Ainda que eu fale a língua (glossa) dos homens e dos anjos... “. Nesta passagem o Apóstolo Paulo usa “glossa” não como uma palavra especial, mas para descrever o idioma dos homens. Isso explica o motivo do Apóstolo usar “glossa” em 1 Corintios para falar sobre o dom de línguas (idiomas).
b. 1 Co 14:21 - Neste verso o Apóstolo cita a profecia de Isaías 28:11, para mostrar aos crentes que as línguas eram um sinal para os incrédulos. Paulo esclarecendo a profecia bíblica diz que Deus iria falar ao povo incrédulo “por homens de outras línguas e por lábios de outros povos,...”.
A expressão original para “homens de outras línguas” é “heteroglossois” (ετερογλοσσοις), que aparece somente nesta passagem e descreve, literalmente, os falantes de línguas estrangeiras.
Parece que seria muito estranho Paulo falar sobre uma língua misteriosa que ninguém pudesse entender, que seria usada por Deus para mostrar o Seu juízo sobre os incrédulos. Sendo assim, Paulo também não defende o conceito pentecostal sobre “glossa” como sendo uma língua ininteligível.
Mas, o que dizer das línguas dos anjos citadas em 1 Co 13.1? A explicação mais natural conforme o contexto da passagem e da Escritura como um todo é que o Apóstolo Paulo utiliza a figura de linguagem chamada “hipérbole”, ou seja, uma linguagem exagerada em 1 Co 13.1. A intenção do Apóstolo inspirado não é ensinar a existência de línguas angelicais, mas mostrar a excelência do amor sobre todas as coisas.
Paulo usa esse mesmo tipo de figura de linguagem em Gálatas 4:15 dizendo: “que, se possível fora, teríeis [os irmãos da Galácia] arrancado os próprios olhos para mos dar”. Com certeza ele sabia que isto não aconteceria, mas ele usou uma linguagem exagerada (hipérbole), para mostrar a profundidade do amor que os nossos irmãos tinham por ele.
Para concluir este ponto devemos dizer que as línguas em Pentecostes e na Igreja de Corinto eram dadas pelo Espírito Santo (v. 4; Cf. 1 Co 12:7,10), ou seja, era uma obra extraordinária de Deus.
Portanto, não há fundamento bíblico para defender línguas ininteligíveis, mas, podemos ensinar pela Bíblia que: as línguas bíblicas faladas pelos crentes em Pentecostes e na Igreja de Corinto eram idiomas terrenos.

II As línguas traziam uma mensagem profética revelada por Deus

As línguas estrangeiras em Atos dos Apóstolos e em 1 Corintios tinham caráter profético e revelacional. Isto significa que o conteúdo das mensagens proclamadas por nossos irmãos era inspirado por Deus, pois tanto a língua como a mensagem eram “segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2.4). Alguns detalhes na Escritura nos levam a crer assim.
Primeiro, no v. 4 encontramos uma palavra no original grego importante que é apophtheggomai (inf. pres. méd. pass. deponente). Ela é usada apenas em três passagens no Novo Testamento e significa falar, declarar (At 26.25), falar sob inspiração (At 2.4,14).
Lucas emprega esta mesma palavra (v.14) para descrever o ato do apóstolo Pedro quando ele declara aos judeus incrédulos o que estava acontecendo no Dia de Pentecostes. A mensagem do Apóstolo era com autoridade dada por Deus. Pedro começou a mostrar com base no Antigo Testamento, que todos aqueles eventos e aquilo que eles estavam ouvindo pela boca dos galileus eram o cumprimento das promessas dadas pelos profetas da antiga dispensação.
O segundo detalhe é que não era estranho para o Apóstolo Pedro explicar o que estava acontecendo como sendo o cumprimento da profecia de Joel (2.28), que diz: “acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, ... até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão” (At 2.17,18).
Sendo assim, a Escritura nos leva a crer que os crentes em pentecostes não estavam falando uma língua desarticulada e sem sentido, mas estavam falando com intrepidez a mensagem profética inspirada pelo Espírito Santo de Deus.
Somos levados a ver este mesmo ensino na Epístola aos Coríntios. Quando verificamos as características das línguas em Corinto, percebemos que a única diferença é que as línguas em Atos não precisavam de interpretação, enquanto que aquelas que eram faladas em Corinto necessitavam de interpretação.
Mas, fora disso não havia outras diferenças, pois: a) as línguas faladas em Corinto eram concedidas pelo Espírito Santo (1 Co 12.7-11); b) O conteúdo da mensagem em línguas era profético (1 Co 14.5,12,17,19) e, por isso, devia ser interpretado para edificação da igreja (14.6).
Outro detalhe é encontrado em Atos 2.11. Segundo este texto os apóstolos e discípulos falavam “as grandezas de Deus” (ta megaleia to Theou). Quando a multidão perplexa usa esta frase, ela esta baseando sua expressão na Septuaginta (LXX), que é a versão grega do Antigo Testamento, que usa esta palavra “megaleia” somente em um contexto religioso.
Esta expressão “as grandezas de Deus” nós a encontramos apenas duas vezes (existem outras citações na LXX, mas elas estão nos livros apócrifos). A primeira delas é em Deuteronômio 11.2 e a outra é no Salmo 71.19.
Esta expressão é usada para descrever os atos salvadores de Deus na história da redenção do Seu povo (isto tanto na Escritura do Velho Testamento como nos apócrifos). Assim a palavra sugere feitos milagrosos, obras magníficas, como na criação, os milagres na retirada do povo de Deus do Egito, ou manifestações salvadoras. Resumindo, ela tem o conteúdo profético de mostrar o Senhor Deus como o Grande Salvador do povo da Aliança na história.
No Evangelho de Lucas encontramos esta expressão no cântico inspirado de Maria (Lc 1.49). Nesta passagem ela diz: “Porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome.” Estas “grandes coisas” têm a ver com a escolha de Maria para ser a mãe do Salvador do mundo, ou seja, estava ligada diretamente com o plano de Deus para salvar Sua criação.
Portanto, quando Lucas usa esta expressão em At 2.11, ele mostra que o conteúdo da mensagem era revelação de Deus acerca da salvação em Cristo. Portanto, podemos dizer que: As línguas de Atos e Corinto eram idiomas terrenos, cujo conteúdo de sua mensagem era revelação de Deus acerca da Salvação em Cristo e para a edificação da Igreja da era apostólica.
Com tudo isso surgem grandes problemas para aqueles que defendem línguas estranhas hoje. Primeiro, para se defender fortemente línguas estranhas hoje deve-se também defender fortemente que as Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são insuficientes. Insuficientes para:
Primeiro, Edificar a Igreja de Cristo. Porque, conforme vimos, as línguas que são registradas em Atos e na Igreja de Corinto serviam para edificar os crentes por meio das verdades reveladas. Segundo, para Revelar ao homem as grandezas salvadoras de Deus em Cristo Jesus.
Então, como explicar o que Paulo escreve aos crentes em Roma (Rm 1.16,17) e a Timóteo em (2 Tm 3.16)? Estas duas passagens mostram que somente a Escritura Inspirada é capaz de comunicar aos homens o que é necessário para a salvação em Cristo e para a edificação da Igreja.
Outro problema é que a defesa de línguas estranhas para hoje, conseqüentemente, nos leva a negar que a revelação de Deus não cessou nas Escrituras (1Co 13.8-10), mas que ainda hoje os crentes estão recebendo revelações (pois as línguas são revelações).
Sendo assim, dizer que as línguas de Pentecostes e Corínto ocorrem hoje é o mesmo que negar o encerramento do Cânom das Sagradas Escrituras. Além disso, devemso lembrar que defender acréscimos a Reveleção dos profetas e apóstolos do Senhor é o mesmo de se fazer maldito. (cf. Jo 20.30,31; Gl 1.8,9; Ap 22.18-21).

III As línguas eram um sinal de juízo para os judeus incrédulos

Línguas estrangeiras e a manifestação do juízo de Deus estão bem ligados na Bíblia. Desde o início da humanidade Deus manifesta isto.
A primeira demonstração encontra-se no Livro de Gêneses (Gn 11). O Senhor dividiu os homens em grupos lingüísticos, por causa da total rebelião deles. Ali já podemos ver claramente a ligação entre línguas e juízo.
Antes de Deus aplicar esta maldição, “em toda terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar”(Gn 11.1). Podemos dizer que Deus dividiu os homens por meio das línguas estrangeiras, e até hoje estas línguas lembram o juízo de Deus sobre a humanidade. Não podemos fugir desta verdade.
Deus continuou a usar línguas como sinal de juízo mesmo depois de Babel. Ele falando a Israel diz - se caso o povo de Deus não se mantivesse fiel à Aliança - que Ele levantaria “uma nação de longe, ..., nação cuja língua (idioma) não entenderás;”(Deuteronômio 28:49).
O povo de Israel pôde sentir isso na pele, pois Deus cumpriu em toda a história do Seu povo no Antigo Testamento esta maldição. Quando Israel se encontrava desviado e ouvia os povos de línguas estrangeiras falando, a igreja lembrava que Deus estava punindo-lhe por causa dos seus pecados. Foi assim no Livro dos Juizes, nos exílios (na Assíria e Babilônia).
Desta forma, as línguas já eram sinais de juízo contra os judeus antes mesmo de Pentecostes (Cf. Is 28.11; 33.19; Jr 5.15. Veja ainda referente as nações estrangeiras como instrumento de juízo: Is 5.25,26; Jr 1.15; 6.22) .
Devemos concordar que seria estranho se a manifestação de línguas em pentecostes perdesse a característica de ser um sinal de juízo para os judeus incrédulos. Caso isto acontecesse, estas línguas estariam em desacordo tanto com as outras partes das Escrituras quanto com o contexto das passagens em Atos e 1 Corintios.
Devemos prestar atenção em alguns detalhes que ligam as manifestações de línguas do Antigo com as do Novo Testamento:
Primeiro: As línguas como sinal de juízo foram manifestadas em períodos de rebelião e apostasia. Foi assim em Babel quando os filhos dos homens, descendentes de Noé, se rebelaram e abandonaram a fé dos seus pais quebrando a Aliança (Gn 9.8-18; 10.6-10; 11.1-9).
Israel (Reino Norte) provou a mesma coisa quando Deus levou os assírios contra ele para riscá-lo de Sua presença, porque profanaram a Aliança de Deus (2 Reis 17.1-23). A mesma coisa aconteceu quando Judá (Reino Sul), rebelou-se contra Deus ferindo o Pacto (2 Cr 36.11-21).
Portanto, nestes episódios registrados na Escritura do Antigo Testamento podemos dizer que tinham duas coisas em comum na manifestação de línguas: a primeira, uma atitude de rebelião e apostasia da fé no Deus da Aliança. A segunda coisa era o sinal das línguas estrangeiras para mostrar o juízo de Deus.
Não podemos deixar de enxergar estas mesmas características no período do Novo Testamento quando as línguas estranhas foram manifestadas em Pentecostes e em Corinto.
Os judeus dos tempos de pentecostes estavam em plena apostasia e rebelião contra Deus. Os judeus não receberam o Messias prometido (Jo 1.11), negaram o Pai quando rejeitaram o Filho (1 João 2:23), não amavam ao Pai, pois odiavam o Filho (Jo 8.42; 14.24; 16.27).
Israel dos tempos de Cristo à semelhança dos Reinos Norte e Sul, perseguiam os profetas e apóstolos que o Senhor Jesus enviou para falar-lhes as palavras de salvação (Mt 23.29-37; Lc 11.47-51). Os judeus invalidaram a Escritura por meio de suas tradições (Mt 15.3,6; Mc 7.7,8,13).
Jesus em suas parábolas falou muito bem da atitude de rejeição do povo de Israel (Mt 21.28-32; 33-46; 22.1-14). Os judeus perseguiram, negaram, caluniaram e assassinaram o nosso Senhor Jesus Cristo por mãos de iníquos (At 2.23,36). Desta maneira, eles estavam negando ao Deus da Aliança quando eles negaram a Cristo.
A acusação do Apóstolo Pedro contra os judeus impenitentes em At 3.13-15 mostra esta rebelião e apostasia. As expressões nessa passagem são todas pactuais. Ele fala do Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele dá títulos pactuais a Jesus Cristo chamando-O de: a) O Servo (Is 42.1; 49.6; 50.10; 52.13; 53.11); b) O Santo (Is 1.4; 5.24; em Lc 1.35 o Santo estava sendo gerado no ventre de Maria); c) O Justo (Is 24.16. Compare com At 7.52;22.14). Estes títulos estão relacionados diretamente com a Aliança de Deus. Sendo assim, estavam em total rebelião contra Deus e em plena apostasia!
Outro detalhe é que a profecia de Joel interpretada por Pedro menciona não somente o derramento do Espírito, mas também execução do juízo divino, antes que venha o grande dia do Senhor (At 2.19-20). Como podemos ver, não foi sem motivo que Deus em Sua soberania usou línguas em Pentecostes.
Deus mostrou que Seu juízo estava sendo executado sobre os judeus incrédulos. Deus manifestou, com o sinal das línguas, que o Jesus por eles humilhado e morto foi ressuscitado, subiu ao céu e está entronizado à destra de Deus Pai. Este mesmo Jesus estava cumprindo a promessa esperada por todos os fiéis da Antiga Aliança, que agora é desfrutada em Cristo por todos os fiéis na Nova Aliança (At 2.32,33,36,38,39; 1 Pe 1.10-12).
O que entendemos segue o que o Apóstolo Paulo entende sobre este assunto. Para ele os idiomas estrangeiros falados pelos crentes era um sinal de juízo para os incrédulos (1 Co 14.22).
Portanto, com base nas Escrituras podemos dizer que as manifestações de línguas tinham dois aspectos: o primeiro uma atitude de rebelião e apostasia da fé no Deus da Aliança. O segundo aspecto era o sinal das línguas estrangeiras para mostrar o juízo de Deus.
Deus mostrou aos judeus com o sinal de línguas, que a tarefa de anunciação do Evangelho tinha sido tirado de suas mãos e dada a povos de outras línguas. Ele estava cumprindo o que Jesus tinha falado em (Mt 21.43): “Portanto, o reino de Deus vos será tirado [dos judeus] e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos”.
As línguas estavam dizendo aos judeus que eles não mais era a Igreja, mas a Igreja agora eram todos aqueles (tanto judeu como gentio) que confessassem Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador (At 2.21; Rm 1.16,17; 10.10-13; Ef 2.11-20). A esta igreja cabia anunciar o Evangelho por todo mundo (Mt 28.18-20).
Em Pentecostes e em Corinto as línguas foram um sinal de juízo para os judeus rebeldes e incrédulos, mostrando que Deus estava salvando e reunindo em sua igreja eleita aqueles que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.
Queremos mencionar as palavra do Dr. Sinclair B. Ferguson: “Os efeitos de Babel foram assim reprimidos. Agora a palavra da reconciliação será pregada em muitos idiomas, já que os discípulos receberam o poder prometido do Espírito Santo que os capacitou a testificar de Cristo por todo o mundo” (O Espírito Santo. Editora Os Puritanos, pág. 79. 1ª edição: São Paulo).
Diante desses pontos podemor perguntar: 1. Que função teria para nossos tempos as línguas estranhas? Será que precisamos de algo, além da Bíblia, para mostrar que todos aqueles que negam a Cristo estão debaixo do Juízo de Deus? Precisamos de algum sinal, além da Palavra de Deus, para mostrar a Israel que o Reino de Deus foi passado para a Igreja?
A resposta para todas estas perguntas é: Não! Pois agora temos a Palavra de Deus encerrada no Antigo e Novo Testamento, algo que os nossos irmãos em pentecostes e nas igrejas não tinham. Naquela época a igreja estava recebendo por meio dos Apóstolos e profetas da Nova Aliança (Ef 2.20; 3.5). Enfim, o Senhor Deus não tem motivos para usar as línguas estrangeiras hoje como sinal de juízo contra os judeus incrédulos.

Conclusão:

Finalmente, alguém pode perguntar: “Então, que tipo de língua estranha é falada pelos grupos carismáticos, pentecostais e neo-pentecostais”?
Respondemos, com todo respeito: não são as línguas bíblicas. Primeiro, porque a Escritura nos mostra que as línguas de Atos e na Igreja de Corinto eram idiomas.
Prestando atenção no que se diz e se escreve pelos defensores de línguas hoje não encontraremos sendo ensinado na escola dominical ou escrevendo, que os crentes devem pedir a Deus que lhes façam falar milagrosamente inglês, alemão, hebraico, grego ou qualquer outra língua da terra. Pelo contrário, nas suas palestras e literaturas, as características das línguas não são explicadas conforme a Bíblia; e o falar em idiomas é tratado como uma exceção.
Podemos dizer que as línguas modernas são resultantes de êxtases psicológicos provocados pela ânsia sincera de receber um dom especial do Espírito Santo.
Os testemunhos dos defensores das línguas hoje revelam que muitos daqueles que dizem falar em línguas, receberam este “dom” quanto estavam exaustos de joelho num círculo de oração repetindo rapidamente as palavras: Glória! Glória! Glória!
Outros que receberam este dom quando estavam orando, durante um longo período de jejum. Outros que receberam quando estavam andando na rua “ligados no céu”. Outros que receberam dormindo por meio de um sonho-revelação. Situações cheias de obsessão por uma experiência que se pensa ser do Espírito Santo.
São muitos testemunhos os mais estranhos, mas o que podemos dizer é que as línguas faladas por tais pessoas não são as línguas bíblicas, pois, não trazem as características das línguas manifestadas no início da Era Cristã. Então, por causa das Escrituras, não encontramos motivos para concordar com o conceito pentecostal de línguas estranhas.
Concluímos dizendo que não temos a intenção de desrespeitar aqueles que passaram ou passam por estas experiências. Não os consideramos todos como farsantes. Acreditamos que na sua maioria são pessoas sinceras que querem dedicar suas vidas ao Senhor Jesus Cristo. Elas foram ou estão sendo enganadas pelas experiências “espirituais” provocadas pela doutrina pentecostal que defendem.

Bibliografia pesquisada:

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Berg, David. Daniel Berg: Enviado Por Deus – CPAD – Rio de Janeiro: 1995.
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Introdução à Ética Cristã - I

Introdução à Ética Cristã

I Alvos:

1. levar-nos a dar as respostas corretas aos problemas a nós trazidos pelas ovelhas;
2. Mostrar que a ética cristã se preocupa com o amadurecimento na fé dos filhos de Deus.

Um texto é fundamental para entendermos estes alvos: Fp 1.9-11.
Nele vemos que:

a. Amor não é uma emoção em primeiro lugar. Em primeiro lugar ele é obediência Jo 14.15). Porém, o fator emoção não deve ser descartado. Não basta somente apresentar àqueles que passam problemas o mandamento e dizer a eles: vocês amam a Deus? Então, obedeça. O pastor deve levar a ovelha a compreender o problema a luz do mandamento e, assim leva-la a compreender a vontade de Deus para sua vida.
b. A Ética tem o objetivo de nos fazer cheios do fruto de justiça: 1. Fruto da justiça em termos de honra verdadeira a Deus; 2. Fruto de justiça em relação ao nosso próximo, respeitando-o.
c. A justiça produz o seu próprio tipo de fruto: como amor, paz, reconciliação, comunhão, etc.. Todos esses aspectos desse fruto são aqueles que gozamos por causa de Cristo e os desfrutamos com nossos irmãos.
d. O cristão são conhecidos como pessoas justas. São conhecidas como pessoas que tem o fruto de justiça. É algo estranho um cristão que onde ele vive não se possa perceber este fruto em sua vida.
e. A Ética tem a ver com um crescimento em amor não com regras.


II Tipos de Éticas:

Ética descritiva: O antônimo de descritivo é prescritivo. Ética descritiva descreve como as pessoas vivem em termos da ética. Podemos dizer que ela é um modo sociológico da ética. Um exemplo de sua expressão é a aceitação da união informal de um homem e uma mulher, porque é notado que na sociedade onde eles vivem existe um alto nível de uniões deste tipo. Sendo assim, não viver casado é absolutamente “normal” e correto. Este tipo de ética é contrária ao cristianismo.

Ética Normativa: Parece ser muito cristã, mas não é totalmente cristã, pois pode estar baseada em muitos princípios que podem contrariar a Escritura. Por exemplo: o prazer, o utilitarismo, a vida podem ser princípios que serve como norma para a vida. Todas as ações passaram a serem reguladas a partir do quanto de prazer, de utilidade, de preservação da “vida” elas proporcionarão para o bem ou para o mal. A Ética Cristã também é normativa, porém a Ética Normatiava não é cristã.

Ética Especial: É a ética de certos grupos específicos: médicos, negócios, políticos, jurídicos, etc.

Multiética: Este tipo trata das questões abstratas. Por exemplo, o que é bom? O que é um ato moral?

Estes tipos de ética não estão totalmente contrários à Escritura. Eles têm seus devidos valores e podem até ajudar a Ética Cristã.

Ética Cristã: O que é Ética Cristã?

Definição: Ética cristã é a reflexão sobre a conduta moral a luz da perspectiva daquilo que a Escritura Sagrada nos oferece. Trataremos está definição em partes:

a) O primeiro aspecto da Ética Cristã e que ela é reflexão. Na Ética Cristã se exercita o pensamento. Não é somente uma adoção de algo ou procedimentos, nem uma ação, nem somente uma avaliação, mas um trabalho de reflexão.
Há um exercício da mente na avaliação dos problemas na busca da solução. Como um médico que para dar o diagnóstico da doença, reflete observando os sintomas atentamente o pastor deve refletir sobre aquilo que observa no problema apresentado pelas ovelhas.
Isto exige do pastor uma atitude cuidadosa na manifestação de seus conceitos sobre os problemas a ele apresentados. Existem ovelhas que gostam de perguntar demais. Elas exigem dos seus pastores respostas aos seus questionamentos. Cabe ao pastor parar e pensar bem antes de responder as perguntas a ele dirigidas, pois suas respostas serão um tipo de “princípios de conduta moral para as ovelhas”.

O segundo aspecto é que o objeto da reflexão da Ética Cristã é a conduta moral. Agora surge a pergunta: O que constitui um ato moral? Quais são as suas partes?
Um ato moral é constituído das seguintes partes: norma, situação motivo e conseqüência:

a. Norma: pode ser definida como aquilo que guia a conduta moral. Ela sempre trabalha em termos da situação. A ética inclui normas e situação. Podemos dizer que norma está para situação.
b. Situação: É quando ocorre o ato moral. Isto é um determinante na avaliação moral. Onde o problema ocorre, como ocorreu quem o praticou.
c. Motivo: Nesta parte do ato moral entra o por que (a razão, o motivo)? O por que é importante para a determinação moral. Os jovens caem muito nisso. Eles agem conforme o que deve ser feito e o que não deve ser feito. O motivo na ética cristã somente deve ser edificar individualmente o nosso próximo.
d. Conseqüência: Esta é a parte final do ato moral. Ela é o resultado da norma, situação e motivo. Esta parte deve ser medida pelo bem que vai resultar desses três outros elementos do ato moral.

Resumindo este ponto: Para um ato moral ser bom na forma cristã, todos estes elementos devem se encaixar com o que a Escritura ensina, ou seja: a norma, a situação, o motivo e a conseqüência.

III Qual a relação entre a Escritura e a reflexão moral?

A relação é a seguinte: Primeiro, a Escritura nos serve como guia. Ela nos dirige. Em muitos casos ela nos fornece diretamente a orientações.
Segundo, a Escritura nos guarda. Serve-nos como uma cerca pondo limites a nossas ações.
Terceiro, como bússola. Ela nos fornece os azimutes que devemos seguir. Por exemplo: a vida é um dom de Deus. Os médicos, policiais e juizes devem pensar neste ponto quando forem tomar suas decisões. O sofrimento é algo não essencialmente mal. O domínio próprio é uma realidade na vida do homem. Ele deve dominar todas as coisas.
Quarto, a Escritura como exemplo. Nela vemos como muitos servos de Deus agiram em determinadas situações.
Dentro deste ponto, devemos evitar o biblicismo. O biblicismo é uma violação da Escritura. Como por exemplo: A Escritura diz que o homem não deve vestir roupa de mulher e a vice e versa. Então, hoje mulheres não devem vestir calça-cumprida. Isto é uma manifestação de biblicismo, pois não respeita o contexto em que esta instrução foi dada ao povo de Deus. Em Deuteronômio Deus estava deixando claro que abominava a prática cúltica cananita do homem se vestir de mulher e a mulher se vestir de homem para cultuarem os seus deuses. O mandamento citado era algo para ser aplicado no seu tempo e de acordo com aquele motivo.

Resumindo a aula:

Ética cristã é a reflexão sobre a conduta moral a luz da perspectiva daquilo que a Escritura Sagrada nos oferece. Ela não faz um apelo a partículas soltas da vida. Ela olha a vida numa perspectiva do todo, percebendo a totalidade da vida, percebendo os elementos nela envolvidos. Por exemplo: quando estudamos a criação, queda, redenção e consumação, temos uma visão ampla da Escritura. Da mesma forma quanto buscamos o Pai, Filho e Espírito Santo. Este conceito deve ser aplicado quando analisamos os problemas éticos.

Nota do Editor: Estas são anotações das aulas de Ética ministradas pelo Dr. Nelson Kloosterman no Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil (CETIRB) no ano de 2004.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

POR QUE A IGREJA DE CRISTO TEM CONFISSÕES DE FÉ? - Por Ralph Boersema*

Não queremos que você fique confuso. Por isso, quero primeiro dizer que uma Confissão de Fé não é a mesma coisa que uma confissão de pecado. A palavra “confessar” realmente significa “concordar com a verdade”. Você pode falar a verdade sobre os seus pecados e pode também falar a verdade sobre o que crê. Falando de confissão de pecado, não podemos concordar com a idéia da Igreja Católica Romana que diz que você pode confessar o seu pecado para um Padre e este pode perdoar seus pecados em nome de Cristo. Você deve sempre confessar os seus pecados a Deus e também à pessoa que você ofendeu se fôr o caso. Podemos falar mais sobre este assunto numa outra ocasião. Agora quero falar sobre as Confissões de Fé que a Igreja de Cristo usa.
Numa Confissão de Fé a Igreja explica o que é o ensino da Bíblia. A Igreja tem muitas Confissões de Fé. Algumas são bem curtas. Elas muitas vezes são chamadas de Credos, que significa: O que se crê. Outras confissões são documentos com muitos parágrafos explicando o que a Bíblia ensina. Entre estas Confissões tem também os Catecismos. Um Catecismo ensina as verdades da Bíblia aos membros da Igreja e especialmente às crianças. Para facilitar este ensino, um Catecismo geralmente usa perguntas e respostas. Estas devem ser memorizadas pelos membros da Igreja.

Só a Bíblia!

Talvez você diga: Eu não quero Confissões. Quero só a Bíblia. Somente a Bíblia é a Palavra de Deus. Nunca podemos confiar em palavras de homens. É verdade que nunca devemos acrescentar nada à Bíblia. Qualquer pessoa que acrescenta ou tira alguma coisa da Bíblia é sujeita à grande ira de Deus. Uma verdadeira Confissão de Fé que é fiel à Bíblia jamais acrescenta nem diminui nada dela.

Uma Confissão de Fé é uma escrita humana, mas ela não pode acrescentar nada à Bíblia. Por que, então, a Igreja de Cristo tem Confissões de Fé? A Bíblia não é suficiente? Ou será que a Bíblia não foi escrita muito bem e que a Igreja precisa de uma apresentação melhor do que a Bíblia? Não, nada disso, a Bíblia é perfeita e nenhum homem pode melhorá-la. O defeito não está na Bíblia. É o homem que tem as suas limitações e é por causa destas limitações que temos Confissões de fé.

Confissões de Fé Fazem Parte do Ensino de Cristo

A idéia de fazer uma Confissão não foi inventada por algum homem. Foi Cristo que deixou este ensino importante para a Igreja e isto resultou nas Confissões de Fé. Primeiro, Cristo mandou os crentes confessarem a sua fé. Devemos declarar abertamente o que é que nós cremos. Em Atos 7, Estêvão fez um discurso diante do Tribunal. Esta foi sua confissão de fé. Nela ele declarou o que ele cria. Em Atos 15 encontramos um relato sobre um concílio da Igreja que teve que tomar uma decisão sobre uma controvérsia na Igreja. O Concílio tomou uma decisão e mandou o resultado às igrejas. Este resultado foi uma declaração do que a Igreja crê, em outras palavras, era uma Confissão de Fé. Na Bíblia, sempre quando alguém é batizado ele primeiro declara o que ele crê. Ele faz, então, uma confissão de fé. Paulo fala desta confissão de fé em 1 Timóteo 6:12.

Cristo deu à Igreja pastores e mestres (Efésios 4:11). Estes devem instruir os membros no ensino bíblico e devem zelar para que ninguém se desvie da Verdade. Para cumprir estas responsabilidades os pastores preparam documentos que podem ser usados como Confissões de Fé, documentos que explicam aos membros o que é que a Igreja crê que a Bíblia ensina. É o próprio Cristo que encarregou os pastores com esta tarefa.

Não Existe Igreja que Não tenha uma Confissão de Fé

Há algumas igrejas que dizem que não têm Confissão de Fé. Dizem que rejeitam todos os documentos humanos e só têm a Bíblia. Quando você falar com membros destas igrejas você percebe logo que eles se enganam. Você pergunta, por exemplo: Cristo morreu por todos os homens? Eles respondem logo com uma explicação, talvez até longa. Esta sua explicação já é uma confissão de fé. Quando você participar de uma igreja que diz que não tem uma Confissão de Fé, você percebe que os pastores desta igreja insistem em certas doutrinas e não permitem que você traga outro ensino, mesmo quando você citar somente a Bíblia. Eles explicam suas doutrinas em sermões e em lições para escola dominical. Este ensino que trazem não é nada menos do que uma confissão de fé.

Quer seja formal ou informal, toda igreja tem as suas confissões de fé. A questão não é ter ou não ter uma confissão de fé. A questão é se as Confissões (ou o ensino) da igreja é ou não plenamente fiel à Bíblia.

Por Que a Igreja de Cristo Tem Confissões de Fé?

A Igreja tem Confissões porque os homens são limitados. Ninguém consegue memorizar a Bíblia toda. Ninguém pode sozinho entender toda a Bíblia direito. Ninguém pode entender tudo certo só citando versículos sem nenhuma ajuda para saber a explicação certa. Para ajudar em todas estas limitações a Igreja usa Confissões de Fé. Nelas a igreja explica o que ela entende ser o verdadeiro ensino da Bíblia.

A Igreja usa Confissões para declarar a sua fé a Deus e isto para ser salva. Romanos 10:9 diz: “Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, em seu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”

A Igreja usa Confissões para evangelizar os homens. Com estes documentos ela proclama no mundo qual é a verdadeira Boa Nova de Jesus. Diz o Senhor Jesus em Mateus 10:32: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus”.

A Igreja usa Confissões para defender a fé contra ensino falso. Lemos em 1 Timóteo 1:3 o seguinte: “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina”.

A Igreja de Cristo usa Confissões para ensinar a seus membros. Colossenses 3:16 diz: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria...”

Uma igreja que não valoriza as fiéis Confissões de Fé geralmente não guarda firme a doutrina de Cristo. A tendência, neste caso, é abrir as portas para uma variedade de ensinos porque tal igreja não sabe bem o que é verdadeiro e o que é invenção dos homens. As confissões que a Igreja de Cristo desenvolveu através dos séculos são bons instrumentos para ajudar-nos a guardar a fé bíblica e crescer nela. Mesmo assim, é de grande importância nunca permitir que as confissões se tornem um substituto pela Bíblia.
* Pastor Ralph Boersema foi missionário no Brasil por mais de 20 anos e atualmente é diretor da Faculdade Internacional de Teologia Reformada (Fitref).

Será o Credo Apostólico Uma Invenção da Igreja Católica Romana?

Certa vez soube de algo interessante: Certo pastor que trabalhava em um campo missionário indígena não lia o Credo Apostólico nos cultos públicos. O motivo era porque os cristãos “evangélicos” daquela localidade poderiam acusá-lo de ser participante da igreja de Roma. Disse ele, que eles tinham sido ensinados por outros grupos “evangélicos” da região, que o credo apostólico era uma invenção dos católicos romanos. Agora, será que esta idéia que diz que o Credo Apostólico é uma invenção da igreja católica romana é verdadeira? Não, isto não é verdade.
Segundo a tradição da Igreja, o Credo Apostólico (o mais conhecido de todos os credos) é uma obra dos apóstolos. Os estudiosos não aceitam esta idéia e afirmam que o Credo Apostólico foi desenvolvido “a partir de pequenas confissões que os cristãos dos primeiros séculos faziam no momento que recebiam o sacramento do batismo. Embora os seus artigos sejam de origem bem antiga, acredita-se atualmente que o Credo Apostólico só alcançou a forma de hoje por volta do sexto século d.C (depois de Cristo), pois são encontrados registros do seu uso na ordem do culto oficial da igreja ocidental.”
A história nos revela que o Credo Apostólico vem de uma época anterior ao surgimento da igreja de Roma como instituição. Ele nunca foi uma invenção da igreja católica romana e nem um documento particular dela, mas é uma obra que pertence à Igreja do Senhor Jesus Cristo e que foi sempre usado como um instrumento de declaração de nossa Fé, de ensino e evangelização. Se estudarmos as obras dos reformadores, veremos que ele foi anexado, analisado e ensinado por eles. Ele faz parte de três dos principais catecismos reformados: o Catecismo de Heidelberg e dos dois Catecismos de Westminster (catecismos que fazem parte dos Símbolos de Fé das Igrejas Presbiterianas do Brasil).
Portanto, o Credo Apostólico não é documento inventado por um determinado grupo religioso, mas é um patrimônio e herança histórico-doutrinário da Igreja do Senhor Jesus Cristo na Terra.
Adriano Gama

Um pouco da História do Catecismo de Heidelberg

O Catecismo de Heidelberg foi elaborado no ano de 1563 a pedido do Príncipe eleitor Frederico III, que governava o Palatinado, uma província da antiga Alemanha. O Eleitor Frederico III queria um catecismo para instrução dos jovens e para servir de guia para pastores e professores. Para este importante trabalho ele chamou os Doutrores Zacarias Ursinos e Gaspar Olevianus.
O Catecismo foi bastante usado na Faculdade de Heidelberg, chegando a ser adotado por um Sínodo em Heidelberg e publicado em Alemão com um prefácio de Frederico III datado de 19 de janeiro de 1563. Este catecismo era ensinado nas igrejas em cada domingo de todos os anos.
Neste mesmo ano na cidade de Heidelberg foram publicadas uma segunda e terceira edições em Alemão do Catecismo com algumas adições como também uma tradução em Latim.
O Catecismo de Heidelberg foi introduzido na Holanda por meio do Rev. Pedrus Dathenus. Este irmão o traduziu para o holandês e o anexou a sua tradução holandesa do Saltério de Genebra, que foi publicado no ano de 1566. Neste mesmo ano o Pr. Peter Gabriel começou a expor o Catecismo em seus sermões nos cultos dos domingos a tarde como foi feito no Palatinado.
O Catecismo de Heidelberg foi adotado no Século XVI por um Sínodo Nacional das igrejas na Holanda como uma de suas Três Formas de Unidade. Neste mesmo sínodo foi requerida dos oficiais a subscrição dessas Três Formas e os ministros deviam explaná-las para as igrejas. O Grande Sínodo de Dort (1618-1619) reforçou fortemente esta posição.
Agora quando este Catecismo Europeu chegou no Brasil? Ele chegou em dois períodos.
O primeiro foi no tempo do Governo Holandês no Nordeste. Há uma ligação estreita entre o Catecismo de Heidelberg e o Brasil. Poucos conhecem esta ligação, porque ela ocorreu no passado durante o período que os holandeses governaram o Nordeste do Brasil nos anos de 1630-1654. O grande referencial dessa época é o Conde Maurício de Nassau.
Nesta época foi usada uma tradução em português do Catecismo de Heidelberg para ensinar os nordestinos de língua portuguesa as bases da Fé Bíblica. Também foi feita uma tradução em Tupi-Guarani para a evangelização dos índios brasileiros.
O segundo período foi no início da década de 70, quando as missões das Igrejas Reformadas da Holanda e do Canadá iniciaram trabalhos no Sul e no Nordeste do Brasil. No ano de 2000 as Igrejas Reformadas do Brasil se confederaram e adotaram As Três Formas de Unidade e, consequentemente, o Catecismo de Heidelberg.
Sendo assim, temos referenciais na história do mundo e do Brasil que este Catecismo não é algo novo, produto de uma seita, mas um documento antigo e bem usado pelas igrejas fruto da Reforma Protestante do Séc. XVI.
O Catecismo de Heidelberg tem sido traduzido em diversas línguas para instruir na Fé muitos crentes em Jesus Cristo em diversas épocas e lugares. Por isso, aproveite bem do seu estudo, sabendo que ao confessar a Fé Bíblica exposta no Catecismo de Heidelberg você está bem acompanhado pelos crentes em Cristo espalhados na História da Igreja e no mundo inteiro.

As Divisões e os Temas do Catecismo de Heidelberg

1. Nosso Catecismo tem 3 Divisões e os Temas:

1.1. A Primeira fala de nossa Miséria (1-4);
1.2. A Segunda fala de nossa Salvação (5-31);
1.3. A Terceira fala de nossa Gratidão (32-52);

2. Estas 3 Divisões e os Temas são apresentados em 52 Domingos. Este número foi escolhido especialmente para que em cada Domingo do ano o Catecismo fosse exposto às igrejas (um ano tem normalmente 52 de domingos).

Uma Breve História da Nossa Confissão de Fé

A nossa Confissão de Fé, também conhecida como Confissão de Fé Belga, foi formulada no ano de 1561. Ela foi escrita em língua francesa por que era a língua materna do autor, Guido de Brès (1567). Contudo ele não era francês, mas de origem holandesa.
Guido de Brès levou uma vida agitada por causa da verdadeira doutrina; foi pastor em várias cidades; também viveu como fugitivo em Londres e, mais tarde, em Genebra, onde foi aluno de João Calvino. Ele morreu como mártir, por enforcamento.
Na noite de 01 para 02 de novembro de 1561, a Confissão de Fé , na forma de um livrinho, foi lançada sobre o muro do castelo da cidade onde Guido de Brès estava (Doornik). Ele queria que os comissários, recém-chegados àquela cidade para destruir a Reforma, achassem o pacote endereçado ao rei Felipe II. (Não sabemos se Felipe II realmente chegou a ver ou a ler a Confissão de Fé)
A época em que foi escrita a nossa Confissão era um período de grande perseguição aos cristãos que não aceitavam a autoridade do papa. Através do livrinho, Guido de Brès pretendia desmentir a queixa de que os reformadores eram revolucionários e hereges. Por isso uma carta estava inclusa, em que se pedia liberdade de religião. Surgindo assim, a nossa Confissão.
Texto retirado e adaptado da introdução da Confissão de Fé e Catecismo de Heidelberg. Editora Cultura Cristã, pág. 4

Uma Breve História da Nossa Confissão de Fé

Igrejas Reformadas do Brasil - Quem Somos e o Que Cremos

As Igrejas Reformadas do Brasil têm como objetivo adorar ao Senhor Deus em Espírito e em Verdade da maneira que Ele ensina nas Sagradas Escrituras, do Antigo e Novo Testamento. Estas igrejas trabalham em favor do Seu Reino entre os homens. Fazem isto mostrando-lhes que Deus é soberano. Ele tem todo o poder e toda autoridade. Em Seu (do Senhor Deus) nome as Igrejas Reformadas chamam todos ao arrependimento através da Boa Nova de Deus que é o Evangelho. Somos uma igreja cristã porque cremos no Senhor Jesus Cristo e o temos como nosso único Senhor que nos salva do nosso pecado e afasta de nós a grande ira de Deus.
Somos bíblicos porque somente aceitamos as Sagradas Escrituras (Bíblia) como a única autoridade e regra de fé e prática para vida do cristão. Somos Reformados porque nossa origem histórica como igreja, vem do grande período da Reforma Protestante do Século XVI, daí o nome reformada. As Igreja Reformadas do Brasil têm as suas doutrinas resumidas em documentos que chamamos símbolos de fé, sendo eles: A Confissão de Fé Belga, o Catecismo de Heidelberg e Os Cânones de Dort. Também aceitamos como documentos que expressam a nossa fé os credos antigos, que são: o Credo Apóstolico, Credo Niceno e o Credo Atanasiano.
Utilizamos cinco princípios como resumo daquilo que cremos: Somente As Escrituras, Somente a Graça, Somente a Fé, Somente Cristo e Somente a Deus toda glória. Eles trazem a declaração do que acreditamos, sendo as mesmas frases que os nossos pais na fé, os reformadores, utilizaram em seu tempo contra à exploração religiosa de sua época.
Não concordamos com nada que não esteja de acordo com as Sagradas Escrituras. Por este motivo, não aceitamos o Papa como sendo o vicário (substituto) de Cristo nem as suas doutrinas que são contrárias as Sagradas Escrituras e foram a causa de toda corrupção do corpo de Cristo Jesus, a Igreja. Não aceitamos qualquer idéia que coloque no homem o poder de sua salvação (arminianismo). Isto, exalta a criatura (o homem) e diminui a soberania e glória do Senhor Deus. Não podemos concordar com os conceitos e ensinos pentecostais, neopentecostais ou movimentos semelhantes, que afirmam que os dons apostólicos, os dons extraordinários (línguas, profecias e etc.) e as novas “revelações do Espírito” continuam até os nossos dias, pois, essas idéias não encontram apoio nas Sagradas Escrituras e suas experiências (dos pentecostais) são totalmente diferentes daquelas que aconteciam na Igreja do tempo dos apóstolos. O ensino pentecostal diminui a autoridade da Bíblia como única regra de fé e prática para o cristão e os conduz a basear a sua fé em experiências “espirituais” sem base nas Escrituras.
Como os leitores podem perceber, as Igrejas Reformadas, não são uma “seita nova”, como muitas pessoas sem conhecimento pensam. Temos uma história. Desejamos, que após todas essas declarações e este pequeno esclarecimento do que somos e o que cremos, todos os nossos leitores tenham o conhecimento de mais uma parcela da família do Senhor Deus e crie em vocês o desejo de nos conhecer mais de perto.